Projeto Canal Bahiadoc grava novo ciclo de conversas com realizadores baianos

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos, neste mês de julho, com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente nos enviou seu depoimento em vídeo) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs que é: conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia. O escopo central do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. Desta vez as gravações aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações de cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história em Salvador.

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o filme Álbum de Família, um corajoso e desafiador processo de aproximação entre um filho e um pai, sendo o filho o próprio cineasta.

Wallace Nogueira, de “Album de Família”. (Foto: Bahiadoc).

O documentário trata, portanto, da inquietude de um filho (o próprio Wallace) diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Rodado nas estradas da Chapada Diamantina, Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar da dimensão institucional da família e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo.

Wallace comentou sobre os desafios Éticos que envolvem um projeto desse tipo, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização de Álbum de Família deixou em seus trabalhos posteriores.

Mônica Simões realizou o filme Negros em 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000

Mônica Simões, de “Negros”. (Frame do vídeo).

O roteiro de Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.

Mônica, que está em São Paulo, gravou gentilmente o seu depoimento em vídeo e enviou ao Bahiadoc. Nele, a cineasta fala do seu trabalho, da sua relação com a produção de caráter documental e sobre questões de acesso aos bens culturais.

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

Isana Pontes, de “As cores da caatinga” (foto: Bahiadoc)

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

CANAL BAHIADOC

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal Bahiadoc. Este segundo vídeo será publicado na primeira semana de setembro, no espaço online do Canal, onde já foi publicado o primeiro (e há informações completas sobre o projeto): http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova pelo espaço. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

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