Cinematógrafo na Saladearte de maio (sáb, 26/5) apresenta “A última vez que vi Macau”. Leia a nota dos curadores sobre o filme

Por meio de imagens documentais, o filme produz o efeito mágico de um cinema ficcional clássico, intensificado pelas imagens carregadas de mistério. A última vez que vi Macau passa no Cinematógrafo de maio, que acontece na Saladearte – Cinema do Museu (no Corredor da Vitória, em Salvador), no sábado (26/5), às 16h30. – Dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz

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Se o Oriente é uma invenção ocidental que marca com o selo do exotismo todos os mundos a leste da Europa, os cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, sem incorrer em citações, passeiam pela mistura de estranhamento e intimidade, de mistério e de domínio, que refletem os vínculos profundos entre colonizadores e colonizados que a expansão colonial portuguesa produziu, inclusive, no próprio diretor Guerra da Mata, que viveu parte de sua vida em Macau.

Em A última vez que vi Macau (Portugal, 2012), o próprio cineasta Guerra da Mata, cuja voz conduz a narração do filme, recebe em Portugal uma carta de Macau, enviada por sua amiga Candy, cujas primeiras palavras são: ‘quando leres esta carta eu talvez já esteja morta’. O cineasta, que encarna o personagem que nunca veremos em cena, parte para Macau à procura de Candy na esperança de salvá-la de um perigo de morte insondável, misterioso. O filme começa, aliás, mostrando Candy (Cindy Scrash) cantando You Kill Me (I’m sure that my love will survive/ Because you kill me and keep me so alive). Candy é travesti e vive em Macau há muito tempo, vinda também de Portugal. A carta desesperada que ela enviou ao amigo desencadeia a trama, uma trama contrariada permanentemente pelo estilo documental que revela – da perspectiva da memória de um português – uma Macau em transformação, ocidentalizando-se ao mesmo tempo em que se esquece aos poucos dos mais de quatrocentos anos de colonização portuguesa, cujos traços resistem em nomes de ruas e edifícios, mas se esvanecem nos mistérios e exotismos que tornam a cidade irreconhecível para o próprio Guerra da Mata, ou para o seu personagem que nunca vemos, apenas ouvimos.

A última vez que vi Macau passa pelo tema da representação do Oriente no cinema (a canção que Candy interpreta na abertura vem de Macao (1952), filme de Josef von Sternberg que Nicholas Ray terminou), e se apoia, essencialmente, no tema do imaginário colonizador em tempos pós-coloniais. Mas o filme ultrapassa esses temas sem prescindir de suas funções narrativas. De acordo com a apresentação do filme, a trama de A última vez que vi Macau constrói-se “num plano de contaminação entre as memórias e fantasias de infância de João Rui Guerra da Mata”, que viveu em Macau, “e a procura documental dos vestígios de uma presença nesse território”, acabando por cruzar histórias pessoais dos dois realizadores. Segundo a Academia Portuguesa de Cinema, A última vez que vi Macau é “um filme misterioso, exuberante, que atravessa as fronteiras do cinema e devolve-nos a intimidade da narração”. O filme participou, inclusive, de festivais dedicados ao cinema documental, como o Doc Lisboa.

Insinuando, talvez, certa influência de Chris Marker, o filme, entretanto, elabora uma trama fabular que alguns comentadores classificaram como tributária dos filmes noir, carregada de conspirações, perseguições e assassinato. A fábula, entretanto, nunca foi tão contrariada pelo próprio registro documental que as imagens claramente transmitem. De fato, os cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata partiram para Macau com o objetivo de realizar um documentário e no meio do processo resolveram “redirecioná-lo rumo à ficção, por meio de um narrador cujas impressões emprestam às imagens um novo sentido”, como pontua Filipe Furtado na Cinética.

A última vez que vi Macau, portanto, antes (ou além) de um documentário, é uma experiência de cinema que reflete certa tendência e desejo dos cineastas de, por meio de imagens documentais, produzir o efeito mágico de um cinema ficcional clássico, efeito intensificado pelas imagens carregadas de mistério e estranhamento que sintetizam, ainda que a isso não se reduza o filme, o olhar distanciado e ao mesmo tempo entranhado do colonizador que já não se reconhece em Macau, nem reconhece Macau.

O filme passa no Cinematógrafo de maio, que acontece na Saladearte – Cinema do Museu (no Corredor da Vitória, em Salvador), no sábado (26/5), às 16h30. O Cinematógrafo acontece lá mensalmente, sempre no último sábado do mês. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa aberta e diversificada, sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida.

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Filmes inéditos no Brasil inauguram “Sessão Double Bill” no Circuito de Cinema Saladearte

Um só ingresso vai permitir ao cinéfilo de Salvador ver “O Diabo Provavelmente”, de Robert Bresson, e “Norwegian Wood”, de Tran Anh Hung; duas obras nunca antes exibidas no circuito comercial brasileiro. A Sessão Double Bill será bimensal trará conversas com Adolfo Gomes, um dos curadores do evento!

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Um só ingresso vai permitir ao cinéfilo de Salvador ver “O Diabo Provavelmente”, de Robert Bresson, e “Norwegian Wood”, de Tran Anh Hung; duas obras nunca antes exibidas no circuito comercial brasileiro.

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O conceito é bem simples e atrativo: pagar um ingresso e ver dois filmes. Criadas nos EUA, na década de 1940, as chamadas sessões “Double Bill” já fazem parte da trajetória e do imaginário cinéfilo ao redor do Mundo. E agora é a vez de Salvador experimentar essa “dobradinha” cinematográfica. Sob a curadoria dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e do crítico de cinema Adolfo Gomes, começa no dia 27 de maio, às 10h, na Saladearte Cinema da Ufba, a versão baiana das tradicionais exibições duplas. E as primeiras atrações são dois filmes inéditos nos cinemas comerciais brasileiros: “O Diabo Provavelmente” (1977), de Robert Bresson, e “Norwegian Wood” (2010), de Tran Anh Hung.

Bate-papo

Mas o…

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Olinda (PE) recebe o filme “Quarto Camarim” no dia 10 de maio, pela Sessão Abraccine

A terceira edição da Sessão Abraccine leva Quarto Camarim para os cinemas de diversas capitais do país. A exibição em Olinda será no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. Entrada Franca.

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A terceira edição da Sessão Abraccine leva Quarto Camarim para os cinemas de diversas capitais do país. A exibição em Olinda será no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. Entrada Franca.

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Como parte da terceira edição da Sessão Abraccine, evento promovido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, o longa metragem Quarto Camarim, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016, será exibido em Olinda (PE), no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. A sessão faz parte do Cineclube Ventura e terá entrada franca.

Após participação em três festivais internacionais na Venezuela, na República Dominicana e no Canadá, o filme participa de um ciclo de exibições que vem sendo realizadas em diversas capitais brasileiras. A Abraccine já realizou sessões de Quarto Camarim, sempre seguidas de debates,

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Cinematógrafo na Saladearte de abril exibe “O Ódio”, de Kassovitz. Leia a nota dos curadores sobre o filme

Cinematógrafo na Saladearte de abril exibe “O Ódio”, de Kassovitz. Leia a nota dos curadores sobre o filme:

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A sessão do Cinematógrafo de abril será no sábado, 28 de abril, às 16h30, na Saladearte – Cinema do Museu, que fica no Corredor da Vitória, em Salvador.

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Nota dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz:

Mathieu Kassovitz tinha 28 anos quando dirigiu La Haine (O Ódio) em 1995. O filme segue, ao longo de 24 horas pelas ruas de Paris, o itinerário de três jovens parisienses, Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Said (Said Taghmaoui), o primeiro de ascendência judaica, o segundo de ascendência africana e o terceiro de origem árabe. Um trio de amigos que expressa um distópico melting pot de sobreviventes das sociedades pós-industriais imersos na crise do estado nação. Trata-se de um filme sobre jovens, mas também de um filme, em si, jovem, preocupado com os contextos imediatos de seu tempo e lugar: os distúrbios urbanos que incendiaram Paris em 1991 compõem o eixo temático…

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“Quarto Camarim” tem sessões em Porto Alegre, João Pessoa e Fortaleza na primeira semana de abril

Já confirmadas nesta segunda etapa de exibição, o filme será exibido em Porto Alegre, no dia 04 de abril, na Cinemateca Capitólio, às 19h30.

Em João Pessoa no dia 05, no Cine Bangüe; e em Fortaleza no dia 06 de abril, no Cine Dragão do Mar.

Em Belo Horizonte, a sessão acontecendo em 27 de abril, no Cine Humberto Mauro. Ainda com datas a definir para o mesmo mês, a Sessão Abraccine acontecerá, também, em Aracaju, Brasília, São Paulo e Recife.

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Após sessões e debates em seis capitais brasileiras pela terceira edição da Sessão Abraccine, evento promovido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, o longa metragem Quarto Camarim, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016terá em abril exibição em mais oito cidades, fechando um total de 14 capitais.

Já confirmadas nesta segunda etapa de exibição, o filme será exibido em Porto Alegre, no dia 04 de abril, na Cinemateca Capitólio, às 19h30. O debate será mediado pela crítica de cinema, filiada à Abraccine, Adriana Androvandi, e contará com a presença da também crítica e mestre em Educação pela UFRS, com pesquisa em Cinema e Educação, Juliana Costa.

em João Pessoa no dia 05, no Cine Bangüe; e em Fortaleza no dia 06 de abril, no Cine Dragão do Mar. Outra capital já com data confirmada é Belo Horizonte, que terá sua sessão…

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Cinematógrafo na Saladearte de fevereiro (sáb, 24) exibe “Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood” (2010)

Obra de forte expressão poética constrói uma história de amor em torno da tragédia e da sexualidade como dimensões da vida. A sessão acontece no sábado (24), às 16h30, na Saladearte Cinema do Museu (Corredor da Vitória, em Salvador).

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Nota dos curadores do Cinematógrafo:

Música, literatura e cinema: uma célebre canção dos Beatles empresta seu nome ao best-seller do escritor japonês Haruki Murakami, obra que o diretor franco-vietnamita Tran Anh Hung adapta para o cinema. Norwegian Wood (traduzido no Brasil como ‘Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood’), lançado em 2010, foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza daquele ano e, desde então, vem causando impressões controversas na crítica e no público.

Se a proposta do Cinematógrafo na Saladearte é ensejar boas conversas sobre as relações do cinema com a vida e com as outras artes, Norwegian Wood nos oferece um leque exuberante de motivos: se leitores de Murakami questionam a força dramática da adaptação cinematográfica da obra literária, cabe aos amantes do cinema reclamar a especificidade da obra cinematográfica e as razões do diretor, considerado um esteta que, marcadamente, valoriza a intensidade visual, a presença da sensualidade na narrativa e o rigor na composição dos quadros, mis-èn-scene e dramaturgia.

Narrada por Watanabe, a trama se passa no Japão do efervescente ano de 1967 e se inicia a partir da relação triangular entre o protagonista narrador e um casal de amigos, Naoko e Kisuki, que se conhecem desde a primeira infância e se convertem em amantes desde cedo. Um acontecimento trágico transtorna a relação entre Watanabe e a sua amiga Naoko, que se separam para depois se reencontrarem e, juntos, redescobrirem a sexualidade, o sentido do amor e, cada um a sua maneira, enfrentarem a tragédia que se abateu sobre eles.

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O que Tran Anh Hung nos oferece é um filme conscientemente moderno que se desvirtua dos clamores pós-modernos, por assim dizer, construindo personagens trágicos que vivem dramas existenciais alheios às conturbações estudantis de jovens que declinam discursos ideologizados, armados de certezas e que rechaçam as nuanças individuais em nome das lutas efetivamente políticas. O pano de fundo das vigorosas manifestações estudantis nas ruas de Tóquio contra a guerra do Vietnã, participando de um movimento globalizado de contestação política e de transformação de valores, substancia metaforicamente o processo drástico de transformação individual de Watanabe. Trata-se de um filme sobre amadurecimento emocional a partir do sofrimento, da experiência mesma de viver entre o afã de comunhão e de solidão, entre o erotismo transcendental e o desejo sexual que resulta de uma necessidade misteriosa e produz prazer, mas também frustração, medo e dor.

Norwegian Wood reflete, esteticamente, um tipo de realismo imaterial, com pouco ou nenhum espaço para a fantasia, mas carregado de sensorialidade musical e visual. A direção e composição da trilha sonora é assinada por Jonny Greenwood, guitarrista da banda inglesa Radiohead, e a fotografia ficou a cargo do experiente taiwanense Mark Lee Ping-bing. O resultado do conjunto do trabalho sonoro e fotográfico, aliado ao naturalismo da dramaturgia, é uma obra de forte impacto poético e emocional.

Aliás, no que se refere ao impacto emocional, este se impõe e exige um lugar especial que motivará, em nossa opinião, conversas enriquecedoras, controversas e vitais: afinal, o que Norwegian Wood nos propõe é uma reflexão poética e trágica sobre os modos como absorvemos as nossas próprias dores, como enfrentamos as nossas dúvidas e anseios, como convivemos com as fatalidades que fazem reluzir as difíceis realidades com as quais nos deparamos e que precisamos inescapavelmente enfrentar, em meio aos nossos ardentes desejos de comunhão constituintes de nossa vida ontologicamente solitária. Em suma, o filme nos leva a refletir sobre como a vida nos torna o que somos, a cada momento.

TRAILER:

SOBRE O CINEMATÓGRAFO

O Cinematógrafo, uma mostra de filmes independente sob curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, cineastas e curadores de Salvador. A iniciativa independente começou no Rio Vermelho, na Casa 149. Ali, num esquema artesanal de montagem de estrutura de projeção, realizou-se sessões durante seis meses, desde dezembro de 2016. Em julho de 2017, fomos convidados a realizar o Cinematógrafo no Cine XIV, sala no Pelourinho, em parceria com o Circuito Saladearte. Com o incêndio que consumiu o Cine XIV, interrompemos os encontros para os retomarmos, neste ano de 2018, no Cinema do Museu, sempre no último sábado de cada mês, às 16h30. O objetivo é, a partir de filmes de variados temas e formas, promover conversas sobre as relações do cinema com questões da vida e suas relações com a arte.
 

“Quarto Camarim” estreia em três festivais de cinema internacionais

Quarto Camarim, primeiro longa-metragem dos diretores Camele Queiroz e Fabricio Ramos, estreou em festivais internacionais no Canadá, na República Dominicana e na Venezuela. Lançado no final de 2017, o filme mostra o reencontro, depois de vinte e sete anos, entre uma sobrinha e a sua tia Luma.

24879908_1953094964715720_4237496083568247201_oEm janeiro de 2018, Quarto Camarim participa da Mostra Oficial do 3rd FICMARC – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DEL MAR CARIBE (link), que acontece na Ilha de Margarita, Venezuela. Entre novembro e dezembro de 2017, o filme foi exibido no Canadá, no Vancouver Alternative Cinema Festival (link), e na República Dominicana, na mostra oficial do 8º Santo Domingo OutFest – Festival Internacional de Cine GLBT (link).

 

O filme foi realizado com o apoio do programa Rumos – ItaúCultural 2015-2016. Veja trailer, entrevista com os diretores e outras informações no site do filme: https://quartocamarim.com.br/

“Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria

Curta-metragem “Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria (Porto da Barra), durante a inauguração da expo “Nosoutros”, de Rogério Ferrari. Sexta (dia 20/10), às 18h.

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O curta “Muros” será projetado na fachada do Forte Santa Maria, no dia 20 de outubro, às 18h, na inauguração da exposição “Nosoutros”, do fotógrafo Rogério Ferrari, que já pode ser vista na parte externa do Espaço Pierre Verger, no Forte Santa Maria (Porto da Barra, Salvador).

A mostra exibe 23 fotografias em preto-e-branco, que relacionam os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” (2015), filme dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

“Muros” ganhou o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V Feciba – Quinta edição do Festival de Cinema Baiano, em 2015. Foi premiado também como um dos 10+ Favoritos do Público no Kinoforum – 26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, e participou de diversas Mostras e Festivais de Cinema na Bahia, no Brasil e no exterior. “Muros” estará acessível na íntegra online, a partira do dia 20, no site do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

A iniciativa marca a última etapa da programação ao ar livre realizada pela Fundação Pierre Verger na parte externa do novo espaço cultural inaugurado em 2016 e cuja gestão é realizada pela prefeitura de Salvador, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

Cinematógrafo no Cine XIV: fotos da sessão do dia 2 de setembro

O Cinematógrafo no Cine XIV de setembro, que aconteceu no último sábado, dia 2, apresentou o filme “Entre a Luz e a Sombra”, de Luciana Burlamaqui, que relaciona a vida cotidiana dos personagens com questões políticas, sociais e existenciais, abrangendo temas que vão desde o crime e a violência, o sistema carcerário e a sua relação com o poder judiciário, até a arte e a música como motivadoras de reintegração social e a força dos dramas mais humanos na luta por existir segundo seus próprios sonhos e visões de mundo.

O esforço dos curadores, Camele e Fabricio, é o de compor uma programação mensal abrindo diferentes leques de possibilidades estéticas, formais e temáticas. E também o de atrair um público diversificado, que manifesta, claro, um interesse e uma ligação afetiva com o cinema, mas que não se restringe à cinefilia.

A ideia do Cinematógrafo é reinventar as formas de ver um filme, favorecer a fidelidade do público com a Sala de Cinema a partir da confiança na programação dos curadores e da expectativa de, sempre a partir de um filme, mobilizar conversas sobre as relações entre a arte e a vida, invocando assuntos do campo da ética, da estética, da política, da filosofia e das visões de mundo de cada um, enriquecendo as perspectivas na conversa que sucede à sessão.

O Cinematógrafo conta com a parceria do Cine XIV, sala do Circuito de Cinema Saladearte, localizada no Pelourinho. As sessões acontecem sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. A próxima sessão, portanto, será no dia 7 de outubro. A programação será divulgada em nossas redes com antecedência. Curta a nossa página no Facebook, acompanhe e participe!

(Fotos: Camele, Fabricio e Nirlyn).

Cinematógrafo de setembro exibe “Entre a Luz e a Sombra”, filme que expressa “potência e visceralidade”

Não me recordo de nenhum filme – fic ou doc – que exponha a atual crise social brasileira com tanta potência e visceralidade. E não é bom só para debater. Na riqueza de sua dramaturgia, eis um magnífico filme de gênero, só que extraído da mais pura realidade. – Trecho de crítica de Carlos Alberto Mattos, no site Críticos.com

 

O Cinematógrafo no Cine XIV de setembro (sábado, dia 2, às 16h) exibe o filme Entre a Luz e a Sombra, de Luciana Burlamaqui, realizado entre 2000 e 2009.

[Dos curadores]

O documentário parte do encontro entre três pessoas, cujos destinos se cruzam no presídio do Carandiru: Sophia Bisilliat, uma atriz que dedica a vida a humanização do sistema carcerário através da arte; Dexter, que – junto com o amigo Afro-X – forma, dentro do Carandiru, a dupla de rap 509-E, passando a fazer shows na periferia de São Paulo; e um juiz que acredita num modelo alternativo de ressocialização dos encarcerados, permitindo que os rappers, mesmo cumprindo pena em regime fechado, possam sair para fazer shows.

A diretora Luciana Burlamaqui acompanhou a vida desses personagens por nove anos. Filmando sozinha, ela mesma operando uma discreta câmera digital e a captação do som, Luciana consegue como resultado uma relação intimista com seus personagens principais, Sophia e Dexter, que vivem um relacionamento de caráter duplo: conjugal e profissional (Sophia se torna empresária da dupla de rappers, que faz sucesso nas periferias de São Paulo), uma história de amor e de conflito, marcada pelas contradições entre pessoas de classes sociais distintas, de trajetórias diferentes e pela luta por dar sentido à vida em meio às tragédias e desafios sociais e individuais.

O filme, portanto, relaciona a vida cotidiana dos personagens com questões políticas, sociais e existenciais, abrangendo temas que vão desde o crime e a violência, o sistema carcerário e a sua relação com o poder judiciário, até a arte e a música como motivadoras de reintegração social e a força dos dramas mais humanos na luta por existir segundo seus próprios sonhos e visões de mundo.

Entre a Luz e a Sombra estreou em 2007, no IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, um dos mais importantes do mundo. Participou de vários outros festivais no Brasil e no exterior, obtendo prêmios tais como Prêmio do Público de Melhor Documentário e uma Menção Especial do Júri no 17º Festival de Cinemas e Culturas da América Latina de Biarritz (França), entre outros.

Você pode confirmar presença e acompanhar as notícias sobre a sessão na página do evento no Facebook: clique aqui.

O CINEMATÓGRAFO:

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes mensalmente, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos e as sessões são seguidas de conversas. Os filmes programados serão divulgados mensalmente aqui e em nossas redes (curta a página no Facebook). O Cinematógrafo é uma parceria entre o Bahiadoc e o Circuito de Cinema Saladearte. A contribuição é de R$ 5,00 por mês (ou por sessão). Participe!