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“Quarto Camarim” em BH: filme participa da 4ª Mostra de Cinema Feminista entre 08 e 16 de março

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Quarto Camarim” participa da 4ª Mostra de Cinema Feminista, que acontece em Belo Horizonte de 08 a 16 de março de 2018.  A Mostra, que apresenta uma programação diversificada que reúne longas e curtas brasileiros e de outros países, acontece no Sesc Palladium. A sessão de “Quarto Camarim” será no dia 11 de março (dom), às 19h.

A programação completa da 4ª Mostra de Cinema Feminista pode ser conferida no site da mostra e também na respectiva página do Facebook.

Finalizado em 2017, “Quarto Camarim” é o primeiro longa-metragem dos diretores Camele Queiroz e Fabricio Ramos. O filme, por meio de uma abordagem documental, mostra o reencontro, depois de vinte e sete anos, entre uma sobrinha, que é a própria diretora, e a sua tia, com quem não manteve nenhum contato desde a sua infância. Sua tia se chama Luma, é travesti, trabalha como cabeleireira e vive em São Paulo.

Poster Quarto CamarimNarrativamente, o filme assume contornos dramáticos e estéticos que partem de uma relação corpo a corpo entre duas individualidades, cujas tensões são mediadas pelo próprio cinema. O resultado, segundo os próprios cineastas, é uma obra de mise-en- scène compartilhada entre a diretora e a tia, que protagonizam o longa. Sem abrir mão da abordagem temática sensível de impacto político e social, “Quarto Camarim” elabora cinematograficamente um testemunho de vivência pessoal e íntima.

Contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016, “Quarto Camarim”, além da da 4ª Mostra de Cinema Feminista de Belo Horizonte, participou de mostras oficiais de festivais internacionais, com sessões ocorrendo na Venezuela, na República Dominicana e no Canadá.

 

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Cinematógrafo na Saladearte de fevereiro (sáb, 24) exibe “Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood” (2010)

Obra de forte expressão poética constrói uma história de amor em torno da tragédia e da sexualidade como dimensões da vida. A sessão acontece no sábado (24), às 16h30, na Saladearte Cinema do Museu (Corredor da Vitória, em Salvador).

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Nota dos curadores do Cinematógrafo:

Música, literatura e cinema: uma célebre canção dos Beatles empresta seu nome ao best-seller do escritor japonês Haruki Murakami, obra que o diretor franco-vietnamita Tran Anh Hung adapta para o cinema. Norwegian Wood (traduzido no Brasil como ‘Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood’), lançado em 2010, foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza daquele ano e, desde então, vem causando impressões controversas na crítica e no público.

Se a proposta do Cinematógrafo na Saladearte é ensejar boas conversas sobre as relações do cinema com a vida e com as outras artes, Norwegian Wood nos oferece um leque exuberante de motivos: se leitores de Murakami questionam a força dramática da adaptação cinematográfica da obra literária, cabe aos amantes do cinema reclamar a especificidade da obra cinematográfica e as razões do diretor, considerado um esteta que, marcadamente, valoriza a intensidade visual, a presença da sensualidade na narrativa e o rigor na composição dos quadros, mis-èn-scene e dramaturgia.

Narrada por Watanabe, a trama se passa no Japão do efervescente ano de 1967 e se inicia a partir da relação triangular entre o protagonista narrador e um casal de amigos, Naoko e Kisuki, que se conhecem desde a primeira infância e se convertem em amantes desde cedo. Um acontecimento trágico transtorna a relação entre Watanabe e a sua amiga Naoko, que se separam para depois se reencontrarem e, juntos, redescobrirem a sexualidade, o sentido do amor e, cada um a sua maneira, enfrentarem a tragédia que se abateu sobre eles.

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O que Tran Anh Hung nos oferece é um filme conscientemente moderno que se desvirtua dos clamores pós-modernos, por assim dizer, construindo personagens trágicos que vivem dramas existenciais alheios às conturbações estudantis de jovens que declinam discursos ideologizados, armados de certezas e que rechaçam as nuanças individuais em nome das lutas efetivamente políticas. O pano de fundo das vigorosas manifestações estudantis nas ruas de Tóquio contra a guerra do Vietnã, participando de um movimento globalizado de contestação política e de transformação de valores, substancia metaforicamente o processo drástico de transformação individual de Watanabe. Trata-se de um filme sobre amadurecimento emocional a partir do sofrimento, da experiência mesma de viver entre o afã de comunhão e de solidão, entre o erotismo transcendental e o desejo sexual que resulta de uma necessidade misteriosa e produz prazer, mas também frustração, medo e dor.

Norwegian Wood reflete, esteticamente, um tipo de realismo imaterial, com pouco ou nenhum espaço para a fantasia, mas carregado de sensorialidade musical e visual. A direção e composição da trilha sonora é assinada por Jonny Greenwood, guitarrista da banda inglesa Radiohead, e a fotografia ficou a cargo do experiente taiwanense Mark Lee Ping-bing. O resultado do conjunto do trabalho sonoro e fotográfico, aliado ao naturalismo da dramaturgia, é uma obra de forte impacto poético e emocional.

Aliás, no que se refere ao impacto emocional, este se impõe e exige um lugar especial que motivará, em nossa opinião, conversas enriquecedoras, controversas e vitais: afinal, o que Norwegian Wood nos propõe é uma reflexão poética e trágica sobre os modos como absorvemos as nossas próprias dores, como enfrentamos as nossas dúvidas e anseios, como convivemos com as fatalidades que fazem reluzir as difíceis realidades com as quais nos deparamos e que precisamos inescapavelmente enfrentar, em meio aos nossos ardentes desejos de comunhão constituintes de nossa vida ontologicamente solitária. Em suma, o filme nos leva a refletir sobre como a vida nos torna o que somos, a cada momento.

TRAILER:

SOBRE O CINEMATÓGRAFO

O Cinematógrafo, uma mostra de filmes independente sob curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, cineastas e curadores de Salvador. A iniciativa independente começou no Rio Vermelho, na Casa 149. Ali, num esquema artesanal de montagem de estrutura de projeção, realizou-se sessões durante seis meses, desde dezembro de 2016. Em julho de 2017, fomos convidados a realizar o Cinematógrafo no Cine XIV, sala no Pelourinho, em parceria com o Circuito Saladearte. Com o incêndio que consumiu o Cine XIV, interrompemos os encontros para os retomarmos, neste ano de 2018, no Cinema do Museu, sempre no último sábado de cada mês, às 16h30. O objetivo é, a partir de filmes de variados temas e formas, promover conversas sobre as relações do cinema com questões da vida e suas relações com a arte.
 

O CINEMATÓGRAFO RETORNA NO DIA 26 DE JANEIRO, NO CINEMA DO MUSEU

A partir deste mês de janeiro, o Cinematógrafo passa a acontecer no Cinema do Museu, sala do Circuito Saladearte, que fica no Corredor da Vitória. As sessões são mensais, na última sexta-feira do mês, às 20h40.

A sessão de retomada do Cinematógrafo será no dia 26/1, com o filme “A Ghost Story” (2017), de David Lowery, que estava programado para a sessão de dezembro, cancelada por conta do incêndio que consumiu o Cine XIV. O filme, que é uma alegoria sobre a transitoriedade das coisas e a fugacidade de tudo, suscitará questões que remeterão à destruição do Cine XIV. Compareçam! A sessão promete uma boa experiência e uma conversa daquelas.

Nota dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz:

Ela (Rooney Mara) e ele (Casey Affleck) são um jovem casal que se prepara para mudar de casa, quando ele morre, num banal acidente de carro. Ela tenta superar a perda repentina, enquanto vive o luto. Ele, entretanto, reaparece na forma de um fantasma silencioso, e volta a habitar a casa em que moravam, oculto em uma dimensão inacessível para ela. Através de deslocamentos temporais, o filme expande o drama pessoal do fantasma até um nível cósmico, oscilando entre apegos às histórias de uma vida e o vislumbre da eternidade. Logo somos instados a acompanhar a “existência” de um fantasma de aspecto cômico, mas que nos atrai por sua dimensão trágica e por sua presença muda e enigmática.

Difícil de classificar, “A Ghost Story”, escrito e dirigido por David Lowery, recorre à iconografia dos fantasmas de quadrinhos infantis: o lençol branco com dois buracos vazios na altura dos olhos. Mas o fantasma de Affleck, embora mudo (será mesmo Affleck ali o tempo todo?) transmite, em seu silêncio e passividade, uma melancolia penetrante que, de imediato, embaralha os códigos da representação arquetípica.

Aliando temas metafísicos com uma subversão paródica de filmes de fantasma, “A Ghost Story” tem sido apontado como um entre vários filmes de um sub-gênero emergente, classificado como pós-terror, que substitui os sustos e as criaturas horripilantes por dramas existenciais em relação com os medos sociais profundos (A Bruxa, de Robert Egger, é um exemplo, e It Comes at Night, de Trey Edward Shults, outro).

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De fato, não obstante a atmosfera indie, uma das cenas de “A Ghost Story” reproduz as típicas assombrações do tipo Poltergeist, embora pelas vias de uma rotação de perspectiva que desloca o lugar do fantasma na ação. Outras referências estéticas mais ou menos evidentes são os filmes de Apichatpong Weerasethakul (certa naturalização do sobrenatural me lembrou “Tio Boonmee”), e os filmes de horror psicológicos de Kubrick, em The Shining, e de Polanski, especialmente o da chamada “trilogia do apartamento”, destacando o famoso O Bebê de Rosemary.

Mas, muito embora o filme de Lowery nos apresente efetivamente uma história de fantasma, ele desvia das convenções do cinema de terror, ignora seus códigos e regras básicas, e constrói um filme sobre a transitoriedade das coisas e a fugacidade de tudo, em contraste com a nossa vontade de permanência e não aceitação da finitude que nos encerra, tal como faz com o fantasma do filme, em uma temporalidade múltipla e sem fim, sem qualquer finalidade que não seja uma desesperada espera por algo que pode não ser nada.

Podemos, se quisermos, avaliar se “A Ghost Story” traduz, com eficácia cinematográfica, uma reflexão filosófica ou poética. Ou, criticamente, discutir se certos elementos estéticos e escolhas narrativas incorrem em clichês pontuais. Trata-se, aliás, de um filme bem modesto, sob todos os aspectos. Mas a amplitude de seus temas, mesmo abordados com simplicidade dramática (que se expressa por vias de uma montagem bem conduzida e de uma sensorialidade moderada, mas marcante), aciona os nossos próprios fantasmas e nos fazem pensar, inclusive partindo de alguns sinais narrativos que o filme sugere, sobre as nossas relações espirituais com o tempo e a finitude, que definem a vida destinada, como tudo, a passar.

SOBRE O CINEMATÓGRAFO

Nós iniciamos o Cinematógrafo, uma mostra de filmes independente, no Rio Vermelho, na Casa 149. Ali, num esquema artesanal de montagem de estrutura de projeção, realizamos sessões durante seis meses, que começaram em dezembro de 2016. Até que, em julho de 2017, fomos convidados a realizar o Cinematógrafo no Cine XIV, que ofereceu, através de uma gentil parceria, toda a estrutura da sala para as exibições e para as conversas que sucediam as sessões. Com o incêndio que consumiu o Cine XIV, interrompemos os encontros para os retomarmos, neste ano que se inicia, no Cinema do Museu, nas noites das últimas sextas-feiras de cada mês, até que o Cine XIV seja restaurado e retorne ainda mais bonito, dono de uma história de resiliência de sensível impacto cultural no centro histórico de Salvador!
LOCALIZAÇÃO:

“Quarto Camarim” estreia em três festivais de cinema internacionais

Quarto Camarim, primeiro longa-metragem dos diretores Camele Queiroz e Fabricio Ramos, estreou em festivais internacionais no Canadá, na República Dominicana e na Venezuela. Lançado no final de 2017, o filme mostra o reencontro, depois de vinte e sete anos, entre uma sobrinha e a sua tia Luma.

24879908_1953094964715720_4237496083568247201_oEm janeiro de 2018, Quarto Camarim participa da Mostra Oficial do 3rd FICMARC – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DEL MAR CARIBE (link), que acontece na Ilha de Margarita, Venezuela. Entre novembro e dezembro de 2017, o filme foi exibido no Canadá, no Vancouver Alternative Cinema Festival (link), e na República Dominicana, na mostra oficial do 8º Santo Domingo OutFest – Festival Internacional de Cine GLBT (link).

 

O filme foi realizado com o apoio do programa Rumos – ItaúCultural 2015-2016. Veja trailer, entrevista com os diretores e outras informações no site do filme: https://quartocamarim.com.br/

“Quarto Camarim” tem estreia internacional em Vancouver e em Santo Domingo

Quarto Camarim” (2017), longa de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, estreou no dia 22 de novembro, no Canadá, participando do Vancouver Alternative Cinema Festival. No dia 5 de dezembro, foi exibido na República Dominicana, na mostra oficial do Santo Domingo OutFest – Festival Internacional de Cine GLBT.

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Quarto Camarim (2017) é o primeiro longa-metragem dos diretores Camele Queiroz e Fabricio Ramos. O filme, por meio de uma abordagem documental, mostra o reencontro entre uma sobrinha, que é a própria diretora, e sua tia, com quem não manteve nenhum contato desde a sua infância. É um filme de mise-en-scène compartilhada entre a diretora e a tia que, sem abrir mão da abordagem temática sensível de impacto político e social, elabora cinematograficamente um testemunho de vivência pessoal e íntima.

A realização do filme teve o apoio do programa Rumos – Itaú Cultural 2016-2017.

Nota de Solidariedade do Bahiadoc ao Cine XIV – Circuito Saladearte

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Na manhã do último dia 11 de novembro, quando nos preparávamos para mais uma sessão do Cinematógrafo no Cine XIV, fomos informados da tragédia: um incêndio consumia o cinema.

Ainda sem ter a dimensão precisa dos danos, nos dirigimos até a sala, no Pelourinho, e nos deparamos com um cenário de destruição total.

Nós iniciamos o Cinematógrafo, uma mostra de filmes independente, no Rio Vermelho, na Casa 149. Ali, num esquema artesanal de montagem de estrutura de projeção, realizamos sessões durante seis meses, que começaram em dezembro de 2016. Até que, em julho de 2017, fomos convidados a realizar o Cinematógrafo no Cine XIV, que ofereceu, através de uma gentil parceria, toda a estrutura da sala para as exibições e para as conversas que sucediam as sessões. Lá, realizamos as sessões de agosto, de setembro e de outubro, às quais compareceram um público crescente e diversificado que, em boa parte, conheceram o Cinematógrafo através da divulgação do Circuito Saladearte e do Cine XIV.

 

O Cine XIV, que opera no Pelourinho há vários anos, mas passara por uma reforma e fora reinaugurado há um ano, oferece uma programação diferenciada, quase totalmente voltada para produções nacionais e cujos ingressos são vendidos a preços subsidiados, num esforço permanente de atrair um público do entorno, considerando tal entorno o próprio Pelourinho e as suas adjacências, mas também toda a Cidade Baixa até a Ribeira.

Com a chocante notícia do incêndio, cujas causas estão sendo apuradas e que, felizmente, não deixou vítimas, o nosso sentimento foi de perda: perda de um espaço no qual estávamos atuando, mas que também abrigava outras tantas iniciativas além de ser um espaço a mais, na rua, dedicado ao cinema e à cultura.

O Cinematógrafo continuará! Em breve daremos notícias. Enquanto isso, esperamos que o Cine XIV seja restaurado e retorne ainda mais forte, dono de uma história de resiliência de sensível impacto cultural em Salvador!

Nós, do Bahiadoc, expressamos o nosso agradecimento e a nossa solidariedade a todos aqueles que, trabalhando ou frequentando a sala, davam vida ao Cine XIV e ao centro histórico, contribuindo para o dinamismo cultural da cidade e para a valorização do cinema e da arte.

Que Salvador volte a contar com esse espaço charmoso, aberto à parceria com iniciativas independentes e estimulador da inclusão cultural através do acesso e do conhecimento das obras cinematográficas que nem sempre encontram outros espaços de difusão.

Vida longa ao Cine XIV!

De Camele Queiroz e Fabricio Ramos, coordenadores do Bahiadoc – arte documento e curadores do Cinematógrafo no Cine XIV.

Cinematógrafo no Cine XIV de novembro, dia 11, exibe “A Ghost Story”, de David Lowery

 

 

Nota dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz:

Ela (Rooney Mara) e ele (Casey Affleck) são um jovem casal que se prepara para mudar de casa, quando ele morre, num banal acidente de carro. Ela tenta superar a perda repentina, enquanto vive o luto. Ele, entretanto, reaparece na forma de um fantasma silencioso, e volta a habitar a casa em que moravam, oculto em uma dimensão inacessível para ela. Através de deslocamentos temporais, o filme expande o drama pessoal do fantasma até um nível cósmico, oscilando entre apegos às histórias de uma vida e o vislumbre da eternidade. Logo somos instados a acompanhar a “existência” de um fantasma de aspecto cômico, mas que nos atrai por sua dimensão trágica e por sua presença muda e enigmática.

Difícil de classificar, “A Ghost Story”, escrito e dirigido por David Lowery, recorre à iconografia dos fantasmas de quadrinhos infantis: o lençol branco com dois buracos vazios na altura dos olhos. Mas o fantasma de Affleck, embora mudo (será mesmo Affleck ali o tempo todo?) transmite, em seu silêncio e passividade, uma melancolia penetrante que, de imediato, embaralha os códigos da representação arquetípica.

Aliando temas metafísicos com uma subversão paródica de filmes de fantasma, “A Ghost Story” tem sido apontado como um entre vários filmes de um sub-gênero emergente, classificado como pós-terror, que substitui os sustos e as criaturas horripilantes por dramas existenciais em relação com os medos sociais profundos (A Bruxa, de Robert Egger, é um exemplo, e It Comes at Night, de Trey Edward Shults, outro).

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De fato, não obstante a atmosfera indie, uma das cenas de “A Ghost Story” reproduz as típicas assombrações do tipo Poltergeist, embora pelas vias de uma rotação de perspectiva que desloca o lugar do fantasma na ação. Outras referências estéticas mais ou menos evidentes são os filmes de Apichatpong Weerasethakul (certa naturalização do sobrenatural me lembrou “Tio Boonmee”), e os filmes de horror psicológicos de Kubrick, em The Shining, e de Polanski, especialmente o da chamada “trilogia do apartamento”, destacando o famoso O Bebê de Rosemary.

Mas, muito embora o filme de Lowery nos apresente efetivamente uma história de fantasma, ele desvia das convenções do cinema de terror, ignora seus códigos e regras básicas, e constrói um filme sobre a transitoriedade das coisas e a fugacidade de tudo, em contraste com a nossa vontade de permanência e não aceitação da finitude que nos encerra, tal como faz com o fantasma do filme, em uma temporalidade múltipla e sem fim, sem qualquer finalidade que não seja uma desesperada espera por algo que pode não ser nada.

Podemos, se quisermos, avaliar se “A Ghost Story” traduz, com eficácia cinematográfica, uma reflexão filosófica ou poética. Ou, criticamente, discutir se certos elementos estéticos e escolhas narrativas incorrem em clichês pontuais. Trata-se, aliás, de um filme bem modesto, sob todos os aspectos. Mas a amplitude de seus temas, mesmo abordados com simplicidade dramática (que se expressa por vias de uma montagem bem conduzida e de uma sensorialidade moderada, mas marcante), aciona os nossos próprios fantasmas e nos fazem pensar, inclusive partindo de alguns sinais narrativos que o filme sugere, sobre as nossas relações espirituais com o tempo e a finitude, que definem a vida destinada, como tudo, a passar.

O quê: sessão de A Ghost Story no Cinematógrafo.
Quando: dia 11 de novembro, sábado, às 16h.
Onde: no Cine XIV, no Pelourinho (veja mapa mais abaixo).
(A contribuição é de R$ 5,00)

O CINEMATÓGRAFO:

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes, mensalmente, de variadas formas e temas, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h (neste mês de novembro, a sessão será excepcionalmente no segundo sábado do mês, em virtude do feriadão que cai no primeiro). O intuito é instigar conversas sobre os mais diversos problemas contemporâneos, nos campos da política, da estética e da arte em suas relações com a vida. A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos e os filmes programados são divulgados a cada mês em nossas redes (curta a página no Facebook).  A contribuição é de R$ 5,00 por sessão. Apoie a iniciativa se tornando um membro associado através da anuidade (sessenta reais) que garante acesso às doze sessões anuais.  Fale conosco e participe!

 

“Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria

Curta-metragem “Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria (Porto da Barra), durante a inauguração da expo “Nosoutros”, de Rogério Ferrari. Sexta (dia 20/10), às 18h.

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O curta “Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria, no dia 20 de outubro, às 18h, na inauguração da exposição “Nosoutros”, do fotógrafo Rogério Ferrari, que já pode ser vista na parte externa do Espaço Pierre Verger, no Forte Santa Maria (Porto da Barra, Salvador).

A mostra exibe 23 fotografias em preto-e-branco, que relacionam os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” (2015), filme dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

“Muros” ganhou o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V Feciba – Quinta edição do Festival de Cinema Baiano, em 2015. Foi premiado também como um dos 10+ Favoritos do Público no Kinoforum – 26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, e participou de diversas Mostras e Festivais de Cinema na Bahia, no Brasil e no exterior. “Muros” estará acessível na íntegra online, a partira do dia 20, no site do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

A iniciativa marca a última etapa da programação ao ar livre realizada pela Fundação Pierre Verger na parte externa do novo espaço cultural inaugurado em 2016 e cuja gestão é realizada pela prefeitura de Salvador, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

O Cinematógrafo no Cine XIV de outubro exibe “A Liberdade é Azul”

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Nota dos curadores:

Julie Vignon (Juliette Binoche) sobrevive ao acidente de carro que vitimou seu marido e sua filha pequena. Diante da dor da perda, ela decide enfrentar a tragédia experimentando uma liberdade radical em sua vida, recusando o luto e o choro, livrando-se de seus bens e patrimônio, evitando se ligar ao próprio passado e se afastando definitivamente das pessoas com as quais mantinha vínculos afetivos.

Em A Liberdade é Azul (1993), a Música e cor cumprem uma função narrativa mas, sobretudo, compõem a estética do filme, que proporciona uma experiência sensorial impactante, imprescindível de ser vivenciada num ambiente que somente a sala de cinema oferece. O tema da liberdade aparece sob uma abordagem existencial e trágica, mas evoca questões que se ligam a uma ampla variedade de problemas contemporâneos.

O diretor polonês Krzysztof Kieslowski completou a sua trilogia das cores com A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é Vermelha (1995), títulos que fazem clara referência aos ideais iluministas encampados pela Revolução burguesa na França. A acepção demasiado óbvia dos títulos poderia sugerir uma leitura apressada, relacionando o filme à preponderância de razões políticas e históricas. Entretanto, em A Liberdade é Azul, a história e a política só aparecem enquanto substrato de uma experiência individual trágica que, como um corpo que se afoga, busca na própria crise dos ideais, se não uma tábua de salvação, uma maneira possível de ficar submerso. — (Por Fabricio e Camele).

O quê: sessão de A Liberdade é Azul no Cinematógrafo
Quando: dia 7 de outubro, sábado, às 16h.
Onde: no Cine XIV, no Pelourinho (veja mapa mais abaixo)
(A contribuição é de R$ 5,00)

 

O CINEMATÓGRAFO:

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes, mensalmente, de variadas formas e temas, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. O intuito é instigar conversas sobre os mais diversos problemas contemporâneos, nos campos da política, da estética e da arte em suas relações com a vida. A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos e os filmes programados são divulgados a cada mês em nossas redes (curta a página no Facebook).  A contribuição é de R$ 5,00 por sessão. Apoie a iniciativa se tornando um membro associado através da anuidade (sessenta reais) que garante acesso às doze sessões anuais.  Fale conosco e participe!

Cinematógrafo no Cine XIV: fotos da sessão do dia 2 de setembro

O Cinematógrafo no Cine XIV de setembro, que aconteceu no último sábado, dia 2, apresentou o filme “Entre a Luz e a Sombra”, de Luciana Burlamaqui, que relaciona a vida cotidiana dos personagens com questões políticas, sociais e existenciais, abrangendo temas que vão desde o crime e a violência, o sistema carcerário e a sua relação com o poder judiciário, até a arte e a música como motivadoras de reintegração social e a força dos dramas mais humanos na luta por existir segundo seus próprios sonhos e visões de mundo.

O esforço dos curadores, Camele e Fabricio, é o de compor uma programação mensal abrindo diferentes leques de possibilidades estéticas, formais e temáticas. E também o de atrair um público diversificado, que manifesta, claro, um interesse e uma ligação afetiva com o cinema, mas que não se restringe à cinefilia.

A ideia do Cinematógrafo é reinventar as formas de ver um filme, favorecer a fidelidade do público com a Sala de Cinema a partir da confiança na programação dos curadores e da expectativa de, sempre a partir de um filme, mobilizar conversas sobre as relações entre a arte e a vida, invocando assuntos do campo da ética, da estética, da política, da filosofia e das visões de mundo de cada um, enriquecendo as perspectivas na conversa que sucede à sessão.

O Cinematógrafo conta com a parceria do Cine XIV, sala do Circuito de Cinema Saladearte, localizada no Pelourinho. As sessões acontecem sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. A próxima sessão, portanto, será no dia 7 de outubro. A programação será divulgada em nossas redes com antecedência. Curta a nossa página no Facebook, acompanhe e participe!

(Fotos: Camele, Fabricio e Nirlyn).