“Muros” ganha o prêmio de melhor filme pelo Júri do V FECIBA

MUROS 4
frame de “Muros”

Muros“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos (criadores do Bahiadoc), ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri na Mostra Competitiva de Curtas do V FECIBA – quinta edição do Festival de Cinema Baiano, que aconteceu em Ilhéus, de 07 a 13 de junho, no Cine Santa Clara. Este ano o júri foi composto por Edgard Navarro, Marialva Monteiro e Esmon Primo. O curta “Menino da Gamboa”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, foi escolhido melhor filme pelo público. Confira no site do Feciba todos os vencedores do Troféu FECIBA nas diversas categorias da Mostra Competitiva de Curtas: [ir para o site].

Com a participação do fotógrafo Rogério Ferrari, que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, Cisjordânia e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, o filme une cinema e fotografia, Palestina e Brasil. Rogério é baiano, natural de Ipiaú. Há anos, retrata a luta por terra e autodeterminação de alguns povos pelo mundo, refletindo o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense; Curdos, na Turquia; zapatistas, no México; Saharauís no norte da África, entre outros.

No filme, os diretores acompanham o fotógrafo durante as filmagens nos bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, para construir uma crônica sobre a impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras nos aspectos urbanísticos e arquitetônicos. O curta põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, ritmando fotografia e cinema.

Muros, realização do Bahiadoc, é dirigido por Camele Queiroz (também editora e finalizadora) e Fabricio Ramos (que dirige também a Fotografia), tem produção de Juliana Freire, Som direto e finalização de áudio de Haydson Oliveira, segunda câmera de Ramon Coutinho. O curta teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através de edital público realizado em 2013 pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, através da Funceb.

Curtas “Muros” e “As Cruzes e os Credos” no FECIBA 2015, em Ilhéus

Captura de Tela 2015-06-03 às 13.30.52A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano exibe dois filmes que trazem o selo do Bahiadoc, ambos dirigidos por Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

MUROS

Exibição: 12 de junho (sexta). 10h e 17:30h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Muros leveMuros (2015), que participa da Mostra Competitiva, a precariedade urbana e arquitetônica de favelas brasileiras é colocada em questão por Rogério Ferrari, fotógrafo que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e em campos de refugiados. O filme reflete sobre realidades sociais, históricas e culturais através do encontro entre Fotografia, Cinema e moradores de bairros periféricos de Salvador. O filme teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura da Bahia, contemplado em edital público Setorial de Audiovisual de 2013, realizado pela Funceb.

Blog do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

AS CRUZES E OS CREDOS

Exibição: 8 de junho (segunda). 17h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Cruzes 300dpi JPG_10_8As Cruzes e os Credos (2014) participa da Mostra Bahia Adentro. O curta mostra um encontro com o mistério e a fé a partir das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e de um bispo (Pai Pedro e Dom Tepe, ambos de Ilhéus), refletindo as imbricações entre catolicismo e candomblé. O filme foi viabilizado através de financiamento coletivo nas redes sociais e participou de Festivais Internacionais, como a Mostra Oficial do Fenavid – Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolivia 2014; e a Mostra Oficial do I Somos Afro, Festival Virtual de Curtas sediado na Colômbia.

Blog do curta: https://ascruzeseoscredos.wordpress.com

O FECIBA

A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano – Será realizado entre os dias 07 e 13 de junho no Cine Santa Clara, em Ilhéus-BA. O Festival promove uma programação variada, composta por mostras de filmes, homenagens, premiação, oficinas de formação para o audiovisual e workshops, além de promover o encontro entre os realizadores e o público, através de bate-papos presenciais e on-line. Saiba mais no site do Festival.

TRAILER “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Trailer do registro “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Em setembro de 2013, vaqueiros de diferentes regiões do sertão nordestino viajaram a Brasília para acompanhar, no Plenário do Senado Federal, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. O registro, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, é uma memória da viagem.

Brasil l HD l Cor l 2013

Realização:
Bahiadoc – arte documento

Carlos Pronzato participa do quarto webdoc do Canal

O quarto webdoc do Canal Bahiadoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, documentarista argentino, “pero tentando ser baiano há 23 anos”, como ele próprio diz. Gravamos a conversa na Casa de Cinema da Bahia. Em breve o webdoc estará disponível em nossas redes, dando continuidade aos trabalhos do Canal, projeto que realiza uma série de seis webdocs, com vinte minutos de duração cada, que trazem conversas com realizadores independentes de cinema e audiovisual que atuam na Bahia.

Captura de tela 2013-06-09 às 21.58.42
Carlos Pronzato fala ao Bahiadoc

Sem deixar de atuar como diretor teatral, escritor e poeta, Pronzato realizou vários documentários cujas temáticas se relacionam estreitamente com as lutas sociais e os contextos políticos do Brasil e da Bahia, e também da América Latina, transitando entre o vídeoativismo e o documentário histórico e cultural, sempre a partir de um recorte de amplo olhar político.

Subvertendo a lógica dominante de distribuição audiovisual (por necessidade e pela característica de seu trabalho), Pronzato alcança um público vasto, porém não catalogado apenas em salas de cinema (costuma ele mesmo vender seus filmes em DVD, além de, em várias ocasiões e lugares, encontrar ou tomar conhecimento da difusão de seus trabalhos). O seu cinema autogestionado, embora lhe traga, por um lado, diversas dificuldades estruturais, lhe possibilita, por outro, plena liberdade na escolha e abordagem de seus temas, além de tornar possível uma dinâmica de produção ágil e diferenciada.

Na conversa com o Bahiadoc, Pronzato falou de sua trajetória, sua íntima relação com a América Latina e suas viagens e experiências pelo continente, as dificuldades que enfrenta ao fazer cinema, comentou acerca da sua militância com vistas à permanente transformação política e social frente às injustiças todas, e sobre a sua relação com a Poesia e a Arte, dimensões que já não separa de sua ação política.

Captura de tela 2013-06-09 às 23.01.31Pronzato realizou, ao longo de vários anos, diversos documentários, entre os quais “A Revolta do Buzu” e “Maio Baiano“, documentários que mostram manifestações de protesto que marcaram Salvador; documentários que tratam sobre a questão social da moradia, como “Pinheirinho – tiraram minha casa, tiraram minha vida” (Pronzato também finaliza este ano dois documentários sobre a luta organizada do Movimento dos Sem Teto); e documentários históricos, como “Carabina M2 – uma arma americana“, que revisita, através de entrevistas com figuras importantes da época, a captura e assassinato de Che Guevara na Bolívia; e “Carlos Marighella – quem samba fica, quem não samba vai embora“, que enfatiza principalmente o período da luta armada de resistência à Ditadura Militar, de 1964 até a morte de Marighella, em dezembro de 1969. Muitos outros trabalhos são listados no Blog do cineasta, com sinopse e outras informações.

Assista os três primeiros webdocs com realizadores baianos, já publicados no espaço do Canal Bahiadoc: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

No ar o terceiro webdoc do Canal Bahiadoc: conversa com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual

Assista na íntegra o terceiro webdoc (os dois primeiros webdocs podem ser acessados no Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc)

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual (sítio do CUAL), que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

Na conversa, o CUAL comenta acerca das possibilidades urgentes do vídeo digital, sobre a política dos meios cinematográficos e sobre experiências de linguagem e estética em suas produções. O vídeo propõe uma aproximação com o CUAL, cujas práticas coletivas têm suscitado – a partir de seus resultados – novos rumos nos debates sobre fazer cinema na Bahia.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual – participa do terceiro webdoc do Canal Bahiadoc

“precisamos de mais filmes e menos lamentações”

Ramón, Luan, Marcus e Chico – integrantes do CUAL, durante as gravações para o Canal Bahiadoc

ATUALIZAÇÃO em 16/11: o webdoc com a participação do CUAL já está no ar: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, que pensa o cinema realizando filmes a partir de uma dinâmica de cooperação, que abrange desde a concepção do roteiro até à exibição dos filmes nas mostras abertas CUAL, passando pela realização de debates sobre contextos diversos que relacionam cinema e política, e realizando oficinas de audiovisual, inclusive no interior do Estado, ampliando as experiências para além do próprio grupo.

Produzindo filmes num ritmo intenso, o CUAL dá o recado: “precisamos de mais filmes e menos lamentações”, sem ignorar os enormes desafios de se fazer cinema na Bahia e no Brasil, e assumindo a responsabilidade de enfrentar as complexas questões que o Cinema engendra, seja enquanto arte com suas dimensões estéticas e referências de linguagem, seja enquanto política, com a luta do cinema pela conquista de espaços simbólicos e reais, seja na Cultura, implicando em visões de mundo e expressão, seja na Economia, abarcando os modelos de produção e distribuição, e a viabilidade mesma de se fazer filmes que possam ser vistos.

O discurso do CUAL se respalda pelas práticas e ações do coletivo, cujas produções independentes são realizadas cooperativamente, através de dinâmicas colaborativas e adaptadas às suas práticas coletivas, configurando alternativa eficaz enquanto modelo produtivo independente que pensa nas razões de se fazer cinema, como fazê-lo, e para quem.

CINEMA E VÍDEO DIGITAL

Diante dos cenários de constantes inovações tecnológicas e formais, e das realidades produtivas e materiais de cinema e audiovisual na Bahia (e de forma geral), o CUAL atua criando formas alternativas de produção que implicam em diferentes tipos de abordagem: produzem desde filmes gofada, isto é, filmes urgentes filmados de um fôlego, como diz Marcus Curvêlo, realizador de “Amém”, curta que participou de Mostra Competitiva Baiana no VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, até filmes que exigem estrutura técnica e processos de produção com exigências mais elaboradas, e que demandam mais tempo e maiores esforços do coletivo.

Ramón Coutinho e Marcus Curvêlo (foto: Bahiadoc)

“O CUAL nem teria esse nome”, diz Ramón, referindo-se às possibilidades urgentes do vídeo digital, que se refletem na linguagem, no modo de concepção e prática dos projetos e, claro, na viabilidade financeira das realizações. O coletivo comenta a aura do 35mm, que tantas vezes reflete disputas de poder, pensando sobre as relações cinematográficas entre linguagem e suporte, sem desmerecer de nehuma maneira as grandes produções. Ideias perigosas para uns, estimulantes para outros – essenciais, certamente, para o Cinema.

Essas e outras discussões surgiram nas gravações do terceiro webdoc, desta vez com a participação do CUAL, que será publicado em 1 de dezembro no espaço do Canal Bahiadoc.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Projeto Canal Bahiadoc grava novo ciclo de conversas com realizadores baianos

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos, neste mês de julho, com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente nos enviou seu depoimento em vídeo) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs que é: conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia. O escopo central do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. Desta vez as gravações aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações de cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história em Salvador.

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o filme Álbum de Família, um corajoso e desafiador processo de aproximação entre um filho e um pai, sendo o filho o próprio cineasta.

Wallace Nogueira, de “Album de Família”. (Foto: Bahiadoc).

O documentário trata, portanto, da inquietude de um filho (o próprio Wallace) diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Rodado nas estradas da Chapada Diamantina, Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar da dimensão institucional da família e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo.

Wallace comentou sobre os desafios Éticos que envolvem um projeto desse tipo, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização de Álbum de Família deixou em seus trabalhos posteriores.

Mônica Simões realizou o filme Negros em 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000

Mônica Simões, de “Negros”. (Frame do vídeo).

O roteiro de Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.

Mônica, que está em São Paulo, gravou gentilmente o seu depoimento em vídeo e enviou ao Bahiadoc. Nele, a cineasta fala do seu trabalho, da sua relação com a produção de caráter documental e sobre questões de acesso aos bens culturais.

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

Isana Pontes, de “As cores da caatinga” (foto: Bahiadoc)

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

CANAL BAHIADOC

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal Bahiadoc. Este segundo vídeo será publicado na primeira semana de setembro, no espaço online do Canal, onde já foi publicado o primeiro (e há informações completas sobre o projeto): http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova pelo espaço. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Entrevista sobre o documentário “hera”

Reproduzimos a entrevista que os realizadores do documentário “hera” (2012) – Camele Queiroz e Fabricio Ramos – produzido pelo Bahiadoc, concederam a pedido do jornalista Antonio Nelson, do blog Sentinelas da Liberdade. Publicada originalmente em 28 de fevereiro deste ano, às vésperas da exibição especial no ICBA, a entrevista esclarece as motivações dos realizadores e comenta a experiência de fazer o documentário e reflete sobre educação. O documentário “hera” está disponível online na íntegra: no blog do projeto pode-se obter todas as informações e mesmo obter o DVD, para quem preferir: hera.bahiadoc.com.br

Por Antonio Nelson, em Sentinelas da Liberdade:

Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors.  A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!

Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?

Fabrício Ramos Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.

Camele Lyra Queiroz
Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.

A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?

F.R Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.

C.L.Q Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.

Excerto do documentário “hera”: o poeta Antônio Brasileiro critica o capitalismo e comenta sobre consumismo e o atual momento político do Brasil.

A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?

F.R Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.

C.L.Q A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.

A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?

F.R Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos,  do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.

C.L.Q A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Realizadores conversam com o artista plástico e poeta Juraci Dórea, que integrou o grupo Hera. Foto: Wagner Pyter.

A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?

F.R As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente  faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.

C.L.QSerá uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.

Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.

FICHA TÉCNICA:

“hera” (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário – cor – 1h23min – 2012 – HD–
*Antonio Nelson – www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com

Confira o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc

O Bahiadoc publicou o primeiro vídeo do projeto Canal Bahiadoc, que trará uma série de seis webdocs com a participação de realizadores do cenário independente de audiovisual na Bahia.

O primeiro vídeo da série traz conversas com os realizadores Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosário, Sophia Mídian e Felipe Kowalczuk, cineastas que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia. A ideia é discutir a importância de programas públicos de incentivo à produção e à difusão independentes, abrangendo temas ligados à prática do documento audiovisual e à linguagem cinematográfica, e conteibuir para o debate sobre acesso aos bens culturais e, claro, sobre os temas abordados por cada realizador para o DOCTV, sempre de relevância social e cultural.

Assista o vídeo (24min, HD), comente, participe do debate e difunda nas redes. O Bahiadoc agradece!

Acesse na página do Canal para obter todas as informações sobre o projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O projeto Canal Bahiadoc é realizado pelo Bahiadoc – arte documento, com o apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Demanda Espontânea 2011.