O Bahiadoc apresenta o documentário “hera”, que retrata um importante capítulo da poesia baiana

 

A REVISTA

A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval Pereyr, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.

O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO

Nós, editores do Bahiadoc, fomos convidados por um dos poetas do grupo Hera para registrar o lançamento da edição fac-similar da revista, que viria a ser em 6 de dezembro de 2011, no Palácio da Aclamação, em Salvador. Depois de breves conversas com o poeta, sentimo-nos atraídos pelo instigante universo poético e cultural que a história do grupo trazia intimamente em si: um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, através da linguagem audiovisual. O caráter autoral quase sempre caracteriza a obra audiovisual documental, mas neste caso, os sujeitos do documentário – isto é, os próprios poetas e as suas relações com a poesia e com o mundo – conformam a substância do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência.

Várias razões, além da importância cultural do grupo Hera e de sua vibrante dimensão poética, justificam o nosso esforço de realizar o registro simbólico que ora apresentamos. Mas é lícito que reforcemos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do Bahiadoc – arte documento queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.

O documentário “hera”, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

Por fim, realizamos o documentário sem o aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012.

Se realizamos o documentário “hera” sem patrocínio, o esforço se deu pelo encanto que o tema despertou em nós e, sobretudo, pela relevância cultural e histórica que a revista Hera alcançou no cenário cultural baiano – as memórias passam e não podem esperar. Entretanto, defendemos enfaticamente a importância das políticas públicas culturais que estimulem produções que resgatem e promovam as diversas dimensões de nossa história cultural e artística. Não nos sentimos confortáveis em esperar por tais políticas, mas nos sentimos no dever de nos manifestar sobre a urgência e necessidade delas, o que nos possibilitaria – e também a outros – realizar um trabalho sob melhores condições estruturais. Cremos que o doc “hera”, mesmo assim, alcança algum êxito ao trazer à público, para livre acesso, um recorte de um belo momento da poesia.

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