Vídeo resume a experiência da Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro

Registro que resume a experiência da Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro. De janeiro até julho de 2016, a mostra realizou doze sessões de cinema no Terreiro de Odé, em Ilhéus, exibindo filmes diversificados: de clássicos de nossa cinematografia a vídeos descobertos pelos curadores Camele Queiroz e Fabricio Ramos em pesquisas no Youtube. Ficções e documentários, animações, curtas e longas, sempre filmes com temáticas que valorizam o conhecimento e a reflexão acerca das religiões de raízes africanas e indígenas. O Cinema foi ao Terreiro e tal experiência revelou um pouco de como o nosso cinema viu e vê a cultura dos Orixás e as religiões afroindígenas.

O Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Acesse mais informações sobre a Mostra e fotos das sessões em:
https://cineodeblog.wordpress.com/

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TRAILER “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Trailer do registro “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Em setembro de 2013, vaqueiros de diferentes regiões do sertão nordestino viajaram a Brasília para acompanhar, no Plenário do Senado Federal, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. O registro, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, é uma memória da viagem.

Brasil l HD l Cor l 2013

Realização:
Bahiadoc – arte documento

Em Salvador, Valdenir Munduruku falou sobre a violência do Estado contra povos indígenas

No vídeo gravado pelo Bahiadoc, o líder indígena fala sobre a violência do Estado contra povos indígenas e denuncia a violência da Operação Eldorado, que ocorreu em 2012

Valdenir Munduruku é liderança indígena que ocupou, com outros 150 índios, o canteiro de obras de ‪Belo Monte‬ por duas vezes, a última vez em maio deste ano, para reivindicar atenção e respeito do Governo Federal pelos direitos indígenas.

No vídeo gravado pelo Bahiadoc, (com insert de vídeo do canal do Ocupa Belém no Youtube, que mostra Valdenir rasgando a ordem judicial de reintegração de posse do canteiro de obras da Usina de Belo Monte, ocupado pelos indígenas), o líder indígena fala sobre a violência do Estado contra povos indígenas e denuncia a violência da Operação Eldorado, que ocorreu em 2012, realizada pela Polícia Federal e pela Força Nacional, sob acompanhamento da FUNAI. O ataque do Estado resultou no assassinato do indígena Adenilson Kirixi e na destruição da aldeia Teles Pires, povo Munduruku, que vive na divisa do Pará com o Mato Grosso.

Valdenir Munduruku esteve na UFBA (São Lázaro), no dia 29 de julho de 2013, para falar a estudantes, professores e interessados, buscando apoio através da difusão de informações sobre a luta dos Munduruku.

O povo Munduruku se posiciona firmemente contra qualquer empreendimento envolvendo o Complexo Hidrelétrico em suas terras já demarcadas ou tradicionalmente ocupadas, assim como confrontam os riscos de devastação da região se empresas mineradoras forem autorizadas a explorar a região.

Relato sobre a ação da Polícia Federal e da Força Nacional na aldeia Munduruku no sítio Brasil de Fato, em 2012: “Com registros em vídeos, Mundukuru denunciam ataque da PF que resultou na morte de liderança” http://www.brasildefato.com.br/node/11236

No ar o IV webdoc do Canal: conversa com Carlos Pronzato

No webdoc, o cineasta comenta sobre as suas motivações, seus métodos e sobre contextos do audiovisual na Bahia.

O quarto webdoc do Canal Bahiadoc traz uma conversa com Carlos Pronzato. Diretor teatral, escritor e poeta, Pronzato realizou vários documentários cujas temáticas se relacionam estreitamente com as lutas sociais e os contextos políticos do Brasil e da Bahia, e também da América Latina, transitando entre o vídeoativismo e o documentário histórico e cultural, sempre a partir de um recorte de amplo olhar político.

Subvertendo a lógica dominante de distribuição audiovisual (por necessidade e pela característica de seu trabalho), Pronzato alcança um público vasto, porém não catalogado apenas em salas de cinema (costuma ele mesmo vender seus filmes em DVD, além de, em várias ocasiões e lugares, encontrar ou tomar conhecimento da difusão de seus trabalhos). O seu cinema autogestionado, embora lhe traga, por um lado, diversas dificuldades estruturais, lhe possibilita, por outro, plena liberdade na escolha e abordagem de seus temas, além de tornar possível uma dinâmica de produção ágil e diferenciada.

No espaço do Canal Bahiadoc pode-se acessar os webdocs anteriores e saber mais sobre o projeto: www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Geraldo Sarno: ensaio sobre o Brasil

Nascido em Poções, na Bahia, em 1938, Geraldo Sarno é um nome fundamental na trajetória do moderno documentário brasileiro e da história do cinema no Brasil.

Em 1965, realizou Viramundo, considerado um clássico do documentário brasileiro, foi o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Geraldo Sarno começou no início dos anos 1960 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia. Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Abordou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre os quais participam Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra.

Geraldo Sarno realizou também longa-metragens de ficção, entre os quais Coronel Delmiro Gouveia (1977), belo filme que retrata a história real e trágica do empresário humanista Delmiro Gouveia, que no início do século XX em Alagoas, enfrentou o poder dos coronéis do nordeste e da indústria internacional. Confira a filmografia do diretor na Wikipedia.

VIRAMUNDO

Captura de tela 2013-03-09 às 10.10.59O clássico Viramundo, de 1965, realiza um ensaio sobre a migração de nordestinos para São Paulo, abordando as dificuldades de “integração” destes migrantes num ambiente onde imperam a racionalidade industrial e tecnológica, em oposição à tradição que predomina na cultura rural nordestina e sertaneja. A partir deste conflito, o filme mostra acontecimentos expressivos do drama vivido pelos migrantes, abrangendo a relação com a religião, com a política e com o trabalho, este marcado, de forma diferente mas tanto quanto no sertão, pelas injustiças sociais relativas à propriedade dos meios de produção e à exploração do indivíduo trabalhador.

Viramundo venceu o Festival de Evian (França) e conquistou os prêmios de melhor documentário nos festivais de Viña del Mar (Chile) e do Uruguai. Geraldo Sarno convidou Capinam e Caetano para comporem a canção tema do documentário, que foi interpretada por Gil. Nota-se que a letra da canção Viramundo é inspirada fundamentalmente em expressões usadas pelos entrevistados no filme: “Dando a safra com fartura, dá sem ter ocasião, parte fica sem vendagem, parte fica com o patrão”… O documentário foi votado por especialistas como um dos mais marcantes documentários brasileiros de todos os tempos em um levantamento realizado pelo festival É Tudo Verdade em 2000.

Assista Viramundo, de Geraldo Sarno:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Palestina, a eloquência do sangue – de Rogério Ferrari

O vídeo compõe um impactante e sóbrio experimento audiovisual realizado a partir das fotografias de Rogério Ferrari feitas na Palestina ocupada, em 2002. O áudio é composto unicamente pelo som ambiente registrado pelo fotógrafo durante os momentos em que fotografava. Edição e montagem: Aline Frey, Marcelo Matos, Rogério Ferrari.

Rogério Ferrari, nascido em Ipiaú, Sul da Bahia, trabalha como fotógrafo independente desenvolvendo o trabalho Existências-Resistências, tema que retrata a luta por terra e autodeterminação de diferentes povos e movimentos sociais.

O trabalho evidencia, através das imagens, publicação de livros, debates e exposições fotográficas, o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense; Curdos, na Turquia; Zapatistas no México; Movimento dos Sem-Terra no Brasil; refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia; refugiados Saarauis no deserto do Saara e nos territórios ocupados pelo Marrocos; Mapuches no Chile, e os ciganos no Bahia.

Vaqueiros da Bahia (vídeo)

Vaqueiros da Bahia é uma breve homenagem do Bahiadoc – arte documento aos verdadeiros protagonistas das culturas sertanejas. O vídeo – que é uma realização independente – é resultado da nossa participação na Celebração das Culturas dos Sertões, evento realizado em Feira de Santana pela Secretaria de Cultura da Bahia.

No dia 6 de maio de 2012, vaqueiros de diferentes regiões do sertão saíram montados a cavalo do Parque de Exposições e seguiram – pelas ruas da cidade – até o Centro de Cultura Amélio Amorim, onde participaram do ato oficial de reconhecimento do ofício de vaqueiro como Patrimônio Cultural Imaterial, e visitaram a exposição fotográfica “Imagens dos vaqueiros da Bahia”, composta por fotografias de Bauer Sá, Elias Mascarenhas e Josué Ribeiro, que integram o Projeto Vaqueiros: Vivências Mitologia, que tem coordenação do antropólogo Washington Queiroz.

vaqueiro visita a exposição fotográfica “Imagens dos vaqueiros da Bahia”, em Feira de Santana.

Para Queiroz, que há vinte e sete anos se dedica à pesquisa das culturas do sertão e foi um dos principais articuladores do evento, “os vaqueiros são os responsáveis pela conquista dos territórios do estado da Bahia e do Nordeste, é um verdadeiro autor da unidade nacional, através da criação extensiva de gado”. A importância do vaqueiro, porém, vai além de seu trabalho com o gado, “sendo expressivo o acervo de bens materiais e imateriais que eles criaram”, acrescenta.

O Bahiadoc apresenta o documentário “hera”, que retrata um importante capítulo da poesia baiana

 

A REVISTA

A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval Pereyr, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.

O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO

Nós, editores do Bahiadoc, fomos convidados por um dos poetas do grupo Hera para registrar o lançamento da edição fac-similar da revista, que viria a ser em 6 de dezembro de 2011, no Palácio da Aclamação, em Salvador. Depois de breves conversas com o poeta, sentimo-nos atraídos pelo instigante universo poético e cultural que a história do grupo trazia intimamente em si: um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, através da linguagem audiovisual. O caráter autoral quase sempre caracteriza a obra audiovisual documental, mas neste caso, os sujeitos do documentário – isto é, os próprios poetas e as suas relações com a poesia e com o mundo – conformam a substância do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência.

Várias razões, além da importância cultural do grupo Hera e de sua vibrante dimensão poética, justificam o nosso esforço de realizar o registro simbólico que ora apresentamos. Mas é lícito que reforcemos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do Bahiadoc – arte documento queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.

O documentário “hera”, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

Por fim, realizamos o documentário sem o aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012.

Se realizamos o documentário “hera” sem patrocínio, o esforço se deu pelo encanto que o tema despertou em nós e, sobretudo, pela relevância cultural e histórica que a revista Hera alcançou no cenário cultural baiano – as memórias passam e não podem esperar. Entretanto, defendemos enfaticamente a importância das políticas públicas culturais que estimulem produções que resgatem e promovam as diversas dimensões de nossa história cultural e artística. Não nos sentimos confortáveis em esperar por tais políticas, mas nos sentimos no dever de nos manifestar sobre a urgência e necessidade delas, o que nos possibilitaria – e também a outros – realizar um trabalho sob melhores condições estruturais. Cremos que o doc “hera”, mesmo assim, alcança algum êxito ao trazer à público, para livre acesso, um recorte de um belo momento da poesia.

O Bahiadoc conversou com poetas baianos fundadores da revista Hera. Confira uma prévia do doc.

 

O Bahiadoc – arte documento registrou encontros com poetas baianos que fundaram a revista Hera, publicação que em seus 20 números editados entre 1972 e 2005, engendrou uma marcante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional.

A nossa ideia é compor um painel audiovisual a partir das conversas com os poetas baianos, buscando apresentar a revista Hera a partir das falas de seus fundadores e estimular discussões sobre a importância histórica do intenso movimento literário que a revista engendrou, contribuindo para a memória cultural e para a reflexão sobre um importante capítulo da literatura baiana. Nós entrevistamos os poetas, escritores e artistas visuais Antônio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Consideramos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do Bahiadoc – arte documento queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.

Em breve, o material estará disponível no sítio para livre acesso e difusão.

A nossa produção contou com o apoio da Diretoria de Audiosual e Multimeios – DIMAS/Funceb, através do NAP – Núcleo de Apoio à Produção, que oferece suporte às produções independentes na Bahia disponibilizando equipamentos e técnicos para as filmagens.

A REVISTA HERA

A revista Hera foi criada, no início da década de 70, a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. No primeiro número, feito em 1972 (com data de janeiro de 1973 na edição impressa), foram publicados contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval A. Pereira, Washington Queiroz e Wilson Pereira, os fundadores.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados (de 100 autores).

Lançamento da edição fac-similar

Através da Uefs Editora e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista Hera, que saíram entre 1972 e 2005. Este volume, que é o primeiro da coleção Memória da Literatura Baiana, foi lançado, com momento de autógrafos, no dia 6 de dezembro, no Palácio da Aclamação, em Salvador.