Breve balanço do Cine Odé – Cinema no Terreiro

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Fotos das sessões do Cine Odé.

A Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro findou o seu ciclo, quem sabe, o primeiro de outros que virão. De janeiro até julho desse ano, a mostra realizou doze sessões no Terreiro de Odé, em Ilhéus, exibindo filmes diversificados: de clássicos de nossa cinematografia a vídeos descobertos pelos curadores Camele Queiroz e Fabricio Ramos em pesquisas no Youtube. Ficções e documentários, animações, curtas e longas, sempre filmes com temáticas que valorizam o conhecimento e a reflexão acerca das religiões de raízes africanas e indígenas. O Cinema foi ao Terreiro e tal experiência revelou um pouco de como o nosso cinema viu e vê a cultura dos Orixás e as religiões afroindígenas.

Em Breve, os realizadores do Cine Odé apresentarão um vídeo que, em 15 minutos, resume a experiência de seis meses da Mostra. Acompanhe em nossas redes: blog do Cine Odé em https://cineodeblog.wordpress.com/ e curta a página da Mostra no Facebook, para os usuários da rede social.

O Cine Odé – Cinema no Terreiro teve o apoio financeiro do FCBA – Fundo de Cultura da Bahia e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através de edital Público realizado em 2015.

Da curadora Camele Queiroz:

é uma riqueza promover o encontro do cinema com um público dele afastado por diversas razões, e ver esse público encontrar a arte num lugar em que está habituado a se relacionar com o sagrado, com as forças da natureza e com as divindades, e ao mesmo tempo ser um lugar de resistência e afirmação, e ver que a cada sessão esse público demonstra profunda identificação com a arte e a expressão cinematográfica, discutindo os filmes à luz de suas próprias experiências de vida e de Fé.

Agradecimentos especiais a Maria Marta Soares dos Santos, liderança cujo esforço e trabalho na luta pela memória de Pedro Faria de Souza, fundador do Terreiro de Odé, resgatou o Terreiro de uma grave situação de abandono e degradação. Agradecimentos também aos realizadores que disponibilizaram seus filmes para as exibições; ao público que compareceu às sessões; a todos que colaboraram de diferentes formas para a realização do projeto. Um salve aos convidados que participaram, tornando as conversas com o público ainda mais ricas. Obrigado aos convidados José Nazal, Lourival Pereira Piligra, Daniela Galdino, Michelle Raic Mansur, Karine Fênix, Mãe Carmosina, Makrisi e a todos os demais que compareceram. Os realizadores do Cine Odé agradecem também a Lu Leite, professora, pela hospitalidade e apoio!

Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.13Do coordenador da mostra e curador Fabricio Ramos:

Esperamos que o Cine Odé, dentro de seus limites, alcance nas pessoas que participarem o mesmo que alcança em nós: não somos adeptos de nenhuma religião, mas nos sentimos gratificados de conhecer e vivenciar, em alguma medida, a riqueza e os mistérios dessas tradições religiosas, que são vívidas, experienciais. Acreditamos que as pessoas não nascem para ser intolerantes e desrespeitosas. Como dizia Pasolini, se referindo aos jovens que se comportavam como fascistas:  “Talvez uma simples experiência diversa na sua vida, apenas um simples encontro, tivesse bastado para que seu destino fosse outro”. Acho que a arte, e o Cinema, são capazes de promover, de favorecer, esse encontro singelo e transformador. Se o Cine Odé tem algum papel, é esse: o de reconhecer o valor desses encontros e de apostar no cinema como um encontro.

Sete perguntas sobre a mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro

Leia a entrevista, feita por Felipe Ferreira para o site CinemAção, com os realizadores e curadores do Cine Odé – Cinema no Terreiro, Camele Queiroz e Fabricio Ramos.[Clique aqui para ler a entrevista]. A entrevista, publicada originalmente naquele site no dia 14 de abril de 2016, aborda as experiências de Fabricio e Camele com o Terreiro, reflete sobre a intolerância religiosa e outros temas ligados ao Cinema e mesmo à Política. As respostas foram elaboradas conjuntamente pelos curadores e enviadas ao site CinemAção por email.

Fotos das sessões ao longo dos seis meses de mostra (clique em cada conjunto de imagens para ampliá-lo):

Captura de Tela 2016-07-27 às 19.41.19 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.42.18 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.29 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.45 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.08Captura de Tela 2016-07-27 às 19.39.55 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.41.34 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.08 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.26

Ilhéus recebe Mostra de Cinema no Terreiro de Odé

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A mostra de filmes CINE ODÉ – Cinema no Terreiro fará do Terreiro de Odé, em Ilhéus, um espaço cultural voltado para o cinema e dedicado a filmes que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

A mostra acontece de janeiro a junho de 2016, sempre no último final de semana de cada mês, com sessões aos sábados e aos domingos, abertas ao público gratuitamente e com a presença de convidados especiais para um bate-papo depois das projeções. Serão exibidos, durante as várias sessões da Mostra, 16 filmes entre curtas  e longas metragens, animações, documentários e ficções. As primeiras sessões acontecem nos dias 30 e 31 de janeiro, sábado e domingo respectivamente, sempre às 17 horas.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09ACESSO: O evento disponibiliza uma van para facilitar o acesso do público ao local da mostra. O Terreiro de Odé, localizado no bairro Alto do Basílio, é um dos mais tradicionais terreiros de Ilhéus. Fundado em 1942 por Pedro Faria, conhecido como Pai Pedro, enfrentou graves dificuldades depois da trágica morte de seu fundador, que chocou a cidade. Hoje, o terreiro tenta se consolidar como espaço cultural, através do Instituto de Solidariedade Pedro Faria, voltado para a memória dos Orixás e da obra de Pai Pedro.

A Mostra Cine Odé tem curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, organizadores da mostra e cineastas que, entre outros filmes, realizaram o curta As Cruzes e os Credos (2014), gravado, em sua maior parte, no próprio Terreiro de Odé. Para os diretores, fazer o filme, partindo da impactante morte de Pai Pedro, se tornou uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério. As Cruzes e os Credos, que foi exibido no V Feciba – Festival de Cinema baiano 2015 e em festivais de Cinema na Colômbia e na Bolívia, integra a programação da Mostra Cine Odé, que apresenta também uma diversificada filmografia baiana e de outras partes do país.

Todas as informações e a programação completa podem ser acessadas no site da mostra: https://cineodeblog.wordpress.com/

Ou pelo telefone (73) 98110-5773, para falar diretamente com os organizadores ou produtores da Mostra Cine Odé.

O projeto Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

AS CRUZES E OS CREDOS: filme online na íntegra

O curta está disponível online na íntegra. Assista:

SINOPSE:

A partir das mortes de um Bispo e de um Pai de Santo e de uma reflexão sobre conflitos e interações entre candomblé e catolicismo, o realizador volta a Ilhéus para revisitar o tema de um curta universitário feito por ele há 11 anos. Dessa vez, fazer o filme se torna uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

AS CRUZES E OS CREDOS foi finalizado em 2014 e gravado em Ilhéus/BA, no Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro em 1942. Pai Pedro foi assassinado a tiros dentro do terreiro, por razões não esclarecidas. O filme não contou com recursos oficiais, mas foi viabilizado através de financiamento coletivo via Facebook e com o apoio solidário de pessoas que trabalharam no filme e emprestaram equipamento.

O filme participou da Mostra Oficial de curtas do 19º Fenavid — Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolívia 2014. E também da Mostra Oficial do I Festival de Cortos Somos Afro, sediado na Colômbia, em 2015. O filme foi exibido em Ilhéus em junho de 2015 como parte da programação do V FECIBA — Festival de Cinema Baiano, na Mostra Bahia Adentro.

Sobre a experiência de fazer o CRUZES:

Há dez anos, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: fui ao Terreiro de Odé em Ilhéus, região sul da Bahia onde eu nasci e me criei (hoje vivo em Salvador). Pedro Farias tinha sido assassinado em 2003 — e nesse ano eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos, de um pai de santo conhecido e do bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Não pude entrar no terreiro, fiquei na porta. Luto. Respeito. Fui embora. Voltei dez anos depois, pra fazer outro filme… esse filme.

O filme começa com o mar. Ainda no início, Maria Marta saúda o mar de Ilhéus, ao nascer do sol. Toda essa breve história de cinco séculos eu a vejo como numa imensa tela de cinema que é o mar. Cinco séculos de violências, lutas, resistências, tradições e fé. Quando, eventualmente, misturamos essa “consciência” histórica a um estado de espírito aberto aberto às forças místicas, somos capazes de sentir mais vivamente a conexão entre a nossa Cultura e as nossa vidas. Conexão que Maria Marta — que tem o mar iniciando seus dois nomes — mantém viva e fortalecida a cada desafio que enfrenta, conexão que Maria Marta, sem me dar nenhuma aula nem palestra, nem curso nem ritual, tem me ajudado a resgatar.

FICHA TÉCNICA

Roteiro, Direção e Edição: Fabricio Ramos e Camele Queiroz //// Som Direto: Camele. ///// Dir. de Forografia: Fabricio. ///// Produção: Juliana Freire ////// Finalização do Audio: Haydson Oliveira.

A realização leva o selo do Bahiadoc — arte documento.

Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Premiado entre os 10 favoritos do Público. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

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Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.14 MiradasDocFestival Internacional de Cine Documental de Guía de Isora – Espanha. Mostra Oficial. 1 a 7 de novembro de 2015.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.51Mostra Cinema Conquista Ano 11Vitória da Conquista/BA. 4 a 9 de outubro de 2015.

Curtas “Muros” e “As Cruzes e os Credos” no FECIBA 2015, em Ilhéus

Captura de Tela 2015-06-03 às 13.30.52A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano exibe dois filmes que trazem o selo do Bahiadoc, ambos dirigidos por Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

MUROS

Exibição: 12 de junho (sexta). 10h e 17:30h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Muros leveMuros (2015), que participa da Mostra Competitiva, a precariedade urbana e arquitetônica de favelas brasileiras é colocada em questão por Rogério Ferrari, fotógrafo que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e em campos de refugiados. O filme reflete sobre realidades sociais, históricas e culturais através do encontro entre Fotografia, Cinema e moradores de bairros periféricos de Salvador. O filme teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura da Bahia, contemplado em edital público Setorial de Audiovisual de 2013, realizado pela Funceb.

Blog do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

AS CRUZES E OS CREDOS

Exibição: 8 de junho (segunda). 17h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Cruzes 300dpi JPG_10_8As Cruzes e os Credos (2014) participa da Mostra Bahia Adentro. O curta mostra um encontro com o mistério e a fé a partir das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e de um bispo (Pai Pedro e Dom Tepe, ambos de Ilhéus), refletindo as imbricações entre catolicismo e candomblé. O filme foi viabilizado através de financiamento coletivo nas redes sociais e participou de Festivais Internacionais, como a Mostra Oficial do Fenavid – Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolivia 2014; e a Mostra Oficial do I Somos Afro, Festival Virtual de Curtas sediado na Colômbia.

Blog do curta: https://ascruzeseoscredos.wordpress.com

O FECIBA

A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano – Será realizado entre os dias 07 e 13 de junho no Cine Santa Clara, em Ilhéus-BA. O Festival promove uma programação variada, composta por mostras de filmes, homenagens, premiação, oficinas de formação para o audiovisual e workshops, além de promover o encontro entre os realizadores e o público, através de bate-papos presenciais e on-line. Saiba mais no site do Festival.

Henrique Dantas participa do sexto webdoc do Canal Bahiadoc

Nos próximos dias, publicaremos o sexto webdoc do Canal Bahiadoc, desta vez com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Captura de tela 2013-12-10 às 17.57.21Henrique Dantas é inquieto e perspicaz – percebemos isso nos primeiros instantes da conversa que aconteceu em sua casa. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe.

Filhos de João levou 11 anos para ficar pronto, tempo que revela o quanto fazer cinema na Bahia (ou em qualquer região fora do eixo) exige compromisso e persistência, como enfatiza o próprio Henrique. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme. O Admirável Mundo Novo Baiano perpassa toda a cultura urbana do underground baiano ao longo dos últimos quarenta anos.

Depois, Henrique passou a se dedicar ao resgate da importância do cineasta Olney São Paulo – a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro” – no cenário do cinema e da política no Brasil, propondo reflexões críticas com sensibilidade estética e apropriações de diferentes linguagens artísticas em suas realizações.

Captura de Tela 2013-12-10 às 20.49.42Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política contra Olney, por parte da Ditadura Militar. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique realiza Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Sinais de Cinza percorre agora festivais, tendo participado do Festival do Rio e do Festival de Havana.

Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

Henrique fala com firmeza e ao mesmo tempo com serenidade. “Para falar de meu trabalho eu preciso falar de mim”, diz, revelando o pertencimento pleno que o conduz na escolha de seus temas e na realização de suas obras. A conversa que gravamos será publicada em breve, no sexto webdoc do Canal. Acompanhe as nossas redes no Facebook e Twitter.

Projeto Curta Cinema no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador

O Centro Cultural Vereador Manuel Querino, da Câmara Municipal de Salvador, retomará as exibições do Projeto Curta Cinema a partir da próxima quarta-feira, 17.07, às 15h e 17h30.

Para esta edição, será exibido o média-metragem “Os Heróis do Brasil – A Independência da Bahia”, dos diretores André Sobral e Fabrício Mendieta. Este documentário retrata um pouco da história das lutas que aconteceram na Bahia e que ajudaram a construir o processo de independência do país, trazendo à tona heróis brasileiros nem sempre citados pela historiografia oficial, como Maria Quitéria, João das Botas e Maria Felipa.

Após a exibição do vídeo, será realizado um bate-papo com os convidados Virgílio Sena (historiador) e Alex Hercog (Coletivo Luto por Salvador), que refletirão um pouco sobre os movimentos de luta e resistência que aconteceram naquele período e as manifestações populares que tomaram recentemente as ruas do país e da cidade.

O Curta Cinema será realizado duas vezes por mês, sempre às quartas-feiras, no auditório do Centro Cultural da Câmara. A próxima edição será no dia 31.07. Agende-se!

Um pouco mais sobre o documentário

“Os Heróis do Brasil – A Independência da Bahia” foi inspirado nos documentários produzidos pela emissora inglesa BBC e mescla entrevistas com historiadores, encenações com atores, e também algumas animações. Nomes renomados como Mary Del Priore, autora vencedora do prêmio Jabuti, e Consuelo Pondé, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, participam deste projeto. A trilha sonora original é de Beto Villares, que já compôs para filmes como “Xingu” e “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”.

Trailer oficial:

Curta Cinema

Documentário: Os Heróis do Brasil – A Independência da Bahia

Direção: André Sobral e Fabrício Mendieta

Horário: 15h e 17h30*

Local: Centro Cultural Vereador Manuel Querino (Câmara Municipal de Salvador)

Endereço: Praça Municipal, s/n, subsolo da Prefeitura.

Telefone: 3320-0396/0324

* No horário das 17h30 só teremos a exibição do documentário, sem o bate-papo com os convidados.

Circuito Popular de Cinema e Vídeo promove ‘O Sertão é o Mundo’

De 24 a 30 de abril, o Circuito Popular de Cinema e Vídeo promove a mostra especial “O Sertão é o Mundo”, uma prévia da II Celebração às Culturas dos Sertões, que acontece em maio, em Juazeiro. O programa contém quatro filmes, com abordagem voltada à cultura sertaneja. A edição especial traz, além circuito de cinema, diversas atividades como feiras de artesanato e comidas típicas, trios nordestinos, exposições, programação infantil, contação de histórias, apresentações de dança, ternos de reis, cantorias, sarau e oficinas. As atividades são gratuitas.

3567_287176884750702_1393089249_nCada um dos 14 Centros Culturais participantes organizou uma programação ao seu modo, destacando artistas e manifestações locais. Em comum, as projeções de cinema, que unem todos eles na mesma proposta de enriquecer o CPCV, ao mostrar que o circuito vai além das telas. A mostra especial “O Sertão é o Mundo” aglomera em torno de si o universo das culturas dos sertões, de modo a preparar o público para as discussões que virão em seguida, no encontro de Juazeiro, dias 7 e 8 de maio.

O programa está dividido em duas partes. A primeira apresenta “Antonio Conselheiro, o Taumaturgo dos Sertões”, longa metragem de José Walter Lima, e “Na Terra do Sol”, curta de Lula Oliveira. A segunda vem com “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes, e “Cega Seca”, de Sofia Federico, em curta metragem.

O CPCV especial é uma promoção da Diretoria de Espaços Culturais da Sudecult – Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura; da Diretoria do Audiovisual da Funceb; e da própria Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Em Salvador, os espaços participantes são: Centro Cultural Plataforma, Cine Teatro Solar Boa Vista, no Engenho Velho de Brotas, o Centro Cultural de Alagados, o Espaço Xisto, nos Barris, e a Casa da Música de Itapuã, no Abaeté; além do Cine Teatro Lauro de Freitas, na Região Metropolitana.

Pelo interior, a mostra acontece nos Centros de Cultura das cidades de Mutuípe, Jequié, Itabuna, Alagoinhas, Vitória da Conquista, Valença, Porto Seguro e Santo Amaro. Os Centros Culturais de Guanambi, Feira de Santana e Juazeiro não participam da mostra. Os dois primeiros encontram-se em reformas, o último está dedicado à realização da Celebração às Culturas dos Sertões propriamente dita.

Mais informações no sítio da Secult-Ba.

SERVIÇO:

CPCV Especial – O Sertão é o Mundo

De 24 a 30 de abril

Espaços Culturais da Secult-BA em todo o estado

No ar o terceiro webdoc do Canal Bahiadoc: conversa com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual

Assista na íntegra o terceiro webdoc (os dois primeiros webdocs podem ser acessados no Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc)

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual (sítio do CUAL), que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

Na conversa, o CUAL comenta acerca das possibilidades urgentes do vídeo digital, sobre a política dos meios cinematográficos e sobre experiências de linguagem e estética em suas produções. O vídeo propõe uma aproximação com o CUAL, cujas práticas coletivas têm suscitado – a partir de seus resultados – novos rumos nos debates sobre fazer cinema na Bahia.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual – participa do terceiro webdoc do Canal Bahiadoc

“precisamos de mais filmes e menos lamentações”

Ramón, Luan, Marcus e Chico – integrantes do CUAL, durante as gravações para o Canal Bahiadoc

ATUALIZAÇÃO em 16/11: o webdoc com a participação do CUAL já está no ar: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O terceiro webdoc do Canal Bahiadoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, que pensa o cinema realizando filmes a partir de uma dinâmica de cooperação, que abrange desde a concepção do roteiro até à exibição dos filmes nas mostras abertas CUAL, passando pela realização de debates sobre contextos diversos que relacionam cinema e política, e realizando oficinas de audiovisual, inclusive no interior do Estado, ampliando as experiências para além do próprio grupo.

Produzindo filmes num ritmo intenso, o CUAL dá o recado: “precisamos de mais filmes e menos lamentações”, sem ignorar os enormes desafios de se fazer cinema na Bahia e no Brasil, e assumindo a responsabilidade de enfrentar as complexas questões que o Cinema engendra, seja enquanto arte com suas dimensões estéticas e referências de linguagem, seja enquanto política, com a luta do cinema pela conquista de espaços simbólicos e reais, seja na Cultura, implicando em visões de mundo e expressão, seja na Economia, abarcando os modelos de produção e distribuição, e a viabilidade mesma de se fazer filmes que possam ser vistos.

O discurso do CUAL se respalda pelas práticas e ações do coletivo, cujas produções independentes são realizadas cooperativamente, através de dinâmicas colaborativas e adaptadas às suas práticas coletivas, configurando alternativa eficaz enquanto modelo produtivo independente que pensa nas razões de se fazer cinema, como fazê-lo, e para quem.

CINEMA E VÍDEO DIGITAL

Diante dos cenários de constantes inovações tecnológicas e formais, e das realidades produtivas e materiais de cinema e audiovisual na Bahia (e de forma geral), o CUAL atua criando formas alternativas de produção que implicam em diferentes tipos de abordagem: produzem desde filmes gofada, isto é, filmes urgentes filmados de um fôlego, como diz Marcus Curvêlo, realizador de “Amém”, curta que participou de Mostra Competitiva Baiana no VIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, até filmes que exigem estrutura técnica e processos de produção com exigências mais elaboradas, e que demandam mais tempo e maiores esforços do coletivo.

Ramón Coutinho e Marcus Curvêlo (foto: Bahiadoc)

“O CUAL nem teria esse nome”, diz Ramón, referindo-se às possibilidades urgentes do vídeo digital, que se refletem na linguagem, no modo de concepção e prática dos projetos e, claro, na viabilidade financeira das realizações. O coletivo comenta a aura do 35mm, que tantas vezes reflete disputas de poder, pensando sobre as relações cinematográficas entre linguagem e suporte, sem desmerecer de nehuma maneira as grandes produções. Ideias perigosas para uns, estimulantes para outros – essenciais, certamente, para o Cinema.

Essas e outras discussões surgiram nas gravações do terceiro webdoc, desta vez com a participação do CUAL, que será publicado em 1 de dezembro no espaço do Canal Bahiadoc.

Os dois primeiros webdocs trouxeram encontros com realizadores que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, levantando questões sobre a importância das políticas públicas de fomento à produção independnete, e dando ressonância aos documentários produzidos, que sempre abordaram temas de relevância cultural e social.

Acompanhem o Canal Bahiadoc em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc