“Quarto Camarim” participa de festivais de cinema em Salvador e em Nápoles, na Itália

Quarto Camarim participa da mostra competitiva baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

Quarto Camarim

Quarto Camarim participa da mostra competitiva baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

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O primeiro longa de Camele Queiroz e Fabricio Ramos mostra a reaproximação de uma sobrinha – a própria diretora – com a sua tia Luma, depois de 27 anos sem qualquer contato. Para os diretores, trata-se de um filme proposta, que conjuga a vida mesma e a criação cinematográfica, o que resultou numa obra que abrange temas políticos, familiares e sobre o próprio fazer cinema.

Em novembro, “Quarto Camarim” participa da Mostra Baiana do XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, e em dezembro, da Mostra Oficial do 11º Omovies, que acontece em Nápoles, na Itália.

Em Salvador, as sessões do Panorama contarão com a presença dos diretores:

Dia 18/11 (domingo) às 17h30 – na Sala 2 do Espaço…

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Sessão de MUROS (2015) em Vitória da Conquista, BA

De 11 a 13 de setembro, o campus da UESB em Vitória da Conquista sediará a Jornada de Fotografia e Cinema

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Será realizada entre os dias 11 e 13 de setembro de 2018, a Jornada de Fotografia e Cinema. MUROS (2015), dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos e com a participação do fotógrafo Rogério Ferrari, passa no dia 11.9, a partir das 19h.

No dia 12.9, Rogério Ferrari participa do evento e lança o livro “Parentes” às 19h30, na Cazazul Teatro Escola. O livro traz fotografias tiradas em comunidades indígenas na Bahia compondo um trabalho que Rogério realiza há vários anos junto aos povos e movimentos sociais em luta por terra e auto-determinação.

A programação completa, bem como os detalhes sobre inscrição nas oficinas, podem ser acessadas o site da UESB.
 

Sessão “Double Bill” na Saladearte Cinema da Ufba promove reflexão sobre a utopia e o desencanto dos anos 1960

“Paris nos Pertence”, longa de estreia de Jacques Rivette, e o documentário “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil; são as atrações da sessão do dia 26 de agosto, às 10h. Um ingresso dá direito a ver os dois filmes.

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Após 50 anos, os ecos de maio de 1968 continuam a reverberar, seja como promessa utópica ou realidade desencantada. Para refletir e agregar novos olhares à questão, dois filmes e um breve bate-papo trazem de volta a atmosfera da década de 1960. Trata-se de mais uma Sessão “Double Bill”, o projeto que movimenta a Saladearte Cinema da Ufba, no domingo (26/08), a partir das 10 horas da manhã, com apoio da Cinemateca da Embaixada da França, no Rio de Janeiro.

No programa, um dos filmes inaugurais do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague, “Paris nos Pertence”, primeiro longa de Jacques Rivette. Completa a sessão, um dos mais contundentes retratos geracionais do período, o documentário “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil. O público de Salvador vai poder ver as duas obras com um só ingresso. É o conceito da “Double Bill”, que remonta as dobradinhas criadas nos EUA, nos anos 40.

Na versão baiana das tradicionais sessões duplas, além dos filmes, uma apresentação e um bate-papo com o público são organizados pelos curadores do evento, os cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e o crítico de cinema Adolfo Gomes. É uma pequena maratona de imersão no cinema, através da filosofia, literatura e outras abordagens transversais — mas com direito a um intervalo de 20 minutos entre os filmes, para o lanche e maior interação dos presentes. A novidade da sessão do dia 26 de agosto é a participação do psicanalista e cinéfilo Lucas Jerzy, que mantém o blog de crítica cultural “O último Baile dos Guermantes” em http://www.ultimobaile.com/ , na condução dos debates.

Cópias restauradas

Como observado por François Truffaut na época do seu lançamento, “Paris nos Pertence” representa a possibilidade do cinema ao alcance de todos, a utopia da mudança de comportamento, da vida material, a partir da linguagem cinematográfica. Ao lado do documentário “Morrer aos 30 anos”, datado de 1982, mas cujos registros remontam o espírito de 1968; essas obras constituem um precioso instantâneo da esperança e do desencanto daquela década. E um atrativo adicional é a disponibilização, por parte da Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro, de cópias restauradas dos dois filmes, trazidas ao Brasil especialmente para a sessão.

Filmes: “Paris nos Pertence”, de Jacques Rivette, e “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil. Apoio: Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro.

Sinopses dos filmes:

Paris nos Pertence (Paris Nous Appartient, FRA, 1961). Direção: Jacques Rivette. Ficção, 141 minutos. Classificação: 14 anos

Sinopse — Jovem estudante encontra por acaso um grupo de teatro que ensaia exaustivamente, mas sem recurso algum, a peça “Péricles”, de Shakespeare. Quando aceita atuar se descobre envolvida numa misteriosa conspiração política.

Morrer aos 30 anos (Mourir à 30 ans, FRA, 1982). Direção: Romain Goupil. Documentário, 95 minutos

Sinopse — Após o suicídio de seu amigo Michel Récanati, Romain Goupil se interroga a respeito de seu passado militante na extrema esquerda da CAL (Comités d’action lycéens). Ele insere em meio a imagens de assembleias gerais e manifestações em torno de 1968, documentos íntimos e depoimentos de antigos companheiros que partilharam desse momento. Em forma de filme, Goupil traça o retrato de uma geração. Câmera de Ouro no Festival de Cannes de 1982.

Cinematógrafo na Saladearte de maio (sáb, 26/5) apresenta “A última vez que vi Macau”. Leia a nota dos curadores sobre o filme

Por meio de imagens documentais, o filme produz o efeito mágico de um cinema ficcional clássico, intensificado pelas imagens carregadas de mistério. A última vez que vi Macau passa no Cinematógrafo de maio, que acontece na Saladearte – Cinema do Museu (no Corredor da Vitória, em Salvador), no sábado (26/5), às 16h30. – Dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz

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Se o Oriente é uma invenção ocidental que marca com o selo do exotismo todos os mundos a leste da Europa, os cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, sem incorrer em citações, passeiam pela mistura de estranhamento e intimidade, de mistério e de domínio, que refletem os vínculos profundos entre colonizadores e colonizados que a expansão colonial portuguesa produziu, inclusive, no próprio diretor Guerra da Mata, que viveu parte de sua vida em Macau.

Em A última vez que vi Macau (Portugal, 2012), o próprio cineasta Guerra da Mata, cuja voz conduz a narração do filme, recebe em Portugal uma carta de Macau, enviada por sua amiga Candy, cujas primeiras palavras são: ‘quando leres esta carta eu talvez já esteja morta’. O cineasta, que encarna o personagem que nunca veremos em cena, parte para Macau à procura de Candy na esperança de salvá-la de um perigo de morte insondável, misterioso. O filme começa, aliás, mostrando Candy (Cindy Scrash) cantando You Kill Me (I’m sure that my love will survive/ Because you kill me and keep me so alive). Candy é travesti e vive em Macau há muito tempo, vinda também de Portugal. A carta desesperada que ela enviou ao amigo desencadeia a trama, uma trama contrariada permanentemente pelo estilo documental que revela – da perspectiva da memória de um português – uma Macau em transformação, ocidentalizando-se ao mesmo tempo em que se esquece aos poucos dos mais de quatrocentos anos de colonização portuguesa, cujos traços resistem em nomes de ruas e edifícios, mas se esvanecem nos mistérios e exotismos que tornam a cidade irreconhecível para o próprio Guerra da Mata, ou para o seu personagem que nunca vemos, apenas ouvimos.

A última vez que vi Macau passa pelo tema da representação do Oriente no cinema (a canção que Candy interpreta na abertura vem de Macao (1952), filme de Josef von Sternberg que Nicholas Ray terminou), e se apoia, essencialmente, no tema do imaginário colonizador em tempos pós-coloniais. Mas o filme ultrapassa esses temas sem prescindir de suas funções narrativas. De acordo com a apresentação do filme, a trama de A última vez que vi Macau constrói-se “num plano de contaminação entre as memórias e fantasias de infância de João Rui Guerra da Mata”, que viveu em Macau, “e a procura documental dos vestígios de uma presença nesse território”, acabando por cruzar histórias pessoais dos dois realizadores. Segundo a Academia Portuguesa de Cinema, A última vez que vi Macau é “um filme misterioso, exuberante, que atravessa as fronteiras do cinema e devolve-nos a intimidade da narração”. O filme participou, inclusive, de festivais dedicados ao cinema documental, como o Doc Lisboa.

Insinuando, talvez, certa influência de Chris Marker, o filme, entretanto, elabora uma trama fabular que alguns comentadores classificaram como tributária dos filmes noir, carregada de conspirações, perseguições e assassinato. A fábula, entretanto, nunca foi tão contrariada pelo próprio registro documental que as imagens claramente transmitem. De fato, os cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata partiram para Macau com o objetivo de realizar um documentário e no meio do processo resolveram “redirecioná-lo rumo à ficção, por meio de um narrador cujas impressões emprestam às imagens um novo sentido”, como pontua Filipe Furtado na Cinética.

A última vez que vi Macau, portanto, antes (ou além) de um documentário, é uma experiência de cinema que reflete certa tendência e desejo dos cineastas de, por meio de imagens documentais, produzir o efeito mágico de um cinema ficcional clássico, efeito intensificado pelas imagens carregadas de mistério e estranhamento que sintetizam, ainda que a isso não se reduza o filme, o olhar distanciado e ao mesmo tempo entranhado do colonizador que já não se reconhece em Macau, nem reconhece Macau.

O filme passa no Cinematógrafo de maio, que acontece na Saladearte – Cinema do Museu (no Corredor da Vitória, em Salvador), no sábado (26/5), às 16h30. O Cinematógrafo acontece lá mensalmente, sempre no último sábado do mês. A curadoria é dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e as sessões são sempre seguidas de uma boa conversa aberta e diversificada, sobre o filme, mas também sobre as relações do cinema com a arte e a vida.

Localização:

Filmes inéditos no Brasil inauguram “Sessão Double Bill” no Circuito de Cinema Saladearte

Um só ingresso vai permitir ao cinéfilo de Salvador ver “O Diabo Provavelmente”, de Robert Bresson, e “Norwegian Wood”, de Tran Anh Hung; duas obras nunca antes exibidas no circuito comercial brasileiro. A Sessão Double Bill será bimensal trará conversas com Adolfo Gomes, um dos curadores do evento!

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Um só ingresso vai permitir ao cinéfilo de Salvador ver “O Diabo Provavelmente”, de Robert Bresson, e “Norwegian Wood”, de Tran Anh Hung; duas obras nunca antes exibidas no circuito comercial brasileiro.

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O conceito é bem simples e atrativo: pagar um ingresso e ver dois filmes. Criadas nos EUA, na década de 1940, as chamadas sessões “Double Bill” já fazem parte da trajetória e do imaginário cinéfilo ao redor do Mundo. E agora é a vez de Salvador experimentar essa “dobradinha” cinematográfica. Sob a curadoria dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e do crítico de cinema Adolfo Gomes, começa no dia 27 de maio, às 10h, na Saladearte Cinema da Ufba, a versão baiana das tradicionais exibições duplas. E as primeiras atrações são dois filmes inéditos nos cinemas comerciais brasileiros: “O Diabo Provavelmente” (1977), de Robert Bresson, e “Norwegian Wood” (2010), de Tran Anh Hung.

Bate-papo

Mas o…

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Olinda (PE) recebe o filme “Quarto Camarim” no dia 10 de maio, pela Sessão Abraccine

A terceira edição da Sessão Abraccine leva Quarto Camarim para os cinemas de diversas capitais do país. A exibição em Olinda será no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. Entrada Franca.

Quarto Camarim

A terceira edição da Sessão Abraccine leva Quarto Camarim para os cinemas de diversas capitais do país. A exibição em Olinda será no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. Entrada Franca.

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Como parte da terceira edição da Sessão Abraccine, evento promovido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, o longa metragem Quarto Camarim, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016, será exibido em Olinda (PE), no dia 10 de maio, no Cineteatro das Faculdades Integradas Barros Melo, às 9h30. A sessão faz parte do Cineclube Ventura e terá entrada franca.

Após participação em três festivais internacionais na Venezuela, na República Dominicana e no Canadá, o filme participa de um ciclo de exibições que vem sendo realizadas em diversas capitais brasileiras. A Abraccine já realizou sessões de Quarto Camarim, sempre seguidas de debates,

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Cinematógrafo na Saladearte de abril exibe “O Ódio”, de Kassovitz. Leia a nota dos curadores sobre o filme

Cinematógrafo na Saladearte de abril exibe “O Ódio”, de Kassovitz. Leia a nota dos curadores sobre o filme:

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A sessão do Cinematógrafo de abril será no sábado, 28 de abril, às 16h30, na Saladearte – Cinema do Museu, que fica no Corredor da Vitória, em Salvador.

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Nota dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz:

Mathieu Kassovitz tinha 28 anos quando dirigiu La Haine (O Ódio) em 1995. O filme segue, ao longo de 24 horas pelas ruas de Paris, o itinerário de três jovens parisienses, Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Said (Said Taghmaoui), o primeiro de ascendência judaica, o segundo de ascendência africana e o terceiro de origem árabe. Um trio de amigos que expressa um distópico melting pot de sobreviventes das sociedades pós-industriais imersos na crise do estado nação. Trata-se de um filme sobre jovens, mas também de um filme, em si, jovem, preocupado com os contextos imediatos de seu tempo e lugar: os distúrbios urbanos que incendiaram Paris em 1991 compõem o eixo temático…

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“Quarto Camarim” tem sessões em Porto Alegre, João Pessoa e Fortaleza na primeira semana de abril

Já confirmadas nesta segunda etapa de exibição, o filme será exibido em Porto Alegre, no dia 04 de abril, na Cinemateca Capitólio, às 19h30.

Em João Pessoa no dia 05, no Cine Bangüe; e em Fortaleza no dia 06 de abril, no Cine Dragão do Mar.

Em Belo Horizonte, a sessão acontecendo em 27 de abril, no Cine Humberto Mauro. Ainda com datas a definir para o mesmo mês, a Sessão Abraccine acontecerá, também, em Aracaju, Brasília, São Paulo e Recife.

Quarto Camarim

Após sessões e debates em seis capitais brasileiras pela terceira edição da Sessão Abraccine, evento promovido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, o longa metragem Quarto Camarim, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016terá em abril exibição em mais oito cidades, fechando um total de 14 capitais.

Já confirmadas nesta segunda etapa de exibição, o filme será exibido em Porto Alegre, no dia 04 de abril, na Cinemateca Capitólio, às 19h30. O debate será mediado pela crítica de cinema, filiada à Abraccine, Adriana Androvandi, e contará com a presença da também crítica e mestre em Educação pela UFRS, com pesquisa em Cinema e Educação, Juliana Costa.

em João Pessoa no dia 05, no Cine Bangüe; e em Fortaleza no dia 06 de abril, no Cine Dragão do Mar. Outra capital já com data confirmada é Belo Horizonte, que terá sua sessão…

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Cinematógrafo na Saladearte de fevereiro (sáb, 24) exibe “Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood” (2010)

Obra de forte expressão poética constrói uma história de amor em torno da tragédia e da sexualidade como dimensões da vida. A sessão acontece no sábado (24), às 16h30, na Saladearte Cinema do Museu (Corredor da Vitória, em Salvador).

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Nota dos curadores do Cinematógrafo:

Música, literatura e cinema: uma célebre canção dos Beatles empresta seu nome ao best-seller do escritor japonês Haruki Murakami, obra que o diretor franco-vietnamita Tran Anh Hung adapta para o cinema. Norwegian Wood (traduzido no Brasil como ‘Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood’), lançado em 2010, foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza daquele ano e, desde então, vem causando impressões controversas na crítica e no público.

Se a proposta do Cinematógrafo na Saladearte é ensejar boas conversas sobre as relações do cinema com a vida e com as outras artes, Norwegian Wood nos oferece um leque exuberante de motivos: se leitores de Murakami questionam a força dramática da adaptação cinematográfica da obra literária, cabe aos amantes do cinema reclamar a especificidade da obra cinematográfica e as razões do diretor, considerado um esteta que, marcadamente, valoriza a intensidade visual, a presença da sensualidade na narrativa e o rigor na composição dos quadros, mis-èn-scene e dramaturgia.

Narrada por Watanabe, a trama se passa no Japão do efervescente ano de 1967 e se inicia a partir da relação triangular entre o protagonista narrador e um casal de amigos, Naoko e Kisuki, que se conhecem desde a primeira infância e se convertem em amantes desde cedo. Um acontecimento trágico transtorna a relação entre Watanabe e a sua amiga Naoko, que se separam para depois se reencontrarem e, juntos, redescobrirem a sexualidade, o sentido do amor e, cada um a sua maneira, enfrentarem a tragédia que se abateu sobre eles.

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O que Tran Anh Hung nos oferece é um filme conscientemente moderno que se desvirtua dos clamores pós-modernos, por assim dizer, construindo personagens trágicos que vivem dramas existenciais alheios às conturbações estudantis de jovens que declinam discursos ideologizados, armados de certezas e que rechaçam as nuanças individuais em nome das lutas efetivamente políticas. O pano de fundo das vigorosas manifestações estudantis nas ruas de Tóquio contra a guerra do Vietnã, participando de um movimento globalizado de contestação política e de transformação de valores, substancia metaforicamente o processo drástico de transformação individual de Watanabe. Trata-se de um filme sobre amadurecimento emocional a partir do sofrimento, da experiência mesma de viver entre o afã de comunhão e de solidão, entre o erotismo transcendental e o desejo sexual que resulta de uma necessidade misteriosa e produz prazer, mas também frustração, medo e dor.

Norwegian Wood reflete, esteticamente, um tipo de realismo imaterial, com pouco ou nenhum espaço para a fantasia, mas carregado de sensorialidade musical e visual. A direção e composição da trilha sonora é assinada por Jonny Greenwood, guitarrista da banda inglesa Radiohead, e a fotografia ficou a cargo do experiente taiwanense Mark Lee Ping-bing. O resultado do conjunto do trabalho sonoro e fotográfico, aliado ao naturalismo da dramaturgia, é uma obra de forte impacto poético e emocional.

Aliás, no que se refere ao impacto emocional, este se impõe e exige um lugar especial que motivará, em nossa opinião, conversas enriquecedoras, controversas e vitais: afinal, o que Norwegian Wood nos propõe é uma reflexão poética e trágica sobre os modos como absorvemos as nossas próprias dores, como enfrentamos as nossas dúvidas e anseios, como convivemos com as fatalidades que fazem reluzir as difíceis realidades com as quais nos deparamos e que precisamos inescapavelmente enfrentar, em meio aos nossos ardentes desejos de comunhão constituintes de nossa vida ontologicamente solitária. Em suma, o filme nos leva a refletir sobre como a vida nos torna o que somos, a cada momento.

TRAILER:

SOBRE O CINEMATÓGRAFO

O Cinematógrafo, uma mostra de filmes independente sob curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, cineastas e curadores de Salvador. A iniciativa independente começou no Rio Vermelho, na Casa 149. Ali, num esquema artesanal de montagem de estrutura de projeção, realizou-se sessões durante seis meses, desde dezembro de 2016. Em julho de 2017, fomos convidados a realizar o Cinematógrafo no Cine XIV, sala no Pelourinho, em parceria com o Circuito Saladearte. Com o incêndio que consumiu o Cine XIV, interrompemos os encontros para os retomarmos, neste ano de 2018, no Cinema do Museu, sempre no último sábado de cada mês, às 16h30. O objetivo é, a partir de filmes de variados temas e formas, promover conversas sobre as relações do cinema com questões da vida e suas relações com a arte.
 

“Quarto Camarim” estreia em três festivais de cinema internacionais

Quarto Camarim, primeiro longa-metragem dos diretores Camele Queiroz e Fabricio Ramos, estreou em festivais internacionais no Canadá, na República Dominicana e na Venezuela. Lançado no final de 2017, o filme mostra o reencontro, depois de vinte e sete anos, entre uma sobrinha e a sua tia Luma.

24879908_1953094964715720_4237496083568247201_oEm janeiro de 2018, Quarto Camarim participa da Mostra Oficial do 3rd FICMARC – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DEL MAR CARIBE (link), que acontece na Ilha de Margarita, Venezuela. Entre novembro e dezembro de 2017, o filme foi exibido no Canadá, no Vancouver Alternative Cinema Festival (link), e na República Dominicana, na mostra oficial do 8º Santo Domingo OutFest – Festival Internacional de Cine GLBT (link).

 

O filme foi realizado com o apoio do programa Rumos – ItaúCultural 2015-2016. Veja trailer, entrevista com os diretores e outras informações no site do filme: https://quartocamarim.com.br/