Vídeo resume a experiência da Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro

Registro que resume a experiência da Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro. De janeiro até julho de 2016, a mostra realizou doze sessões de cinema no Terreiro de Odé, em Ilhéus, exibindo filmes diversificados: de clássicos de nossa cinematografia a vídeos descobertos pelos curadores Camele Queiroz e Fabricio Ramos em pesquisas no Youtube. Ficções e documentários, animações, curtas e longas, sempre filmes com temáticas que valorizam o conhecimento e a reflexão acerca das religiões de raízes africanas e indígenas. O Cinema foi ao Terreiro e tal experiência revelou um pouco de como o nosso cinema viu e vê a cultura dos Orixás e as religiões afroindígenas.

O Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Acesse mais informações sobre a Mostra e fotos das sessões em:
https://cineodeblog.wordpress.com/

Cine Odé – Cinema no Terreiro: programação de MARÇO

Em MARÇO, as sessões do Cine Odé – Cinema no Terreiro , no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba, acontecem nos dias 26 e 27 (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h.

No sábado, dia 26, serão exibidos os curtas “Hùndàngbènă – O Ninho da Serpente, de Mazé Mixo; e “Professor Agenor”, de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro. No domingo, dia 27, será exibido o longa “Cafundó”, de Paulo Betti e Clóvis Bueno, filme vencedor de vários prêmios no Festival de Gramado em 2005.

A convidada especial da sessão de março será Michelle Raic Mansur, historiadora e pesquisadora de temas relacionados à religiosidade de matriz africana. Após a exibição dos filmes, a roda de conversa será aberta a todos que queiram participar.

A entrada é gratuita. Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece um veículo para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773.

SOBRE OS FILMES de Março:

SÁB, 26/3, 17H l Hùndàngbènă – O Ninho da Serpente (2015, 13mn).

Captura de Tela 2016-03-18 às 15.29.23Dirigido por Marcelo Serra e Freddy Ribeiro, o curta mostra os preparativos do primeiro Gboitá , a cerimônia mais importante do Candomblé Jeje-Mahi, em Duque de Caxias-RJ. O filme começa situando as origens das diversificadas tradições trazidas para o Brasil por conta da escravidão, que:

trouxe da África homens e mulheres de variadas tribos, reinos e cidades. Com eles vieram o sofrimento, a morte e a promessa do esquecimento. Mas também vieram suas diversas línguas, tradições e costumes. Com eles vieram suas divindades e ancestrais. Haviam trazido consigo sua Fé.

SÁB, 26/3, 17H l  Professor Agenor (2011, 20min)

Captura de Tela 2016-03-19 às 18.59.54O curta de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro traz uma conversa com a figura notável de Agenor Miranda Rocha, conhecido como “professor”, visto que exerceu o magistério durante a maior parte de sua vida. Admirado por personalidades como Jorge Amado, que declarou: “Sou velho amigo e admirador de Agenor. Trata-se de uma das figuras de maior relevo nas nações do candomblé”. E Gilberto Gil, que reconhece na figura do professor Agenor “uma figura ímpar, insubistituível e de importância extraordinária.”

DOM, 27/3, 17H l Cafundó (2005, 101min)

Captura de Tela 2016-03-19 às 19.23.16Cafundó, dirigido por Paulo Betti e Clóvis Bueno e com Lázaro Ramos como protagonista, é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.

No Festival de Gramado de 2005, o filme venceu nas categorias de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia. Ganhou o Prêmio Especial do Júri na categoria de Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro. Foi indicado na categoria de Melhor Filme.

Em São Paulo, Expo “Nosoutros” reúne fotografias de Rogério Ferrari relacionando Salvador e Palestina

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.03.27Permanece até dia 11 de setembro de 2015, na Matilha Cultural em São Paulo, a Expo Fotográfica “Nosoutros”. Realizada pela Mostra Mundo Árabe de Cinema, a expo relaciona os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

Segue matéria de Arthur Gandini para o site do Instituto da Cultura Árabe:

A Matilha Cultural, no centro de São Paulo, foi palco, na quinta-feira (27), da abertura da exposição de fotos “Nosoutros”, de Rogério Ferrari, que fica em cartaz no espaço até 11 de setembro. A abertura teve também a exibição do filme “Muros”, com as presenças dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, além da produtora de “Marte ao Amanhecer”, Nirah Shirazipour.

Resultado do mais recente trabalho do baiano Rogério Ferrari, que não pôde estar presente na abertura,  “Nosoutros” documenta, com fotos em lambe-lambe e projeções audiovisuais, o olhar-ponte do fotógrafo sobre os campos de refugiados palestinos em 2002 e 2008, relacionando-os com bairros periféricos de Salvador, Bahia, em 2014. A exposição conta também com o trabalho audiovisual “Eloquência do sangue”, realizado a partir de fotos feitas na Palestina ocupada em 2002 e do som ambiente registrado neste período. As palavras do autor repercutem a força das imagens ao propor “que a arte assuma o lugar que lhe corresponde: o de aquecer a rebeldia”.

Como em toda a programação da Mostra nesta 10ª edição, a exposição de fotos dialoga com o filme “Muros”, misturando imagens de vídeo com os cliques de Rogério Ferrari, que também integram a película. “São realidades difíceis por diversas razões e quem nos falou primeiro dessa relação foi o Rogério, porque ele esteve lá nesses campos palestinos. E nós, que somos de Salvador, conhecemos o trabalho dele”, contou Fabricio Ramos, um dos diretores de “Muros”. “Quando ele fez essa inferência, nós propusemos logo um trabalho. Já que estamos na área do cinema e ele, na da fotografia, vamos fazer essa junção.”

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.15.22Camele Queiroz, também diretora do filme, falou sobre como o público brasileiro tem se identificado com a obra. “Você percebe nitidamente que há uma relação clara entre aquelas realidades, mesmo que, no caso da imagem, atenha-se mais a aspectos geográficos, da arquitetura, do urbanismo. Como há algumas fotografias que não apresentam pessoas, necessariamente, e sim mais aspectos urbanos, algumas pessoas falam “poxa, aí eu já não sabia onde era”, disse.

Segundo Ramos, o objetivo do filme foi mesmo impactar o público, o que ele tem visto acontecer. “Estão fechando as fronteiras com muros para que os imigrantes não possam chegar à Europa mais desenvolvida.”

O diretor também falou sobre como vê a realidade social no Brasil. “Os muros são históricos e ainda muito sólidos, embora, ao longo de gerações, muita gente tenha trabalhado para derrubar esses muros, mas eles existem: os guetos, as ocupações militares nas favelas, o problema urbanístico, social, humano. A solução, por parte do poder, é a solução policial. O Brasil passou por uma melhora de consumo, mas de piora da violência social”, refletiu.

Muitas imagens de Rogério Ferrari que não estão em “Muros” podem ser vistas na exposição na Matilha. Segundo Camele, a exposição mostra um outro olhar do filme, assim como o filme dá outra perspectiva das fotos. “Chamaram isso de uma quarta dimensão”, brincou.

Canal Bahiadoc completa a série de seis webdocs que trazem conversas com cineastas baianos

Canal Cartaz FinalAo longo de um ano e meio, realizamos o Canal Bahiadoc, série de seis webdocs com a participação de cineastas baianos que realizaram filmes e vídeos ligados ao campo de não-ficção na Bahia.

O nosso objetivo foi, de forma introdutória, contribuir em algum grau para o debate e a difusão em torno das obras desses cineastas independentes e de contextos do cenário audiovisual e cinematográfico da Bahia.

O Canal teve o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público (Demanda Espontânea 2011), e é uma realização de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, através do Bahiadoc – arte documento, iniciativa independente que quer discutir a prática do documento e contribuir para a formação de espaços reais e virtuais que dinamizem a interação entre novos agentes criativos na Bahia.

Os realizadores do Canal agradecem a todos os cineastas que participaram, e a todos que acompanharam, assistiram e difundiram os webdocs pelas rede.

Sabemos que há muitos outros cineastas, videomakers e artistas do audiovisual realizando trabalhos de relevância para a nossa memória cultural e artística. Quem sabe, novas edições virão para conversar com ainda mais gente – será esse o nosso esforço.

Todos os webdocs e as informações sobre o Canal Bahiadoc estão acessíveis no sítio do projeto. Acessem, difundam, critiquem, em:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

SOBRE OS WEBDOCS:

1 e 2. Os dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador. Participaram do primeiro: Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosario, Sophia Mídian Bagues e Felipe Kowalczuk. Do segundo, participaram: Wallace Nogueira, Mônica Simões e Isana Pontes.

3. O terceiro webdoc traz um encontro com o Cual Coletivo UrgentedeAudiovisual, que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

4. O quarto webdoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, profícuo documentarisa que aborda temas sociais e históricos, além de atuar como videoativista.

5. O quinto webdoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas.

6. E o sexto webdoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Lembrando, todos os webdocs podem ser acessados no sítio do projeto:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Henrique Dantas participa do sexto webdoc do Canal Bahiadoc

Nos próximos dias, publicaremos o sexto webdoc do Canal Bahiadoc, desta vez com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Captura de tela 2013-12-10 às 17.57.21Henrique Dantas é inquieto e perspicaz – percebemos isso nos primeiros instantes da conversa que aconteceu em sua casa. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe.

Filhos de João levou 11 anos para ficar pronto, tempo que revela o quanto fazer cinema na Bahia (ou em qualquer região fora do eixo) exige compromisso e persistência, como enfatiza o próprio Henrique. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme. O Admirável Mundo Novo Baiano perpassa toda a cultura urbana do underground baiano ao longo dos últimos quarenta anos.

Depois, Henrique passou a se dedicar ao resgate da importância do cineasta Olney São Paulo – a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro” – no cenário do cinema e da política no Brasil, propondo reflexões críticas com sensibilidade estética e apropriações de diferentes linguagens artísticas em suas realizações.

Captura de Tela 2013-12-10 às 20.49.42Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política contra Olney, por parte da Ditadura Militar. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique realiza Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Sinais de Cinza percorre agora festivais, tendo participado do Festival do Rio e do Festival de Havana.

Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

Henrique fala com firmeza e ao mesmo tempo com serenidade. “Para falar de meu trabalho eu preciso falar de mim”, diz, revelando o pertencimento pleno que o conduz na escolha de seus temas e na realização de suas obras. A conversa que gravamos será publicada em breve, no sexto webdoc do Canal. Acompanhe as nossas redes no Facebook e Twitter.

TRAILER “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Trailer do registro “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Em setembro de 2013, vaqueiros de diferentes regiões do sertão nordestino viajaram a Brasília para acompanhar, no Plenário do Senado Federal, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. O registro, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, é uma memória da viagem.

Brasil l HD l Cor l 2013

Realização:
Bahiadoc – arte documento

Antônio Olavo no quinto webdoc do Canal Bahiadoc

O quinto webdoc do nosso Canal traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas

Numa manhã de chuva e de sol, conversamos com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia.

Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

Na postagem anterior (leia aqui) traçamos um resumo da história do cineasta.

O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Geraldo Sarno: ensaio sobre o Brasil

Nascido em Poções, na Bahia, em 1938, Geraldo Sarno é um nome fundamental na trajetória do moderno documentário brasileiro e da história do cinema no Brasil.

Em 1965, realizou Viramundo, considerado um clássico do documentário brasileiro, foi o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Geraldo Sarno começou no início dos anos 1960 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia. Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Abordou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre os quais participam Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra.

Geraldo Sarno realizou também longa-metragens de ficção, entre os quais Coronel Delmiro Gouveia (1977), belo filme que retrata a história real e trágica do empresário humanista Delmiro Gouveia, que no início do século XX em Alagoas, enfrentou o poder dos coronéis do nordeste e da indústria internacional. Confira a filmografia do diretor na Wikipedia.

VIRAMUNDO

Captura de tela 2013-03-09 às 10.10.59O clássico Viramundo, de 1965, realiza um ensaio sobre a migração de nordestinos para São Paulo, abordando as dificuldades de “integração” destes migrantes num ambiente onde imperam a racionalidade industrial e tecnológica, em oposição à tradição que predomina na cultura rural nordestina e sertaneja. A partir deste conflito, o filme mostra acontecimentos expressivos do drama vivido pelos migrantes, abrangendo a relação com a religião, com a política e com o trabalho, este marcado, de forma diferente mas tanto quanto no sertão, pelas injustiças sociais relativas à propriedade dos meios de produção e à exploração do indivíduo trabalhador.

Viramundo venceu o Festival de Evian (França) e conquistou os prêmios de melhor documentário nos festivais de Viña del Mar (Chile) e do Uruguai. Geraldo Sarno convidou Capinam e Caetano para comporem a canção tema do documentário, que foi interpretada por Gil. Nota-se que a letra da canção Viramundo é inspirada fundamentalmente em expressões usadas pelos entrevistados no filme: “Dando a safra com fartura, dá sem ter ocasião, parte fica sem vendagem, parte fica com o patrão”… O documentário foi votado por especialistas como um dos mais marcantes documentários brasileiros de todos os tempos em um levantamento realizado pelo festival É Tudo Verdade em 2000.

Assista Viramundo, de Geraldo Sarno:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Desafios do Bahiadoc – arte documento: partilhando perspectivas

O que é e o que quer o Bahiadoc - arte documento?

Ao mesmo tempo em que partilhamos as nossas perspectivas para este ano de 2013, nós lembramos as ações que concretizamos até aqui, num ávido processo de construção e de luta a caminho da consolidação de mais um espaço que valoriza o campo do audiovisual na Bahia através das redes e das potencialidades da Cultura Digital.

O BAHIADOC

BAHIA-DOCO Bahiadoc – arte documento é uma iniciativa online, cuja plataforma foi lançada em julho de 2011. Coordenado por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizadores independentes e agentes culturais, o Bahiadoc tem como principal objetivo a promoção de novos espaços de articulação, informação, discussão e reflexão sobre o cenário audiovisual contemporâneo na Bahia, com ênfase em realizações e contextos relacionados ao campo de não-ficção e videoarte.

Num mundo regido pela insaciabilidade do olho, que torna imperativo o pensamento e o debate crítico sobre uma “nova ética do ver”, queremos discutir a prática do documento e as questões que a experiência audiovisual documental na Bahia instaura em sua prática e história. Valorizamos, portanto, as realizações de artistas e cineastas baianos (ou que atuam e vivem na Bahia) e – através de suas obras – buscamos pensar as relações entre o artístico e o documental, entre o Belo e o Verdadeiro, entre a História e as visões de mundo autorais.

Aliás, a nossa ideia de valorizar o campo de não ficção na Bahia centra-se na perspectiva de que a produção documental de um lugar acaba por constituir um processo social de produção de sentido: interpretações fragmentárias do mundo que podem conter expectativas de descentramento da totalidade e de relativização das representações dominantes. Pesquisar, informar e difundir – priorizando a lógica do acesso às obras – as realizações que revelam diversos aspectos que compõem diferentes realidades na Bahia e relacionam tais realidades locais àquelas outras de todas as partes e todas as épocas, é trabalho que coopera para o conhecimento e para a autovalorização de nossa cultura e de nossa arte.

O Bahiadoc, entretanto, encontra-se em processo de consolidação e muitos ajustes e melhoramentos deverão ser implementados assim que possível. Por exemplo, a reestruturação da arquitetura da informação e o aprimoramento da interface gráfica do ambiente da Comunidade e do Fórum (já existentes, porém com funcionalidades limitadas), favorecerá o crescimento do número de usuários e o aumento qualitativo das participações, e fortalecerá as interações entre os colaboradores que participam do sítio, gerando novos espaços de articulação em rede voltados para diversos agentes que se relacionam com o campo audiovisual.

São esses os nossos desafios para 2013, juntamente com a criação e realização de novos projetos documentais e artísiticos. Estabelecer parcerias com cineclubes da bahia para trocas e ações conjuntas; articular projetos com coletivos e grupos de realizadores; ampliar os nossos bancos de dados para auxiliar pesquisas sobre audiovisual na Bahia; e fomentar e fortalecer interações entre a gente que faz audiovisual, formando redes e estabelecendo meios de efetiva e ampla interação. Estamos trabalhando para realizar essas ideias. Avante!

O BAHIADOC EM 2012

O Bahiadoc iniciou as suas ações lançando o sítio online em julho de 2011, a partir do apoio da Funarte. Depois, através do apoio do Fundo de Cultura da Bahia, passamos a produzir o Canal Bahiadoc. Em 2012, realizamos o documentário “hera”, produção independente que traz conversas com seis poetas baianos do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional.

CANAL BAHIADOC

Captura de tela 2013-03-02 às 09.26.32

O Canal Bahiadoc realiza uma série de 06 (seis) vídeos para difusão via internet, produzidos com regularidade trimestral, com temáticas ligadas às artes visuais na Bahia que se relacionam com o campo da não-ficção e com a cena independente.
O dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador.

Assista o terceiro webdoc:

O terceiro webdoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo de jovens cineastas que ousam dinamizar novos processos de produção para viabilizar suas produções coletivas que marcam presença em vários festivais, conquistando prêmios e promovendo ações de formação e discussão sobre cinema e vídeo na Bahia.

DOCUMENTÁRIO HERA

Captura de tela 2013-03-02 às 00.54.01Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas. O doc “hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Trailer do doc:

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendar os poetas nem conformar biografias, mas antes se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012. Em setembro de 2012, o doc “hera” foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, a convite do Aberto CUCA 2012.

Este é o blog do Bahiadoc. O sítio principal do Bahiadoc é: http://www.bahiadoc.com.br

O sítio especial do projeto Canal Bahiadoc, no qual se pode acessar todos os webdocs produzidos até aqui, é: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Todas as informações sobre o documentário “hera”, incluindo o acesso ao doc na íntegra online, a ficha técnica e meios de aquisição, estão no sítio especial do “hera”, em: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

No ar o terceiro webdoc do Canal Bahiadoc: conversa com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual

Assista na íntegra o terceiro webdoc (os dois primeiros webdocs podem ser acessados no Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc)

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual (sítio do CUAL), que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

Na conversa, o CUAL comenta acerca das possibilidades urgentes do vídeo digital, sobre a política dos meios cinematográficos e sobre experiências de linguagem e estética em suas produções. O vídeo propõe uma aproximação com o CUAL, cujas práticas coletivas têm suscitado – a partir de seus resultados – novos rumos nos debates sobre fazer cinema na Bahia.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc