O CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual – participa do terceiro webdoc do Canal Bahiadoc

“precisamos de mais filmes e menos lamentações”

Ramón, Luan, Marcus e Chico – integrantes do CUAL, durante as gravações para o Canal Bahiadoc

ATUALIZAÇÃO em 16/11: o webdoc com a participação do CUAL já está no ar: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, que pensa o cinema realizando filmes a partir de uma dinâmica de cooperação, que abrange desde a concepção do roteiro até à exibição dos filmes nas mostras abertas CUAL, passando pela realização de debates sobre contextos diversos que relacionam cinema e política, e realizando oficinas de audiovisual, inclusive no interior do Estado, ampliando as experiências para além do próprio grupo.

Produzindo filmes num ritmo intenso, o CUAL dá o recado: “precisamos de mais filmes e menos lamentações”, sem ignorar os enormes desafios de se fazer cinema na Bahia e no Brasil, e assumindo a responsabilidade de enfrentar as complexas questões que o Cinema engendra, seja enquanto arte com suas dimensões estéticas e referências de linguagem, seja enquanto política, com a luta do cinema pela conquista de espaços simbólicos e reais, seja na Cultura, implicando em visões de mundo e expressão, seja na Economia, abarcando os modelos de produção e distribuição, e a viabilidade mesma de se fazer filmes que possam ser vistos.

O discurso do CUAL se respalda pelas práticas e ações do coletivo, cujas produções independentes são realizadas cooperativamente, através de dinâmicas colaborativas e adaptadas às suas práticas coletivas, configurando alternativa eficaz enquanto modelo produtivo independente que pensa nas razões de se fazer cinema, como fazê-lo, e para quem.

CINEMA E VÍDEO DIGITAL

Diante dos cenários de constantes inovações tecnológicas e formais, e das realidades produtivas e materiais de cinema e audiovisual na Bahia (e de forma geral), o CUAL atua criando formas alternativas de produção que implicam em diferentes tipos de abordagem: produzem desde filmes gofada, isto é, filmes urgentes filmados de um fôlego, como diz Marcus Curvêlo, realizador de “Amém”, curta que participou de Mostra Competitiva Baiana no VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, até filmes que exigem estrutura técnica e processos de produção com exigências mais elaboradas, e que demandam mais tempo e maiores esforços do coletivo.

Ramón Coutinho e Marcus Curvêlo (foto: Bahiadoc)

“O CUAL nem teria esse nome”, diz Ramón, referindo-se às possibilidades urgentes do vídeo digital, que se refletem na linguagem, no modo de concepção e prática dos projetos e, claro, na viabilidade financeira das realizações. O coletivo comenta a aura do 35mm, que tantas vezes reflete disputas de poder, pensando sobre as relações cinematográficas entre linguagem e suporte, sem desmerecer de nehuma maneira as grandes produções. Ideias perigosas para uns, estimulantes para outros – essenciais, certamente, para o Cinema.

Essas e outras discussões surgiram nas gravações do terceiro webdoc, desta vez com a participação do CUAL, que será publicado em 1 de dezembro no espaço do Canal Bahiadoc.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

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O doc “hera” foi apresentado ao público de Feira de Santana no Aberto CUCA 2012

O documentário “hera” (2012), realização independente do Bahiadoc, foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, como parte do Aberto CUCA 2012.

Ontem, sexta 14, exibimos o documentário “hera” no Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte, em Feira de Santana. Na platéia estavam os poetas Juraci Dórea e Roberval Pereyr, que participam do doc, e um diversificado público que acompanhou as diversas apresentações artísticas e culturais ao longo do dia, e manifestou alegria no final da exibição do “hera”.

O Aberto CUCA é um evento dinâmico e diversificado, que atrai gente de todas as idades, valoriza a cultura local, as manifestações sertanejas, oficinas de arte, performances conceituais, shows musicais de várias bandas locais profissionais e amadoras. Comparecem estudantes de escolas públicas e privadas, há espaço para manifestações improvisadas e a atmosfera é sempre de grande riqueza cultural.

O Bahiadoc Arte Documento agradece o convite para a participação no aberto CUCA 2012 e parabeniza a todos que realizam e participam do evento.

O documentário “hera” está disponível online na íntegra, e para quem quiser assistí-lo e/ou obter mais informações sobre o filme ou prefere adquirir o DVD, basta acessar o blog do doc em http://hera.bahiadoc.com.br/

Trailer do doc:

Apresentação do documentário “hera” em Feira de Santana

O documentário “hera” – realizado pelo Bahiadoc – será exibido com a presença dos diretores, em Feira de Santana, no dia 14 de setembro às 20h, como parte da programação do Aberto CUCA 2012.

O documentário hera (2012) traz encontros com seis poetas baianos de Feira de Santana, fundadores da revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

O documentário tem direção de Camele Queiroz e Fabrício Ramos, e é uma realização independente do Bahiadoc – arte documento.

APRESENTAÇÃO DO DOC HERA

Horário: 20:00 às 22:00h
Local: Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte. Telefone: (75) 3221-9766 E-mail: cuca@uefs.br

Trailer do documentário:

O ABERTO CUCA

O CUCA – Centro Universitário de Cultura de Arte é um centro cultural em Feira de Santana, fundado em 1995 pela UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana.

O aberto CUCA acontece no dia 14/09, das 8h às 23h, oferecendo uma ampla e variada programação que envolve diversas áreas artísticas e culturais, como dança, música, teatro, vídeo, artes visuais, cultura popular e literatura, com apresentações de grupos culturais, perfomances de artistas, exibição de filmes, oficinas, entre outras atividades.

PROGRAMAÇÃO

(clique nas imagens para ampliá-las)

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Projeto Canal Bahiadoc grava novo ciclo de conversas com realizadores baianos

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos, neste mês de julho, com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente nos enviou seu depoimento em vídeo) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs que é: conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia. O escopo central do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. Desta vez as gravações aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações de cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história em Salvador.

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o filme Álbum de Família, um corajoso e desafiador processo de aproximação entre um filho e um pai, sendo o filho o próprio cineasta.

Wallace Nogueira, de “Album de Família”. (Foto: Bahiadoc).

O documentário trata, portanto, da inquietude de um filho (o próprio Wallace) diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Rodado nas estradas da Chapada Diamantina, Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar da dimensão institucional da família e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo.

Wallace comentou sobre os desafios Éticos que envolvem um projeto desse tipo, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização de Álbum de Família deixou em seus trabalhos posteriores.

Mônica Simões realizou o filme Negros em 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000

Mônica Simões, de “Negros”. (Frame do vídeo).

O roteiro de Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.

Mônica, que está em São Paulo, gravou gentilmente o seu depoimento em vídeo e enviou ao Bahiadoc. Nele, a cineasta fala do seu trabalho, da sua relação com a produção de caráter documental e sobre questões de acesso aos bens culturais.

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

Isana Pontes, de “As cores da caatinga” (foto: Bahiadoc)

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

CANAL BAHIADOC

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal Bahiadoc. Este segundo vídeo será publicado na primeira semana de setembro, no espaço online do Canal, onde já foi publicado o primeiro (e há informações completas sobre o projeto): http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova pelo espaço. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Entrevista sobre o documentário “hera”

Reproduzimos a entrevista que os realizadores do documentário “hera” (2012) – Camele Queiroz e Fabricio Ramos – produzido pelo Bahiadoc, concederam a pedido do jornalista Antonio Nelson, do blog Sentinelas da Liberdade. Publicada originalmente em 28 de fevereiro deste ano, às vésperas da exibição especial no ICBA, a entrevista esclarece as motivações dos realizadores e comenta a experiência de fazer o documentário e reflete sobre educação. O documentário “hera” está disponível online na íntegra: no blog do projeto pode-se obter todas as informações e mesmo obter o DVD, para quem preferir: hera.bahiadoc.com.br

Por Antonio Nelson, em Sentinelas da Liberdade:

Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors.  A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!

Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?

Fabrício Ramos Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.

Camele Lyra Queiroz
Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.

A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?

F.R Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.

C.L.Q Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.

Excerto do documentário “hera”: o poeta Antônio Brasileiro critica o capitalismo e comenta sobre consumismo e o atual momento político do Brasil.

A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?

F.R Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.

C.L.Q A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.

A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?

F.R Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos,  do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.

C.L.Q A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Realizadores conversam com o artista plástico e poeta Juraci Dórea, que integrou o grupo Hera. Foto: Wagner Pyter.

A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?

F.R As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente  faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.

C.L.QSerá uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.

Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.

FICHA TÉCNICA:

“hera” (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário – cor – 1h23min – 2012 – HD–
*Antonio Nelson – www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com

Confira o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc

O Bahiadoc publicou o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc, que trará uma série de seis webdocs com a participação de realizadores do cenário independente de audiovisual na Bahia.

O primeiro vídeo da série traz conversas com os realizadores Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosário, Sophia Mídian e Felipe Kowalczuk, cineastas que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia. A ideia é discutir a importância de programas públicos de incentivo à produção e à difusão independentes, abrangendo temas ligados à prática do documento audiovisual e à linguagem cinematográfica, e conteibuir para o debate sobre acesso aos bens culturais e, claro, sobre os temas abordados por cada realizador para o DOCTV, sempre de relevância social e cultural.

Assista o vídeo (24min, HD), comente, participe do debate e difunda nas redes. O Bahiadoc agradece!

Acesse na página do Canal para obter todas as informações sobre o projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O projeto Canal Bahiadoc é realizado pelo Bahiadoc – arte documento, com o apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Demanda Espontânea 2011.

Canal Bahiadoc grava segundo ciclo de conversas com realizadores baianos

Segundo ciclo de conversas com realizadores baianos encerra a pauta do primeiro webdoc do Canal Bahiadoc. O vídeo será publicado na primeira semana de junho.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet em nossas plataformas e redes abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Felipe Kowalczuk, Sophia Mídian e Paula Gomes – completando a pauta do primeiro webdoc que, assim como o segundo, trará conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DocTV.

Felipe Kowalczuk __ (foto: Bahiadoc)

Felipe Kowalczuk, cineasta e produtor, realizou através do DocTV IV Champs e os ladrões de cinema, doc que busca resgatar a vida e a obra do cineasta baiano Fernando Coni Campos, o Champs, por meio da visão de um jovem cineasta (o próprio documentarista). Felipe comentou sobre a experiência de realizar um documentário cuja estrutura narrativa inclui o processo de pesquisa e descoberta do próprio realizador, que se situa também como um dos personagens do projeto. Também opinou sobre suas escolhas e desafios para atuar no cenário audiovisual baiano, que o levou ao seu mais recente trabalho como produtor executivo do doc Raul – O início, o fim e o meio (dirigido por Walter Carvalho, 2012), que reconstrói a trajetória profissional e pessoal da icônica figura do rock brasileiro, o baiano Raul Seixas.

Paula Gomes __ (foto: Bahiadoc)

Paula Gomes realizou, também pela quarta edição do DocTV, Profissão: Palhaço que narra a trajetória de três gerações de palhaços, de uma mesma família, que circulam pelo interior baiano em um circo mambembe. As gravações do documentário aconteceram no povoado de Quicé, em Senhor do Bonfim, cidade que fica a 375 km de Salvador. Paula revelou que tem uma ligação emocional com o universo do Circo e nos falou sobre o seu trabalho como cineasta e produtora que, junto com um grupo de amigos, atua a partir de uma dinâmica de coletivo, organizando esforços conjuntos para enfrentar os desafios inerentes à prática do cinema, especialmente na Bahia.

Sophia Midian __ (foto: Bahiadoc)

Sophia Mídian é autora do doc A Visão de Dentro (DocTV IV), que se aproxima de uma comunidade de sem-terras do assentamento Menino Jesus, na região semi-árida baiana. O doc busca retratar aspectos humanos na realidade dos agricultores e experimenta a linguagem cinematográfica através de escolhas estéticas da autora, especialmente na fase da montagem. Sophia, que atua também como jornalista, defendeu assertivamente a facilitação do acesso às produções realizadas através do DocTV.

Como destacado em postagem anterior, conversamos primeiramente com os realizadores Bernard Attal, francês radicado na Bahia, que realizou através do DocTV o doc “Os magníficos”; e Elson Rosário, autor do doc “Mário Gusmão: o anjo negro da Bahia”, que homenageia e resgata a trajetória de Mário Gusmão, um dos mais importantes atores da Bahia, que atuou no teatro, no cinema e na televisão.

Esse ciclo de conversas encerra a pauta do primeiro webdoc da série de seis proposta pelo projeto Canal Bahiadoc. O resultado será publicado na primeira semana de junho, na plataforma exclusiva do Canal, que será divulgada em nossas redes. Acompanhe!

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação. O Canal Bahiadoc é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Vaqueiros da Bahia (vídeo)

Vaqueiros da Bahia é uma breve homenagem do Bahiadoc – arte documento aos verdadeiros protagonistas das culturas sertanejas. O vídeo – que é uma realização independente – é resultado da nossa participação na Celebração das Culturas dos Sertões, evento realizado em Feira de Santana pela Secretaria de Cultura da Bahia.

No dia 6 de maio de 2012, vaqueiros de diferentes regiões do sertão saíram montados a cavalo do Parque de Exposições e seguiram – pelas ruas da cidade – até o Centro de Cultura Amélio Amorim, onde participaram do ato oficial de reconhecimento do ofício de vaqueiro como Patrimônio Cultural Imaterial, e visitaram a exposição fotográfica “Imagens dos vaqueiros da Bahia”, composta por fotografias de Bauer Sá, Elias Mascarenhas e Josué Ribeiro, que integram o Projeto Vaqueiros: Vivências Mitologia, que tem coordenação do antropólogo Washington Queiroz.

vaqueiro visita a exposição fotográfica “Imagens dos vaqueiros da Bahia”, em Feira de Santana.

Para Queiroz, que há vinte e sete anos se dedica à pesquisa das culturas do sertão e foi um dos principais articuladores do evento, “os vaqueiros são os responsáveis pela conquista dos territórios do estado da Bahia e do Nordeste, é um verdadeiro autor da unidade nacional, através da criação extensiva de gado”. A importância do vaqueiro, porém, vai além de seu trabalho com o gado, “sendo expressivo o acervo de bens materiais e imateriais que eles criaram”, acrescenta.

editorial: Bahiadoc – arte documento movimento

Competição é quando todos perdem para alguém ganhar. Colaboração é quando todos ganham para ninguém perder!

“Arrastão (Itapuã)”, 1946, de Pierre Verger

O Bahiadoc – arte documento surge com o olhar voltado para o aspecto documental das artes visuais, com atenção às suas manifestações éticas e estéticas em linguagens e suportes audiovisuais.

Consideramos que toda expressão que se converte em realização audiovisual exige e contempla as escolhas éticas e estéticas de seus autores, e que o processo mesmo de feitura da obra audiovisual constitui em si um documento que revela, de modos diversos, as suas condições de produção em vários níveis, reflete a relação do espírito da época com o autor e faz emergir subjetividades e intimismos cujo escopo é a comunicação diegética – audiovisual – com um público virtual.

Perante tais dimensões documentais da obra audiovisual, inferimos a forte presença do sentido comum: é aí que o artista se vê como agente imaginativo do real e alcança a sua estatura Política. Como artistas, talvez, não necessitamos intervir nos assuntos de nossos tempos. Mas como seres humanos sim. As legiões de perseguidos que cobrem o mundo, sobretudo se olharmos de nossa rica (nossa riquíssima escassez) e complexa conjuntura histórico-social (sim, brasileiros nordestinos da Bahia), necessitam, e nós próprios necessitamos, das vozes e expressões de quantos possam falar, e que não nos apartemos, mas nos juntemos, e supramos juntos os momentos de silêncios injustos.

Acende-se aí a ideia de alçar o Bahiadoc ao plano de um movimento:

Filmar (registrar) sem a necessidade imperativa de uma estrutura cinematográfica industrial, pensando o cinema como linguagem, não como suporte. Realizar o cinema que atua ao lado do cotidiano, a partir de versões alternativas e também subjetivas da história e de uma visão orgânica da Política, sem que se sacrifique a natureza artística da ação. Não se trata de transpor a arte para qualquer predicação social, mas sim de afirmar a importância absoluta do artista que intervém enquanto ser humano, o ser cultural, e tudo isto constitui e interfere na linguagem artística. Os valores criativos jamais separam-se dos valores humanos.

O tempo dos artistas passivos acabou. Aceitando com entusiasmo o perigo de sua própria vocação, o artista destes novos tempos deve abrir prisões, ser porta-voz das desgraças e das felicidades de toda gente. “Nenhum artista tolera o real”, disse Nietzsche, com razão – porém, nenhum artista pode prescindir do real. – E a realidade, como diria o escritor argentino Jorge Luís Borges, “é o que nos foi revelado”. E quem é este que nos revela? Não somos nós realizadores, em alguma medida, reveladores de realidades?

Políticas públicas de fomento à Cultura devem ocupar o seu importante lugar social, mas antes de eleger esta causa como um fim, é fundamental para o artista identificar seus próprios meios. Cinema e vídeo de baixo custo e alta qualidade, seja como for, calcado na vontade de fazer, no enfrentamento dos desafios, no encantamento da beleza, no esforço criativo desinteressado, na atitude colaborativa e na inventividade do cotidiano – eis o movimento que o Bahiadoc – arte documento quer ver acontecer – de dentro! Somos um processo…