Salvador: filme Cuíca de Santo Amaro será exibido na praça Municipal na próxima terça-feira

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Notícia so sítio Política Livre

Na próxima terça-feira (19), a partir das 18h30min, será exibido na praça Municipal de Salvador o filme documentário “Cuíca de Santo Amaro”, dirigido por Joel de Almeida e Josias Pires. O evento promovido pelo projeto “Cinema na Praça” , da Fundação Gregório de Mattos, irá comemorar o aniversário de nascimento do poeta popular José Gomes (19/03/1907 – 21/01/1964), que entrou para a história de Salvador com o nome de Cuíca de Santo Amaro.

Produzido pela DocDoma Filmes, com o apoio do programa Petrobras Cultural, o filme foi concluído em janeiro de 2012 e tem 74 min de duração. “O Cuíca de Santo Amaro / Que de fato é O Tal / Abre o grande filme / Ao povo da capital / Pois o mesmo é, leitores / Convidado especial// De fraque e cartola / Parecendo um doutor / Cuíca de Santo Amaro / Renomado trovador / Faz sorrir a valer /Qualquer espectador.”

Cuíca de Santo Amaro já foi exibido no 17o. Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade (duas exibições no RJ e duas em SP); no V Festival do Cinema Latino Americano e Caribenho, na Venezuela; no projeto Cinema no Telhado, do Instituto Goethe, em Luanda, Angola; no Festival Internacional de Cinema de Arquivo, no Arquivo Nacional, Rio de Janeiro; no 3o. Cachoeira Doc – Festival de Documentários de Cachoeira; no Cine Futuro, VIII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, em Salvador; no IV Bahia Afro Film Festival, em Salvador; e na 16a. Mostra de Cinema de Tiradentes (MG).

Notícia so sítio Política Livre

Geraldo Sarno: ensaio sobre o Brasil

Nascido em Poções, na Bahia, em 1938, Geraldo Sarno é um nome fundamental na trajetória do moderno documentário brasileiro e da história do cinema no Brasil.

Em 1965, realizou Viramundo, considerado um clássico do documentário brasileiro, foi o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Geraldo Sarno começou no início dos anos 1960 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia. Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Abordou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre os quais participam Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra.

Geraldo Sarno realizou também longa-metragens de ficção, entre os quais Coronel Delmiro Gouveia (1977), belo filme que retrata a história real e trágica do empresário humanista Delmiro Gouveia, que no início do século XX em Alagoas, enfrentou o poder dos coronéis do nordeste e da indústria internacional. Confira a filmografia do diretor na Wikipedia.

VIRAMUNDO

Captura de tela 2013-03-09 às 10.10.59O clássico Viramundo, de 1965, realiza um ensaio sobre a migração de nordestinos para São Paulo, abordando as dificuldades de “integração” destes migrantes num ambiente onde imperam a racionalidade industrial e tecnológica, em oposição à tradição que predomina na cultura rural nordestina e sertaneja. A partir deste conflito, o filme mostra acontecimentos expressivos do drama vivido pelos migrantes, abrangendo a relação com a religião, com a política e com o trabalho, este marcado, de forma diferente mas tanto quanto no sertão, pelas injustiças sociais relativas à propriedade dos meios de produção e à exploração do indivíduo trabalhador.

Viramundo venceu o Festival de Evian (França) e conquistou os prêmios de melhor documentário nos festivais de Viña del Mar (Chile) e do Uruguai. Geraldo Sarno convidou Capinam e Caetano para comporem a canção tema do documentário, que foi interpretada por Gil. Nota-se que a letra da canção Viramundo é inspirada fundamentalmente em expressões usadas pelos entrevistados no filme: “Dando a safra com fartura, dá sem ter ocasião, parte fica sem vendagem, parte fica com o patrão”… O documentário foi votado por especialistas como um dos mais marcantes documentários brasileiros de todos os tempos em um levantamento realizado pelo festival É Tudo Verdade em 2000.

Assista Viramundo, de Geraldo Sarno:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Seminário Internacional “Ouvir o documentário: música, vozes e ruídos” acontece em Salvador e Cachoeira

O Seminário Internacional Ouvir o documentário: música, vozes e ruídos tem como objetivo principal contribuir para a pesquisa e para a reflexão acerca de questões comunicacionais, técnicas e estéticas relativas aos aspectos sonoros dos documentários. Ao privilegiar a análise de tais elementos, visa, igualmente, suprir uma lacuna importante da produção acadêmica recente sobre os documentários, que notadamente tem privilegiado a análise de seus elementos visuais.

Idealizado em parceria entre a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), busca intensificar o trânsito interdisciplinar e interinstitucional entre as Universidades, contribuindo para as estratégias de descentralização da produção e reflexão acadêmica, ao propor a realização das atividades do encontro nas cidades de Cachoeira e de Salvador, respectivamente no Centro de Artes, Humanidades e Letras (UFRB) e na Faculdade de Comunicação (UFBA). Simultaneamente, o evento objetiva o intercâmbio entre pesquisadores de outras instituições de ensino e pesquisa nacionais e internacionais que se dediquem ao estudo da temática, atuando, assim, para a ampliação do campo do conhecimento sobre aspectos sonoros dos produtos audiovisuais.

A proposta do Seminário Internacional Ouvir o documentário: música, vozes e ruídos se vê vinculada a um contexto de diálogos multidisciplinares, em que se espera que a imbricação entre as áreas de cinema, televisão e música se constitua enquanto objeto de reflexão.

Texto do Blog do Seminário: http://ouvirodocumentario.wordpress.com/

O doc “hera” foi apresentado ao público de Feira de Santana no Aberto CUCA 2012

O documentário “hera” (2012), realização independente do Bahiadoc, foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, como parte do Aberto CUCA 2012.

Ontem, sexta 14, exibimos o documentário “hera” no Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte, em Feira de Santana. Na platéia estavam os poetas Juraci Dórea e Roberval Pereyr, que participam do doc, e um diversificado público que acompanhou as diversas apresentações artísticas e culturais ao longo do dia, e manifestou alegria no final da exibição do “hera”.

O Aberto CUCA é um evento dinâmico e diversificado, que atrai gente de todas as idades, valoriza a cultura local, as manifestações sertanejas, oficinas de arte, performances conceituais, shows musicais de várias bandas locais profissionais e amadoras. Comparecem estudantes de escolas públicas e privadas, há espaço para manifestações improvisadas e a atmosfera é sempre de grande riqueza cultural.

O Bahiadoc Arte Documento agradece o convite para a participação no aberto CUCA 2012 e parabeniza a todos que realizam e participam do evento.

O documentário “hera” está disponível online na íntegra, e para quem quiser assistí-lo e/ou obter mais informações sobre o filme ou prefere adquirir o DVD, basta acessar o blog do doc em http://hera.bahiadoc.com.br/

Trailer do doc:

Apresentação do documentário “hera” em Feira de Santana

O documentário “hera” – realizado pelo Bahiadoc – será exibido com a presença dos diretores, em Feira de Santana, no dia 14 de setembro às 20h, como parte da programação do Aberto CUCA 2012.

O documentário hera (2012) traz encontros com seis poetas baianos de Feira de Santana, fundadores da revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

O documentário tem direção de Camele Queiroz e Fabrício Ramos, e é uma realização independente do Bahiadoc – arte documento.

APRESENTAÇÃO DO DOC HERA

Horário: 20:00 às 22:00h
Local: Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte. Telefone: (75) 3221-9766 E-mail: cuca@uefs.br

Trailer do documentário:

O ABERTO CUCA

O CUCA – Centro Universitário de Cultura de Arte é um centro cultural em Feira de Santana, fundado em 1995 pela UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana.

O aberto CUCA acontece no dia 14/09, das 8h às 23h, oferecendo uma ampla e variada programação que envolve diversas áreas artísticas e culturais, como dança, música, teatro, vídeo, artes visuais, cultura popular e literatura, com apresentações de grupos culturais, perfomances de artistas, exibição de filmes, oficinas, entre outras atividades.

PROGRAMAÇÃO

(clique nas imagens para ampliá-las)

No ar o segundo webdoc do Canal Bahiadoc

Confira o segundo webdoc do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs que trarão encontros com realizadores baianos.

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente gravou em São Paulo o seu depoimento, a pedido do Bahiadoc) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs, que trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia.

WALLACE NOGUEIRA – “ÁLBUM DE FAMÍLIA”

Wallace Nogueira (foto: Bahiadoc)

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o documentário Álbum de Família, um desafiador processo de aproximação entre pai e filho, sendo este o próprio cineasta.

Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar institucional da família e sua dimensão social e cultural, e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo que emerge de aspectos sociais e culturais historicamente estruturados no Brasil – uma intimidade que precisa ser, portanto, tematizada politicamente. Álbum de Família o faz com beleza e propriedade.

Wallace Nogueira, que – juntamente com Marcelo Matos de Oliveira – acaba de ganhar seis prêmios no Festival de Gramado com o curta de ficção Menino do Cinco, comentou sobre os desafios Éticos implicados em se fazer um filme como Álbum de Família, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização documentário deixou em seus trabalhos posteriores.

MÔNICA SIMÕES – “NEGROS”

Mônica Simões (Frame do vídeo).

Mônica Simões realizou o filme Negrosem 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de imagens de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000.

Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal. Além de compor uma colagem de amplo valor histórico, social e cultural, que aborda a construção da imagem do negro na Bahia, o documentário Negros participa, enquanto registro histórico e simbólico, de importante debate sociocultural e histórico acerca do pensamento crítico sobre o racismo no Brasil, debate que ainda não constitui uma unidade de pensamento e é marcado pela fragmentariedade de nossa compreensão analítica.

ISANA PONTES – “AS CORES DA CAATINGA”

Isana Pontes (foto: Bahiadoc)

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

TAMBÉM REALIZARAM PROJETOS ATRAVÉS DO DOCTV BAHIA:

Sebastian Gerlic
Tumbalalá Tupinambá: Irmãos do mundo

Eduardo Spillberg
Máquina de Fazer Democracia: Vida e obra de Anísio Teixeira

Lázaro Faria
Mandinga em Manhattan

Angel Dièz
Os Negativos

Os realizadores destes quatro últimos documentários mencionados não puderam
gravar, por diferentes razões, para o Bahiadoc – arte documento.

CANAL BAHIADOC

O escopo do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. As gravações deste segundo webdoc aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história de Salvador.

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal. Todas as informações e também o primeiro vídeo da série podem ser acessados no espaço do projeto: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Inscrições abertas para o III CachoeiraDoc

Inscrições abertas até 15 de setembro.

De 15 de agosto a 15 de setembro de 2012, cineastas podem inscrever seus documentários de curta, média e longa-metragem no III CachoeiraDoc – Festival de Documentários de Cachoeira, que acontecerá de 04 e 08 de dezembro de 2012 no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), na cidade de Cachoeira – Bahia.

O Festival busca fomentar a cultura do documentário através da exibição de filmes, oficinas, debates e ciclo de conferências. Os interessados devem enviar vídeos produzidos a partir de 2011, em qualquer formato, incluindo vídeos feitos por câmeras em celulares e câmeras digitais, e em película 16 mm e 35 mm. A formulário de inscrição, regulamento e mais informações podem ser obtidas no site www.cachoeiradoc.com.br.

O Festival acontece na cidade histórica de Cachoeira desde 2010. Nas duas edições anteriores cerca de 4.500 pessoas assistiram um total de 85 filmes documentários (73 nacionais). Na Mostra Competitiva Nacional, ao todo, foram inscritos 356 filmes de todas as regiões do país. Entre os 43 selecionados, 13 eram médias ou longas-metragem e 30 curtas-metragem.

Matéria original do sítio da Secult-Ba.

Projeto Canal Bahiadoc grava novo ciclo de conversas com realizadores baianos

Continuando as filmagens do Canal Bahiadoc, que realiza uma série de seis webdocs para difusão via internet abordando temáticas ligadas às artes visuais e cinematográficas na Bahia, conversamos, neste mês de julho, com os realizadores Wallace Nogueira, Mônica Simões (que muito gentilmente nos enviou seu depoimento em vídeo) e Isana Pontes – completando a pauta dos dois primeiros webdocs que é: conversas com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do programa DOCTV na Bahia. O escopo central do Bahiadoc é – além de contribuir para dar ressonância às obras documentais, de relevância cultural e social, de realizadores na Bahia – lançar discussões sobre programas públicos de incentivo à produção e a lógica do acesso aos bens culturais produzidos com recursos públicos. Desta vez as gravações aconteceram no Teatro Gamboa Nova, que colocou o belo e aconchegante espaço à nossa disposição. O Bahiadoc agradece o apoio, mantendo nossa nova tradição de utilizar locações de cuja representatividade simbólica e cultural marcam a história em Salvador.

Wallace Nogueira realizou pelo DOCTV IV, em 2009, o filme Álbum de Família, um corajoso e desafiador processo de aproximação entre um filho e um pai, sendo o filho o próprio cineasta.

Wallace Nogueira, de “Album de Família”. (Foto: Bahiadoc).

O documentário trata, portanto, da inquietude de um filho (o próprio Wallace) diante da morte de sua mãe, vítima de um câncer de mama que surge a partir de sua separação. Há alguns anos longe de seu pai e sem conhecer a sua atual família, decide revisitá-lo para com ele resgatar o álbum de fotos abandonado na antiga fazenda da família. Rodado nas estradas da Chapada Diamantina, Álbum de Família provoca reflexões sobre o lugar da dimensão institucional da família e sobre dramas de relações humanas. O difícil compromisso do realizador com o processo do filme legitima aspectos universais retratados a partir de um drama íntimo.

Wallace comentou sobre os desafios Éticos que envolvem um projeto desse tipo, sobre a importância do DOCTV para o desenvolvimento conceitual de sua proposta inicial e sobre as marcas que a realização de Álbum de Família deixou em seus trabalhos posteriores.

Mônica Simões realizou o filme Negros em 2009, também pelo DOCTV IV, documentário que revela a construção da imagem do negro na Bahia por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, de 1920 até 2000

Mônica Simões, de “Negros”. (Frame do vídeo).

O roteiro de Negros valoriza práticas do cotidiano em lugar da grande narrativa e da história oficial. A trilha é resultado de uma pesquisa sobre ritmos, sons e músicas afrobaianos, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.

Mônica, que está em São Paulo, gravou gentilmente o seu depoimento em vídeo e enviou ao Bahiadoc. Nele, a cineasta fala do seu trabalho, da sua relação com a produção de caráter documental e sobre questões de acesso aos bens culturais.

Isana Pontes realizou o documentário As cores da caatinga, de 2007, pelo DOCTV III. O filme investe contra a exploração irracional do meio ambiente e contra o “mito” de que caatinga e miséria são sinônimos.

Isana Pontes, de “As cores da caatinga” (foto: Bahiadoc)

As cores da Caatinga foi gravado no Raso da Catarina (nordeste da Bahia), lendário refúgio de Lampião e de Antônio Conselheiro, onde se localiza Canudos. O local serve como espaço de apresentação da caatinga, para além do estereótipo, por meio de dinâmicas como o turismo sustentável de observação das aves, a pesquisa sobre as plantas medicinais locais, a produção de doces de sabores exóticos e outras características da vida e das culturas da caatinga.

Isana falou também sobre seus trabalhos recentes e pontuou questões sobre tensões entre sua larga experiência jornalística e de autora de vídeoreportagens e o fazer documentário.

CANAL BAHIADOC

Esse ciclo de conversas encerra as pautas dos dois primeiros da série de seis webdocs do Canal Bahiadoc. Este segundo vídeo será publicado na primeira semana de setembro, no espaço online do Canal, onde já foi publicado o primeiro (e há informações completas sobre o projeto): http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc.

O Bahiadoc agradece aos realizadores pela participação e ao Teatro Gamboa Nova pelo espaço. O Canal Bahiadoc, que integra uma das iniciativas do Bahiadoc arte documento, é um projeto apoiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, através de edital de demanda espontânea de 2011.

Entrevista sobre o documentário “hera”

Reproduzimos a entrevista que os realizadores do documentário “hera” (2012) – Camele Queiroz e Fabricio Ramos – produzido pelo Bahiadoc, concederam a pedido do jornalista Antonio Nelson, do blog Sentinelas da Liberdade. Publicada originalmente em 28 de fevereiro deste ano, às vésperas da exibição especial no ICBA, a entrevista esclarece as motivações dos realizadores e comenta a experiência de fazer o documentário e reflete sobre educação. O documentário “hera” está disponível online na íntegra: no blog do projeto pode-se obter todas as informações e mesmo obter o DVD, para quem preferir: hera.bahiadoc.com.br

Por Antonio Nelson, em Sentinelas da Liberdade:

Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors.  A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!

Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?

Fabrício Ramos Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.

Camele Lyra Queiroz
Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.

A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?

F.R Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.

C.L.Q Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.

Excerto do documentário “hera”: o poeta Antônio Brasileiro critica o capitalismo e comenta sobre consumismo e o atual momento político do Brasil.

A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?

F.R Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.

C.L.Q A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.

A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?

F.R Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos,  do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.

C.L.Q A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Realizadores conversam com o artista plástico e poeta Juraci Dórea, que integrou o grupo Hera. Foto: Wagner Pyter.

A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?

F.R As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente  faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.

C.L.QSerá uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.

Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.

FICHA TÉCNICA:

“hera” (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário – cor – 1h23min – 2012 – HD–
*Antonio Nelson – www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com

Exibição do Documentário “Lugo: de Bispo a Presidente do Paraguai”

O filme retrata a ascensão do bispo Fernando Lugo à presidência paraguaia, interrompendo 61 anos de poderio do partido Colorado. A exibição, seguida de debate com as presenças do diretor Carlos Pronzato e do historiador Muniz Ferreira, será no dia 10 de julho, às 16 horas, no Auditório do Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador

O documentário Lugo, de Bispo a Presidente do Paraguai (2008, 50min), do diretor Carlos Pronzato, será exibido no dia 10 de julho, às 16 horas, no Auditório do Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador. Em seguida, Pronzato e o historiador Muniz Ferreira participam de debate sobre a temática, atual e contemporânea, que resvala sobre o recente impeachment sofrido pelo ex-presidente, que culminou na destituição de Lugo, então à frente do governo paraguaio.

O filme foi gravado durante os dias da ascensão de Fernando Lugo à Presidência, em 2008, registrando um caso raro no mundo, momento em que um bispo da Igreja Católica assume o cargo mais importante de um país. Ligado à Teologia da Libertação, ele era considerado o bispo do pobres justamente pelo histórico de luta relacionado aos movimentos sociais. Sua eleição abria uma nova etapa no Paraguai, onde o partido colorado há 61 anos estava no poder.

O processo de conquista social, com a eleição democrática de Lugo, demonstrou ser longo e difícil, principalmente pelo histórico de forças opostas dentro e fora do governo, culminando com crises internas e o recente golpe de estado sofrido pelo então presidente. Dentre as acusações que lhe foram imputadas, Lugo foi acusado “de mau desempenho de suas funções, negligência e irresponsabilidade” após a morte de 11 trabalhadores sem-terra e de seis policiais em um confronto armado durante a desocupação de uma fazenda. Após um processo parlamentar sumário, que durou pouco mais de 24 horas, ele foi destituído do cargo, sofrendo um “impeachment relâmpago”.
A exibição do filme Lugo, de Bispo a Presidente do Paraguai tem o apoio da Associação Baiana de Cinema e Vídeo e Associação Brasileira de Documentaristas (ABCV /ABD-BA) e da Casa de Cinema da Bahia.

Serviço:
Documentário: Lugo, de Bispo a Presidente do Paraguai, seguido de debate com o diretor Carlos Pronzato e o historiador Muniz ferreira
Quando: 10 de julho, às 16 horas
Onde: Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador , à Praça Tomé de Souza, s/n, Centro, Salvador-Ba.
Informações: 9239-3709 / 9916-1616 Caroll Assis

Conheça o catálogo de filmes de Carlos Pronzato em:
http://www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com.br/

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