Geraldo Sarno: ensaio sobre o Brasil

Nascido em Poções, na Bahia, em 1938, Geraldo Sarno é um nome fundamental na trajetória do moderno documentário brasileiro e da história do cinema no Brasil.

Em 1965, realizou Viramundo, considerado um clássico do documentário brasileiro, foi o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Geraldo Sarno começou no início dos anos 1960 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia. Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Abordou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre os quais participam Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra.

Geraldo Sarno realizou também longa-metragens de ficção, entre os quais Coronel Delmiro Gouveia (1977), belo filme que retrata a história real e trágica do empresário humanista Delmiro Gouveia, que no início do século XX em Alagoas, enfrentou o poder dos coronéis do nordeste e da indústria internacional. Confira a filmografia do diretor na Wikipedia.

VIRAMUNDO

Captura de tela 2013-03-09 às 10.10.59O clássico Viramundo, de 1965, realiza um ensaio sobre a migração de nordestinos para São Paulo, abordando as dificuldades de “integração” destes migrantes num ambiente onde imperam a racionalidade industrial e tecnológica, em oposição à tradição que predomina na cultura rural nordestina e sertaneja. A partir deste conflito, o filme mostra acontecimentos expressivos do drama vivido pelos migrantes, abrangendo a relação com a religião, com a política e com o trabalho, este marcado, de forma diferente mas tanto quanto no sertão, pelas injustiças sociais relativas à propriedade dos meios de produção e à exploração do indivíduo trabalhador.

Viramundo venceu o Festival de Evian (França) e conquistou os prêmios de melhor documentário nos festivais de Viña del Mar (Chile) e do Uruguai. Geraldo Sarno convidou Capinam e Caetano para comporem a canção tema do documentário, que foi interpretada por Gil. Nota-se que a letra da canção Viramundo é inspirada fundamentalmente em expressões usadas pelos entrevistados no filme: “Dando a safra com fartura, dá sem ter ocasião, parte fica sem vendagem, parte fica com o patrão”… O documentário foi votado por especialistas como um dos mais marcantes documentários brasileiros de todos os tempos em um levantamento realizado pelo festival É Tudo Verdade em 2000.

Assista Viramundo, de Geraldo Sarno:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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