Desafios do Bahiadoc – arte documento: partilhando perspectivas

O que é e o que quer o Bahiadoc - arte documento?

Ao mesmo tempo em que partilhamos as nossas perspectivas para este ano de 2013, nós lembramos as ações que concretizamos até aqui, num ávido processo de construção e de luta a caminho da consolidação de mais um espaço que valoriza o campo do audiovisual na Bahia através das redes e das potencialidades da Cultura Digital.

O BAHIADOC

BAHIA-DOCO Bahiadoc – arte documento é uma iniciativa online, cuja plataforma foi lançada em julho de 2011. Coordenado por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizadores independentes e agentes culturais, o Bahiadoc tem como principal objetivo a promoção de novos espaços de articulação, informação, discussão e reflexão sobre o cenário audiovisual contemporâneo na Bahia, com ênfase em realizações e contextos relacionados ao campo de não-ficção e videoarte.

Num mundo regido pela insaciabilidade do olho, que torna imperativo o pensamento e o debate crítico sobre uma “nova ética do ver”, queremos discutir a prática do documento e as questões que a experiência audiovisual documental na Bahia instaura em sua prática e história. Valorizamos, portanto, as realizações de artistas e cineastas baianos (ou que atuam e vivem na Bahia) e – através de suas obras – buscamos pensar as relações entre o artístico e o documental, entre o Belo e o Verdadeiro, entre a História e as visões de mundo autorais.

Aliás, a nossa ideia de valorizar o campo de não ficção na Bahia centra-se na perspectiva de que a produção documental de um lugar acaba por constituir um processo social de produção de sentido: interpretações fragmentárias do mundo que podem conter expectativas de descentramento da totalidade e de relativização das representações dominantes. Pesquisar, informar e difundir – priorizando a lógica do acesso às obras – as realizações que revelam diversos aspectos que compõem diferentes realidades na Bahia e relacionam tais realidades locais àquelas outras de todas as partes e todas as épocas, é trabalho que coopera para o conhecimento e para a autovalorização de nossa cultura e de nossa arte.

O Bahiadoc, entretanto, encontra-se em processo de consolidação e muitos ajustes e melhoramentos deverão ser implementados assim que possível. Por exemplo, a reestruturação da arquitetura da informação e o aprimoramento da interface gráfica do ambiente da Comunidade e do Fórum (já existentes, porém com funcionalidades limitadas), favorecerá o crescimento do número de usuários e o aumento qualitativo das participações, e fortalecerá as interações entre os colaboradores que participam do sítio, gerando novos espaços de articulação em rede voltados para diversos agentes que se relacionam com o campo audiovisual.

São esses os nossos desafios para 2013, juntamente com a criação e realização de novos projetos documentais e artísiticos. Estabelecer parcerias com cineclubes da bahia para trocas e ações conjuntas; articular projetos com coletivos e grupos de realizadores; ampliar os nossos bancos de dados para auxiliar pesquisas sobre audiovisual na Bahia; e fomentar e fortalecer interações entre a gente que faz audiovisual, formando redes e estabelecendo meios de efetiva e ampla interação. Estamos trabalhando para realizar essas ideias. Avante!

O BAHIADOC EM 2012

O Bahiadoc iniciou as suas ações lançando o sítio online em julho de 2011, a partir do apoio da Funarte. Depois, através do apoio do Fundo de Cultura da Bahia, passamos a produzir o Canal Bahiadoc. Em 2012, realizamos o documentário “hera”, produção independente que traz conversas com seis poetas baianos do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional.

CANAL BAHIADOC

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O Canal Bahiadoc realiza uma série de 06 (seis) vídeos para difusão via internet, produzidos com regularidade trimestral, com temáticas ligadas às artes visuais na Bahia que se relacionam com o campo da não-ficção e com a cena independente.
O dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador.

Assista o terceiro webdoc:

O terceiro webdoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo de jovens cineastas que ousam dinamizar novos processos de produção para viabilizar suas produções coletivas que marcam presença em vários festivais, conquistando prêmios e promovendo ações de formação e discussão sobre cinema e vídeo na Bahia.

DOCUMENTÁRIO HERA

Captura de tela 2013-03-02 às 00.54.01Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas. O doc “hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Trailer do doc:

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendar os poetas nem conformar biografias, mas antes se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012. Em setembro de 2012, o doc “hera” foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, a convite do Aberto CUCA 2012.

Este é o blog do Bahiadoc. O sítio principal do Bahiadoc é: http://www.bahiadoc.com.br

O sítio especial do projeto Canal Bahiadoc, no qual se pode acessar todos os webdocs produzidos até aqui, é: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Todas as informações sobre o documentário “hera”, incluindo o acesso ao doc na íntegra online, a ficha técnica e meios de aquisição, estão no sítio especial do “hera”, em: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

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O CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual – participa do terceiro webdoc do Canal Bahiadoc

“precisamos de mais filmes e menos lamentações”

Ramón, Luan, Marcus e Chico – integrantes do CUAL, durante as gravações para o Canal Bahiadoc

ATUALIZAÇÃO em 16/11: o webdoc com a participação do CUAL já está no ar: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, que pensa o cinema realizando filmes a partir de uma dinâmica de cooperação, que abrange desde a concepção do roteiro até à exibição dos filmes nas mostras abertas CUAL, passando pela realização de debates sobre contextos diversos que relacionam cinema e política, e realizando oficinas de audiovisual, inclusive no interior do Estado, ampliando as experiências para além do próprio grupo.

Produzindo filmes num ritmo intenso, o CUAL dá o recado: “precisamos de mais filmes e menos lamentações”, sem ignorar os enormes desafios de se fazer cinema na Bahia e no Brasil, e assumindo a responsabilidade de enfrentar as complexas questões que o Cinema engendra, seja enquanto arte com suas dimensões estéticas e referências de linguagem, seja enquanto política, com a luta do cinema pela conquista de espaços simbólicos e reais, seja na Cultura, implicando em visões de mundo e expressão, seja na Economia, abarcando os modelos de produção e distribuição, e a viabilidade mesma de se fazer filmes que possam ser vistos.

O discurso do CUAL se respalda pelas práticas e ações do coletivo, cujas produções independentes são realizadas cooperativamente, através de dinâmicas colaborativas e adaptadas às suas práticas coletivas, configurando alternativa eficaz enquanto modelo produtivo independente que pensa nas razões de se fazer cinema, como fazê-lo, e para quem.

CINEMA E VÍDEO DIGITAL

Diante dos cenários de constantes inovações tecnológicas e formais, e das realidades produtivas e materiais de cinema e audiovisual na Bahia (e de forma geral), o CUAL atua criando formas alternativas de produção que implicam em diferentes tipos de abordagem: produzem desde filmes gofada, isto é, filmes urgentes filmados de um fôlego, como diz Marcus Curvêlo, realizador de “Amém”, curta que participou de Mostra Competitiva Baiana no VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, até filmes que exigem estrutura técnica e processos de produção com exigências mais elaboradas, e que demandam mais tempo e maiores esforços do coletivo.

Ramón Coutinho e Marcus Curvêlo (foto: Bahiadoc)

“O CUAL nem teria esse nome”, diz Ramón, referindo-se às possibilidades urgentes do vídeo digital, que se refletem na linguagem, no modo de concepção e prática dos projetos e, claro, na viabilidade financeira das realizações. O coletivo comenta a aura do 35mm, que tantas vezes reflete disputas de poder, pensando sobre as relações cinematográficas entre linguagem e suporte, sem desmerecer de nehuma maneira as grandes produções. Ideias perigosas para uns, estimulantes para outros – essenciais, certamente, para o Cinema.

Essas e outras discussões surgiram nas gravações do terceiro webdoc, desta vez com a participação do CUAL, que será publicado em 1 de dezembro no espaço do Canal Bahiadoc.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Confira o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc

O Bahiadoc publicou o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc, que trará uma série de seis webdocs com a participação de realizadores do cenário independente de audiovisual na Bahia.

O primeiro vídeo da série traz conversas com os realizadores Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosário, Sophia Mídian e Felipe Kowalczuk, cineastas que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia. A ideia é discutir a importância de programas públicos de incentivo à produção e à difusão independentes, abrangendo temas ligados à prática do documento audiovisual e à linguagem cinematográfica, e conteibuir para o debate sobre acesso aos bens culturais e, claro, sobre os temas abordados por cada realizador para o DOCTV, sempre de relevância social e cultural.

Assista o vídeo (24min, HD), comente, participe do debate e difunda nas redes. O Bahiadoc agradece!

Acesse na página do Canal para obter todas as informações sobre o projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O projeto Canal Bahiadoc é realizado pelo Bahiadoc – arte documento, com o apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Demanda Espontânea 2011.

editorial: Bahiadoc – arte documento movimento

Competição é quando todos perdem para alguém ganhar. Colaboração é quando todos ganham para ninguém perder!

“Arrastão (Itapuã)”, 1946, de Pierre Verger

O Bahiadoc – arte documento surge com o olhar voltado para o aspecto documental das artes visuais, com atenção às suas manifestações éticas e estéticas em linguagens e suportes audiovisuais.

Consideramos que toda expressão que se converte em realização audiovisual exige e contempla as escolhas éticas e estéticas de seus autores, e que o processo mesmo de feitura da obra audiovisual constitui em si um documento que revela, de modos diversos, as suas condições de produção em vários níveis, reflete a relação do espírito da época com o autor e faz emergir subjetividades e intimismos cujo escopo é a comunicação diegética – audiovisual – com um público virtual.

Perante tais dimensões documentais da obra audiovisual, inferimos a forte presença do sentido comum: é aí que o artista se vê como agente imaginativo do real e alcança a sua estatura Política. Como artistas, talvez, não necessitamos intervir nos assuntos de nossos tempos. Mas como seres humanos sim. As legiões de perseguidos que cobrem o mundo, sobretudo se olharmos de nossa rica (nossa riquíssima escassez) e complexa conjuntura histórico-social (sim, brasileiros nordestinos da Bahia), necessitam, e nós próprios necessitamos, das vozes e expressões de quantos possam falar, e que não nos apartemos, mas nos juntemos, e supramos juntos os momentos de silêncios injustos.

Acende-se aí a ideia de alçar o Bahiadoc ao plano de um movimento:

Filmar (registrar) sem a necessidade imperativa de uma estrutura cinematográfica industrial, pensando o cinema como linguagem, não como suporte. Realizar o cinema que atua ao lado do cotidiano, a partir de versões alternativas e também subjetivas da história e de uma visão orgânica da Política, sem que se sacrifique a natureza artística da ação. Não se trata de transpor a arte para qualquer predicação social, mas sim de afirmar a importância absoluta do artista que intervém enquanto ser humano, o ser cultural, e tudo isto constitui e interfere na linguagem artística. Os valores criativos jamais separam-se dos valores humanos.

O tempo dos artistas passivos acabou. Aceitando com entusiasmo o perigo de sua própria vocação, o artista destes novos tempos deve abrir prisões, ser porta-voz das desgraças e das felicidades de toda gente. “Nenhum artista tolera o real”, disse Nietzsche, com razão – porém, nenhum artista pode prescindir do real. – E a realidade, como diria o escritor argentino Jorge Luís Borges, “é o que nos foi revelado”. E quem é este que nos revela? Não somos nós realizadores, em alguma medida, reveladores de realidades?

Políticas públicas de fomento à Cultura devem ocupar o seu importante lugar social, mas antes de eleger esta causa como um fim, é fundamental para o artista identificar seus próprios meios. Cinema e vídeo de baixo custo e alta qualidade, seja como for, calcado na vontade de fazer, no enfrentamento dos desafios, no encantamento da beleza, no esforço criativo desinteressado, na atitude colaborativa e na inventividade do cotidiano – eis o movimento que o Bahiadoc – arte documento quer ver acontecer – de dentro! Somos um processo…