“Children of Men”: Cinematógrafo de Julho reflete sobre distopia e esperança. Confira a nota dos curadores

O Cinematógrafo de JULHO acontece no dia 28 (sábado), às 16h30, na Saladearte — Cinema do Museu. Ingressos no valor de meia entrada.

Card Julho Cinematógrafo

 

Dos curadores do Cinematógrafo, Camele Q. e Fabricio R.:

O século do cinema coincide com a culminância do mundo que designamos de moderno: o século da razão crítica de si mesma, da morte de Deus, da história como destino humano ou, inversamente, do destino da humanidade como história em frenética progressão. A modernidade, em sua dinâmica revolucionária (a recorrente destruição de uma ordem passada em nome de uma outra ordem mais “justa” e “racional”) destronou o indivíduo da centralidade do mundo para destacar a realidade da sociedade e da espécie. Em termos de valores, a modernidade marca o momento em que saímos da eternidade para a história.

As artes narrativas modernas, e o cinema como sua expressão por excelência, não nos privaram de cenários possíveis que, de uma forma ou de outra, põem em questão esse contínuo progresso como motor do mundo: para onde? De “Alphaville” a “Matrix”, de “Metrópolis” a “Blade Runner”, de “1984” a “Mad Max“, “Fahrenheit 451” e “Laranja Mecânica”, para marcar poucos exemplos, as narrativas distópicas nos encantam e assombram, de forma mais ou menos realista, seja através das promessas ou ameaças de nossas próprias conquistas (a tecnologia ou o poder do Estado), seja pelo deslumbramento da catástrofe apocalíptica.

Frame de “Children of Men” (2006)

Em “Children of Men” (no Brasil, “Filhos da Esperança”), filme britânico-americano de 2006 livremente adaptado do romance The Children of Men, de P. D. James, e dirigido pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón, a distopia aparece de forma radical e sutil: em um futuro próximo, a humanidade simples e misteriosamente parou de procriar. A desordem tomou conta do mundo e os estados e as sociedades colapsaram, exceto a Inglaterra, mesmo assim assolada por fome, epidemias e caos social, constituindo-se como um Estado ultra-totalitário que concentra seus esforços no rechaço às ondas de imigrantes do resto do mundo que tentam entrar e permanecer no país, mas são perseguidos, presos e assassinados.

A esperança emerge, inesperadamente, no corpo de uma jovem mulher refugiada. Clive Owen interpreta o funcionário público Theo Faron, que deve ajudá-la a escapar do caos e dos riscos que sua condição impõe. Movimentos de resistência contra o totalitarismo instalado no país lutam pela segurança da jovem que guarda em si a esperança do mundo, talvez a sua última chance. “Children of Men”, lançado em 2006, se passa em 2029, mas as cenas e situações que vemos no filme — mães árabes chorando a morte dos seus filhos, controle draconiano e repressão dos fluxos de imigração, pobreza extrema nas ruas da metrópole, espetacularização e exploração comercial do desastre que se abate sobre a última geração da humanidade — situam a distopia no cotidiano de nossa realidade atual.

Frame de “Children of Men”

Children of Men também é estrelado por Julianne Moore, Michael Caine, Claire-Hope Ashitey, Pam Ferris e Chiwetel Ejiofor. O filme estreou nos Estados Unidos no período das festas natalinas e diversos críticos notaram as relações entre a data de estreia e os temas de esperança, redenção e fé. Bem recebido pela crítica especializada, o filme foi elogiado por suas realizações em fotografia, direção de arte, roteiro e suas inovadoras sequências de ação em planos sequências. Obteve indicações ao Oscar em 2007 nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Venceu dois BAFTA Award e recebeu o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica.

O CINEMATÓGRAFO NA SALADEARTE

O filme passa no Cinematógrafo de juLHO, que acontece na Saladearte — Cinema do Museu (no Corredor da Vitória, em Salvador), no sábado (28/7), às 16h30. O Cinematógrafo acontece lá mensalmente, sempre no último sábado do mês, exibindo filmes de formas e temas diversificados. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida. Os ingressos são vendidos normalmente no local, com preço especial no valor de meia entrada para todos.

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