Cine Odé – Cinema no Terreiro: a programação de MAIO exibe o filme “Orí”, de Raquel Gerber

MAIO cine odéEm MAIO, as sessões do Cine Odé – Cinema no Terreiro, no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba, acontecem nos dias 28/5 e 29/5 (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h. O Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro Faria, fica no Bairro Alto do Basílio. A mostra, que começou em janeiro e vai até junho, tem a  proposta de tornar o Terreiro de Odé um espaço cultural voltado para o cinema, com sessões mensais gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas. Saiba mais sobre o contexto do Cine Odé no Terreiro fundado por Pedro Faria: Clique aqui. Acompanhe pela página da Mostra no Facebook: Clique aqui.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui desde filmes consagrados até realizações independentes descobertas na internet.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece uma Van para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773. A entrada é gratuita.

No sábado (28), serão exibidos os curtas “Candomblé: Paz e Fraternidade“, dirigido e produzido por Mirella Lima; e “Exu – Além do Bem e do Mal”, dirigido por Werner Salles Bagetti.

No domingo (29), será exibido o filme “Orí”. Lançado em 1989 pela cineasta e socióloga Raquel Gerber, o filme aborda a reconstrução da identidade negra no Brasil, documentando os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, buscando a relação entre Brasil e África, cujo fio condutor é a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995.

CONVIDADOS ESPECIAIS:

Como nas sessões anteriores, o Cine Odé traz convidados especiais para abrirem a roda de conversa após as exibições dos filmes. No sábado (28), a convidada será Karine Fênix, educadora, comunicóloga e pós-graduanda em gestão cultural. No domingo (29), o convidado será Lourival Piligra, professor, escritor, poeta e pesquisador.

SOBRE OS FILMES

EXU – Além do Bem e do Mal” (23min, 2013)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.36.43Dirigido por Werner Salles Bagetti, realiza uma imersão poética no tema Exu, um dos Orixás mais controversos. A câmera passeia pela cidade e captura silêncios, semblantes e vazios, antes de mergulhar no transe dos terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada em celebração a Exu. Em paralelo, um discurso polifônico é construído com as vozes de especialistas do tema, em Alagoas e Pernambuco. Entre os entrevistados estão os babalorixás Manoel Papai, Pai Célio de Iemanjá, Pai Manoel do Xoroquê e o antropólogo pernambucano Roberto Motta. O projeto do filme foi contemplado no 2º Edital de Fomento à Produção Audiovisual de Alagoas em 2012.

Candomblé: Paz e Fraternidade” (21min, 2011)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.37.49Dirigido e produzido por Mirella Lima para a Faculdade Maurício de Nassau. Gravado em Recife, o curta entrevista adeptos do candomblé e estudiosos da religião para introduzir um painel histórico e, depois, uma reflexão sobre a perseguição e o preconceito, e também da resistência e luta de permanência, que marcam a história das religiões de matrizes africanas no Brasil. O filme menciona a importância dos Movimentos Negros na luta pelo reconhecimento cultural e religioso das manifestações afrobrasileiras. É aí que o curta se liga com o filme “Orí” de Raquel Gerber, o longa de nossa sessão de domingo, dia 29 de maio.

ORÍ, de Raquel Gerber

Captura de Tela 2016-05-14 às 10.49.24ORÍ (1989, 91 min., 35 mm) é o resultado de 11 anos de produção e filmagens no Brasil e na África junto a pesquisadores e historiadores e comunidades negras brasileiras. Sobre um panorama de um documento – história sobre os Movimentos Negros no Brasil (anos 1970/1980), o filme conta a história de uma mulher – Beatriz Nascimento – historiadora e militante, que busca sua identidade através da pesquisa da história dos “Quilombos” como estabelecimentos guerreiros e de resistência cultural, da África do século XV ao Brasil do século XX. Esta pesquisa revela a História dos povos bantus na América e seu herói civilizador Zumbi dos Palmares.

Raquel Gerber, cineasta, socióloga e historiadora, começou as filmagens de ORÍ em 1977 quando trabalhava com o fotógrafo e diretor Jorge Bodanzky. Trabalhou também com os diretores Hector Babenco, Orlando Senna e Glauber Rocha. Com Glauber, ente 1973 e 1980, fez pesquisa histórica, o que resultou em três livros sobre o Cinema Novo entre os quais: O Mito da Civilização Atlântica, Gláuber Rocha, Cinema, Política e a Estética do Inconsciente (tese apresentada na USP). Entre 1970 e 1980 fez crítica de cinema e ensaio para revistas e jornais nacionais e estrangeiros. Desde 1977 documentou a vida e a história de comunidades negras brasileiras. Para realizar o documentário ORÍ trabalhou junto a importantes africanistas brasileiros e Naná Vasconcéllos, percussionista brasileiro, na época radicado em Nova York.

Raquel Gerber realizou também, em co-direção com Cristina Amaral, o filme ABÁ, sobre a religião e a cosmogonia africanas, filme que foi exibido na sessão de fevereiro do Cine Odé.

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