Entrevista com Rogério Ferrari, fotógrafo baiano que convive com povos em luta

Há vários anos, Rogério Ferrari retrata a luta por autodeterminação de diversos povos pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no Líbano, na Síria e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros. Rogério é baiano de Ipiaú, viveu em Salvador por vários anos e atualmente vive em Assunção, no Paraguai. A entrevista foi realizada em outubro de 2015 pelo Canal “Pobres e Nojentas” de Florianópolis.

NO TERRITÓRIO GUARANI-KAIOWÁ

Em setembro de 2015, Rogério esteve no Mato Grosso do Sul, de forma autônoma, registrando a luta dos Guarani pelo cumprimento do direito às suas terras, no esforço de trazer mais relatos sobre esse novo momento de retomadas. Como diz o próprio Rogério, “Fotografar é também uma maneira de estar junto e participar”, de se envolver e compartilhar. Por lá, Rogério fez Fotografias e registros em vídeo que estão sendo reunidos em:

Captura de Tela 2015-10-19 às 21.51.45

MUROS

Ferrari participa do curta MUROS [site do curta], dirigido por Camele Queiroz e por mim (Fabricio Ramos), que relaciona Brasil e Palestina. No filme, lançado este ano, o fotógrafo percorre favelas de Salvador e relaciona aspectos sociais e arquitetônicos das favelas brasileiras com as suas vivências em campos de refugiados palestinos, revelando pontos em comum entre populações com diferentes condições de vida marcadas por conflitos sociais, políticos e econômicos. O encontro com as pessoas e seus hábitos revela também uma forma de riqueza que surge através do duplo jogo de registro com imagens fixas e em movimento.

MUROS participou de Mostra e Festivais no Brasil e em outros países. Acompanhe os caminhos do filme no site: https://curtamuros.wordpress.com/

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Antônio Olavo no quinto webdoc do Canal Bahiadoc

O quinto webdoc do nosso Canal traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas

Numa manhã de chuva e de sol, conversamos com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia.

Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

Na postagem anterior (leia aqui) traçamos um resumo da história do cineasta.

O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Em Salvador, Valdenir Munduruku falou sobre a violência do Estado contra povos indígenas

No vídeo gravado pelo Bahiadoc, o líder indígena fala sobre a violência do Estado contra povos indígenas e denuncia a violência da Operação Eldorado, que ocorreu em 2012

Valdenir Munduruku é liderança indígena que ocupou, com outros 150 índios, o canteiro de obras de ‪Belo Monte‬ por duas vezes, a última vez em maio deste ano, para reivindicar atenção e respeito do Governo Federal pelos direitos indígenas.

No vídeo gravado pelo Bahiadoc, (com insert de vídeo do canal do Ocupa Belém no Youtube, que mostra Valdenir rasgando a ordem judicial de reintegração de posse do canteiro de obras da Usina de Belo Monte, ocupado pelos indígenas), o líder indígena fala sobre a violência do Estado contra povos indígenas e denuncia a violência da Operação Eldorado, que ocorreu em 2012, realizada pela Polícia Federal e pela Força Nacional, sob acompanhamento da FUNAI. O ataque do Estado resultou no assassinato do indígena Adenilson Kirixi e na destruição da aldeia Teles Pires, povo Munduruku, que vive na divisa do Pará com o Mato Grosso.

Valdenir Munduruku esteve na UFBA (São Lázaro), no dia 29 de julho de 2013, para falar a estudantes, professores e interessados, buscando apoio através da difusão de informações sobre a luta dos Munduruku.

O povo Munduruku se posiciona firmemente contra qualquer empreendimento envolvendo o Complexo Hidrelétrico em suas terras já demarcadas ou tradicionalmente ocupadas, assim como confrontam os riscos de devastação da região se empresas mineradoras forem autorizadas a explorar a região.

Relato sobre a ação da Polícia Federal e da Força Nacional na aldeia Munduruku no sítio Brasil de Fato, em 2012: “Com registros em vídeos, Mundukuru denunciam ataque da PF que resultou na morte de liderança” http://www.brasildefato.com.br/node/11236

No ar o terceiro webdoc do Canal Bahiadoc: conversa com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual

Assista na íntegra o terceiro webdoc (os dois primeiros webdocs podem ser acessados no Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc)

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual (sítio do CUAL), que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

Na conversa, o CUAL comenta acerca das possibilidades urgentes do vídeo digital, sobre a política dos meios cinematográficos e sobre experiências de linguagem e estética em suas produções. O vídeo propõe uma aproximação com o CUAL, cujas práticas coletivas têm suscitado – a partir de seus resultados – novos rumos nos debates sobre fazer cinema na Bahia.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Projeto Canal Bahiadoc grava novo ciclo de conversas com realizadores baianos

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos, neste mês de julho, com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente nos enviou seu depoimento em vídeo) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs que é: conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia. O escopo central do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. Desta vez as gravações aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações de cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história em Salvador.

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o filme Álbum de Família, um corajoso e desafiador processo de aproximação entre um filho e um pai, sendo o filho o próprio cineasta.

Wallace Nogueira, de “Album de Família”. (Foto: Bahiadoc).

O documentário trata, portanto, da inquietude de um filho (o próprio Wallace) diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Rodado nas estradas da Chapada Diamantina, Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar da dimensão institucional da família e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo.

Wallace comentou sobre os desafios Éticos que envolvem um projeto desse tipo, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização de Álbum de Família deixou em seus trabalhos posteriores.

Mônica Simões realizou o filme Negros em 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000

Mônica Simões, de “Negros”. (Frame do vídeo).

O roteiro de Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.

Mônica, que está em São Paulo, gravou gentilmente o seu depoimento em vídeo e enviou ao Bahiadoc. Nele, a cineasta fala do seu trabalho, da sua relação com a produção de caráter documental e sobre questões de acesso aos bens culturais.

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

Isana Pontes, de “As cores da caatinga” (foto: Bahiadoc)

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

CANAL BAHIADOC

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal Bahiadoc. Este segundo vídeo será publicado na primeira semana de setembro, no espaço online do Canal, onde já foi publicado o primeiro (e há informações completas sobre o projeto): http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova pelo espaço. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Entrevista sobre o documentário “hera”

Reproduzimos a entrevista que os realizadores do documentário “hera” (2012) – Camele Queiroz e Fabricio Ramos – produzido pelo Bahiadoc, concederam a pedido do jornalista Antonio Nelson, do blog Sentinelas da Liberdade. Publicada originalmente em 28 de fevereiro deste ano, às vésperas da exibição especial no ICBA, a entrevista esclarece as motivações dos realizadores e comenta a experiência de fazer o documentário e reflete sobre educação. O documentário “hera” está disponível online na íntegra: no blog do projeto pode-se obter todas as informações e mesmo obter o DVD, para quem preferir: hera.bahiadoc.com.br

Por Antonio Nelson, em Sentinelas da Liberdade:

Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors.  A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!

Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?

Fabrício Ramos Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.

Camele Lyra Queiroz
Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.

A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?

F.R Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.

C.L.Q Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.

Excerto do documentário “hera”: o poeta Antônio Brasileiro critica o capitalismo e comenta sobre consumismo e o atual momento político do Brasil.

A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?

F.R Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.

C.L.Q A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.

A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?

F.R Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos,  do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.

C.L.Q A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Realizadores conversam com o artista plástico e poeta Juraci Dórea, que integrou o grupo Hera. Foto: Wagner Pyter.

A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?

F.R As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente  faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.

C.L.QSerá uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.

Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.

FICHA TÉCNICA:

“hera” (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário – cor – 1h23min – 2012 – HD–
*Antonio Nelson – www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com

Entrevista com Vladimir Seixas, realizador do documentário independente “Atrás da Porta”

não é que o realizador deva filmar sem recursos para manter uma independência como também não é que o realizador deva se inserir numa lógica de indústria cultural e se profissionalizar no pior aspecto da palavra, como tentam vender atualmente. É que cada filme possui necessidades específicas e a forma de produção é um fator fundamental disso.” – Vladimir

Realizamos uma breve entrevista via email com o carioca Vladimir Seixas, realizador do documentário independente “Atrás da porta”, longa que registra a experiência das famílias sem-teto do Rio de Janeiro de invadir prédios abandonados e criar novos espaços de moradia.

O documentário de 92 minutos – realizado em 2010 – foi produzido sem aporte de patrocínios, de maneira livre e independente, a partir do convite dos próprios moradores de ocupações do Rio, por conta da boa recepção do filme anterior de Vladimir, o curta “Hiato” (20 min), que mostra moradores de favelas e integrantes do movimento dos sem-teto juntamente com alguns estudantes em um ato simbólico em um shopping de classe média alta da cidade.

Durante esses processos de aproximação com os integrantes do movimento dos sem-teto, Vladimir conheceu o fotógrafo Chapolim, morador de uma ocupação, que acabou se tornando parceiro do realizador no projeto e o assistente de direção do doc “realizando as filmagens essenciais ao projeto de uma maneira muito forte e próxima”, segundo Vladimir.

O documentário – disponível na íntegra no Youtube, dividido em 7 partes – expõe visceralmente, mas sem nenhum apelo desnecessário e com sóbria sensibilidade, os desastres sociais contemporâneos muitas vezes perpetrados pelo Estado e, por isso, legitimados socialmente. Revela depoimentos fortes e politicamente consistentes de moradores que já sofreram despejos forçados, dos moradores que continuam nas ocupações e de defensores públicos envolvidos nos processos de despejo. Enfim, o filme questiona a legalidade dos processos de despejo mas, sobretudo, denuncia o solapamento da dimensão Ética e dos valores humanos e sociais básicos violados por esses processos de despejos autoritários, que se dão em nome de uma revitalização urbana planejada não para o cidadão, mas para a estrutura capitalista especulativa de estímulo ao consumo que renova e reforça as dinâmicas contínuas de exclusão social dos mais pobres.

Abaixo confira a primeira parte do documentário e a seguir a entrevista com o realizador Vladimir Seixas, que já pensa em continuar um projeto iniciado na Bahia, com imagens do Vale do Capão, na Chapada Diamantina. ( Acesse playlist no Youtube, com as sete partes).

DOCUMENTÁRIO “ATRÁS DA PORTA” l primeira parte:

 

A ENTREVISTA:

Bahiadoc: Como se deu o processo de escolha e aproximação da temática do doc “Atrás da Porta”? E a abordagem escolhida? Parece-nos que vocês passaram algum tempo junto aos sem-teto, em convivência. Quanto tempo? Poderia falar um pouco sobre tal processo?

Vladimir: O longa Atrás da Porta aconteceu em decorrência de um curta que realizei ainda na escola de cinema (Escola Darcy Ribeiro), chamado Hiato, em que moradores de favelas e integrantes do movimento dos sem-teto juntamente com alguns estudantes realizaram um ocupação simbólica, um ato, em um shopping de classe média alta aqui do Rio de Janeiro. Aqui ele está na íntegra: (Blogue da Gume Filmes) http://gumefilmes.blogspot.com/2010/07/hiato.html

O curta foi muito bem recebido pelos moradores das ocupações aqui do Rio, então eles mesmos me fizeram o convite de filmar as ocupações. Nesse processo conheci um fotógrafo e morador de uma ocupação chamado Chapolim que virou meu parceiro no projeto realizando as filmagens essenciais ao projeto de uma maneira muito forte e próxima. Grande parte do impacto de certos momentos do filme se devem a sua maneira de filmar, ele é um ótimo fotógrafo e acabou sendo entrevistado no Doc. A relação com os os moradores foi sendo construída no processo mesmo de filmagem e acabou impressa nas imagens. A duração do processo girou em torno de um ano e se iniciou com os registros de novas ocupações e de despejos. A partir dessas imagens fui elaborando um roteiro durante mesmo o processo de montagem e resolvi ir atrás de alguns moradores despejados, de alguns moradores que continuam nas ocupações e que me pareciam ter uma leitura política conjuntural forte e consistente. E por fim atrás dos defensores públicos envolvidos nos processos de despejo.

Bahiadoc: Houve tentativas de buscar apoios intitucionais públicos ou privados para a realização do doc? – Ou fez parte da escolha da abordagem a iniciativa livre e independente?

Vladimir: As filmagens se iniciaram de maneira urgente, pois ia acontecer um despejo e ainda não tinha câmera para registrar. Um amigo, montador do Hiato, me emprestou sua câmera e comecei a filmar. Durante o processo pude comprar uma câmera. A dele era no formato MiniDv e já a que comprei era HDV e essa mistura de formatos, apesar de comprometer uma certa homogeneidade das imagens, diz muito sobre o processo; eu particularmente gosto muito dessa dimensão sutil impressa nos registros e o documentário carrega inúmeras. Diz respeito à própria condição do dito documentário.  Tem um autor chamado Comolli* que escreve sobre a importância de se estar preparado e aberto às surpresas do real, sob seu próprio risco; para além da prisão das roteirizações.  As condições materiais do realizador precarizado já são em uma primeira instância a direção formal daquilo que se impõe como inevitável nos registros do mundo. Lembremos a defesa estética de Glauber acerca da precariedade de Aruanda. O que quero dizer, não é que o realizador deva filmar sem recursos para manter uma independência como também não é que o realizador deva se inserir numa lógica de indústria cultural e se profissionalizar no pior aspecto da palavra, como tentam vender atualmente. É que cada filme possui necessidades específicas e a forma de produção é um fator fundamental disso. Certamente outros filmes precisam de muitos recursos para serem realizados, o problema é partir de uma premissa universal, ou seja, afirmações do tipo “meus filmes precisam sempre demonstrar uma riqueza de produção”… como o inverso também. Perde-se a singularidade das obras e com isso tendem a surgir esvaziadas.

No caso do Atrás da Porta era um filme com uma minoria, pela minoria e em certa medida para as minorias que são os Sem-teto, de maneira extremamente parcial –  como tentar impor uma obra através de meios majoritários? Todo o processo e consequentemente todo o filme estariam comprometidos. Não gosto de pensar em termos de vantagens e desvantagens como também acredito que essa importante questão ultrapassa qualquer juízo de valor. O fato é que as escolhas de produção dialogam diretamente com as instâncias estéticas e no caso do Brasil que fique claro que importantes realizadores e críticos se debruçaram sobre a importância de não se tentar mascarar as precariedades e extrair delas sua potência. Assim como o cinema surgiu e se estabeleceu como uma arte diretamente ligada ao dinheiro pelos altos custos de realização ela também se constituiu como uma espécie de história de martírios pessoais em que muitos realizadores insistiam em filmar.

Não nos iludamos, pois a plataforma digital não se apresenta como resolução definitiva das dificuldades. Ela só ameniza algumas etapas de maneira parcial, pois temos alguns processos digitais mais caros que que os processos ótico-químicos. E também alguns festivais de cinema tentar impor o conceito de cinema digital a partir de uma uma determinada resolução de imagem (2k pra cima) o que inviabiliza a maioria dos realizadores independentes, pois câmeras com essa resolução são caríssimas para alugar. E finalmente não resolve a maior dificuldade que é a distribuição. Essa etapa melhor não entrar, pois não vamos sair… é a maior dificuldade que nosso país vive no caso do cinema.

Enfim…

* Jean-Louis Comolli, escritor, editor e diretor francês, foi editor-chefe do Cahiers du cinéma de 1966 até 1978. (Nota do Bahiadoc).
Bahiadoc: você já acompanhava o processo de desapropriações no Rio? Ainda acompanha os movimentos? Mantém projetos de novos docs com dinâmica independente e com temáticas políticas?

Vladimir: Acompanho desde a época de minha graduação onde tinham alguns estudantes que apoiavam as ocupações. Acontece que as questões estão se agravando a medida que o processo chamado de revitalização avança. Tentam impor um legado de desapropriações para as famílias pobres que estão a muito tempo no centro e que não se coadunam coma nova realidade de hipervalorização imobiliária. A pauta dos movimentos de luta pela moradia popular é que para cada 3 imóveis construídos nessa região 1 seja de moradia para famílias de 0 a 3 salários mínimos. E que não se consiga remover essas famílias para a periferia, pois as condições e oportunidades de trabalho são muito melhores no centro. Com relação aos novos projetos, eu fiz algumas filmagens no Vale do capão, aí na Chapada Diamantina na Bahia, onde mora meu pai. Vou trabalhar essas imagens em janeiro, mas sei que ainda serão feitas novas imagens, pois essas ainda são insuficientes e ainda não encontrei o caminho delas. Deve ter uma abordagem declaradamente políticas sim, mas é especulação e vontade, pois ainda não tenho quase nada.

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Vladimir Seixas nasceu no Rio de Janeiro em 1981. Formado em Filosofia pela UERJ e em Direção Cinematográfica pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Teve seu curta de estréia, “Hiato:”, selecionado para 25 festivais nacionais e internacionais, onde recebeu 12 prêmios. Atualmente, finaliza mestrado em Estética e Filosofia da Arte na UERJ e Montagem Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

Documentário “Atrás da Porta”

Produção Independente | COR |  NTSC  | 2010  | HD

VLADIMIR SEIXAS | Direção

CHAPOLIM | Assistência de direção

Blogue do documentário: http://www.filmeatrasdaporta.blogspot.com/

O Cine Futuro pelo Bahiadoc

 

O Bahiadoc – arte documento no VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – Cine Futuro. No blogue especial do Bahiadoc no Cine Futuro, assista os vídeos com trechos de mesas redondas e diálogos. Clique aqui para acessar o blogue especial.

No vídeo acima, confira:

Antônio Olavo, realizador baiano

o Bahiadoc conversou com Antônio Olavo, realizador baiano, autor dos documentários “Paixão e guerra no sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004) e “Abdias Nascimento – Memória Negra” (2008). Olavo comentou a importância do seminário, fez considerações sobre o fazer cinema e trouxe mensagem de estímulo para jovens realizadores. Segundo Olavo, “cinema é linguagem, não é suporte”, defendendo que, para fazer cinema, o principal é ter vontade, apontando a importância da atitude colaborativa para viabilizar as produções.

Zelito Viana e o documentário “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido”

Confira trechos do documentário “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido”, e uma breve fala de seu realizador, Zelito Viana, que é figura histórica do cenário cinematográfico brasileiro (Zelito foi o produtor de “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, entre outros).

Peter Joseph, realizador da trilogia Zeitgeist

Terça-feira, 26, acompanhamos a passagem de Peter Joseph pelo Cine Futuro. O realizador participou do Diálogo: o cinema na era da viralidade, mediado pelo professor Messias Bandeira, da UFBA.

Peter Joseph, 31 anos, realizou a trilogia de filmes “Zeitgeist”, iniciada em 2007, sem pretensões cinematográficas, mas como parte e resultado de uma performance artística do autor. O filme foi lançado livremente na internet, através do Google Vídeos, e foi visto por milhões de pessoas. Tal repercussão incentivou o autor a realizar uma continuação, chamada Zeitgeist – Addendum, que acabou por estimular o nascimento do Movimento Zeitgeist, de ressonância global, com participação de ativistas em todo o mundo, inclusive em Salvador.

Os filmes, em seu conjunto, têm o objetivo de contestar os valores “espirituais” e também os paradigmas e modelos hegemônicos de organização cultural e social, com ênfase na crítica aos processos econômicos globalizantes baseados no sistema financeiro e e monetário. No último filme, Zeitgeist – moving foward – o futuro é agora, lançado em janeiro deste ano na internet e exibido na sessão do Cine Futuro, Peter Joseph, além da crítica, traz propostas de soluções para dar início à transição da cultura atual para um novo paradigma econômico sustentável.

É interessante observar o processo inverso que o filme Zeitgeist realiza: é lançado e difundido livremente na internet, e da rede alcança as salas cinema, através de festivais e eventos em todo o mundo!

A repercussão global do primeiro filme fez nascer o movimento Zeitgeist, que conta com núcleos ativos em diversas cidades do mundo, inclusive em Salvador.

Na entrevista, Peter falou sobre controle da internet, sobre ativismos regionais a partir de temas e iniciativas globais, e também respondeu a nossa pequena provocação: movimento de contestação radical do sistema participando de evento patrocinado por grandes corporações?

Ivana Bentes, curadora das mesas redondas do Seminário

Na conversa com Ivana Bentes, escritora, pesquisadora e doutora em Comunicação pela UFRJ, falamos sobre o movimento Zeitgeist e sobre as perspectivas de transformação do sistema capitalista e de novas dinâmicas sociais e culturais que vão “das ruas às redes e das redes às ruas”.

Agradecimentos

No final do vídeo, o realizador do Seminário, Walter Lima, deixa o seu recado.

O Bahiadoc – arte documento agradece a todos que, gentilmente, nos concederam entrevistas; à produção do Cine Futuro; à DIMAS/Funceb, que, através do Núcleo de Apoio à Produção, nos forneceu equipamento de filmagem e a colaboração dos cinegrafistas Ivanildo e Júlio César; e a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, com esta realização.