Documentário “Tempo da Travessia” retrata uma aventura baiana pela América do Sul

O documentário Tempo da Travessia (2012) compõe um diversificado painel que revela as intensas vivências culturais, sociais e políticas, e também experiências de relações institucionais, de 17 estudantes da Universidade Federal da Bahia que participaram da Caravana da Integração, uma viagem de ônibus por nove países da América do Sul.

Os estudantes universitários estiveram, durante mais de dois meses, em contato direto com as realidades de diversos povos da América do Sul, registrando cada instante, desde o deslumbre com as impactantes belezas naturais do continente até os momentos de tensão e expectativa, seja no encontro com movimentos sociais, seja nas discussões internas dentro do ônibus, ou na vivência de diferentes (e às vezes intrigantes) contextos culturais.

O documentário, dirigido por Carlos Vin Lopes, junta às imagens oficiais (captadas com fins de compor o documentário) àquelas captadas pelos estudantes, espontâneas, e o doc apresenta tais estudantes segundo as impressões de cada um, escritas primeiro num diário de viagem e depois transpostas graficamente, pelo diretor, para a tela.

Tempo da Travessia tem duração de 106 minutos e foi realizado como parte do projeto da Caravana de Integração, ação articulada pela INULAT (Iniciativa UFBA Latina), que contou com o apoio especial da UFBA (Universidade Federal da Bahia); da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) e do Centro Internacional Celso Furtado.

UM CASUAL IMPACTO SIMBÓLICO: PRIMEIRO REGISTRO NO BRASIL DE MÚSICA EM GUARANI

O documentário é inédito e está em fase de ajustes burocráticos finais, tratando, inclusive, da regularização do direito de uso de músicas para a trilha sonora, composta por músicas do CD Tery-Maraey, de 2002, do coral mbyá-guarani Kuaray ouá. O autor das músicas é Inácio da Silva, um jovem Karaí (pajé) guarani que vive na aldeia Marangatu do município de Imaruí (SC).

A produção do CD foi lançado com apoio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), mas a entidade não detinha os direitos de uso da obra. Para garantir o uso das músicas na trilha sonora do documentário, foi necessário registrá-las junto à Biblioteca Nacional, o que ocasionou um feito histórico de expressivo impacto simbólico, como explica Felippe Ramos, sociólogo e Coordenador da INULAT:

“O registro de obras em guarani era proibido devido a um decreto lei de 1755, parte da política do Marquês de Pombal, enviado pela Coroa Portuguesa ao Brasil cinco anos antes, inicia uma política de modernização do Estado e Sociedade, ainda Colônia. O objetivo era fortalecer a oficialidade da Língua Portuguesa, porque, até então, a língua mais falada no Brasil era a chamada Língua Geral, uma mistura de Tupi-Guarani com portugues, com predominância de traços indígenas.”

Tempo de Travessia está inscrito em diversos festivais e em breve será exibido em sessões especiais na UFBA e na UNILA. Acompanhe notícias sobre o doc no sítio oficial: http://www.tempodatravessia.com.br/

Trailer do doc:

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