AS CRUZES E OS CREDOS: filme online na íntegra

O curta está disponível online na íntegra. Assista:

SINOPSE:

A partir das mortes de um Bispo e de um Pai de Santo e de uma reflexão sobre conflitos e interações entre candomblé e catolicismo, o realizador volta a Ilhéus para revisitar o tema de um curta universitário feito por ele há 11 anos. Dessa vez, fazer o filme se torna uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

AS CRUZES E OS CREDOS foi finalizado em 2014 e gravado em Ilhéus/BA, no Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro em 1942. Pai Pedro foi assassinado a tiros dentro do terreiro, por razões não esclarecidas. O filme não contou com recursos oficiais, mas foi viabilizado através de financiamento coletivo via Facebook e com o apoio solidário de pessoas que trabalharam no filme e emprestaram equipamento.

O filme participou da Mostra Oficial de curtas do 19º Fenavid — Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolívia 2014. E também da Mostra Oficial do I Festival de Cortos Somos Afro, sediado na Colômbia, em 2015. O filme foi exibido em Ilhéus em junho de 2015 como parte da programação do V FECIBA — Festival de Cinema Baiano, na Mostra Bahia Adentro.

Sobre a experiência de fazer o CRUZES:

Há dez anos, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: fui ao Terreiro de Odé em Ilhéus, região sul da Bahia onde eu nasci e me criei (hoje vivo em Salvador). Pedro Farias tinha sido assassinado em 2003 — e nesse ano eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos, de um pai de santo conhecido e do bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Não pude entrar no terreiro, fiquei na porta. Luto. Respeito. Fui embora. Voltei dez anos depois, pra fazer outro filme… esse filme.

O filme começa com o mar. Ainda no início, Maria Marta saúda o mar de Ilhéus, ao nascer do sol. Toda essa breve história de cinco séculos eu a vejo como numa imensa tela de cinema que é o mar. Cinco séculos de violências, lutas, resistências, tradições e fé. Quando, eventualmente, misturamos essa “consciência” histórica a um estado de espírito aberto aberto às forças místicas, somos capazes de sentir mais vivamente a conexão entre a nossa Cultura e as nossa vidas. Conexão que Maria Marta — que tem o mar iniciando seus dois nomes — mantém viva e fortalecida a cada desafio que enfrenta, conexão que Maria Marta, sem me dar nenhuma aula nem palestra, nem curso nem ritual, tem me ajudado a resgatar.

FICHA TÉCNICA

Roteiro, Direção e Edição: Fabricio Ramos e Camele Queiroz //// Som Direto: Camele. ///// Dir. de Forografia: Fabricio. ///// Produção: Juliana Freire ////// Finalização do Audio: Haydson Oliveira.

A realização leva o selo do Bahiadoc — arte documento.

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Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.16

Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Premiado entre os 10 favoritos do Público. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

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Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.14 MiradasDocFestival Internacional de Cine Documental de Guía de Isora – Espanha. Mostra Oficial. 1 a 7 de novembro de 2015.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.51Mostra Cinema Conquista Ano 11Vitória da Conquista/BA. 4 a 9 de outubro de 2015.

“Muros” ganha o prêmio de melhor filme pelo Júri do V FECIBA

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frame de “Muros”

Muros“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos (criadores do Bahiadoc), ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri na Mostra Competitiva de Curtas do V FECIBA – quinta edição do Festival de Cinema Baiano, que aconteceu em Ilhéus, de 07 a 13 de junho, no Cine Santa Clara. Este ano o júri foi composto por Edgard Navarro, Marialva Monteiro e Esmon Primo. O curta “Menino da Gamboa”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, foi escolhido melhor filme pelo público. Confira no site do Feciba todos os vencedores do Troféu FECIBA nas diversas categorias da Mostra Competitiva de Curtas: [ir para o site].

Com a participação do fotógrafo Rogério Ferrari, que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, Cisjordânia e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, o filme une cinema e fotografia, Palestina e Brasil. Rogério é baiano, natural de Ipiaú. Há anos, retrata a luta por terra e autodeterminação de alguns povos pelo mundo, refletindo o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense; Curdos, na Turquia; zapatistas, no México; Saharauís no norte da África, entre outros.

No filme, os diretores acompanham o fotógrafo durante as filmagens nos bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, para construir uma crônica sobre a impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras nos aspectos urbanísticos e arquitetônicos. O curta põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, ritmando fotografia e cinema.

Muros, realização do Bahiadoc, é dirigido por Camele Queiroz (também editora e finalizadora) e Fabricio Ramos (que dirige também a Fotografia), tem produção de Juliana Freire, Som direto e finalização de áudio de Haydson Oliveira, segunda câmera de Ramon Coutinho. O curta teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através de edital público realizado em 2013 pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, através da Funceb.

As Cruzes e os Credos (prévia): filmar é ir a um encontro inesperado

O resgate do tema de um curta universitário que o realizador gravara dez anos antes o coloca em busca do reencontro de uma história. Fazer o filme se torna um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

 

Texto de Fabricio Ramos, realizador*:

Em 2003, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos daquele ano, de um conhecido Pai de Santo de Ilhéus, o Pai Pedro, e do Bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Fui a Igrejas e depois fui ao Terreiro de Odé, a casa de Pai Pedro, onde o babalorixá tinha sido assassinado. Cidade chocada. Terreiro de Luto, não pude entrar nem gravar nada. Era um vídeo universitário., de viés político: buscava evidenciar, a partir da repercussão das mortes do babalorixá e do Bispo, a marginalização do Candomblé frente a oficialidade dedicada à Igreja por parte dos poderes institucionais, imprensa, sociedade.

Dez anos se passaram. Em 2013, resolvemos retomar o tema e fazer um outro filme partindo do mesmo tema, já em outro contexto, passado o impacto inicial que a cidade sofreu com a perda de dois de seus ícones religiosos.

Eu e Mel resolvemos, então, levantar recursos para viajar de Salvador até Ilhéus. Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo através da internet e conseguimos dinheiro para custear a viagem, e também apoio de amigos na forma de trabalho voluntário (Juliana Freire, produtora, viajou conosco) e de hospedagem solidária (a amiga Lú nos ofereceu todo o conforto). O cineasta Henrique Dantas emprestou equipamento de áudio, e a DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural da Bahia emprestou equipamento de iluminação, através do Núcleo de Apoio à Produção Independente.

Decidimos ir a Ilhéus sem pesquisa prévia, passar lá uma semana, câmera na mão, buscando reencontrar a história. Eis que a história esperava por nós. Lugares inesperados, improvisos, sentimentos: a busca do filme faz surgir novos acontecimentos, novas experiências. Filmar o curta “As Cruzes e os Credos” foi ir a um encontro inesperado, mas no fundo, secretamente esperado por cada um que participou desse encontro. Mas um filme é um filme, que fale por si.

A ideia do filme é provocar uma reflexão através de nossa própria experiência de fazer o filme. Uma reflexão que envolve as raízes de nossa cultura afroíndia, o compromisso dos adeptos com o Sagrado, e o lugar do cinema, ou de um certo cinema.

Nossos agradecimentos a todas e todos que confiaram na proposta e apoiaram direta ou indiretamente a realização do filme.

AS CRUZES E OS CREDOS (site)

Roteiro, Direção e Edição: fabricio ramos e camele queiroz
Produção: juliana freire
Câmera e Direção de Fotografia: fabricio ramos
Som Direto e Montagem: camele queiroz

Curta “Para Que Não Nos Sintamos Tão Sós” participa de evento sobre o aniversário de Salvador

Cartaz5min PANNSTSNa próxima sexta, dia 28 de março, véspera do aniversário da capital baiana, será realizado o evento Salvador 465: Projetos coletivos e alternativas de convivência com a cidade, que contará com a presença de representantes de projetos e ações que estão contribuindo para construir uma cidade mais educativa, solidária e sustentável.

O evento está sendo organizado pelo Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador
e iniciará a sua programação com a apresentação do curta Para que não nos sintamos tão sós, de Camele Queiroz e Fabrício Ramos (ambos coordenadores do Bahiadoc). O filme traz, sob o olhar de um indivíduo, o impacto das mudanças que vem ocorrendo na cidade, revelando as forças políticas, históricas, poéticas e místicas que formam o imaginário da capital baiana.

Logo após a exibição do filme, serão relatadas as experiências dos projetos Bairro-Escola Rio Vermelho, Canteiros Coletivos, Brechó Eco Solidário e Rede Desabafo Social. Todos realizados por instituições e grupos que atuam em diversas frentes, mas que possuem em comum a inquietação com os problemas vivenciados na cidade. Tais projetos vêm atraindo cada vez mais a atenção dos soteropolitanos que buscam alternativas de convivência e mudanças neste cenário.

Ainda como parte da programação haverá a apresentação de um fragmento do espetáculo Rebento, da Cia de Teatro Metamorfose. A peça, que trata de temáticas ligadas à valorização da cultura afro-brasileira, será encenada na íntegra no dia 29 de março, às 16h, no Espaço Cultural Alagados.

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