Quarto Camarim entra em cartaz na Saladearte da UFBA no dia 3 de abril

Quarto Camarim

A primeira sessão, na quarta (3), às 19h, contará com a presença dos diretores e bate-papo

Capa

“Quarto Camarim” mostra o reencontro delicado entre uma sobrinha e sua tia, Luma, que é travesti, cabeleireira e performer, depois de 27 anos sem qualquer contato!

Dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, o filme é protagonizado por Lima e pela própria diretora, abordando temas como dramas familiares, conflitos sobre aceitação e relações humanas, temas mediados pelo próprio fazer cinema.

“Quarto Camarim” foi finalizado em 2017 e realizado com o apoio do edital “Rumos – Itaú Cultural”. O longa participou de mostras e Festivais de cinema no Brasil e no exterior, em países como Canadá, Itália, República Dominicana e Venezuela, e foi selecionado também para a terceira edição da Sessão Abraccine, realizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que exibiu “Quarto Camarim” em cinemas culturais de 14 capitais brasileiras.

O filme entra em…

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Cinematógrafo de março (sáb, 30): “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, de Steven Spielberg

O clássico de Steven Spielberg ajudou a refundar a ficção científica no cinema e subverte a lógica do gênero, narrando uma história que congrega intimismo e deslumbramento no encontro entre nós e seres de uma alteridade radical. Contatos Imediatos passa no Cinematógrafo na Saladearte de março, sábado, dia 30.

O clássico de Steven Spielberg ajudou a refundar a ficção científica no cinema e subverte a lógica do gênero, narrando uma história que congrega intimismo e deslumbramento no encontro entre nós e seres de uma alteridade radical. Contatos Imediatos passa no Cinematógrafo na Saladearte de março, sábado, dia 30.

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O cinema surge revelando registros documentários da realidade, mas logo passa à invenção que marcou o primeiro cinema de arte, o revolucionário Viagem à Lua, de George Meliés, que já nos primeiros anos do século XX abordava a relação do homem com o desconhecido e, inclusive, com seres alienígenas!

O século XX – uma era de extremos – foi marcado por um prodigioso salto de desenvolvimento tecnológico que, como causa e sintoma, produziu novas configurações sociais e culturais resultantes de uma crescente racionalidade técnica, mas também guerras catastróficas, destruição e as maiores ameaças em escalas globais. Na ficção científica, da…

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CinematograFinho de março apresenta “E.T – O Extraterrestre” (sábado, dia 16)

# Salvador:

Em março (sáb, 16), “E.T. – O Extraterrestre”, filme que emocionou toda uma geração, poderá ser visto – para muitos, pela primeira vez! – na telona do cinema!

Em seu tom de fábula e aventura, E.T. trata dos dramas da infância e da amizade com um ser adoravelmente feio e cativante, que precisa de ajuda para voltar para casa! Vale destacar a inesquecível trilha sonora que arrebata os espectadores e torna E.T., em seu conjunto, um dos filmes mais memoráveis de todos os tempos, que toca os corações de adultos e crianças, juntos!

A versão apresentada é legendada em português, com áudio original.

A sessão de E.T. – O Extraterestre no CinematograFinho acontece no dia 16/3 (sábado), às 15h, na Saladearte – Cinema do Museu. Os ingressos podem ser comprados antecipadamente em qualquer sala do Circuito Saladearte.

E.T. – O Extraterrestre, filme que emocionou toda uma geração, poderá ser visto – para muitos, pela primeira vez! – na telona do cinema!

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O Cinematógrafo de março (o finho e o fão) é dedicado a um dos maiores diretores de todos os tempos: Steven Spielberg!

E.T. – O Extraterrestre, de 1982, uma das obras-primas do diretor, conta uma história atemporal e emocionante. O filme marca a volta do diretor à ficção científica depois do elogiado Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de 1977, filme que passa no Cinematografão, dia 30 de março. Se em Contatos seu foco foi no mundo dos adultos descobrindo vida fora da Terra, E.T. traz a visão das crianças sobre o mesmo fenômeno.

E.T. conta a história de um simpático extraterrestre perdido na Terra que é ajudado por Elliott (Henry Thomas) e seus irmãos Michael (Robert MacNaughton) e Gertie (Drew Barrymore). Além…

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CinematograFinho de fevereiro apresenta: “Castelo no Céu”, de Hayao Miyazaki

CinematograFinho de fevereiro:

Sessão única no dia 9/2 (sábado), às 15h, na Saladearte – Cinema do Museu (Corredor da Vitória – Salvador/Ba).

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Em mais uma parceria pelos Studio Ghibli, o filme é escrito e dirigido por Miyazaki e produzido por Isao Takahata.

O CinematograFinho valoriza tanto o realismo quanto a fantasia na nossa formação de visões de mundo. Por isso, depois de exibir, na sessão de janeiro, o realista “Onde fica a casa de meu amigo”, de Abbas Kiarostami, apresentamos a animação de Miyazaki, que conta a história do encontro de um menino com uma menina que possui um colar mágico, envolvendo uma espécie de cidade flutuante – o castelo no céu – que muitos julgam ser apenas uma lenda, mas que guarda um poder extraordinário.

Além de ser mais uma obra-prima do lendário criador dos Studio Ghibli, “Castelo no Céu” traz uma atmosfera mágica de fantasia, mas se fundamenta sempre em aspectos…

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CinematograFinho de janeiro apresenta: “Onde fica a casa de meu amigo?”, de Abbas Kiarostami

CinematograFinho de janeiro: 2019 começa com “Onde fica a casa de meu amigo?”, de Kiarostami

“Onde fica a casa de meu amigo?” é uma bela parábola sobre a inocência das crianças em contraste com a intransigência dos adultos. Um drama luminoso que valoriza o olhar da criança e para ser visto por crianças e adultos juntos.

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Essa história de amizade e cumplicidade juvenil valeu ao diretor iraniano o Leopardo de Ouro e uma menção especial do júri no Festival de Cinema de Locarno. A história centra-se no desejo do pequeno Ahmed (Babek Ahmed Poor) de devolver um caderno perdido a Mohamed Reda Nematzadeh (Ahmed Ahmed Poor), um colega de escola. Essa missão tem uma importância singular: se Mohamed não tiver o caderno com os trabalhos de casa todos feitos no dia seguinte, vai ter um castigo muito severo na escola. Uma história simples mas sublime num filme modesto. Destaque para a interpretação das crianças, que conseguiram captar e transmitir a sua vulnerabilidade num mundo caótico.

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Cinematógrafo de dezembro: FEBRE DO RATO

Cinematógrafo de dezembro: FEBRE DO RATO

Claudio Assis não é um diretor de consensos, “Febre do Rato” tampouco. O Cinematógrafo de dezembro (sáb, 29) exibe o filme não por sua novidade, mas por sua força poética; menos por sua vontade de provocação do que por sua permanência política, no sentido estético do termo, que propõe ao espectador que ele também faça a sua “performance” diante do que vê na tela, liberando-se de qualquer servidão narrativa.
 
Nosso encontro é no dia 29, o último sábado do mês e do ano, às 16h30, na Saladearte – Cinema do Museu.
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Que as conversas, divergentes e/ou convergentes, ressoem até o Cinematógrafo 2019, que trará novidades para consolidarmos juntos esse espaço de encontro presencial mediado pelo cinema.
 

O CINEMATÓGRAFO NA SALADEARTE

O Cinematógrafo acontece mensalmente na Saladearte — Cinema do Museu (Corredor da Vitória), sempre no último sábado do mês, exibindo filmes de formas e temas diversificados. A curadoria é…

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“Quarto Camarim” na Itália: o longa participa do 11º Omovies, em Nápoles

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Depois de passar por diferentes festivais de cinema nas três Américas, Quarto Camarim desembarca na Europa: o filme participa da Mostra Oficial do 11º OMOVIES, Festival Internacional de cinema dedicado a temas e questões LGBTQ+.

Captura de Tela 2018-12-06 às 19.02.47Quarto Camarim passa no dia 11 de dezembro no Rainbow Center Napoli, via Antonio Genovesi 36 Napoli – Ingresso gratuito. Confira a programação no site do Omovies.it!

O filme narra a aproximação entre uma sobrinha, a diretora do filme, e sua tia Luma, depois de vinte e sete anos sem contato. Ambas protagonizam o filme, cada uma a sua maneira, cientes das tensões e aproximações que uma relação emergente tão delicada implica.

Quarto Camarim é o primeiro longa dos cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos. Entre abril e maio de 2018, o filme foi apresentado em cinemas culturais de 13 capitais brasileiras, pela Sessão Abraccine, iniciativa da Associação Brasileira de Críticas de Cinema para a difusão de filmes independentes. As exibições da Sessão Abraccine pelo Brasil foram sempre seguidas de debate com o público, com a presença de convidados especiais e mediadas por um crítico associado da Abraccine.

Além disso, o filme passou por Festivais de cinema no Canadá, na Venezuela, na República Dominicana e diferentes mostras no Brasil, como a 4a. Mostra de Cinema Feminista, em Belo Horizonte; a Mostra Transdocumenta, em São Paulo; e o XVI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador.

Em breve, Quarto Camarim estará em cartaz em salas de cinema culturais no Brasil. Acompanhe as informações nas nossas redes sociais, clicando nos ícones no topo da página.

Poster Quarto Camarim

“Quarto Camarim” participa de festivais de cinema em Salvador e em Nápoles, na Itália

Quarto Camarim participa da mostra competitiva baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

Quarto Camarim

Quarto Camarim participa da mostra competitiva baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

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O primeiro longa de Camele Queiroz e Fabricio Ramos mostra a reaproximação de uma sobrinha – a própria diretora – com a sua tia Luma, depois de 27 anos sem qualquer contato. Para os diretores, trata-se de um filme proposta, que conjuga a vida mesma e a criação cinematográfica, o que resultou numa obra que abrange temas políticos, familiares e sobre o próprio fazer cinema.

Em novembro, “Quarto Camarim” participa da Mostra Baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e em dezembro, da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

Em Salvador, as sessões do Panorama contarão com a presença dos diretores:

Dia 18/11 (domingo) às 17h30 – na Sala 2 do Espaço…

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Cinematógrafo homenageia Isao Takahata exibindo o dilacerante e sensível “Túmulo dos Vagalumes”

“Túmulo dos Vagalumes” completa 30 anos no ano da morte de seu diretor, que morreu em abril deste ano. O Cinematógrafo homenageia Takahata na sessão do dia 3 de novembro (sáb), às 16h30, na Saladearte Cinema do Museu.

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Em abril deste ano, o mundo da animação perdeu uma de suas mentes mais brilhantes que deixou como legado inúmeras obras que vêm marcando gerações. Isao Takahata foi um dos gênios criadores do gigante Studio Ghibli, ao lado de Hayao Miyazaki.

O Cinematógrafo apresenta o dilacerante “Túmulo dos Vagalumes”, realizando uma dupla homenagem: no ano da morte do diretor, a sessão exibe o filme que completa trinta anos em 2018.

Lançado, portanto, em 1988, “Túmulo dos Vagalumes” narra a história de duas crianças japonesas que, no fim da segunda guerra mundial, tentam desesperada e esperançosamente, sobreviver numa cidade assolada pelos constantes bombardeios aéreos e pela miséria que toda guerra traz em seu rastro de morte e destruição. Trata-se de um sensível drama de guerra que desloca o foco das cenas de ação para valorizar a perspectiva de duas crianças que sofrem as consequências de um conflito de proporções catastróficas.

Ao criar o filme, Takahata se inspirou no livro homônimo do escritor japonês Akiyuki Nosaka, autor do relato parcialmente biográfico Túmulo dos Vagalumes. Nosaka, que se tornara órfão pouco depois de nasce (em 1930), realmente perdeu os pais adotivos em 1945, durante os bombardeios da Força Aérea dos Estados Unidos sobre o Japão.

No filme, Takahata adapta a história trágica criando um drama realista de dois órfãos que obrigados precocemente a enfrentar o terror, a perda e a fome, numa luta pela vida não isenta de amor, companheirismo e ludicidade. A alternância das cenas dramaticamente impactantes com momentos de beleza em meio do caos, sem o recurso da fantasia onírica típico de animações, dá ao filme o caráter de uma obra profunda e exigente, emocionante e desafiadora, que grita e clama contra a desumanização crescente do mundo. Um clamor tanto mais revoltante porque nos chega a partir da enternecedora perspectiva infantil.

Túmulo dos Vagalumes não teve carreira nos Festivais de cinema considerados mais importantes e badalados, mas ganhou prestígio e consolidou seu lugar ao longo dos anos.

 

 

SINOPSE:

Os irmão Setsuko e Seita vivem no Japão em meio a Segunda Guerra Mundial. Após a morte da mãe num bombardeio americano e a convocação do pai para a Guerra, eles vão morar com alguns parentes. Insatisfeitos, saem da cidade e acabam num abrigo isolado na floresta, onde lutam contra a fome e as doenças e se divertem com as luzes dos vaga-lumes.

“Túmulo dos Vagalumes”, cor, 89min, 1988. Japão. Dir. Isao Takahata.

O CINEMATÓGRAFO NA SALADEARTE

O Cinematógrafo acontece mensalmente na Saladearte — Cinema do Museu (Corredor da Vitória), sempre no último sábado do mês, exibindo filmes de formas e temas diversificados. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida. Os ingressos são vendidos normalmente no local, com preço especial no valor de meia entrada para todos.

Localização:

 

Cinematógrafo de setembro (sáb, 29) exibe “Doze Homens e uma Sentença”, de Sidney Lumet

O clássico de 1957 põe em questão a relação entre os valores que orientam o nosso ideário civilizacional e as questões sociais de fundo moral, político e psicológico. Sessão dia 29/9, às 16h30, na Saladerte — Cinema do Museu.

Card setembro

Nota dos curadores: “Doze homens e uma sentença” (1957), por fabricio ramos e camele queiroz:

O que chamamos modernidade coincide, sintomaticamente, com a era das ideologias. No tempo das ideologias “é preciso decidir-se sobre o assassinato”, como refletiu Albert Camus. Não sobre o assassinato passional, individual. Mas sobre o assassinato institucionalizado, estatal, legal. Se matar passa a ter razões, inclusive razões de estado, é preciso assumir as consequências e buscar responder claramente à questão sobre o fundamento dessas razões, pois todos nós tomamos parte nela.

Em “Doze Homens e uma Sentença” (1957), o primeiro filme do profícuo diretor estadunidense Sidney Lumet, doze homens são convocados pelo Tribunal do Júri para decidir o destino de um jovem de dezoito anos, acusado de um crime hediondo: matar o próprio pai. Há uma regra básica para o veredito: os doze homens devem determinar, por unanimidade, se o jovem é culpado ou inocente. Em caso de dúvidas ou discordância entre eles, prevalecerá a presunção de inocência. Logo no início, o juiz adverte sobre a enorme responsabilidade que os jurados estão assumindo, lembrando a gravidade da pena a ser aplicada no caso de condenação: a pena de morte.

Para muito além da questão jurídica institucional que se instala à primeira vista, “Doze Homens e uma Sentença”, originalmente uma peça feita para a televisão escrita por Reginald Rose e dirigida por Franklin Schaffner (foi ao ar em 1954 nos EUA), põe em questão a relação entre os valores que orientam o nosso ideário civilizacional e as questões sociais de fundo moral, político e psicológico que atuam no nível individual e no das interações humanas. O que está em jogo quando se tem a responsabilidade de julgar o valor da vida do outro, respaldado pelo manto da legalidade e pela reivindicação de valores humanistas? No filme, amparados no discurso da responsabilidade cidadã, os jurados substanciam seus julgamentos, de forma consciente ou não, de boa vontade ou não, a partir de seus próprios preconceitos, interesses pessoais e até traumas individuais, que emergem de um substrato social e cultural carregado de racismo, xenofobia e moralismo. Cabe ao jurado 8, interpretado soberbamente por Henry Fonda, pôr em questão as certezas impensadas que resultam de automatismos apressados, e trazer para o primeiro plano a responsabilidade da reflexão para a tomada de decisões vitais em nome da sociedade.

 

Uma outra frente de discussão pode ser, paralelamente, acionada pelo filme: em tempos do que Tom Zé chamou de “Tribunal do Facebook”, o filme de 1957 pode ser visto em modo de analogia com a era dos ambientes digitais e os frequentes ímpetos de denuncismo, moralismo e embates políticos polarizados que grassam nas redes sociais, e que não raro descambam para dinâmicas acusatórias, de linguagem punitivista e, no limite, para linchamentos virtuais com consequências e proporções devastadoras para a vida de pessoas acusadas e lançadas ao escracho público sem qualquer possibilidade de defesa. Em casos assim, pela própria tendência amplificadora das redes sociais, inexiste qualquer parâmetro ou marco para se verificar sequer a veracidade das acusações. Esse tema se liga àquele da era das ideologias em que a razão política se converte, em certos contextos, em um esforço discursivo de negação do outro.

No âmbito propriamente cinematográfico, considerando especialmente os seus aspectos formais e dramáticos, “Doze Homens e uma Sentença” motiva boas discussões: o filme se passa quase que inteiramente no interior de uma sala e valoriza enfaticamente a performance dos atores e os diálogos entre os personagens. Estilisticamente, Lumet — sempre próximo do realismo — recorre a artifícios como o posicionamento orientado da câmera e de enquadramentos bem delimitados, para causar sensações de claustrofobia, proximidade ou distanciamento, segundo a progressão narrativa. O diretor, que realizou mais de 50 filmes ao longo de sua carreira, é considerado um grande retratista de Nova York e um dos últimos moralistas de Hollywood, cuja obra se debruça sobre temas relacionados às questões éticas e da integridade dos personagens.

“Doze Homens e uma Sentença” é um clássico, um caso raro de primeiro filme de um diretor que se torna obra-prima celebrada por críticos e cinéfilos. O filme foi indicado a três Oscars (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro), além de ter ganhado o Leão de Ouro no Festival de Berlim, em 1957. A sua atualidade, entretanto, é incontornável.

12 Angry Men, Estados Unidos, Drama, 1957, 96 minutos. PB. Direção: Sidney Lumet.

O CINEMATÓGRAFO NA SALADEARTE

O Cinematógrafo acontece mensalmente na Saladearte — Cinema do Museu (Corredor da Vitória), sempre no último sábado do mês, exibindo filmes de formas e temas diversificados. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida. Os ingressos são vendidos normalmente no local, com preço especial no valor de meia entrada para todos.

Localização: Saladerte – Cinema do Museu, Museu Geológico da Bahia. Corredor da Vitória. Salvador-Ba.