Ilhéus recebe Mostra de Cinema no Terreiro de Odé

Logo ilustração bambu

A mostra de filmes CINE ODÉ – Cinema no Terreiro fará do Terreiro de Odé, em Ilhéus, um espaço cultural voltado para o cinema e dedicado a filmes que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

A mostra acontece de janeiro a junho de 2016, sempre no último final de semana de cada mês, com sessões aos sábados e aos domingos, abertas ao público gratuitamente e com a presença de convidados especiais para um bate-papo depois das projeções. Serão exibidos, durante as várias sessões da Mostra, 16 filmes entre curtas  e longas metragens, animações, documentários e ficções. As primeiras sessões acontecem nos dias 30 e 31 de janeiro, sábado e domingo respectivamente, sempre às 17 horas.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09ACESSO: O evento disponibiliza uma van para facilitar o acesso do público ao local da mostra. O Terreiro de Odé, localizado no bairro Alto do Basílio, é um dos mais tradicionais terreiros de Ilhéus. Fundado em 1942 por Pedro Faria, conhecido como Pai Pedro, enfrentou graves dificuldades depois da trágica morte de seu fundador, que chocou a cidade. Hoje, o terreiro tenta se consolidar como espaço cultural, através do Instituto de Solidariedade Pedro Faria, voltado para a memória dos Orixás e da obra de Pai Pedro.

A Mostra Cine Odé tem curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, organizadores da mostra e cineastas que, entre outros filmes, realizaram o curta As Cruzes e os Credos (2014), gravado, em sua maior parte, no próprio Terreiro de Odé. Para os diretores, fazer o filme, partindo da impactante morte de Pai Pedro, se tornou uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério. As Cruzes e os Credos, que foi exibido no V Feciba – Festival de Cinema baiano 2015 e em festivais de Cinema na Colômbia e na Bolívia, integra a programação da Mostra Cine Odé, que apresenta também uma diversificada filmografia baiana e de outras partes do país.

Todas as informações e a programação completa podem ser acessadas no site da mostra: https://cineodeblog.wordpress.com/

Ou pelo telefone (73) 98110-5773, para falar diretamente com os organizadores ou produtores da Mostra Cine Odé.

O projeto Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

MUROS na Sala Walter da Silveira

g3579g3818Na sessão, estarão presentes os diretores e o fotógrafo que participa do filme, Rogério Ferrari. MUROS (25min, 2015), filme de Camele Queiroz e Fabricio Ramos que relaciona Brasil e Palestina percorrendo favelas de Salvador, ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo júri técnico do V Feciba em 2015, e foi eleito como um dos dez favoritos do público no 26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.

O curta participou também de importantes festivais de cinema no Brasil e no exterior, tais como XI Panorama Internacional Coisa de Cinema em Salvador, 10º Mostra Mundo Árabe de Cinema, 19º Goiânia Mostra Curtas, 19º FIDOCS no Chile, 10º MiradasDoc, na Espanha, 25º DocAnt na Argentina, entre outros, e foi exibido nas principais salas de cinema culturais do país, como MIS – Museu de Imagem e Som, CineSesc, Cine Olido, CCBB em São Paulo, Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, em Salvador, entre outras, e finalmente, na Sala Walter da Silveira.

A entrada é franca e a exibição será seguida de bate-papo com o público presente.

Confira a página do evento no Facebook.

TRAILER

 

SOBRE O FILME

MUROS cartaz novo LEVEMUROS (2015) põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores Camele e Fabricio, revelando pontos em comum entre populações com diferentes condições de vida marcadas por conflitos sociais, políticos e econômicos. O encontro com as pessoas e seus hábitos revela também uma forma de riqueza que surge através do duplo jogo de registro com imagens fixas e em movimento.

Rogério Ferrari é baiano, natural de Ipiaú. Há vários anos retrata a luta por autodeterminação de diversos povos pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros.

MUROS é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento, selo independente coordenado por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, realizadores de um certo cinema em Salvador, Bahia. O projeto “Muros” teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através de edital público do Setorial de Audiovisual 2013, realizado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e pela FUNCEB – Fundação Cultural do Estado da Bahia.

FICHA TÉCNICA

ROTEIRO, DIREÇÃO, MONTAGEM, FINALIZAÇÃO
fabricio ramos e camele queiroz

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO
juliana freire

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA E CÂMERA
fabricio ramos

SEGUNDA CÂMERA
ramon coutinho

SOM DIRETO E FINALIZAÇÃO DE ÁUDIO
haydson oliveira

EDIÇÃO E COR
camele queiroz

PRODUTOR LOCAL NO CALABAR
José Inácio da Conceição Filho

PRODUTOR LOCAL NO NORDESTE DE AMARALINA
Paulo Sérgio Vieira Costa (Paulo Lé)

REALIZAÇÃO
bahiadoc arte documento

Na Cisjordânia: “As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente” (Caetano Veloso)

Cabe colocar o MUROS como um filme que dialoga com sentimentos que Caetano expressa no texto. Em visita à Cisjordânia junto com Gilberto Gil:

“As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente. (…) Era impossível não fazer paralelo com situações que vivemos no Brasil.”

Caetano Veloso, Hoje (8/nov), na Folha, no artigo “Visitar Israel para não mais voltar a Israel” [link]

Captura de Tela 2015-11-08 às 13.01.21No entanto, embora o texto de Caetano ultrapasse muito o paralelo, compõe um relato confortavelmente distanciado da dimensão do drama palestino e evitando prudentemente qualquer reducionismo comparativo (e expressando uma certa “mea culpa”, importante ressaltar, por ter aceitado fazer o show em Israel depois de campanhas para que ele recusasse, e agora diz que não volta mais lá…). Para nós, cabe colocar o MUROS como um filme que dialoga com os temas que Caetano aborda, pontualmente.

[Para quem ainda não viu, no filme, seguem trailer, infos e site do MUROS]:

Os diretores Fabricio Ramos e Camele Queiroz acompanham o fotógrafo Rogério Ferrari percorrendo os bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, motivados pela impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras sob vários aspectos sociais, urbanísticos e arquitetônicos.

MUROS põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, ritmando fotografia e cinema, direcionando as escolhas Estéticas para o sentimento de afirmação da vida e de resistência cotidiana. MUROS é um curta metragem de 25 minutos cuja estrutura identifica-se com a maneira escolhida pelos diretores Fabricio e Camele para percorrer os espaços em que o filme acontece (favelas), e com a forma como se relacionam com Rogério, que mantém sua autonomia característica de suas vivências fotográficas pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros.

https://curtamuros.wordpress.com/

Via arte_docuemento

AS CRUZES E OS CREDOS: filme online na íntegra

O curta está disponível online na íntegra. Assista:

SINOPSE:

A partir das mortes de um Bispo e de um Pai de Santo e de uma reflexão sobre conflitos e interações entre candomblé e catolicismo, o realizador volta a Ilhéus para revisitar o tema de um curta universitário feito por ele há 11 anos. Dessa vez, fazer o filme se torna uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

AS CRUZES E OS CREDOS foi finalizado em 2014 e gravado em Ilhéus/BA, no Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro em 1942. Pai Pedro foi assassinado a tiros dentro do terreiro, por razões não esclarecidas. O filme não contou com recursos oficiais, mas foi viabilizado através de financiamento coletivo via Facebook e com o apoio solidário de pessoas que trabalharam no filme e emprestaram equipamento.

O filme participou da Mostra Oficial de curtas do 19º Fenavid — Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolívia 2014. E também da Mostra Oficial do I Festival de Cortos Somos Afro, sediado na Colômbia, em 2015. O filme foi exibido em Ilhéus em junho de 2015 como parte da programação do V FECIBA — Festival de Cinema Baiano, na Mostra Bahia Adentro.

Sobre a experiência de fazer o CRUZES:

Há dez anos, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: fui ao Terreiro de Odé em Ilhéus, região sul da Bahia onde eu nasci e me criei (hoje vivo em Salvador). Pedro Farias tinha sido assassinado em 2003 — e nesse ano eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos, de um pai de santo conhecido e do bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Não pude entrar no terreiro, fiquei na porta. Luto. Respeito. Fui embora. Voltei dez anos depois, pra fazer outro filme… esse filme.

O filme começa com o mar. Ainda no início, Maria Marta saúda o mar de Ilhéus, ao nascer do sol. Toda essa breve história de cinco séculos eu a vejo como numa imensa tela de cinema que é o mar. Cinco séculos de violências, lutas, resistências, tradições e fé. Quando, eventualmente, misturamos essa “consciência” histórica a um estado de espírito aberto aberto às forças místicas, somos capazes de sentir mais vivamente a conexão entre a nossa Cultura e as nossa vidas. Conexão que Maria Marta — que tem o mar iniciando seus dois nomes — mantém viva e fortalecida a cada desafio que enfrenta, conexão que Maria Marta, sem me dar nenhuma aula nem palestra, nem curso nem ritual, tem me ajudado a resgatar.

FICHA TÉCNICA

Roteiro, Direção e Edição: Fabricio Ramos e Camele Queiroz //// Som Direto: Camele. ///// Dir. de Forografia: Fabricio. ///// Produção: Juliana Freire ////// Finalização do Audio: Haydson Oliveira.

A realização leva o selo do Bahiadoc — arte documento.

Entrevista com Rogério Ferrari, fotógrafo baiano que convive com povos em luta

Há vários anos, Rogério Ferrari retrata a luta por autodeterminação de diversos povos pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no Líbano, na Síria e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros. Rogério é baiano de Ipiaú, viveu em Salvador por vários anos e atualmente vive em Assunção, no Paraguai. A entrevista foi realizada em outubro de 2015 pelo Canal “Pobres e Nojentas” de Florianópolis.

NO TERRITÓRIO GUARANI-KAIOWÁ

Em setembro de 2015, Rogério esteve no Mato Grosso do Sul, de forma autônoma, registrando a luta dos Guarani pelo cumprimento do direito às suas terras, no esforço de trazer mais relatos sobre esse novo momento de retomadas. Como diz o próprio Rogério, “Fotografar é também uma maneira de estar junto e participar”, de se envolver e compartilhar. Por lá, Rogério fez Fotografias e registros em vídeo que estão sendo reunidos em:

Captura de Tela 2015-10-19 às 21.51.45

MUROS

Ferrari participa do curta MUROS [site do curta], dirigido por Camele Queiroz e por mim (Fabricio Ramos), que relaciona Brasil e Palestina. No filme, lançado este ano, o fotógrafo percorre favelas de Salvador e relaciona aspectos sociais e arquitetônicos das favelas brasileiras com as suas vivências em campos de refugiados palestinos, revelando pontos em comum entre populações com diferentes condições de vida marcadas por conflitos sociais, políticos e econômicos. O encontro com as pessoas e seus hábitos revela também uma forma de riqueza que surge através do duplo jogo de registro com imagens fixas e em movimento.

MUROS participou de Mostra e Festivais no Brasil e em outros países. Acompanhe os caminhos do filme no site: https://curtamuros.wordpress.com/

MUROS no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema

O curta-metragem MUROS, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da Mostra Nacional do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece em Salvador e em Cachoeira, de 28 de outubro até 4 de novembro.

EM SALVADOR, MUROS passa no dia 3 de novembro às 19h30, no ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA GLAUBER ROCHA – SALA 1, que fica na Praça Castro Alves.

Na mesma sessão serão exibidos também “Em Paz”, de Clara Linhart (RJ) e “Boi Neon”, longa de Gabriel Mascaro (PE).

Captura de Tela 2015-10-19 às 20.17.12EM CACHOEIRA, MUROS passa no dia 01/11 (Domingo) às 16h30 no CINE THEATRO CACHOEIRANO:

Captura de Tela 2015-10-19 às 20.39.39Para informações sobre compra de ingressos e para conferir a programação completa, acompanhe o site do XI Panorama: http://coisadecinema.com.br/xi_panorama/

No mesmo período do Panorama, o MUROS participa dos festivais:

MiradasDocFestival Internacional de Cine Documental de Guía de Isora. Mostra Oficial. 1 a 7 de novembro de 2015. Espanha.

Cinefest Gato Preto – 11ª edição. Lorena-SP. De 29 de outubro a 1 de novembro.

Acompanhe no site do curta os caminhos que o filme trilhou em vem trilhando: Festivais e premiações.

Nesse início de outubro, “Muros” passa em Vitória da Conquista/Ba e em Goiânia

Cartaz_Mostra Conquista 2015Nesse início do mês, MUROS, filme de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da Mostra Cinema Conquista, que acontece entre os dias 4 e 9 de outubro em Vitória da Conquista/BA; e da 15ª Goiânia Mostra Curtas, que acontece de 6 a 12 de outubro na capital goiana.

Em sua 11ª edição, a Mostra Cinema Conquistaum olhar para o novo cinema exibirá 45 filmes brasileiros entre longas, médias e curtas metragens, consolidando um espaço de experimentação cinematográfica, que democratiza o acesso à produção nacional e o debate sobre os mais diversos temas do cinema e do audiovisual. Na Mostra, MUROS passa dia 6 de outubro, às 18h, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.

Já o Goiânia Mostra Curtas, em sua 15ª Edição, constitui-se como um dos festivais mais expressivos de curtas do país. Serão 51 filmes na Mostra Brasil, que busca revelar um panorama atual da produção nacional em curta-metragem. MUROS passa no dia 8 de outubro, na sessão que começa a partis das 19h Teatro Goiânia.

Saiba mais sobre o curta no site do MUROS e acompanhe os caminhos do filme que já passou por diversos Festivais e Mostras de Cinema no país e no exterior, e que até o fim do ano participará do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador/Ba; do X Miradas Docs, na Espanha; e do CineFest Gato Preto, em Lorena-SP.

“Muros” no FIDOCS, Festival de documentários do Chile

Captura de Tela 2015-09-21 às 20.04.48O curta “MUROS“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da seleção oficial da Mostra Internacional do Festival Internacional de Documentales de Santiago, FIDOCS, em sua 19a. edição, um dos festivais mais destacados da América Latina. O FIDOCS, que foi fundado em 1997 pelo realizador Patrício Guzmán, acontece de 22 a 27 de setembro de 2015 em Santiago.

Na programação do Festival, MUROS passa na quarta, 23 de setembro, e na sexta, 25, ambas as sessões no teatro GAM, Centro Cultural Gabriela Mistral. A programação completa do FIDOCS pode ser acessada no site do festival.

O MUROS participa da COMPETENCIA INTERNACIONAL DE CORTOMETRAJES “MONSIEUR GUILLAUME”: mostra internacional oficial do festival que foi inaugurada em 2013 e que seleciona filmes que valorizem o uso reflexivo e vanguardista da linguagem cinematográfica, segundo a definição do próprio Festival. A Mostra foi apoiada pelo consagrado cineasta Chris Marker, pouco antes de morrer, e em sua homenagem e com sua autorização, leva o nome de seu famoso gato Guillaume-en-Egipto”.

Além das Mostras nacional, latinoamericana e internacional, o FIDOCS apresentará os novos trabalhos de Patricio Guzmán, Joshua Oppenheimer y Win Wenders, entre outros filmes esperados.Acompanhe os eventos e as notícias pelo site do festival.

Depois do FIDOCS, o MUROS passa no 15º Goiânia Mostra Curtas (6 a 11 de outubro); na 11a. Mostra Cinema Conquista, em Vitória da Conquista-BA (4 a 9 de outubro); no CineFest Gato Preto em Lorena-SP (29 de outubro a 1 de novembro); e no MiradasDoc, na Espanha (1 a 7 de novembro).

Acompanhe os caminhos do MUROS no blog do curta.

Em São Paulo, Expo “Nosoutros” reúne fotografias de Rogério Ferrari relacionando Salvador e Palestina

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.03.27Permanece até dia 11 de setembro de 2015, na Matilha Cultural em São Paulo, a Expo Fotográfica “Nosoutros”. Realizada pela Mostra Mundo Árabe de Cinema, a expo relaciona os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

Segue matéria de Arthur Gandini para o site do Instituto da Cultura Árabe:

A Matilha Cultural, no centro de São Paulo, foi palco, na quinta-feira (27), da abertura da exposição de fotos “Nosoutros”, de Rogério Ferrari, que fica em cartaz no espaço até 11 de setembro. A abertura teve também a exibição do filme “Muros”, com as presenças dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, além da produtora de “Marte ao Amanhecer”, Nirah Shirazipour.

Resultado do mais recente trabalho do baiano Rogério Ferrari, que não pôde estar presente na abertura,  “Nosoutros” documenta, com fotos em lambe-lambe e projeções audiovisuais, o olhar-ponte do fotógrafo sobre os campos de refugiados palestinos em 2002 e 2008, relacionando-os com bairros periféricos de Salvador, Bahia, em 2014. A exposição conta também com o trabalho audiovisual “Eloquência do sangue”, realizado a partir de fotos feitas na Palestina ocupada em 2002 e do som ambiente registrado neste período. As palavras do autor repercutem a força das imagens ao propor “que a arte assuma o lugar que lhe corresponde: o de aquecer a rebeldia”.

Como em toda a programação da Mostra nesta 10ª edição, a exposição de fotos dialoga com o filme “Muros”, misturando imagens de vídeo com os cliques de Rogério Ferrari, que também integram a película. “São realidades difíceis por diversas razões e quem nos falou primeiro dessa relação foi o Rogério, porque ele esteve lá nesses campos palestinos. E nós, que somos de Salvador, conhecemos o trabalho dele”, contou Fabricio Ramos, um dos diretores de “Muros”. “Quando ele fez essa inferência, nós propusemos logo um trabalho. Já que estamos na área do cinema e ele, na da fotografia, vamos fazer essa junção.”

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.15.22Camele Queiroz, também diretora do filme, falou sobre como o público brasileiro tem se identificado com a obra. “Você percebe nitidamente que há uma relação clara entre aquelas realidades, mesmo que, no caso da imagem, atenha-se mais a aspectos geográficos, da arquitetura, do urbanismo. Como há algumas fotografias que não apresentam pessoas, necessariamente, e sim mais aspectos urbanos, algumas pessoas falam “poxa, aí eu já não sabia onde era”, disse.

Segundo Ramos, o objetivo do filme foi mesmo impactar o público, o que ele tem visto acontecer. “Estão fechando as fronteiras com muros para que os imigrantes não possam chegar à Europa mais desenvolvida.”

O diretor também falou sobre como vê a realidade social no Brasil. “Os muros são históricos e ainda muito sólidos, embora, ao longo de gerações, muita gente tenha trabalhado para derrubar esses muros, mas eles existem: os guetos, as ocupações militares nas favelas, o problema urbanístico, social, humano. A solução, por parte do poder, é a solução policial. O Brasil passou por uma melhora de consumo, mas de piora da violência social”, refletiu.

Muitas imagens de Rogério Ferrari que não estão em “Muros” podem ser vistas na exposição na Matilha. Segundo Camele, a exposição mostra um outro olhar do filme, assim como o filme dá outra perspectiva das fotos. “Chamaram isso de uma quarta dimensão”, brincou.

“Muros” no DocAnt2015 que acontece em Buenos Aires

Nesta sexta, 4 de setembro, “Muros” será exibido em Buenos Aires pela 25º Muestra del Documental Antropológico y Social – DocAnt2015, a Mostra mais antiga de documentários na Argentina, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de setembro no Museu Etnográfico “J. B. Ambrosetti”, com entrada livre e gratuita.

Com 25 anos de projeções contínuas e um catálogo de mais de 3.000 títulos, a DocAnt tornou-se um fórum de divulgação e consulta para o trabalho de cineastas, nacionais e internacionais, exibindo e debatendo filmes que não fazem parte do circuito habitual de projeções. Este ano, participam filmes vindos de: Espanha, Portugal, EUA, México, Paraguai, Índia, Bélgica, Itália, Alemanha, Japão, Paquistão, Bolívia, Brasil, Chile, Finlândia e Canadá. Haverá conversações com diretores, apresentações especiais, cursos e oficinas.

Captura de Tela 2015-09-03 às 10.24.29Organizadores: Departamento de Mídia audiovisuals- INAPL- (Instituto Nacional de Antropologia e Pensamento Latinoamericano [ver site]

Local: Museu Etnográfico “J. B. Ambrosetti “(Moreno 350- CABA)