Assista o curta “Regulamentação da profissão de vaqueiro”, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos

O documentário “Regulamentação da Profissão de Vaqueiro”, dirigido por Camele e Fabricio, acompanha a viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília. Os diretores foram honrados com a presença, devidamente autorizada, de canções de Elomar na trilha sonora do filme.

Filme na íntegra:

Vaqueiros CRTAZ arte 3 defSINOPSE:

Em setembro de 2013, vaqueiros de diferentes regiões do sertão nordestino viajaram a Brasília para acompanhar, no Plenário do Senado Federal, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. O registro, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, é uma memória da viagem.

Brasil l HD l Cor l 2013

SOBRE O FILME

Captura de tela 2013-10-02 às 19.00.30A convite do antropólogo Washington Queiroz, os realizadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz embarcaram num ônibus junto com trinta e dois vaqueiros vindos de diferentes regiões do sertão da Bahia. A comitiva seguiu para Brasília, rumo ao Plenário do Senado Federal, para acompanhar a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre o reconhecimento da profissão de vaqueiro no país. A viagem aconteceu entre 22 e 25 de setembro de 2013, e no dia 24 de setembro o projeto foi aprovado no Senado, seguindo então para a sanção da Presidente da República. Em Brasília, reuniram-se a comitiva da Bahia vaqueiros de Pernambuco, do Piauí, de Alagoas e do Maranhão, somando mais de cento e trinta vaqueiros encourados, vestindo gibão, peiteira, perneira e chapéu de couro, todos no interior do Plenário do Senado.

Como realizadores, pudemos prosear com os vaqueiros durante a viagem e conhecer um pouco de suas vidas. A história de muitos deles, sobretudo daqueles que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga, revela muita coragem e fé, mas também realidades sociais dramáticas, injustas e muito graves. O documentário não resume a história dos vaqueiros, nem a isso se propõe: apresenta a memória filmada dessa viagem que os vaqueiros fizeram para testemunhar um momento histórico no país, que é parte de um processo de reconhecimento do vasto patrimônio cultural do sertanejo, que tanto vivifica o árido bioma da caatinga, com a sua legião de seres encantados, bois ideados ou com maçãs; as suas relações com o sagrado, com o enfrentamento da morte sempre próxima, e a cultivar a vida, amores e paixões, tão bem expressas na arte em couro, metal, madeira, barro e palha que caracteriza os saberes e fazeres dos vaqueiros do sertão, que se manifestam na música, no aboio, na literatura, na gastronomia, na medicina, na mitologia.

Captura de tela 2013-10-02 às 11.20.16Coube aos realizadores produzir a memória audiovisual da viagem a Brasília, que resultou no documentário Regulamentação Profissão de Vaqueiro (30min), dirigido e produzido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizado com o apoio do Senado Federal e do antropólogo Washington Queiroz, que se dedica, há mais de trinta anos, à luta pelo reconhecimento simbólico e efetivo da atividade tradicional do vaqueiro, a partir da perspectiva dos fazeres e saberes do universo sertanejo.

Para Washington, que articulou com grande esforço a viagem dos vaqueiros a Brasília, a figura do vaqueiro é protagonista do maior fenômeno sócio-cultural-econômico de fixação e unidade em toda a região Nordeste e em outras regiões do país. “O vaqueiro”, lembra, “foi quem crivou o território baiano com locais de pouso e currais que se transformariam nas primeiras cidades do interior da Bahia e do Nordeste”.

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Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Premiado entre os 10 favoritos do Público. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

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Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.14 MiradasDocFestival Internacional de Cine Documental de Guía de Isora – Espanha. Mostra Oficial. 1 a 7 de novembro de 2015.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.51Mostra Cinema Conquista Ano 11Vitória da Conquista/BA. 4 a 9 de outubro de 2015.

As Cruzes e os Credos (prévia): filmar é ir a um encontro inesperado

O resgate do tema de um curta universitário que o realizador gravara dez anos antes o coloca em busca do reencontro de uma história. Fazer o filme se torna um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

 

Texto de Fabricio Ramos, realizador*:

Em 2003, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos daquele ano, de um conhecido Pai de Santo de Ilhéus, o Pai Pedro, e do Bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Fui a Igrejas e depois fui ao Terreiro de Odé, a casa de Pai Pedro, onde o babalorixá tinha sido assassinado. Cidade chocada. Terreiro de Luto, não pude entrar nem gravar nada. Era um vídeo universitário., de viés político: buscava evidenciar, a partir da repercussão das mortes do babalorixá e do Bispo, a marginalização do Candomblé frente a oficialidade dedicada à Igreja por parte dos poderes institucionais, imprensa, sociedade.

Dez anos se passaram. Em 2013, resolvemos retomar o tema e fazer um outro filme partindo do mesmo tema, já em outro contexto, passado o impacto inicial que a cidade sofreu com a perda de dois de seus ícones religiosos.

Eu e Mel resolvemos, então, levantar recursos para viajar de Salvador até Ilhéus. Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo através da internet e conseguimos dinheiro para custear a viagem, e também apoio de amigos na forma de trabalho voluntário (Juliana Freire, produtora, viajou conosco) e de hospedagem solidária (a amiga Lú nos ofereceu todo o conforto). O cineasta Henrique Dantas emprestou equipamento de áudio, e a DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural da Bahia emprestou equipamento de iluminação, através do Núcleo de Apoio à Produção Independente.

Decidimos ir a Ilhéus sem pesquisa prévia, passar lá uma semana, câmera na mão, buscando reencontrar a história. Eis que a história esperava por nós. Lugares inesperados, improvisos, sentimentos: a busca do filme faz surgir novos acontecimentos, novas experiências. Filmar o curta “As Cruzes e os Credos” foi ir a um encontro inesperado, mas no fundo, secretamente esperado por cada um que participou desse encontro. Mas um filme é um filme, que fale por si.

A ideia do filme é provocar uma reflexão através de nossa própria experiência de fazer o filme. Uma reflexão que envolve as raízes de nossa cultura afroíndia, o compromisso dos adeptos com o Sagrado, e o lugar do cinema, ou de um certo cinema.

Nossos agradecimentos a todas e todos que confiaram na proposta e apoiaram direta ou indiretamente a realização do filme.

AS CRUZES E OS CREDOS (site)

Roteiro, Direção e Edição: fabricio ramos e camele queiroz
Produção: juliana freire
Câmera e Direção de Fotografia: fabricio ramos
Som Direto e Montagem: camele queiroz

Iniciativa de apoio ao curta “As Cruzes e os Credos”. Participe!

Fabricio Ramos e Camele Queiroz convidam os amigos (conhecidos e não conhecidos) a apoiarem parcialmente a viabilização do curta As Cruzes e os Credos,  através de cota de patrocínio de valor fixo: R$ 20,00.

“Nós, realizadores, já contamos com apoio para a filmagem, com hospedagem solidária e outras estruturas, restando apenas aportar recursos para custear parcialmente a nossa viagem a Ilhéus. Este é o propósito desta iniciativa. Apoiar o projeto é apoiar a reflexão acerca de nossa cultura e história (veja a contrapartida prática e instruções gerais mais abaixo). Temos uma página no Facebook para marcar a colaboração como participação no “Evento”.

As colaborações podem ser feitas até 20/11. No vídeo abaixo, Fabricio resume a ideia do projeto:

O QUÊ APOIAR:
Projeto de curta documental (20min) com título provisório “As cruzes e os credos”, com concepção e direção de Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

RESUMO DO PROJETO: Em 2003, em Ilhéus, Fabricio Ramos realizou um curta que propunha uma reflexão sobre nossas relações entre o Sagrado, o místico, a História e a Política, a partir de dois eventos que marcaram a cidade de Ilhéus: a morte, em dias imediatamente consecutivos, de dois ícones religiosos, um da Igreja católica, outro do Candomblé, um de “morte morrida”, outro de “morte matada”. A ideia é voltar a Ilhéus e fazer outro filme resgatando a memória desses eventos, aproximando-se dos conflitos e interações que marcam as relações de nossa mística de raiz afroíndia e de nossa mística cristã de raiz europeia colonizadora.

RESUMO DO CONTEXTO: Nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2003, morreram em Ilhéus respectivamente Pedro Farias, o babalorixá Pai Pedro, assassinado na porta de sua residência/terreiro, no Bairro do Basílio; e o Bispo Emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe, que morreu “enquanto dormia”. Ambos eram muito queridos na cidade de Ilhéus, em todas as camadas sociais, sobretudo nas camadas populares. Em Ilhéus, conversaremos com o Padre Nildemar e com o Padre Cristo, ambos amigos tanto de Pai Pedro quanto de Dom Tepe. Visitaremos o terreiro de Pai Pedro, conversaremos com moradores do Basílio (bairro cujo um fundadores foi Pai Pedro), e visitaremos também o Kàwé – Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais, da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus.

POR QUE APOIAR:
A comoção popular foi muito grande na cidade: tanto Pai Pedro quanto Dom Tepe gozavam de imenso prestígio. Contudo, somente Dom Tepe contou com cortejo em carros de bombeiros e com decreto de três dias de luto oficial por parte da prefeitura. A Lavagem da catedral de São Sebastião, feita por adeptos do Candomblé, encontra as portas da Igreja fechadas, porque esta considera pagã a manifestação. Quando os eventos aconteceram, Fabricio Ramos morava em Itabuna e estudava na UESC, em Ilhéus, e filmou um curta a partir da repercussão das mortes de Pai Pedro e Dom Tepe. Durante o processo de filmagem e nas conversas com padres, filhos de santo e moradores de Ilhéus, Fabricio notou uma certa marginalização do Candomblé quando confrontado com a oficialidade dedicada à Igreja Católica, manifestada nos funerais dos representantes religiosos. Tais conflitos e interações levantam amplas reflexões que remetem a nossa relação com o sagrado em suas perspectivas religiosas, históricas e também políticas. É um tema potente que, a partir de Ilhéus e resgatando a história recente da cidade, pode comunicar com o Brasil inteiro. Nós, realizadores, já contamos com apoio para a filmagem, com hospedagem solidária e outras estruturas, restando apenas aportar recursos para custear parcialmente a nossa viagem a Ilhéus. Este é o propósito desta iniciativa. Apoiar o projeto é apoiar a reflexão acerca de nossa cultura e história (veja a contrapartida prática mais abaixo).

COMO APOIAR:
As cotas de patrocínio são fixadas no valor de R$ 20,00 (vinte reais) por pessoa (sendo livre o aporte de outros valores). Para apoiar basta clicar em “participar do evento”, fazer o depósito ou transferência de sua cota de patrocínio na seguinte conta:

Titular: Fabricio Silva Ramos

Banco do Brasil
Agência: 2799-5
Conta Corrente: 19392-5

E enviar email para contato@bahiadoc.com.br com o assunto [apoio ao curta], indicando nome completo e dados de contato nas redes para que possamos manter contato, incluir o agradecimento no filme e convidar o apoiador para as sessões de exibição especial. Os colaboradores receberão informes periódicos sobre o andamento do trabalho.

CONTRAPARTIDAS PELO APOIO:
As contrapartidas são: inclusão do nome do apoiador nos créditos de agradecimento do filme; convite para exibições especiais com a presença dos realizadores para debate, críticas e conversa; uma cópia do filme em DVD, com estojo e capa personalizados (este último, caso alcancemos a meta de patrocínio). E, além de tudo, a nossa eterna gratidão e solicitude para intercâmbios.

META:
A nossa meta é alcançar, através dos patrocínios individuais, o valor de R$ 1.200,00 (Mil e duzentos reais) que serão aplicados em despesas com a viagem de Salvador a Ilhéus: transporte, combustível, logísticas básicas.

Para tirar qualquer dúvida ou enviar sugestões, entre em contato com Fabricio Ramos através do Facebook, ou do perfil do Bahiadoc Arte Documento, ou ainda pelo email: fabricio@bahiadoc.com.br

Documentário Hera no Festival InVerso

Festival de Arte e Cultura em Feira de Santana exibirá o doc “hera” (2012)

Captura de tela 2013-10-17 às 23.19.57No próximo 23 de outubro em Feira de Santana/Ba, o Festival InVerso de Arte e Cultura, promovido pela DiaboA4 Editora e pelo Feira Coletivo Cultural, vai exibir o documentário Hera, realização independente do Bahiadoc – Arte Documento, dirigida por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, que traz conversas com poetas baianos fundadores da revista literária Hera, que marcou a cena cultural na Bahia. Mais sobre o doc: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

TRAILER DO DOC

[vimeo https://vimeo.com/39518201 w=570&h=320]

SOBRE O FESTIVAL

Em sua primeira edição, o Festival InVerso traz como tema central a reflexão sobre a vida urbana a partir de um olhar sobre Feira de Santana, promovendo uma série de atividades artísticas que acontecerão ao longo de 3 dias (23,24 e 25 de outubro de 2013) no Museu de Arte Contemporânea (MAC). Além da exibição do documentário “hera”, a programação traz oficinas artísticas, exposição com os cartazes dos eventos realizados pelo Feira Coletivo Cultural nos seus 5 anos de atuação na cidade, apresentações de dança com a Trupe Mandhala, shows com bandas locais, bem como a abertura da exposição fotográfica e o lançamento da antologia de poemas Cidade, fotógrafos e poetas da região de Feira de Santana com trabalhos inéditos sobre suas experiências na urbe.

Evento no Facebook e programação completa: https://www.facebook.com/events/372923662839348/?ref=22

TRAILER “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Trailer do registro “Regulamentação da profissão de Vaqueiro”

Em setembro de 2013, vaqueiros de diferentes regiões do sertão nordestino viajaram a Brasília para acompanhar, no Plenário do Senado Federal, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. O registro, dirigido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, é uma memória da viagem.

Brasil l HD l Cor l 2013

Realização:
Bahiadoc – arte documento

Documentário “Profissão de vaqueiro” registra viagem dos vaqueiros ao Senado

“Profissão de Vaqueiro”, documentário que acompanha a viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília, estará disponível na íntegra através da internet em breve

Vaqueiros CRTAZ arte 3 defA convite do antropólogo Washington Queiroz, Fabricio Ramos e Camele Queiroz, do Bahiadoc – arte documento, embarcaram num ônibus junto com trinta e dois vaqueiros vindos de diferentes regiões do sertão da Bahia. A comitiva seguiu para Brasília, rumo ao Plenário do Senado Federal, para acompanhar a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre o reconhecimento da profissão de vaqueiro no país. A viagem aconteceu entre 22 e 25 de setembro de 2013, e no dia 24 de setembro o projeto foi aprovado no Senado, seguindo então para a sanção da Presidente da República. Em Brasília, reuniram-se a comitiva da Bahia vaqueiros de Pernambuco, do Piauí, de Alagoas e do Maranhão, somando mais de cento e trinta vaqueiros encourados, vestindo gibão, peiteira, perneira e chapéu de couro, todos no interior do Plenário do Senado

Captura de tela 2013-10-02 às 11.20.16Coube ao Bahiadoc produzir a memória audiovisual da viagem, que resultou no documentário Profissão de Vaqueiro (30min), dirigido e produzido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizado com o apoio de Washington Queiroz. O antropólogo se dedica, há mais de trinta anos, à luta pelo reconhecimento simbólico e efetivo da atividade tradicional do vaqueiro.

Para Washington, que articulou com grande esforço a viagem dos vaqueiros a Brasília, a figura do vaqueiro é protagonista do maior fenômeno sócio-cultural-econômico de fixação e unidade em toda a região Nordeste e em outras regiões do país. “O vaqueiro”, lembra, “foi quem crivou o território baiano com locais de pouso e currais que se transformariam nas primeiras cidades do interior da Bahia e do Nordeste”.

Captura de Tela 2013-10-02 às 19.39.46Como realizadores, pudemos prosear com os vaqueiros durante a viagem e conhecer um pouco de suas vidas. A história de muitos deles, sobretudo daqueles que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga, revela muita coragem e fé, mas também realidades sociais dramáticas, injustas e muito graves. O documentário não resume a história dos vaqueiros, nem a isso se propõe: apresenta a memória filmada dessa viagem que os vaqueiros fizeram para testemunhar um momento histórico no país, que é parte de um processo de reconhecimento do vasto patrimônio cultural do sertanejo, que tanto vivifica o árido bioma da caatinga, com a sua legião de seres encantados, bois ideados ou com maçãs; as suas relações com o sagrado, com o enfrentamento da morte sempre próxima, e a cultivar a vida, amores e paixões, tão bem expressas na arte em couro, metal, madeira, barro e palha que caracteriza os saberes e fazeres dos vaqueiros do sertão, que se manifestam na música, no aboio, na literatura, na gastronomia, na medicina, na mitologia.

image3066O Bahiadoc, em nome dos diretores Fabricio Ramos e Camele Queiroz, parabeniza a todos os vaqueiros da Bahia e do Brasil e agradece ao antropólogo Washington Queiroz pela parceria que culminou na realização de Profissão de Vaqueiro.

Aos interessados, informamos: o documentário será distribuído para os vaqueiros participantes da viagem e em breve estará acessível na íntegra através da internet.

Antônio Olavo no quinto webdoc do Canal Bahiadoc

O quinto webdoc do nosso Canal traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas

Numa manhã de chuva e de sol, conversamos com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia.

Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

Na postagem anterior (leia aqui) traçamos um resumo da história do cineasta.

O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Canal Bahiadoc conversa com o cineasta baiano Antônio Olavo

[ATUALIZAÇÃO: em 1/9/2013: O quinto webdoc já está no ar. Acesse: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc]

O quinto webdoc da série do projeto Canal Bahiadoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas. 

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Antônio Olavo — (foto: Bahiadoc)

O webdoc, de 30 minutos, será publicado em breve e difundido em nossas redes. Enquanto isso, leia sobre os temas que tratamos e conheça um pouco da trajetória do cineasta baiano que segue lutando em frentes amplas que vão de nosso universo político, cultural e histórico, através de suas obras, ao lugar do cinema frente a sociedade e às políticas públicas.

Em 1975, o cineasta Antônio Olavo, ao mesmo tempo em que iniciava os estudos universitários, participava de um curso de Cinema com Guido Araújo. Como estagiário, participou da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”, filme dirigido por Bruno Barreto, cuja produção acontecia naquele ano no Pelourinho. Depois de outras inserções profissionais em produções de filmes, Olavo se tornou fotógrafo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC, trabalho que o levou à região do sertão de Canudos, em 1982. Em Monte Santo, encantou-se com a história da Guerra de Canudos, que ele conheceu a partir do “relato oral dos filhos e netos dos conselheiristas”, diz Olavo, lembrando que o conhecimento da literatura sobre Canudos só lhe veio depois dessa vivência.

Desde então Olavo se apaixonou pela história de Canudos, e decidiu realizar um documentário que abordasse o tema de forma ampla e aprofundada. Depois de quatro anos dedicado à pesquisa e à produção do filme, lança, em 1993, o documentário “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos”, longa que reúne depoimentos de parentes de Antônio Conselheiro, contemporâneos da guerra, historiadores, religiosos e militares. O filme vem desenvolvendo uma importante carreira através de exibições, geralmente seguidas de debates, em universidades, escolas e associações de bairros, e também em mostras de filmes no Brasil e no exterior, alcançando – neste circuito alternativo de exibição – um público vasto e diversificado.

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[foto: Bahiadoc]

A trajetória de Antônio Olavo, que reflete a sua formação política, o levou a escolher o documentário como forma de expressão autoral e como dispositivo para registrar e refletir sobre temas ligados à memória social. Depois de Canudos, dedicou-se ao registro de temas relacionados à Cultura Negra, realizando o filme “Quilombos da Bahia”, finalizado em 2004, que, percorrendo mais de 12 mil quilômetros pelo interior da Bahia, visita centenas de comunidades negras, filmando em 69 localidades quilombolas histórias de cada vilarejo. O resultado é um documento audiovisual que valoriza a memória negra na Bahia e cujo processo de filmagem revelou tal riqueza de experiências que o cineasta teve que abandonar o roteiro cuidadosamente elaborado ao longo de três anos de pesquisa, e ampliar as possibilidades de registro de acordo com as realidades que se apresentavam. Importante ressaltar que, tal como aponta Olavo, “o filme rasgou o véu que cobria as comunidades quilombolas na Bahia”, contribuindo, inclusive, para revelar e mapear essas comunidades, o que favoreceu depois a implementação de políticas públicas básicas nessas localidades. O cinema, através do “Quilombos da Bahia”, chegou em tais localidades antes da institucionalidade governamental.

Antônio Olavo é responsável ainda por dois projetos que abordam temas alicerçados nas vivências do povo negro, nas lutas sociais e históricas. Realizou, em 2008, o documentário “Abdias Nascimento: Memória Negra”, que refaz a trajetória do histórico militante, considerado um ícone da cultura negra, cuja obra e atuação política são essenciais para a compreensão do lugar do negro na sociedade brasileira. Atualmente, o cineasta trabalha para concluir o projeto “Revolta dos Búzios”, sobre o movimento emancipacionista que emergiu na Bahia no fim do século XVIII, e que, diferentemente da Inconfidência Mineira, se revestiu de caráter popular, sendo conhecida também como Revolta dos Alfaiates.

Entretanto, o cineasta nunca se afastou da sua paixão pelo tema da guerra e história de Canudos. Prepara o documentário “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam”, que busca histórias de sobreviventes da guerra, desconstruindo o mito de que todos os guerrilheiros de Canudos foram mortos nos enfrentamentos com as tropas do Governo Federal, ainda que tenha sido um dos episódios mais sangrentos da história das revoltas populares brasileiras.

Captura de tela 2013-03-11 às 11.13.29O Canal Bahiadoc, que traz uma série de conversas com realizadores baianos ligados ao campo da não-ficção, gravou uma conversa com Antônio Olavo como tema do quinto webdoc do projeto, que será publicado em breve e difundido em nossas redes. Os quatro webdocs anteriores estão disponíveis no espaço do Canal Bahiadoc. Acesse.

Carlos Pronzato participa do quarto webdoc do Canal

O quarto webdoc do Canal Bahiadoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, documentarista argentino, “pero tentando ser baiano há 23 anos”, como ele próprio diz. Gravamos a conversa na Casa de Cinema da Bahia. Em breve o webdoc estará disponível em nossas redes, dando continuidade aos trabalhos do Canal, projeto que realiza uma série de seis webdocs, com vinte minutos de duração cada, que trazem conversas com realizadores independentes de cinema e audiovisual que atuam na Bahia.

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Carlos Pronzato fala ao Bahiadoc

Sem deixar de atuar como diretor teatral, escritor e poeta, Pronzato realizou vários documentários cujas temáticas se relacionam estreitamente com as lutas sociais e os contextos políticos do Brasil e da Bahia, e também da América Latina, transitando entre o vídeoativismo e o documentário histórico e cultural, sempre a partir de um recorte de amplo olhar político.

Subvertendo a lógica dominante de distribuição audiovisual (por necessidade e pela característica de seu trabalho), Pronzato alcança um público vasto, porém não catalogado apenas em salas de cinema (costuma ele mesmo vender seus filmes em DVD, além de, em várias ocasiões e lugares, encontrar ou tomar conhecimento da difusão de seus trabalhos). O seu cinema autogestionado, embora lhe traga, por um lado, diversas dificuldades estruturais, lhe possibilita, por outro, plena liberdade na escolha e abordagem de seus temas, além de tornar possível uma dinâmica de produção ágil e diferenciada.

Na conversa com o Bahiadoc, Pronzato falou de sua trajetória, sua íntima relação com a América Latina e suas viagens e experiências pelo continente, as dificuldades que enfrenta ao fazer cinema, comentou acerca da sua militância com vistas à permanente transformação política e social frente às injustiças todas, e sobre a sua relação com a Poesia e a Arte, dimensões que já não separa de sua ação política.

Captura de tela 2013-06-09 às 23.01.31Pronzato realizou, ao longo de vários anos, diversos documentários, entre os quais “A Revolta do Buzu” e “Maio Baiano“, documentários que mostram manifestações de protesto que marcaram Salvador; documentários que tratam sobre a questão social da moradia, como “Pinheirinho – tiraram minha casa, tiraram minha vida” (Pronzato também finaliza este ano dois documentários sobre a luta organizada do Movimento dos Sem Teto); e documentários históricos, como “Carabina M2 – uma arma americana“, que revisita, através de entrevistas com figuras importantes da época, a captura e assassinato de Che Guevara na Bolívia; e “Carlos Marighella – quem samba fica, quem não samba vai embora“, que enfatiza principalmente o período da luta armada de resistência à Ditadura Militar, de 1964 até a morte de Marighella, em dezembro de 1969. Muitos outros trabalhos são listados no Blog do cineasta, com sinopse e outras informações.

Assista os três primeiros webdocs com realizadores baianos, já publicados no espaço do Canal Bahiadoc: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc