A Mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro apresenta suas últimas sessões: dias 2 e 3 de JULHO

# ATENÇÃO

Devido a problemas técnicos, o número do celular para contato com o Cine Odé e informações sobre a Van mudou. Passou a ser: (73) 98233-0022.

Captura de Tela 2016-02-12 às 13.57.38A última edição do Cine Odé – Cinema no Terreiro, que seria em junho, será no início de julho: dias 2 e 3 de julho (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h.

A Mostra acontece no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba. Fundado por Pai Pedro Faria em 1942, o terreiro fica no Bairro Alto do Basílio. O Cine Odé, que começou em janeiro e se encerra nesta última sessão, tem a  proposta de tornar o Terreiro de Odé um espaço cultural voltado para o cinema, promovendo sessões mensais gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas. Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui desde filmes consagrados até realizações independentes descobertas na internet.

FILMES DE JULHO

Sábado, dia 2, às 17h:

“AS CRUZES E OS CREDOS” (29min, 2014)

Captura de Tela 2016-06-16 às 12.48.30No sábado, dia 2 de julho, será exibido especialmente o filme “As Cruzes e os Credos“, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizadores do Cine Odé. O curta, gravado em boa parte no próprio Terreiro de Odé, parte de duas mortes para revelar um encontro inesperado com a vida, através do sagrado, do mistério e da Fé. Um DVD do filme será sorteado entre os presentes na sessão. “As Cruzes e os Credos” participou de festivais de cinema na Colômbia, na Bolívia, na Argentina e, na Bahia, participou do V FECIBA – Quinto Festival de Cinema Baiano, em 2015. Saiba mais sobre o filme no site do curta: clique aqui.

“EXU ALÉM DO BEM E DO MAL” (23min, 2013)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.36.43Antes da exibição de As Cruzes e os Credos, no mesmo sábado (dia 2), será exibido o curta “Exu Além do Bem e do Mal“, dirigido por Werner Salles Bagetti. O filme realiza uma imersão poética no tema Exu, um dos Orixás mais controversos. A câmera passeia pela cidade e captura silêncios, semblantes e vazios, antes de mergulhar no transe dos terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada em celebração a Exu. Em paralelo, um discurso polifônico é construído com as vozes de especialistas do tema, em Alagoas e Pernambuco. Entre os entrevistados estão os babalorixás Manoel Papai, Pai Célio de Iemanjá, Pai Manoel do Xoroquê e o antropólogo pernambucano Roberto Motta. O projeto do filme foi contemplado no 2º Edital de Fomento à Produção Audiovisual de Alagoas em 2012.

Legba, Bará, Eleguá, Tranca-rua, diabo, capeta… Exu é um dos orixás mais controversos da cultura afro. Interpretado muitas vezes como o diabo pelo catolicismo é constantemente associado ao mal em diversas leituras, até mesmo por alguns autores umbandistas do passado. Porém, o significado do mito Exu, tanto para a Umbanda, quanto para o Candomblé, vai muito além de tudo isso.

No Candomblé Exu é a figura mais humana dos orixás, senhor do princípio e da transformação. Exu é a ordem, aquele que se multiplica e se transforma na unidade elementar da existência humana. Exu não é totalmente bom, nem totalmente mau, assim como o homem: um ser capaz de amar e odiar, unir e separar, promover a paz e a guerra. Sem ele os Orixás e humanos não podem se comunicar, pois Exu faz o papel de mensageiro com cada um dos demais orixás.

Domingo, dia 3, às 17h

“DANÇA DAS CABAÇAS – EXU NO BRASIL” (54min, 2008)

Captura de Tela 2016-06-16 às 13.28.27Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.

As Cruzes e os Credos” também será exibido no domingo.

IMPORTANTE LEMBRETE:

Devido a problemas técnicos, o número do celular para contato com o Cine Odé e informações sobre a Van mudou. Passou a ser: (73) 98233-0022.

Para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece uma Van para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98233-0022. A entrada é gratuita.

CONVIDADOS ESPECIAIS

No sábado, dia 2 de julho, dois convidados especiais estarão presentes na sessão: José Nazau e Lourival Piligra. José Nazal é Fotógrafo e profundo conhecedor da história religiosa de Ilhéus. Foi amigo pessoal do fundador do Terreiro de Odé, Pedro Faria – e esteve na sessão de fevereiro do Cine Odé, quando falou sobre o solo sagrado do Bairro do Basílio. Lourival Piligra é professor e pesquisador no campo da Filosofia, além de poeta e escritor.

Mãe Carmosina confirmou presença na sessão do dia 3 de julho

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Fabricio cumprimenta Mãe Carmosina (foto: Feciba)

Com mais de 90 anos dedicados ao trabalho espiritual, Mãe Carmosina é uma grande referência religiosa e cultural em Ilhéus e foi uma grande amiga de Pai Pedro, fundador do Terreiro de Odé. Ela nos dará a honra de sua presença na sessão de domingo, dia 3 de julho, no Terreiro de Odé, uma convidada mais do que especial. Na foto, Mãe Carmosina no Cine Santa Clara em 2015, quando foi exibido o curta “As Cruzes e os Credos”, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, pelo V FECIBA – Festival de Cinema Baiano. O filme compõe a programação de JULHO do Cine Odé e será exibido nos dois dias: sábado e domingo. (Fotos: FECIBA).

O Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

 

Fotos das sessões de MAIO do Cine Odé – Cinema no Terreiro

Sábado (28).

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Domingo (29).

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A Mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro acontece mensalmente desde janeiro no Terreiro de Odé, conhecido também como terreiro de Pai Pedro, em Ilhéus. A mostra, que vai até julho, teve sua penúltima sessão em maio. As últimas sessões, que seriam em junho, foram transferidas para o início de julho: serão dias 2 e 3 de julho, por conta do São João e pelo fato de o dia 2 de julho ser uma data especial na tradição do terreiro de Odé.

Nas sessões de maio, foram exibidos os curtas “Candomblé: Paz e Fraternidade“, dirigido e produzido por Mirella Lima; e “Exu – Além do Bem e do Mal”, dirigido por Werner Salles Bagetti. O longa foi “Orí”, filme lançado em 1989 pela cineasta e socióloga Raquel Gerber, que aborda a reconstrução da identidade negra no Brasil, cujo fio condutor é a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995.

Como nas edições anteriores, as sessões contaram com a presença de convidados especiais que participam do bate-papo com o público após a sessão. Desta vez, a convidada especial do sábado foi a Educadora Karine Fênix, e o convidado do domingo foi o professor, poeta e pesquisador Lourival Piligra.

Reiterando, as últimas sessões deste ano do Cine Odé serão nos dias 2 e 3 de JULHO, sempre às 17h. Os filmes e os nomes dos convidados serão divulgados em breve. Acompanhe a Mostra no site do Cine Odé e também na Página do Facebook: Clique aqui.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui desde filmes consagrados até realizações independentes descobertas na internet.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece uma Van para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773. A entrada é gratuita.

 

 

MUROS em Fortaleza pela 4ª Mostra Cultura do Cinema Brasileiro

Captura de Tela 2016-05-18 às 20.31.07MUROS (25min, 2015), dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da 4a Mostra Cultura de Cinema Brasileiro, que acontece de 20 a 22 de maio na Livraria Cultura de Fortaleza.

A Mostra, cuja proposta é celebrar o audiovisual brasileiro, não é competitiva, mas estimula o voto popular para eleger os “Favoritos da Mostra Cultura 2016″. Ao final de cada sessão, o público atribuirá uma nota a cada filme visto. Os cinco mais votados serão divulgados no dia 23 de maio no blog e nas redes sociais do evento.

Segundo os organizadores, esse ano a curadoria recebeu 290 curtas-metragens nacionais, número recorde desde a primeira edição do evento. Foram selecionados 30 filmes que representam 12 estados brasileiros: Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

MUROS passa no dia 22 de maio (domingo), às 15h30, no PANORAMA BRASIL 3. A programação completa pode ser acessada no site da Mostra.

Acompanhe os caminhos do MUROS no blog do curta.

Sete perguntas sobre a mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro

Reproduzimos abaixo a entrevista, feita por Felipe Ferreira para o site CinemAção, com os realizadores e curadores do Cine Odé – Cinema no Terreiro, Camele Queiroz e Fabricio Ramos. A entrevista, publicada originalmente naquele site no dia 14 de abril de 2016, aborda as experiências de Fabricio e Camele com o Terreiro, reflete sobre a intolerância religiosa e outros temas ligados ao Cinema e mesmo à Política. As respostas foram elaboradas conjuntamente pelos curadores e enviadas ao site CinemAção por email.

A ENTREVISTA

1. O “Cine Odé – Cinema no Terreiro” é um projeto que une a cultura cineclubista à um resgate histórico e autoafirmativo do candomblé. Essa intertextualidade entre o cinema e a fé ancestral entre Brasil e África colabora na quebra do imaginário e dos preconceitos que cercam essa religiosidade?

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Conversas após as sessões são marcadas pela ampla participação do público.

O cinema é expressão também de nossa cultura. Se olharmos com atenção, desde os anos 1950 as tradições afro-brasileiras aparecem no Cinema, mas às vezes de forma ambígua. O cinema Novo, no início dos anos 1960, em filmes de Glauber (Barravento, 1961) e mesmo de Geraldo Sarno (Viramundo, 1965), tendia a considerar a religião, qualquer religião, um fator de alienação do povo. A exceção da época foi “O Pagador de Promessas”, que mostrou uma visão mais simpática do Candomblé e abordou a marginalização e a intolerância das religiões africanas diante de religiões institucionalizadas. Este, inclusive, é o filme de nossa quarta sessão mensal, a sessão de abril, que começa no dia 30. Depois a coisa foi mudando. O próprio Geraldo Sarno fez “Espaço Sagrado” (1976), documentário que passamos na Mostra e que busca revelar e aprofundar o conhecimento de ritos e fundamentos do Candomblé. Glauber também passou a problematizar mais conflituosamente a razão e o misticismo em seus filmes. E muitos outros filmes (desde Nelson Pereira dos Santos até diversos documentários independentes) apareceram revelando visões mais diversificadas, simpáticas às religiões africanas, respeitando a sofisticação da cultura dos Orixás e buscando revelar a riqueza das tradições religiosas que sincretizaram, junto à religião dominante, conhecimentos de origens africanas e indígenas. Portanto, essa rica cinematografia que apareceu com essas outras visões,  inclusive filmes realizados por adeptos das religiões, existe e o problema agora é a lógica do acesso a ela: precisa ser mostrada, exibida, conhecida. Temos a internet que disponibiliza vários desses filmes. Mas a experiência coletiva de ver o filme, essa partilha presencial e, mais ainda, dentro do Terreiro, é poderosa. Acreditamos que o cinema tem um poder sem igual para revelar aspectos da própria vida, das visões sobre a vida, a cultura, a fé humana, e de interferir no imaginário das pessoas e de estimular descobertas e a reconfigurar relações e visões de mundo.

Captura de Tela 2016-05-17 às 11.12.292. A exibição dos filmes acontece dentro do Terreiro de Odé, em Ilhéus-BA. A acessibilidade do público ao solo sagrado dos orixás e das divindades africanas, foi pensando intencionalmente como instrumento de ruptura do distanciamento entre o espaço religioso e o imaginário humano?

Não foi uma intenção consciente, buscando possíveis efeitos simbólicos ou práticos, embora temos visto que sim, o Cine Odé, a cada sessão, tem diminuído distanciamentos, seja entre moradores do bairro e o Terreiro, entre os filhos de santo da casa e mesmo entre pessoas que nunca tiveram nenhum contato com o terreiro, às vezes nem com a  religiosidade, mas que apareceram lá atraídos pelo Cinema e afirmaram que a experiência foi marcante, pelo filme e pelo local, pelo conjunto de fatores, que impactam o imaginário. O Terreiro de Odé tem uma história muito rica, mas atravessada pela tragédia que foi o assassinato de seu fundador, dentro do Terreiro. Para nós, a história do terreiro não é única, mas emblematiza as histórias de resistência e afirmação que marcam as lutas das religiosidades de matrizes africanas e indígenas por suas permanências. O Terreiro de Odé já não opera como terreiro propriamente. O espaço está lá, depois de enfrentar abandono e situações críticas devido a vários fatores delicados, tentando se manter de pé como um espaço voltado para a o conhecimento da cultura dos Orixás e do seu fundador, Pedro Faria, que teve uma trajetória importante na paisagem religiosa de Ilhéus e em toda a região. Pensamos que a Mostra Cine Odé contribui com a dinamização do espaço, e o próprio espaço, por sua história e beleza, intensifica e amplia o impacto dos filmes, cujas temáticas se ligam à valorização e ao conhecimento das religiões africanas e indígenas. Sob certo ponto de vista, a experiência de ver um filme se relaciona com uma a experiência do sagrado, requer uma certa comunhão, certa imersão. Talvez por isso as conversas livres com o público depois de cada exibição no Cine Odé tenham sido, até aqui, muito intensas e emocionantes.

3. Em diversos veículos de comunicação – principalmente na internet – vemos casos de violência e desrespeito oriundos de um sentimento de intolerância religiosa cada dia mais intenso e nocivo. Qual o papel que o “Cine Odé” tem nessa luta dos terreiros e seus membros contra as manifestações de ignorância e ausência de alteridade que o candomblé é vítima até os dias atuais?

Esperamos que o Cine Odé, dentro de seus limites, alcance nas pessoas que participarem o mesmo que alcança em nós: não somos adeptos de nenhuma religião, mas nos sentimos gratificados de conhecer e vivenciar, em alguma medida, a riqueza e os mistérios dessas tradições religiosas, que são vívidas, experienciais. Acreditamos que as pessoas não nascem para ser intolerantes e desrespeitosas. Como dizia Pasolini, se referindo aos jovens que se comportavam como fascistas:  “Talvez uma simples experiência diversa na sua vida, apenas um simples encontro, tivesse bastado para que seu destino fosse outro”. Acho que a arte, e o Cinema, são capazes de promover, de favorecer, esse encontro singelo e transformador. Se o Cine Odé tem algum papel, é esse: o de reconhecer o valor desses encontros e de apostar no cinema como um encontro.

4. As sessões do cineclube são resultados de uma curadoria conjunta entre vocês dois. O processo de escolha dos filmes segue algum método especial, ou ele é exclusivamente guiado por critérios artísticos que definem qual filme será exibido ou não? 

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Exibição de “O pagador de Promessas” na sessão de abril.

O critério primeiro que nos orienta na escolha dos filmes é no sentido de privilegiar a grande variedade de representações cinematográficas na história do nosso cinema nacional com filmes nos quais o universo das religiões de matriz africana é colocado em cena, sejam eles documentais ou de ficção. Outro critério que sempre estamos atentos é mesclar, numa mesma sessão, filmes que se complementem ou mesmo que se contradigam, refletindo as próprias práticas religiosas que, embasadas em tradições orais, se diversificam e se diferenciam de região para região, às vezes até de uma casa para outra. O filme “Santo Forte”, de Eduardo Coutinho, por exemplo, gerou uma discussão enérgica, assim como “Professor Agenor”, de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro, que exibimos em março. São filmes que refletem idiossincrasias e visões religiosas diferenciadas, ainda que referenciadas essencialmente pelas mesmas origens. Outro fator que interfere muito nas nossas escolhas é ir sentindo o que mais mobiliza o público e com isso vamos equacionando a programação aos anseios e desejos do público. Para além dos critérios artísticos ou formais, a história do terreiro de Odé nos move em busca de filmes que, de alguma maneira, reflitam e potencializem o caráter de resistência e de reconhecimento da cultura afro-índia. Muitos curtas, por exemplo, são filmes independentes descobertos – ou garimpados – em pesquisas incertas no Youtube, orientadas apenas pela vontade de descoberta de algo novo, às vezes desconhecido, mas que ao assistirmos provocasse algo que harmonize com as razões do Cine Odé.

5) A idealização do projeto partiu de alguma identificação e/ou experiência pessoal de vocês com a temática ou foi fruto de uma livre escolha de caráter cultural, artístico e social?

O cinema nos aproximou pontualmente do Terreiro de Odé. Em 2003, ano da morte de Pedro Faria, Fabricio fez um curta sobre religiosidade em Ilhéus. Não conhecia Pedro Faria nem o terreiro, nem pôde entrar ou falar com ninguém lá, porque o terreiro estava de Luto. Dez anos depois, retomamos o mesmo tema daquele curta e voltamos a Ilhéus, sem saber o que encontraríamos nem sequer fazer contato prévio com alguém ligado ao terreiro. Mas chegando em Ilhéus, a experiência de fazer o filme se transformou em um processo de descobertas. Resultou no nosso curta “As Cruzes e os Credos”, finalizado em 2014. Fazer o filme nos aproximou de Maria Marta, filha de santo de Pedro Faria e liderança que, com a ajuda de algumas pessoas, luta para manter de pé o terreiro de Odé. Surgiu uma relação de amizade que nos levou a pensar em realizar o projeto: exibir filmes no Terreiro, promover conversas sobre os filmes e ver a casa cheia de gente e de ideias, se não em torno de um evento religioso, em torno de um evento cultural e artístico, com impacto social.

6) O “Cine Odé” estimula a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matizes africanas e indígenas, e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT). O apoio dos órgãos públicos à projetos engajados na propagação de conhecimento e na facilitação do acesso à novas culturas e produtos culturais diversificados, seria um dos vieses importantes e eficazes nesse combate ao preconceito e ao ódio religioso?

Contra o ódio, a arte. E a arte e a cultura precisam de estímulos para se concretizarem, tornando as políticas públicas culturais cruciais para o desenvolvimento cultural, a diversificação de iniciativas e para a criação artística. Os editais públicos são mecanismos de democratização do acesso aos recursos governamentais. Trata-se de um mecanismo em disputa e compete à sociedade e aos agentes do setor cultural propor e definir as políticas culturais mais democráticas e adequadas, considerando essa uma luta política e social relevante, e não uma dádiva governamental. Por isso, os mecanismos como os editais devem ser debatidos, criticados, repensados e melhorados continuamente, regulamentados como Lei, e não como mera política de governo, suscetível de ser interrompida a qualquer tempo. O fato é que o Cine Odé só é possível por conta dessas políticas, no caso, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e do edital de Agitação Cultural, que inclusive enfrenta vários problemas e protestos por conta de falhas em encaminhamentos da secretaria, apontadas por vários proponentes. O nosso projeto aconteceu, mas também enfrentou sérios problemas frente à Secult. Isso mostra que, por um lado, os editais são suscetíveis de falhas e precisam ser melhorados, tanto na gestão técnica, gerencial e conceitual quanto na transparência do processo, e por outro, que é importante que eles existam e dinamizem urgente e democraticamente a nossa produção cultural. É esse o desafio político de todos aqueles que querem realizar a Cultura através de ações e expressões concretas.

7) Façam um convite especial para os cinéfilos, os admiradores da cultura do candomblé e as pessoas que lá no fundo ainda guardam um certo receio em relação as práticas religiosas dos terreiros, para irem até Ilhéus e conferirem as próximas sessões do “Cine Odé – Cinema no Terreiro”. 

O Cine Odé, que começou em janeiro e vai até junho, acontece sempre no último final de semana de cada mês, lá em Ilhéus. As sessões tem apresentado filmes diversificados e um público crescente. A Mostra oferece uma Van para facilitar o acesso do público ao Terreiro de Odé, que fica no Alto do Basílio, cujo acesso não é difícil, mas também não é tão fácil (é preciso subir uma boa ladeira). A casa já não funciona como um Terreiro, mas quer se consolidar como espaço cultural voltado para o conhecimento da cultura dos Orixás e que preserve também a memória de seu fundador, Pedro Faria. Apesar de ser tombado pela Prefeitura de Ilhéus, somente de poucos anos para cá o Terreiro se recuperou, com muita luta, do estado de abandono. Por tudo isso, a presença de cada um é vital. A cada sessão, contamos com a participação de uma convidada ou convidado especial para conversar depois das exibições: artistas, pesquisadores, amigos do terreiro etc. Os filmes que temos escolhido valorizam o interesse e a participação ativa do público e a participação não requer qualquer tipo de aprovação. Ao contrário, a crítica e o debate, sempre respeitosos, são desejados também, aliás, são imprescindíveis, fica aí a nossa provocação. Por tudo isso, as experiências nas sessões têm sido marcantes e queremos que sejam ainda mais. Todos estão convidados a vivenciar o cinema como “espaço sagrado” da arte em relação direta com a vida e com as realidades sociais concretas que, em meio à resistência e afirmação, demonstram profunda identificação com a arte e a expressão cinematográfica. Toda a programação e informações sobre as sessões da Mostra podem ser acompanhadas no site do projeto Cine Odé e na página da Mostra no Facebook, para os adeptos da rede social. Garantimos apenas que a alegria pela participação de cada um será mútua!

Entrevista publicada originalmente no site CinemAção.

CINE ODÉ – CINEMA NO TERREIRO

CARTAZA mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro [site da mostra] tem a proposta de tornar o Terreiro de Odé, que fica localizado no Alto do Basílio, em Ilhéus, em um espaço cultural voltado para o cinema. A mostra é mensal, acontece desde janeiro e vai até junho de 2016, com sessões gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui filmes consagrados até vídeos descobertos no Youtube, desde que as temáticas se liguem à valorização e ao conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.Para acompanhar a Mostra Cine Odé, curta a página no Facebook (clique aqui). Veja as fotos da sessão de abril na galeria de fotos (clique aqui).

O Cine Odé disponibiliza uma van exclusiva do projeto para facilitar o acesso do público ao local da mostra. Mais informações pelo telefone  (73) 98110-5773.

Cine Odé – Cinema no Terreiro: a programação de MAIO exibe o filme “Orí”, de Raquel Gerber

MAIO cine odéEm MAIO, as sessões do Cine Odé – Cinema no Terreiro, no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba, acontecem nos dias 28/5 e 29/5 (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h. O Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro Faria, fica no Bairro Alto do Basílio. A mostra, que começou em janeiro e vai até junho, tem a  proposta de tornar o Terreiro de Odé um espaço cultural voltado para o cinema, com sessões mensais gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas. Saiba mais sobre o contexto do Cine Odé no Terreiro fundado por Pedro Faria: Clique aqui. Acompanhe pela página da Mostra no Facebook: Clique aqui.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui desde filmes consagrados até realizações independentes descobertas na internet.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece uma Van para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773. A entrada é gratuita.

No sábado (28), serão exibidos os curtas “Candomblé: Paz e Fraternidade“, dirigido e produzido por Mirella Lima; e “Exu – Além do Bem e do Mal”, dirigido por Werner Salles Bagetti.

No domingo (29), será exibido o filme “Orí”. Lançado em 1989 pela cineasta e socióloga Raquel Gerber, o filme aborda a reconstrução da identidade negra no Brasil, documentando os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, buscando a relação entre Brasil e África, cujo fio condutor é a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995.

CONVIDADOS ESPECIAIS:

Como nas sessões anteriores, o Cine Odé traz convidados especiais para abrirem a roda de conversa após as exibições dos filmes. No sábado (28), a convidada será Karine Fênix, educadora, comunicóloga e pós-graduanda em gestão cultural. No domingo (29), o convidado será Lourival Piligra, professor, escritor, poeta e pesquisador.

SOBRE OS FILMES

EXU – Além do Bem e do Mal” (23min, 2013)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.36.43Dirigido por Werner Salles Bagetti, realiza uma imersão poética no tema Exu, um dos Orixás mais controversos. A câmera passeia pela cidade e captura silêncios, semblantes e vazios, antes de mergulhar no transe dos terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada em celebração a Exu. Em paralelo, um discurso polifônico é construído com as vozes de especialistas do tema, em Alagoas e Pernambuco. Entre os entrevistados estão os babalorixás Manoel Papai, Pai Célio de Iemanjá, Pai Manoel do Xoroquê e o antropólogo pernambucano Roberto Motta. O projeto do filme foi contemplado no 2º Edital de Fomento à Produção Audiovisual de Alagoas em 2012.

Candomblé: Paz e Fraternidade” (21min, 2011)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.37.49Dirigido e produzido por Mirella Lima para a Faculdade Maurício de Nassau. Gravado em Recife, o curta entrevista adeptos do candomblé e estudiosos da religião para introduzir um painel histórico e, depois, uma reflexão sobre a perseguição e o preconceito, e também da resistência e luta de permanência, que marcam a história das religiões de matrizes africanas no Brasil. O filme menciona a importância dos Movimentos Negros na luta pelo reconhecimento cultural e religioso das manifestações afrobrasileiras. É aí que o curta se liga com o filme “Orí” de Raquel Gerber, o longa de nossa sessão de domingo, dia 29 de maio.

ORÍ, de Raquel Gerber

Captura de Tela 2016-05-14 às 10.49.24ORÍ (1989, 91 min., 35 mm) é o resultado de 11 anos de produção e filmagens no Brasil e na África junto a pesquisadores e historiadores e comunidades negras brasileiras. Sobre um panorama de um documento – história sobre os Movimentos Negros no Brasil (anos 1970/1980), o filme conta a história de uma mulher – Beatriz Nascimento – historiadora e militante, que busca sua identidade através da pesquisa da história dos “Quilombos” como estabelecimentos guerreiros e de resistência cultural, da África do século XV ao Brasil do século XX. Esta pesquisa revela a História dos povos bantus na América e seu herói civilizador Zumbi dos Palmares.

Raquel Gerber, cineasta, socióloga e historiadora, começou as filmagens de ORÍ em 1977 quando trabalhava com o fotógrafo e diretor Jorge Bodanzky. Trabalhou também com os diretores Hector Babenco, Orlando Senna e Glauber Rocha. Com Glauber, ente 1973 e 1980, fez pesquisa histórica, o que resultou em três livros sobre o Cinema Novo entre os quais: O Mito da Civilização Atlântica, Gláuber Rocha, Cinema, Política e a Estética do Inconsciente (tese apresentada na USP). Entre 1970 e 1980 fez crítica de cinema e ensaio para revistas e jornais nacionais e estrangeiros. Desde 1977 documentou a vida e a história de comunidades negras brasileiras. Para realizar o documentário ORÍ trabalhou junto a importantes africanistas brasileiros e Naná Vasconcéllos, percussionista brasileiro, na época radicado em Nova York.

Raquel Gerber realizou também, em co-direção com Cristina Amaral, o filme ABÁ, sobre a religião e a cosmogonia africanas, filme que foi exibido na sessão de fevereiro do Cine Odé.

A sessão de abril do Cine Odé emocionou o público

Captura de Tela 2016-05-09 às 19.40.10A Mostra de filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro realizou neste mês de abril sua quarta edição mensal. A mostra, cuja proposta é tornar o Terreiro de Odé – que se situa no Alto do Basílio, em Ilhéus – em um espaço cultural voltado para o cinema, começou em janeiro e vai até junho. A próxima edição, a de MAIO, acontecerá nos dias 28/5 e 29/5. Os filmes serão divulgados nos próximos dias.

Em abril, as sessões aconteceram nos dias 30 de abril (sábado) e 1 de maio (domingo), apresentando os filmes “Mestres da Cura”, filme coletivo do Projeto Alecrim; “A Boca do Mundo – Exu no Candomblé”, de Eliane Coster, e o consagrado longa “O Pagador de Promessas”, escrito e dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça de Dias Gomes. Foi a sessão mais marcante. O filme emocionou os presentes e revelou a forte relação entre o sagrado do mundo e a experiência de ver um filme.

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Conversa do público após a sessão de “O Pagador de Promessas” no Terreiro de Odé.

No filme, Zé do Burro, interpretado por Leonardo Vilar, faz uma promessa à Santa Bárbara num Terreiro, mas que será cumprida na Igreja, situação que gera um conflito religioso e enseja um drama individual e social. Ver o filme num Terreiro, um espaço voltado para a espiritualidade, já impacta. Mas vivenciar o drama de Zé do Burro junto com tantas pessoas que, naquele espaço sagrado do barracão, se identificam de perto com as questões do filme nos recoloca diante do cinema: na sessão do consagrado “O Pagador de Promessas”, o terreiro e o cinema dialogaram muito de perto. Pessoas que nunca tinham ido ao cinema viram o filme, tal como no cinema, num ambiente de imersão e magia.

A convidada especial da sessão foi Daniela Galdino, professora, poeta, escritora e performer de Itabuna. Primeiro ouvindo e depois, em meio a sua fala sobre o filme, Daniela teceu provocações que animaram ainda mais a conversa, marcada por intensa participação.

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Daniela conversa com o público.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui filmes consagrados até vídeos descobertos no Youtube, desde que as temáticas se liguem à valorização e ao conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

Para acompanhar a Mostra Cine Odé, curta a página no Facebook (clique aqui). Veja as fotos da sessão de abril na galeria de fotos (clique aqui).

O Cine Odé disponibiliza uma van exclusiva do projeto para facilitar o acesso do público ao local da mostra. Mais informações pelo telefone  (73) 98110-5773.

MUROS na sessão Cineclube do I Encontro Arte Sociedade em Salvador

 

MUROS, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, participa do Cineclube do I Encontro Arte Sociedade, que acontece em Salvador de 27 a 29 de abril de 2016. A exibição, com a presença dos diretores, será no dia 28 de abril, a partir das 18h30, na Biblioteca Pública dos Barris – Sala Alexandre Robatto. A entrada é gratuita.

Captura de Tela 2016-04-19 às 11.41.12MUROS relaciona Brasil e Palestina enquanto acompanha um fotógrafo (Rogério Ferrari) que percorre favelas de Salvador. O curta ganhou o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V Feciba – Quinta edição do Festival de Cinema Baiano, 2015. Ficou entre os 10+ Favoritos do Público no Kinoforum – 26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. Participou de diferentes Mostras e Festivais de Cinema na Bahia, no Brasil e no exterior. Confira aqui os caminhos do filme.

Para mais informações sobre o I Encontro Arte e Sociedade, acesse o site do evento.

Cine Odé – Cinema no Terreiro: programação de ABRIL

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Em ABRIL, as sessões do Cine Odé – Cinema no Terreiro , no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba, acontecem nos dias 30/4 e adentra o primeiro dia de maio, 1/5 (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h. O Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro Faria, fica no Bairro Alto do Basílio, cujo acesso mais comum é próximo à Feira do Malhado.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece um veículo para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773.

A entrada é gratuita.

No sábado, dia 30, serão exibidos os curtas “Mestres da Cura”, filme coletivo do Projeto Alecrim; e “A Boca do Mundo – Exu no Candomblé”, de Eliane Coster.

No domingo, dia 1 de maio, será exibido o longa “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, até hoje o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França, um dos mais importantes prêmios cinematográficos do mundo. Foi Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1963.

A convidada especial da sessão de ABRIL será Daniela Galdino, que é performer, poeta, escritora e vem se aventurando também como atriz de Cinema. Daniela estará na sessão de domingo, dia 1/5. Após a exibição dos filmes, a roda de conversa será aberta a todos que queiram participar.

SOBRE OS FILMES de Abril:

SÁB, 30/4, 17h l A boca do mundo – Exu no Candomblé” (2009, 26min).

Captura de Tela 2016-04-12 às 09.50.40O curta, dirigido por Eliane Coster, traz múltiplas representações e significados do Orixá Exu, um dos deuses do Candomblé, propondo uma incursão poética no universo simbólico e cultural de Exu, intimamente relacionado à sexualidade, à comunicação e ao comércio. Exu é um orixá polêmico no interior da cultura popular brasileira e da história do Brasil, pois tem sido apropriado por outras religiões, muitas vezes de forma negativa devido à história de perseguição, preconceito e desconhecimento acerca das religiões africanas. Com depoimentos de Mãe Beata de Iemanjá, ialorixá do Rio de Janeiro, entre outros participantes, o documentário teve origem na pesquisa de mestrado sobre “Fotografia e Candomblé” da diretora que é também fotógrafa.

SÁB, 30/4, 17h l Os Mestres da Cura” (2009, 11min).

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Documentário sobre o conhecimento das plantas medicinais e dos rituais sagrados de curandeiros e rezadeiras da Chapada Diamantina. Esse trabalho é o resultado da pesquisa realizada pelo grupo de jovens e educadores do Projeto Alecrim/ Ponto de Cultura Grupo Ambientalista de Lençóis, na zona rural e urbana de Lençóis/ BA. A produção é coletiva e a pesquisa, roteiro, imagem e edição foram realizados por: Alexandre Emanuel, Camila Drumond, Diego Cruz, Fernanda Sindlinger, Gal Pereira, Lindinalva Pereira, Marcelo Góis, Mestre Nildo, Saphira Caleffi.

DOM, 1/5, 17h l O Pagador de Promessas” (1962, 118min).

Captura de Tela 2016-04-12 às 10.30.01Uma obra-prima do cinema brasileiro, O Pagador de Promessas, baseado na narrativa de Dias Gomes, foi dirigido e roteirizado por Anselmo Duarte. As filmagens foram realizadas em Salvador e é o único filme brasileiro até hoje a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, um dos mais tradicionais e importantes festivais de cinema do mundo. Conquistou também outros inúmeros prêmios e uma indicação para o Oscar de 1963, no qual concorreu como melhor filme estrangeiro.

No filme, Zé do Burro, interpretado por Leonardo Vilar, é o dono de um pequeno pedaço de terra no interior da Bahia. Seu melhor amigo é um burro chamado Nicolau. Quando este adoece e não se consegue fazer nada para que o animal melhore, ele faz uma promessa a uma mãe de santo do candomblé: se seu burro se recuperar, promete dividir sua terra igualmente entre os mais pobres e carregará uma cruz desde sua terra até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local. Assim que seu burro se recupera, Zé dá início à sua jornada. O padre local, entretanto, que representa a autoridade da religião oficial, recusa a cruz de Zé após ouvir que a promessa foi feita num Terreiro.

Crítico cultural Henrique Wagner comenta o curta MUROS

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Por Henrique Wagner

(…) um filme com lances a um só tempo de maturidade e força de juventude, de ousadia ao fazer uso desse ou daquele procedimento, sempre “corrigido” pelo bom senso, pelo comedimento, pela ideia de harmonia estética.

MUROS 4O tema é autoevidente e um velho truísmo dentro daquilo a que se convencionou chamar “questão social” e que se tornou cavalo de batalha de todo partido progressista brasileiro – não por acaso algumas cenas, sobretudo as que nos mostram imagens subitamente congeladas, em preto e branco, nos levem a pensar, imediatamente, em propaganda política de ano eleitoral –, mas o procedimento é invulgar, e faz com que o “objeto de estudo” do curta Muros [site do filme], de Fabrício Ramos e Camele Queiroz, acabe se tornando – e isso não é exatamente bom em um filme como esse, eminentemente “político” – um pano de fundo para quem tem um…

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Cine Odé: o Cinema no Terreiro e o Terreiro no Cinema

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Cine Odé: conversa com o público após a sessão.

O Cinema vai ao Terreiro e, através da rica cinematografia baiana e brasileira, revela como o nosso cinema viu e vê a cultura dos Orixás e as religiões afroindígenas.

A curadora da Mostra de filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro, Camele Queiroz, anima-se a cada sessão e relata com alegria intensa: “é uma riqueza promover o encontro do cinema com um público dele afastado por diversas razões, e ver esse público encontrar a arte num lugar em que está habituado a se relacionar com o sagrado, com as forças da natureza e com as divindades, e ao mesmo tempo ser um lugar de resistência e afirmação, e ver que a cada sessão esse público demonstra profunda identificação com a arte e a expressão cinematográfica, discutindo os filmes à luz de suas próprias experiências de vida e de Fé”.

Em março, o Cine Odé realizou a sua terceira sessão. A mostra, cujas sessões são mensais, acontece no Terreiro de Odé em Ilhéus/BA, localizado no bairro Alto do Basílio. O Terreiro foi fundado em 1942 por Pedro Faria de Souza, o Pai Pedro, que foi brutalmente assassinado no próprio Terreiro em 2003. A sua morte, sob circunstâncias até hoje não esclarecidas, chocou Ilhéus e região. Pai Pedro era muito conhecido na cidade e querido por muita gente, de todos os extratos sociais. Desde a sua morte, o Terreiro de Odé, lugar cuja história é tão rica quanto trágica, enfrenta graves dificuldades estruturais. Por conta da perda repentina do líder espiritual, as atividades do Terreiro foram interrompidas e, embora tombado pelo município de Ilhéus, a casa foi praticamente abandonada, tendo sido alvo de invasão e depredação. “A resistência nesse Terreiro – diz Camele Queiroz – se faz mais forte e mais visível, devido à sua história de grandes realizações interrompida de modo violento. O Cine Odé é o primeiro projeto que acontece aqui dentro desde a morte de Pedro Faria e tem atraído um público crescente que reúne universitários, antigos filhos de santo da casa, moradores do bairro Alto do Basílio e pesquisadores, entre outras pessoas”.

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Fabricio, Maria Marta e Camele apresentam a Mostra e o Terreiro de Odé ao público da sessão de janeiro.

Somente de poucos anos para cá o Terreiro se recuperou do estado de abandono: sob a liderança de Maria Marta, o Terreiro de Odé foi retomado e hoje ela mora lá dentro, junto com a família e um pequeno grupo de colaboradores. Marta enfrentou resistências de todo tipo e de todo lado, internas e externas, mas também contou com ajuda de alguns amigos de pai Pedro, preocupados com a sua memória. Hoje ela quer transformar a casa num espaço cultural voltado para a cultura dos Orixás e para a memória de Pedro Faria de Souza.

É nesse contexto que a Mostra Cine Odé, realizada por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, aparece na história do Terreiro, apresentando uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira. Para Fabricio Ramos, “os temas dos filmes se ligam ao conhecimento da cultura religiosa de matrizes africanas e indígenas, mas valorizam as controvérsias e contradições próprias de manifestações culturais ricas e constituídas sobre tradições orais, marginalizadas por um lado, mas resilientes em manter vivas suas divindades, rituais, conhecimentos e dinâmicas de relação com o Sagrado e com a Fé”.

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Exibição de “Cafundó” no Cine Odé de março. Lázaro Ramos protagoniza o filme.

Como exemplo, ele cita as exibições dos longas “Santo Forte”, de Eduardo Coutinho, que aconteceu em janeiro, e “Cafundó”, de Paulo Betti e Clóvis Bueno, que passou em março. “A parte do público – diz Fabricio – que presenciou as duas sessões relacionaram os dois filmes, um documental e outro ficcional, um que registra as experiências pessoais de moradores de uma favela do Rio com a religiosidade africana, e outro que traz uma cinebiografia que compõe uma síntese complexa da potência e dos mistérios da relação que o Brasil, em suas esferas populares e marginalizadas, constitui com o Sagrado e a Fé. Os espectadores referenciaram as suas intervenções em suas próprias vivências e visões de mundo, acusando contradições e similaridades com o que viram na tela”. Outros filmes encantaram o público, como “A Cidade das Mulheres”, de Lázaro Faria e curtas como “Professor Agenor”, de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro, entre outros. “Os filmes provocam emoção no público, até arrepios segundo alguns, porque falam diretamente com as pessoas presentes, revelando a potência do cinema e comprovando a importância dos temas abordados nos filmes, que é a religiosidade não oficial”, completa Fabricio.

Captura de Tela 2016-02-12 às 13.57.38A Mostra Cine Odé começou em janeiro e vai até junho de 2016, sempre no último final de semana de cada mês. No sábado são exibidos dois curtas e no domingo um longa. A próxima sessão será a de abril, nos dias 30/4 e 1/5. Os filmes serão anunciados em breve. Toda a programação e informações sobre as sessões da Mostra podem ser acompanhadas no site do projeto Cine Odé e na página da Mostra no Facebook, para os adeptos da rede social.