Canal Bahiadoc completa a série de seis webdocs que trazem conversas com cineastas baianos

Canal Cartaz FinalAo longo de um ano e meio, realizamos o Canal Bahiadoc, série de seis webdocs com a participação de cineastas baianos que realizaram filmes e vídeos ligados ao campo de não-ficção na Bahia.

O nosso objetivo foi, de forma introdutória, contribuir em algum grau para o debate e a difusão em torno das obras desses cineastas independentes e de contextos do cenário audiovisual e cinematográfico da Bahia.

O Canal teve o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público (Demanda Espontânea 2011), e é uma realização de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, através do Bahiadoc – arte documento, iniciativa independente que quer discutir a prática do documento e contribuir para a formação de espaços reais e virtuais que dinamizem a interação entre novos agentes criativos na Bahia.

Os realizadores do Canal agradecem a todos os cineastas que participaram, e a todos que acompanharam, assistiram e difundiram os webdocs pelas rede.

Sabemos que há muitos outros cineastas, videomakers e artistas do audiovisual realizando trabalhos de relevância para a nossa memória cultural e artística. Quem sabe, novas edições virão para conversar com ainda mais gente – será esse o nosso esforço.

Todos os webdocs e as informações sobre o Canal Bahiadoc estão acessíveis no sítio do projeto. Acessem, difundam, critiquem, em:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

SOBRE OS WEBDOCS:

1 e 2. Os dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador. Participaram do primeiro: Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosario, Sophia Mídian Bagues e Felipe Kowalczuk. Do segundo, participaram: Wallace Nogueira, Mônica Simões e Isana Pontes.

3. O terceiro webdoc traz um encontro com o Cual Coletivo UrgentedeAudiovisual, que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

4. O quarto webdoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, profícuo documentarisa que aborda temas sociais e históricos, além de atuar como videoativista.

5. O quinto webdoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas.

6. E o sexto webdoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Lembrando, todos os webdocs podem ser acessados no sítio do projeto:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

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No ar o sexto webdoc do Canal, com Henrique Dantas

Desta vez, conversamos com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica. A conversa que gravamos reflete a personalidade inquieta do cineasta, que fala sobre cinema – o seu cinema, o cinema na Bahia, o cinema como arte e como política.

Henrique Dantas atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme.

Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política, por parte da Ditadura Militar no Brasil, contra Olney São Paulo, a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique finalizou Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

O vídeo é o sexto e último webdoc do projeto Canal Bahiadoc, que traz conversas com realizadores baianos. Os webdocs anteriores e mais informações sobre o projeto podem ser acessados no site: https://bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Henrique Dantas participa do sexto webdoc do Canal Bahiadoc

Nos próximos dias, publicaremos o sexto webdoc do Canal Bahiadoc, desta vez com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Captura de tela 2013-12-10 às 17.57.21Henrique Dantas é inquieto e perspicaz – percebemos isso nos primeiros instantes da conversa que aconteceu em sua casa. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe.

Filhos de João levou 11 anos para ficar pronto, tempo que revela o quanto fazer cinema na Bahia (ou em qualquer região fora do eixo) exige compromisso e persistência, como enfatiza o próprio Henrique. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme. O Admirável Mundo Novo Baiano perpassa toda a cultura urbana do underground baiano ao longo dos últimos quarenta anos.

Depois, Henrique passou a se dedicar ao resgate da importância do cineasta Olney São Paulo – a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro” – no cenário do cinema e da política no Brasil, propondo reflexões críticas com sensibilidade estética e apropriações de diferentes linguagens artísticas em suas realizações.

Captura de Tela 2013-12-10 às 20.49.42Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política contra Olney, por parte da Ditadura Militar. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique realiza Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Sinais de Cinza percorre agora festivais, tendo participado do Festival do Rio e do Festival de Havana.

Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

Henrique fala com firmeza e ao mesmo tempo com serenidade. “Para falar de meu trabalho eu preciso falar de mim”, diz, revelando o pertencimento pleno que o conduz na escolha de seus temas e na realização de suas obras. A conversa que gravamos será publicada em breve, no sexto webdoc do Canal. Acompanhe as nossas redes no Facebook e Twitter.

Antônio Olavo no quinto webdoc do Canal Bahiadoc

O quinto webdoc do nosso Canal traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas

Numa manhã de chuva e de sol, conversamos com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia.

Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

Na postagem anterior (leia aqui) traçamos um resumo da história do cineasta.

O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Canal Bahiadoc conversa com o cineasta baiano Antônio Olavo

[ATUALIZAÇÃO: em 1/9/2013: O quinto webdoc já está no ar. Acesse: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc]

O quinto webdoc da série do projeto Canal Bahiadoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas. 

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Antônio Olavo — (foto: Bahiadoc)

O webdoc, de 30 minutos, será publicado em breve e difundido em nossas redes. Enquanto isso, leia sobre os temas que tratamos e conheça um pouco da trajetória do cineasta baiano que segue lutando em frentes amplas que vão de nosso universo político, cultural e histórico, através de suas obras, ao lugar do cinema frente a sociedade e às políticas públicas.

Em 1975, o cineasta Antônio Olavo, ao mesmo tempo em que iniciava os estudos universitários, participava de um curso de Cinema com Guido Araújo. Como estagiário, participou da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”, filme dirigido por Bruno Barreto, cuja produção acontecia naquele ano no Pelourinho. Depois de outras inserções profissionais em produções de filmes, Olavo se tornou fotógrafo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC, trabalho que o levou à região do sertão de Canudos, em 1982. Em Monte Santo, encantou-se com a história da Guerra de Canudos, que ele conheceu a partir do “relato oral dos filhos e netos dos conselheiristas”, diz Olavo, lembrando que o conhecimento da literatura sobre Canudos só lhe veio depois dessa vivência.

Desde então Olavo se apaixonou pela história de Canudos, e decidiu realizar um documentário que abordasse o tema de forma ampla e aprofundada. Depois de quatro anos dedicado à pesquisa e à produção do filme, lança, em 1993, o documentário “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos”, longa que reúne depoimentos de parentes de Antônio Conselheiro, contemporâneos da guerra, historiadores, religiosos e militares. O filme vem desenvolvendo uma importante carreira através de exibições, geralmente seguidas de debates, em universidades, escolas e associações de bairros, e também em mostras de filmes no Brasil e no exterior, alcançando – neste circuito alternativo de exibição – um público vasto e diversificado.

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[foto: Bahiadoc]

A trajetória de Antônio Olavo, que reflete a sua formação política, o levou a escolher o documentário como forma de expressão autoral e como dispositivo para registrar e refletir sobre temas ligados à memória social. Depois de Canudos, dedicou-se ao registro de temas relacionados à Cultura Negra, realizando o filme “Quilombos da Bahia”, finalizado em 2004, que, percorrendo mais de 12 mil quilômetros pelo interior da Bahia, visita centenas de comunidades negras, filmando em 69 localidades quilombolas histórias de cada vilarejo. O resultado é um documento audiovisual que valoriza a memória negra na Bahia e cujo processo de filmagem revelou tal riqueza de experiências que o cineasta teve que abandonar o roteiro cuidadosamente elaborado ao longo de três anos de pesquisa, e ampliar as possibilidades de registro de acordo com as realidades que se apresentavam. Importante ressaltar que, tal como aponta Olavo, “o filme rasgou o véu que cobria as comunidades quilombolas na Bahia”, contribuindo, inclusive, para revelar e mapear essas comunidades, o que favoreceu depois a implementação de políticas públicas básicas nessas localidades. O cinema, através do “Quilombos da Bahia”, chegou em tais localidades antes da institucionalidade governamental.

Antônio Olavo é responsável ainda por dois projetos que abordam temas alicerçados nas vivências do povo negro, nas lutas sociais e históricas. Realizou, em 2008, o documentário “Abdias Nascimento: Memória Negra”, que refaz a trajetória do histórico militante, considerado um ícone da cultura negra, cuja obra e atuação política são essenciais para a compreensão do lugar do negro na sociedade brasileira. Atualmente, o cineasta trabalha para concluir o projeto “Revolta dos Búzios”, sobre o movimento emancipacionista que emergiu na Bahia no fim do século XVIII, e que, diferentemente da Inconfidência Mineira, se revestiu de caráter popular, sendo conhecida também como Revolta dos Alfaiates.

Entretanto, o cineasta nunca se afastou da sua paixão pelo tema da guerra e história de Canudos. Prepara o documentário “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam”, que busca histórias de sobreviventes da guerra, desconstruindo o mito de que todos os guerrilheiros de Canudos foram mortos nos enfrentamentos com as tropas do Governo Federal, ainda que tenha sido um dos episódios mais sangrentos da história das revoltas populares brasileiras.

Captura de tela 2013-03-11 às 11.13.29O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal Bahiadoc. Acesse.

No ar o IV webdoc do Canal: conversa com Carlos Pronzato

No webdoc, o cineasta comenta sobre as suas motivações, seus métodos e sobre contextos do audiovisual na Bahia.

O quarto webdoc do Canal Bahiadoc traz uma conversa com Carlos Pronzato. Diretor teatral, escritor e poeta, Pronzato realizou vários documentários cujas temáticas se relacionam estreitamente com as lutas sociais e os contextos políticos do Brasil e da Bahia, e também da América Latina, transitando entre o vídeoativismo e o documentário histórico e cultural, sempre a partir de um recorte de amplo olhar político.

Subvertendo a lógica dominante de distribuição audiovisual (por necessidade e pela característica de seu trabalho), Pronzato alcança um público vasto, porém não catalogado apenas em salas de cinema (costuma ele mesmo vender seus filmes em DVD, além de, em várias ocasiões e lugares, encontrar ou tomar conhecimento da difusão de seus trabalhos). O seu cinema autogestionado, embora lhe traga, por um lado, diversas dificuldades estruturais, lhe possibilita, por outro, plena liberdade na escolha e abordagem de seus temas, além de tornar possível uma dinâmica de produção ágil e diferenciada.

No espaço do Canal Bahiadoc pode-se acessar os webdocs anteriores e saber mais sobre o projeto: www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Carlos Pronzato participa do quarto webdoc do Canal

O quarto webdoc do Canal Bahiadoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, documentarista argentino, “pero tentando ser baiano há 23 anos”, como ele próprio diz. Gravamos a conversa na Casa de Cinema da Bahia. Em breve o webdoc estará disponível em nossas redes, dando continuidade aos trabalhos do Canal, projeto que realiza uma série de seis webdocs, com vinte minutos de duração cada, que trazem conversas com realizadores independentes de cinema e audiovisual que atuam na Bahia.

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Carlos Pronzato fala ao Bahiadoc

Sem deixar de atuar como diretor teatral, escritor e poeta, Pronzato realizou vários documentários cujas temáticas se relacionam estreitamente com as lutas sociais e os contextos políticos do Brasil e da Bahia, e também da América Latina, transitando entre o vídeoativismo e o documentário histórico e cultural, sempre a partir de um recorte de amplo olhar político.

Subvertendo a lógica dominante de distribuição audiovisual (por necessidade e pela característica de seu trabalho), Pronzato alcança um público vasto, porém não catalogado apenas em salas de cinema (costuma ele mesmo vender seus filmes em DVD, além de, em várias ocasiões e lugares, encontrar ou tomar conhecimento da difusão de seus trabalhos). O seu cinema autogestionado, embora lhe traga, por um lado, diversas dificuldades estruturais, lhe possibilita, por outro, plena liberdade na escolha e abordagem de seus temas, além de tornar possível uma dinâmica de produção ágil e diferenciada.

Na conversa com o Bahiadoc, Pronzato falou de sua trajetória, sua íntima relação com a América Latina e suas viagens e experiências pelo continente, as dificuldades que enfrenta ao fazer cinema, comentou acerca da sua militância com vistas à permanente transformação política e social frente às injustiças todas, e sobre a sua relação com a Poesia e a Arte, dimensões que já não separa de sua ação política.

Captura de tela 2013-06-09 às 23.01.31Pronzato realizou, ao longo de vários anos, diversos documentários, entre os quais “A Revolta do Buzu” e “Maio Baiano“, documentários que mostram manifestações de protesto que marcaram Salvador; documentários que tratam sobre a questão social da moradia, como “Pinheirinho – tiraram minha casa, tiraram minha vida” (Pronzato também finaliza este ano dois documentários sobre a luta organizada do Movimento dos Sem Teto); e documentários históricos, como “Carabina M2 – uma arma americana“, que revisita, através de entrevistas com figuras importantes da época, a captura e assassinato de Che Guevara na Bolívia; e “Carlos Marighella – quem samba fica, quem não samba vai embora“, que enfatiza principalmente o período da luta armada de resistência à Ditadura Militar, de 1964 até a morte de Marighella, em dezembro de 1969. Muitos outros trabalhos são listados no Blog do cineasta, com sinopse e outras informações.

Assista os três primeiros webdocs com realizadores baianos, já publicados no espaço do Canal Bahiadoc: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Desafios do Bahiadoc – arte documento: partilhando perspectivas

O que é e o que quer o Bahiadoc - arte documento?

Ao mesmo tempo em que partilhamos as nossas perspectivas para este ano de 2013, nós lembramos as ações que concretizamos até aqui, num ávido processo de construção e de luta a caminho da consolidação de mais um espaço que valoriza o campo do audiovisual na Bahia através das redes e das potencialidades da Cultura Digital.

O BAHIADOC

BAHIA-DOCO Bahiadoc – arte documento é uma iniciativa online, cuja plataforma foi lançada em julho de 2011. Coordenado por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizadores independentes e agentes culturais, o Bahiadoc tem como principal objetivo a promoção de novos espaços de articulação, informação, discussão e reflexão sobre o cenário audiovisual contemporâneo na Bahia, com ênfase em realizações e contextos relacionados ao campo de não-ficção e videoarte.

Num mundo regido pela insaciabilidade do olho, que torna imperativo o pensamento e o debate crítico sobre uma “nova ética do ver”, queremos discutir a prática do documento e as questões que a experiência audiovisual documental na Bahia instaura em sua prática e história. Valorizamos, portanto, as realizações de artistas e cineastas baianos (ou que atuam e vivem na Bahia) e – através de suas obras – buscamos pensar as relações entre o artístico e o documental, entre o Belo e o Verdadeiro, entre a História e as visões de mundo autorais.

Aliás, a nossa ideia de valorizar o campo de não ficção na Bahia centra-se na perspectiva de que a produção documental de um lugar acaba por constituir um processo social de produção de sentido: interpretações fragmentárias do mundo que podem conter expectativas de descentramento da totalidade e de relativização das representações dominantes. Pesquisar, informar e difundir – priorizando a lógica do acesso às obras – as realizações que revelam diversos aspectos que compõem diferentes realidades na Bahia e relacionam tais realidades locais àquelas outras de todas as partes e todas as épocas, é trabalho que coopera para o conhecimento e para a autovalorização de nossa cultura e de nossa arte.

O Bahiadoc, entretanto, encontra-se em processo de consolidação e muitos ajustes e melhoramentos deverão ser implementados assim que possível. Por exemplo, a reestruturação da arquitetura da informação e o aprimoramento da interface gráfica do ambiente da Comunidade e do Fórum (já existentes, porém com funcionalidades limitadas), favorecerá o crescimento do número de usuários e o aumento qualitativo das participações, e fortalecerá as interações entre os colaboradores que participam do sítio, gerando novos espaços de articulação em rede voltados para diversos agentes que se relacionam com o campo audiovisual.

São esses os nossos desafios para 2013, juntamente com a criação e realização de novos projetos documentais e artísiticos. Estabelecer parcerias com cineclubes da bahia para trocas e ações conjuntas; articular projetos com coletivos e grupos de realizadores; ampliar os nossos bancos de dados para auxiliar pesquisas sobre audiovisual na Bahia; e fomentar e fortalecer interações entre a gente que faz audiovisual, formando redes e estabelecendo meios de efetiva e ampla interação. Estamos trabalhando para realizar essas ideias. Avante!

O BAHIADOC EM 2012

O Bahiadoc iniciou as suas ações lançando o sítio online em julho de 2011, a partir do apoio da Funarte. Depois, através do apoio do Fundo de Cultura da Bahia, passamos a produzir o Canal Bahiadoc. Em 2012, realizamos o documentário “hera”, produção independente que traz conversas com seis poetas baianos do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional.

CANAL BAHIADOC

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O Canal Bahiadoc realiza uma série de 06 (seis) vídeos para difusão via internet, produzidos com regularidade trimestral, com temáticas ligadas às artes visuais na Bahia que se relacionam com o campo da não-ficção e com a cena independente.
O dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador.

Assista o terceiro webdoc:

O terceiro webdoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo de jovens cineastas que ousam dinamizar novos processos de produção para viabilizar suas produções coletivas que marcam presença em vários festivais, conquistando prêmios e promovendo ações de formação e discussão sobre cinema e vídeo na Bahia.

DOCUMENTÁRIO HERA

Captura de tela 2013-03-02 às 00.54.01Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas. O doc “hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Trailer do doc:

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendar os poetas nem conformar biografias, mas antes se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012. Em setembro de 2012, o doc “hera” foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, a convite do Aberto CUCA 2012.

Este é o blog do Bahiadoc. O sítio principal do Bahiadoc é: http://www.bahiadoc.com.br

O sítio especial do projeto Canal Bahiadoc, no qual se pode acessar todos os webdocs produzidos até aqui, é: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Todas as informações sobre o documentário “hera”, incluindo o acesso ao doc na íntegra online, a ficha técnica e meios de aquisição, estão no sítio especial do “hera”, em: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

No ar o terceiro webdoc do Canal Bahiadoc: conversa com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual

Assista na íntegra o terceiro webdoc (os dois primeiros webdocs podem ser acessados no Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc)

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual (sítio do CUAL), que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

Na conversa, o CUAL comenta acerca das possibilidades urgentes do vídeo digital, sobre a política dos meios cinematográficos e sobre experiências de linguagem e estética em suas produções. O vídeo propõe uma aproximação com o CUAL, cujas práticas coletivas têm suscitado – a partir de seus resultados – novos rumos nos debates sobre fazer cinema na Bahia.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual – participa do terceiro webdoc do Canal Bahiadoc

“precisamos de mais filmes e menos lamentações”

Ramón, Luan, Marcus e Chico – integrantes do CUAL, durante as gravações para o Canal Bahiadoc

ATUALIZAÇÃO em 16/11: o webdoc com a participação do CUAL já está no ar: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, que pensa o cinema realizando filmes a partir de uma dinâmica de cooperação, que abrange desde a concepção do roteiro até à exibição dos filmes nas mostras abertas CUAL, passando pela realização de debates sobre contextos diversos que relacionam cinema e política, e realizando oficinas de audiovisual, inclusive no interior do Estado, ampliando as experiências para além do próprio grupo.

Produzindo filmes num ritmo intenso, o CUAL dá o recado: “precisamos de mais filmes e menos lamentações”, sem ignorar os enormes desafios de se fazer cinema na Bahia e no Brasil, e assumindo a responsabilidade de enfrentar as complexas questões que o Cinema engendra, seja enquanto arte com suas dimensões estéticas e referências de linguagem, seja enquanto política, com a luta do cinema pela conquista de espaços simbólicos e reais, seja na Cultura, implicando em visões de mundo e expressão, seja na Economia, abarcando os modelos de produção e distribuição, e a viabilidade mesma de se fazer filmes que possam ser vistos.

O discurso do CUAL se respalda pelas práticas e ações do coletivo, cujas produções independentes são realizadas cooperativamente, através de dinâmicas colaborativas e adaptadas às suas práticas coletivas, configurando alternativa eficaz enquanto modelo produtivo independente que pensa nas razões de se fazer cinema, como fazê-lo, e para quem.

CINEMA E VÍDEO DIGITAL

Diante dos cenários de constantes inovações tecnológicas e formais, e das realidades produtivas e materiais de cinema e audiovisual na Bahia (e de forma geral), o CUAL atua criando formas alternativas de produção que implicam em diferentes tipos de abordagem: produzem desde filmes gofada, isto é, filmes urgentes filmados de um fôlego, como diz Marcus Curvêlo, realizador de “Amém”, curta que participou de Mostra Competitiva Baiana no VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, até filmes que exigem estrutura técnica e processos de produção com exigências mais elaboradas, e que demandam mais tempo e maiores esforços do coletivo.

Ramón Coutinho e Marcus Curvêlo (foto: Bahiadoc)

“O CUAL nem teria esse nome”, diz Ramón, referindo-se às possibilidades urgentes do vídeo digital, que se refletem na linguagem, no modo de concepção e prática dos projetos e, claro, na viabilidade financeira das realizações. O coletivo comenta a aura do 35mm, que tantas vezes reflete disputas de poder, pensando sobre as relações cinematográficas entre linguagem e suporte, sem desmerecer de nehuma maneira as grandes produções. Ideias perigosas para uns, estimulantes para outros – essenciais, certamente, para o Cinema.

Essas e outras discussões surgiram nas gravações do terceiro webdoc, desta vez com a participação do CUAL, que será publicado em 1 de dezembro no espaço do Canal Bahiadoc.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc