editorial: Bahiadoc – arte documento movimento

Competição é quando todos perdem para alguém ganhar. Colaboração é quando todos ganham para ninguém perder!

“Arrastão (Itapuã)”, 1946, de Pierre Verger

O Bahiadoc – arte documento surge com o olhar voltado para o aspecto documental das artes visuais, com atenção às suas manifestações éticas e estéticas em linguagens e suportes audiovisuais.

Consideramos que toda expressão que se converte em realização audiovisual exige e contempla as escolhas éticas e estéticas de seus autores, e que o processo mesmo de feitura da obra audiovisual constitui em si um documento que revela, de modos diversos, as suas condições de produção em vários níveis, reflete a relação do espírito da época com o autor e faz emergir subjetividades e intimismos cujo escopo é a comunicação diegética – audiovisual – com um público virtual.

Perante tais dimensões documentais da obra audiovisual, inferimos a forte presença do sentido comum: é aí que o artista se vê como agente imaginativo do real e alcança a sua estatura Política. Como artistas, talvez, não necessitamos intervir nos assuntos de nossos tempos. Mas como seres humanos sim. As legiões de perseguidos que cobrem o mundo, sobretudo se olharmos de nossa rica (nossa riquíssima escassez) e complexa conjuntura histórico-social (sim, brasileiros nordestinos da Bahia), necessitam, e nós próprios necessitamos, das vozes e expressões de quantos possam falar, e que não nos apartemos, mas nos juntemos, e supramos juntos os momentos de silêncios injustos.

Acende-se aí a ideia de alçar o Bahiadoc ao plano de um movimento:

Filmar (registrar) sem a necessidade imperativa de uma estrutura cinematográfica industrial, pensando o cinema como linguagem, não como suporte. Realizar o cinema que atua ao lado do cotidiano, a partir de versões alternativas e também subjetivas da história e de uma visão orgânica da Política, sem que se sacrifique a natureza artística da ação. Não se trata de transpor a arte para qualquer predicação social, mas sim de afirmar a importância absoluta do artista que intervém enquanto ser humano, o ser cultural, e tudo isto constitui e interfere na linguagem artística. Os valores criativos jamais separam-se dos valores humanos.

O tempo dos artistas passivos acabou. Aceitando com entusiasmo o perigo de sua própria vocação, o artista destes novos tempos deve abrir prisões, ser porta-voz das desgraças e das felicidades de toda gente. “Nenhum artista tolera o real”, disse Nietzsche, com razão – porém, nenhum artista pode prescindir do real. – E a realidade, como diria o escritor argentino Jorge Luís Borges, “é o que nos foi revelado”. E quem é este que nos revela? Não somos nós realizadores, em alguma medida, reveladores de realidades?

Políticas públicas de fomento à Cultura devem ocupar o seu importante lugar social, mas antes de eleger esta causa como um fim, é fundamental para o artista identificar seus próprios meios. Cinema e vídeo de baixo custo e alta qualidade, seja como for, calcado na vontade de fazer, no enfrentamento dos desafios, no encantamento da beleza, no esforço criativo desinteressado, na atitude colaborativa e na inventividade do cotidiano – eis o movimento que o Bahiadoc – arte documento quer ver acontecer – de dentro! Somos um processo…

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