CINEMATÓGRAFO NO CINE XIV

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes mensalmente, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. As sessões são seguidas de conversas numa dinâmica participativa. A contribuição é de R$ 5,00 por mês (ou por sessão). A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos. Os filmes programados serão divulgados mensalmente aqui e em nossas redes (curta a página no Facebook). O Cinematógrafo é uma parceria entre o Bahiadoc e o Circuito de Cinema Saladearte. Participe!

NOVEMBRO, SÁBADO (11/11/2017)

No Cine XIV (Pelourinho), às 16h. Contribuição: R$ 5,00.

LEVE Cinematógrafo Novembro 17

Nota dos curadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz:

Ela (Rooney Mara) e ele (Casey Affleck) são um jovem casal separados pela morte dele, num banal acidente de carro. Ela busca seguir em frente, enquanto vive o luto e a aflição da perda repentina. Ele, entretanto, retorna à casa em que viviam na forma de um fantasma passivo e silencioso, que ela não pode ver. O tempo passa, mas o fantasma se prende à casa em que moravam e, mesmo depois que ela se muda, ele permanece lá, à espera de algo, permanecendo como uma testemunha silenciosa do sofrimento dela e de sua própria condição de fantasma.  Através de deslocamentos temporais, o filme expande o drama pessoal do fantasma até um nível de relação cósmica com a vida e o mundo, oscilando entre o apego às histórias de uma vida e a dimensão inefável da eternidade. Leia a nota completa aqui.

 

LOCALIZAÇÃO DO CINE XIV:

 

OUTUBRO, SÁBADO (7/10/2017)

No Cine XIV (Pelourinho), às 16h. Contribuição: R$ 5,00.

Cinematógrafo de OUTUBRO

Nota dos curadores:

Julie Vignon (Juliette Binoche) sobrevive ao acidente de carro que vitimou seu marido e sua filha pequena. Diante da dor da perda, ela decide enfrentar a tragédia experimentando uma liberdade radical em sua vida, recusando o luto e o choro, livrando-se de seus bens e patrimônio, evitando se ligar ao próprio passado e se afastando definitivamente das pessoas com as quais mantinha vínculos afetivos.

Em A Liberdade é Azul (1993), a Música e cor cumprem uma função narrativa mas, sobretudo, compõem a estética do filme, que proporciona uma experiência sensorial impactante, imprescindível de ser vivenciada num ambiente que somente a sala de cinema oferece. O tema da liberdade aparece sob uma abordagem existencial e trágica, mas evoca questões que se ligam a uma ampla variedade de problemas contemporâneos.

O diretor polonês Krzysztof Kieslowski completou a sua trilogia das cores com A igualdade é branca” (1994) e A Fraterndade é Vermelha (1995), títulos que fazem clara referência aos ideais iluministas encampados pela Revolução burguesa na França. A acepção demasiado óbvia dos títulos poderia sugerir uma leitura apressada, relacionando o filme à preponderância de razões políticas e históricas. Entretanto, em A Liberdade é Azul, a história e a política só aparecem enquanto substrato de uma experiência individual trágica que, como um corpo que se afoga, busca na própria crise dos ideais, se não uma tábua de salvação, uma maneira possível de ficar submerso. — (Por Fabricio e Camele).

 

 

 

 

 

LOCALIZAÇÃO DO CINE XIV:

SETEMBRO, SÁB, dia 2

Cinematógrafo SETEMBRO

Nota dos curadores:

Entre a Luz e a Sombra é um filme de Luciana Burlamaqui, realizado entre 2000 e 2009, que parte do encontro entre três pessoas, cujos destinos se cruzam no presídio do Carandiru: Sophia Bisilliat, uma atriz que dedica a vida a humanização do sistema carcerário através da arte; Dexter, que – junto com o amigo Afro-X – forma, dentro do Carandiru, a dupla de rap 509-E, passando a fazer shows na periferia de São Paulo; e de um juiz que acredita num modelo alternativo de ressocialização dos encarcerados, permitindo que os rappers, mesmo cumprindo pena em regime fechado, possam sair para fazer shows.

A diretora Luciana Burlamaqui acompanhou a vida desses personagens por nove anos. Filmando sozinha, ela mesma operando uma discreta câmera digital e a captação do som, Luciana consegue como resultado uma relação intimista com seus personagens principais, Sophia e Dexter, que vivem um relacionamento de caráter duplo: conjugal e profissional (Sophia se torna empresária da dupla de rappers, que faz sucesso nas periferias de São Paulo), uma história de amor e de conflito, marcada pelas contradições entre pessoas de classes sociais distintas, de trajetórias diferentes e pela luta por dar sentido à vida em meio às tragédias e desafios sociais e individuais.

O filme, portanto, relaciona a vida cotidiana dos personagens com questões políticas, sociais e existenciais, abrangendo temas que vão desde o crime e a violência, o sistema carcerário e a sua relação com o poder judiciário, até a arte e a música como motivadoras de reintegração social e a força dos dramas mais humanos na luta por existir segundo seus próprios sonhos e visões de mundo.

Entre a Luz e a Sombra estreou em 2007, no IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, um dos mais importantes do mundo. Participou de vários outros festivais no Brasil e no exterior, obtendo prêmios tais como Prêmio do Público de Melhor Documentário e uma Menção Especial do Júri no 17º Festival de Cinemas e Culturas da América Latina de Biarritz (França), entre outros.

 

 

 

 

 

AGOSTO, sáb, dia 5:

Cinematógrafo_AGOSTO

Nota dos curadores:

O Segredo das Águas (2014), longa de ficção da diretora japonesa Naomi Kawase, produz, através da especificidade sensorial do cinema, uma experiência poética que realiza uma síntese muito própria da universalidade da vida. Ambientado nas Ilhas do sul do Japão, a exuberância serena das florestas e a instabilidade bela e desafiadora do mar ora calmo ora agitado, nos aparecem como metáforas próprias do nosso imaginário praiano tropical. O estilo, câmera na mão e ritmo sutil, aliado a um olhar poético existencial, compõe uma visão de mundo sobre a vida: seus medos e desafios, a descoberta da impetuosa e inquietante sexualidade juvenil, a sábia melancolia da velhice, e a morte – a morte como uma presença que assusta e liberta, que entristece e anima.

 

Localização:

 

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