Em agosto, Salvador tem fim de semana especial de cinema: Cinematógrafo (sáb, 25) e Sessão Double Bill (dom, 26)

Neste mês de agosto, dois eventos de Cinema buscam promover encontros com um público diversificado para ver os filmes e conversar sobre as relações do cinema com aspectos da vida e da arte.

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No último fim de semana de agosto, acontecem no Circuito de Cinema — Saladearte dois eventos para quem gosta de filmes e de conversar sobre cinema e suas as relações com a vida, a arte, o pensamento e a política, no sentido amplo do termo.

No sábado (25/8), às 16h30 no Cinema do Museu (Corredor da Vitória), o Cinematógrafo na Saladearte exibe “Iluminação”, filme do diretor polonês Krzysztof Zanussi, um dos expoentes da nowa fala, a nouvelle vague polonesa. O filme, lançado em 1973, acompanha a educação de um jovem adulto, desde sua entrada na universidade até o doutorado, ao mesmo tempo em que acompanha sua formação interior, seu aprendizado sobre a vida, família, sexualidade e valores morais e espirituais. O Cinematógrafo acontece mensalmente no Cinema do Museu, sempre no último sábado de cada mês. A curadoria é dos cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos (Muros, Quarto Camarim), que programam filmes de formas e temas diversificados e promovem, depois de cada sessão, uma conversa com o público debaixo da grande mangueira no pátio. Ingressos à venda no local no valor único de meia entrada para todos. Leia a nota dos curadores sobre o filme “Iluminação” aqui.

No domingo (26/8), às 10h na Saladearte da UFBA, a segunda Sessão Double Bill valoriza a tradição das matinês dominicais e traz para Salvador o conceito da dobradinha cinematográfica criada nos EUA nos 1940: o público de Salvador vai poder ver dois filmes com um só ingresso. A Sessão traz sempre um tema. Neste domingo, a conversa será sobre “utopia e desencanto nos anos 1960”. No programa, um dos filmes inaugurais do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague, “Paris nos Pertence”, primeiro longa de Jacques Rivette. Completa a sessão, um dos mais contundentes retratos geracionais do período, o documentário “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil. A ideia da Sessão veio do crítico, programador e curador da Double Bill, Adolfo Gomes. Também participam da curadoria os cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos. Adolfo apresentará os filmes e conduzirá o bate papo após a sessão. A Sessão Double Bill é bimestral e acontece sempre num domingo, na Saladearte da UFBA. Acesse mais detalhes sobre os filmes e sobre a sessão de agosto aqui.

Cópias restauradas

A Sessão Double Bill, neste mês, tem o apoio da Cinemateca Francesa no Brasil, que disponibilizou cópias restauradas dos dois filmes, trazidas ao Brasil especialmente para a sessão.

Um dos atrativos dos dois eventos, Cinematógrafo, que é mensal, e Double Bill, que é bimestral, é a oportunidade de ver filmes que dificilmente seriam exibidos em salas de cinema na cidade. Os usuários das redes sociais podem acompanhar a programação dos eventos nas respectivas páginas do Facebook: Cinematógrafo na Saladearte e Sessão Double Bill.

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Sessão “Double Bill” na Saladearte Cinema da Ufba promove reflexão sobre a utopia e o desencanto dos anos 1960

“Paris nos Pertence”, longa de estreia de Jacques Rivette, e o documentário “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil; são as atrações da sessão do dia 26 de agosto, às 10h. Um ingresso dá direito a ver os dois filmes.

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Após 50 anos, os ecos de maio de 1968 continuam a reverberar, seja como promessa utópica ou realidade desencantada. Para refletir e agregar novos olhares à questão, dois filmes e um breve bate-papo trazem de volta a atmosfera da década de 1960. Trata-se de mais uma Sessão “Double Bill”, o projeto que movimenta a Saladearte Cinema da Ufba, no domingo (26/08), a partir das 10 horas da manhã, com apoio da Cinemateca da Embaixada da França, no Rio de Janeiro.

No programa, um dos filmes inaugurais do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague, “Paris nos Pertence”, primeiro longa de Jacques Rivette. Completa a sessão, um dos mais contundentes retratos geracionais do período, o documentário “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil. O público de Salvador vai poder ver as duas obras com um só ingresso. É o conceito da “Double Bill”, que remonta as dobradinhas criadas nos EUA, nos anos 40.

Na versão baiana das tradicionais sessões duplas, além dos filmes, uma apresentação e um bate-papo com o público são organizados pelos curadores do evento, os cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz e o crítico de cinema Adolfo Gomes. É uma pequena maratona de imersão no cinema, através da filosofia, literatura e outras abordagens transversais — mas com direito a um intervalo de 20 minutos entre os filmes, para o lanche e maior interação dos presentes. A novidade da sessão do dia 26 de agosto é a participação do psicanalista e cinéfilo Lucas Jerzy, que mantém o blog de crítica cultural “O último Baile dos Guermantes” em http://www.ultimobaile.com/ , na condução dos debates.

Cópias restauradas

Como observado por François Truffaut na época do seu lançamento, “Paris nos Pertence” representa a possibilidade do cinema ao alcance de todos, a utopia da mudança de comportamento, da vida material, a partir da linguagem cinematográfica. Ao lado do documentário “Morrer aos 30 anos”, datado de 1982, mas cujos registros remontam o espírito de 1968; essas obras constituem um precioso instantâneo da esperança e do desencanto daquela década. E um atrativo adicional é a disponibilização, por parte da Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro, de cópias restauradas dos dois filmes, trazidas ao Brasil especialmente para a sessão.

Filmes: “Paris nos Pertence”, de Jacques Rivette, e “Morrer aos 30 anos”, de Romain Goupil. Apoio: Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro.

Sinopses dos filmes:

Paris nos Pertence (Paris Nous Appartient, FRA, 1961). Direção: Jacques Rivette. Ficção, 141 minutos. Classificação: 14 anos

Sinopse — Jovem estudante encontra por acaso um grupo de teatro que ensaia exaustivamente, mas sem recurso algum, a peça “Péricles”, de Shakespeare. Quando aceita atuar se descobre envolvida numa misteriosa conspiração política.

Morrer aos 30 anos (Mourir à 30 ans, FRA, 1982). Direção: Romain Goupil. Documentário, 95 minutos

Sinopse — Após o suicídio de seu amigo Michel Récanati, Romain Goupil se interroga a respeito de seu passado militante na extrema esquerda da CAL (Comités d’action lycéens). Ele insere em meio a imagens de assembleias gerais e manifestações em torno de 1968, documentos íntimos e depoimentos de antigos companheiros que partilharam desse momento. Em forma de filme, Goupil traça o retrato de uma geração. Câmera de Ouro no Festival de Cannes de 1982.