Sete perguntas sobre a mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro

Reproduzimos abaixo a entrevista, feita por Felipe Ferreira para o site CinemAção, com os realizadores e curadores do Cine Odé – Cinema no Terreiro, Camele Queiroz e Fabricio Ramos. A entrevista, publicada originalmente naquele site no dia 14 de abril de 2016, aborda as experiências de Fabricio e Camele com o Terreiro, reflete sobre a intolerância religiosa e outros temas ligados ao Cinema e mesmo à Política. As respostas foram elaboradas conjuntamente pelos curadores e enviadas ao site CinemAção por email.

A ENTREVISTA

1. O “Cine Odé – Cinema no Terreiro” é um projeto que une a cultura cineclubista à um resgate histórico e autoafirmativo do candomblé. Essa intertextualidade entre o cinema e a fé ancestral entre Brasil e África colabora na quebra do imaginário e dos preconceitos que cercam essa religiosidade?

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Conversas após as sessões são marcadas pela ampla participação do público.

O cinema é expressão também de nossa cultura. Se olharmos com atenção, desde os anos 1950 as tradições afro-brasileiras aparecem no Cinema, mas às vezes de forma ambígua. O cinema Novo, no início dos anos 1960, em filmes de Glauber (Barravento, 1961) e mesmo de Geraldo Sarno (Viramundo, 1965), tendia a considerar a religião, qualquer religião, um fator de alienação do povo. A exceção da época foi “O Pagador de Promessas”, que mostrou uma visão mais simpática do Candomblé e abordou a marginalização e a intolerância das religiões africanas diante de religiões institucionalizadas. Este, inclusive, é o filme de nossa quarta sessão mensal, a sessão de abril, que começa no dia 30. Depois a coisa foi mudando. O próprio Geraldo Sarno fez “Espaço Sagrado” (1976), documentário que passamos na Mostra e que busca revelar e aprofundar o conhecimento de ritos e fundamentos do Candomblé. Glauber também passou a problematizar mais conflituosamente a razão e o misticismo em seus filmes. E muitos outros filmes (desde Nelson Pereira dos Santos até diversos documentários independentes) apareceram revelando visões mais diversificadas, simpáticas às religiões africanas, respeitando a sofisticação da cultura dos Orixás e buscando revelar a riqueza das tradições religiosas que sincretizaram, junto à religião dominante, conhecimentos de origens africanas e indígenas. Portanto, essa rica cinematografia que apareceu com essas outras visões,  inclusive filmes realizados por adeptos das religiões, existe e o problema agora é a lógica do acesso a ela: precisa ser mostrada, exibida, conhecida. Temos a internet que disponibiliza vários desses filmes. Mas a experiência coletiva de ver o filme, essa partilha presencial e, mais ainda, dentro do Terreiro, é poderosa. Acreditamos que o cinema tem um poder sem igual para revelar aspectos da própria vida, das visões sobre a vida, a cultura, a fé humana, e de interferir no imaginário das pessoas e de estimular descobertas e a reconfigurar relações e visões de mundo.

Captura de Tela 2016-05-17 às 11.12.292. A exibição dos filmes acontece dentro do Terreiro de Odé, em Ilhéus-BA. A acessibilidade do público ao solo sagrado dos orixás e das divindades africanas, foi pensando intencionalmente como instrumento de ruptura do distanciamento entre o espaço religioso e o imaginário humano?

Não foi uma intenção consciente, buscando possíveis efeitos simbólicos ou práticos, embora temos visto que sim, o Cine Odé, a cada sessão, tem diminuído distanciamentos, seja entre moradores do bairro e o Terreiro, entre os filhos de santo da casa e mesmo entre pessoas que nunca tiveram nenhum contato com o terreiro, às vezes nem com a  religiosidade, mas que apareceram lá atraídos pelo Cinema e afirmaram que a experiência foi marcante, pelo filme e pelo local, pelo conjunto de fatores, que impactam o imaginário. O Terreiro de Odé tem uma história muito rica, mas atravessada pela tragédia que foi o assassinato de seu fundador, dentro do Terreiro. Para nós, a história do terreiro não é única, mas emblematiza as histórias de resistência e afirmação que marcam as lutas das religiosidades de matrizes africanas e indígenas por suas permanências. O Terreiro de Odé já não opera como terreiro propriamente. O espaço está lá, depois de enfrentar abandono e situações críticas devido a vários fatores delicados, tentando se manter de pé como um espaço voltado para a o conhecimento da cultura dos Orixás e do seu fundador, Pedro Faria, que teve uma trajetória importante na paisagem religiosa de Ilhéus e em toda a região. Pensamos que a Mostra Cine Odé contribui com a dinamização do espaço, e o próprio espaço, por sua história e beleza, intensifica e amplia o impacto dos filmes, cujas temáticas se ligam à valorização e ao conhecimento das religiões africanas e indígenas. Sob certo ponto de vista, a experiência de ver um filme se relaciona com uma a experiência do sagrado, requer uma certa comunhão, certa imersão. Talvez por isso as conversas livres com o público depois de cada exibição no Cine Odé tenham sido, até aqui, muito intensas e emocionantes.

3. Em diversos veículos de comunicação – principalmente na internet – vemos casos de violência e desrespeito oriundos de um sentimento de intolerância religiosa cada dia mais intenso e nocivo. Qual o papel que o “Cine Odé” tem nessa luta dos terreiros e seus membros contra as manifestações de ignorância e ausência de alteridade que o candomblé é vítima até os dias atuais?

Esperamos que o Cine Odé, dentro de seus limites, alcance nas pessoas que participarem o mesmo que alcança em nós: não somos adeptos de nenhuma religião, mas nos sentimos gratificados de conhecer e vivenciar, em alguma medida, a riqueza e os mistérios dessas tradições religiosas, que são vívidas, experienciais. Acreditamos que as pessoas não nascem para ser intolerantes e desrespeitosas. Como dizia Pasolini, se referindo aos jovens que se comportavam como fascistas:  “Talvez uma simples experiência diversa na sua vida, apenas um simples encontro, tivesse bastado para que seu destino fosse outro”. Acho que a arte, e o Cinema, são capazes de promover, de favorecer, esse encontro singelo e transformador. Se o Cine Odé tem algum papel, é esse: o de reconhecer o valor desses encontros e de apostar no cinema como um encontro.

4. As sessões do cineclube são resultados de uma curadoria conjunta entre vocês dois. O processo de escolha dos filmes segue algum método especial, ou ele é exclusivamente guiado por critérios artísticos que definem qual filme será exibido ou não? 

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Exibição de “O pagador de Promessas” na sessão de abril.

O critério primeiro que nos orienta na escolha dos filmes é no sentido de privilegiar a grande variedade de representações cinematográficas na história do nosso cinema nacional com filmes nos quais o universo das religiões de matriz africana é colocado em cena, sejam eles documentais ou de ficção. Outro critério que sempre estamos atentos é mesclar, numa mesma sessão, filmes que se complementem ou mesmo que se contradigam, refletindo as próprias práticas religiosas que, embasadas em tradições orais, se diversificam e se diferenciam de região para região, às vezes até de uma casa para outra. O filme “Santo Forte”, de Eduardo Coutinho, por exemplo, gerou uma discussão enérgica, assim como “Professor Agenor”, de Marcelo Serra e Freddy Ribeiro, que exibimos em março. São filmes que refletem idiossincrasias e visões religiosas diferenciadas, ainda que referenciadas essencialmente pelas mesmas origens. Outro fator que interfere muito nas nossas escolhas é ir sentindo o que mais mobiliza o público e com isso vamos equacionando a programação aos anseios e desejos do público. Para além dos critérios artísticos ou formais, a história do terreiro de Odé nos move em busca de filmes que, de alguma maneira, reflitam e potencializem o caráter de resistência e de reconhecimento da cultura afro-índia. Muitos curtas, por exemplo, são filmes independentes descobertos – ou garimpados – em pesquisas incertas no Youtube, orientadas apenas pela vontade de descoberta de algo novo, às vezes desconhecido, mas que ao assistirmos provocasse algo que harmonize com as razões do Cine Odé.

5) A idealização do projeto partiu de alguma identificação e/ou experiência pessoal de vocês com a temática ou foi fruto de uma livre escolha de caráter cultural, artístico e social?

O cinema nos aproximou pontualmente do Terreiro de Odé. Em 2003, ano da morte de Pedro Faria, Fabricio fez um curta sobre religiosidade em Ilhéus. Não conhecia Pedro Faria nem o terreiro, nem pôde entrar ou falar com ninguém lá, porque o terreiro estava de Luto. Dez anos depois, retomamos o mesmo tema daquele curta e voltamos a Ilhéus, sem saber o que encontraríamos nem sequer fazer contato prévio com alguém ligado ao terreiro. Mas chegando em Ilhéus, a experiência de fazer o filme se transformou em um processo de descobertas. Resultou no nosso curta “As Cruzes e os Credos”, finalizado em 2014. Fazer o filme nos aproximou de Maria Marta, filha de santo de Pedro Faria e liderança que, com a ajuda de algumas pessoas, luta para manter de pé o terreiro de Odé. Surgiu uma relação de amizade que nos levou a pensar em realizar o projeto: exibir filmes no Terreiro, promover conversas sobre os filmes e ver a casa cheia de gente e de ideias, se não em torno de um evento religioso, em torno de um evento cultural e artístico, com impacto social.

6) O “Cine Odé” estimula a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matizes africanas e indígenas, e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT). O apoio dos órgãos públicos à projetos engajados na propagação de conhecimento e na facilitação do acesso à novas culturas e produtos culturais diversificados, seria um dos vieses importantes e eficazes nesse combate ao preconceito e ao ódio religioso?

Contra o ódio, a arte. E a arte e a cultura precisam de estímulos para se concretizarem, tornando as políticas públicas culturais cruciais para o desenvolvimento cultural, a diversificação de iniciativas e para a criação artística. Os editais públicos são mecanismos de democratização do acesso aos recursos governamentais. Trata-se de um mecanismo em disputa e compete à sociedade e aos agentes do setor cultural propor e definir as políticas culturais mais democráticas e adequadas, considerando essa uma luta política e social relevante, e não uma dádiva governamental. Por isso, os mecanismos como os editais devem ser debatidos, criticados, repensados e melhorados continuamente, regulamentados como Lei, e não como mera política de governo, suscetível de ser interrompida a qualquer tempo. O fato é que o Cine Odé só é possível por conta dessas políticas, no caso, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e do edital de Agitação Cultural, que inclusive enfrenta vários problemas e protestos por conta de falhas em encaminhamentos da secretaria, apontadas por vários proponentes. O nosso projeto aconteceu, mas também enfrentou sérios problemas frente à Secult. Isso mostra que, por um lado, os editais são suscetíveis de falhas e precisam ser melhorados, tanto na gestão técnica, gerencial e conceitual quanto na transparência do processo, e por outro, que é importante que eles existam e dinamizem urgente e democraticamente a nossa produção cultural. É esse o desafio político de todos aqueles que querem realizar a Cultura através de ações e expressões concretas.

7) Façam um convite especial para os cinéfilos, os admiradores da cultura do candomblé e as pessoas que lá no fundo ainda guardam um certo receio em relação as práticas religiosas dos terreiros, para irem até Ilhéus e conferirem as próximas sessões do “Cine Odé – Cinema no Terreiro”. 

O Cine Odé, que começou em janeiro e vai até junho, acontece sempre no último final de semana de cada mês, lá em Ilhéus. As sessões tem apresentado filmes diversificados e um público crescente. A Mostra oferece uma Van para facilitar o acesso do público ao Terreiro de Odé, que fica no Alto do Basílio, cujo acesso não é difícil, mas também não é tão fácil (é preciso subir uma boa ladeira). A casa já não funciona como um Terreiro, mas quer se consolidar como espaço cultural voltado para o conhecimento da cultura dos Orixás e que preserve também a memória de seu fundador, Pedro Faria. Apesar de ser tombado pela Prefeitura de Ilhéus, somente de poucos anos para cá o Terreiro se recuperou, com muita luta, do estado de abandono. Por tudo isso, a presença de cada um é vital. A cada sessão, contamos com a participação de uma convidada ou convidado especial para conversar depois das exibições: artistas, pesquisadores, amigos do terreiro etc. Os filmes que temos escolhido valorizam o interesse e a participação ativa do público e a participação não requer qualquer tipo de aprovação. Ao contrário, a crítica e o debate, sempre respeitosos, são desejados também, aliás, são imprescindíveis, fica aí a nossa provocação. Por tudo isso, as experiências nas sessões têm sido marcantes e queremos que sejam ainda mais. Todos estão convidados a vivenciar o cinema como “espaço sagrado” da arte em relação direta com a vida e com as realidades sociais concretas que, em meio à resistência e afirmação, demonstram profunda identificação com a arte e a expressão cinematográfica. Toda a programação e informações sobre as sessões da Mostra podem ser acompanhadas no site do projeto Cine Odé e na página da Mostra no Facebook, para os adeptos da rede social. Garantimos apenas que a alegria pela participação de cada um será mútua!

Entrevista publicada originalmente no site CinemAção.

CINE ODÉ – CINEMA NO TERREIRO

CARTAZA mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro [site da mostra] tem a proposta de tornar o Terreiro de Odé, que fica localizado no Alto do Basílio, em Ilhéus, em um espaço cultural voltado para o cinema. A mostra é mensal, acontece desde janeiro e vai até junho de 2016, com sessões gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui filmes consagrados até vídeos descobertos no Youtube, desde que as temáticas se liguem à valorização e ao conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.Para acompanhar a Mostra Cine Odé, curta a página no Facebook (clique aqui). Veja as fotos da sessão de abril na galeria de fotos (clique aqui).

O Cine Odé disponibiliza uma van exclusiva do projeto para facilitar o acesso do público ao local da mostra. Mais informações pelo telefone  (73) 98110-5773.
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“Muros” no FIDOCS, Festival de documentários do Chile

Captura de Tela 2015-09-21 às 20.04.48O curta “MUROS“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da seleção oficial da Mostra Internacional do Festival Internacional de Documentales de Santiago, FIDOCS, em sua 19a. edição, um dos festivais mais destacados da América Latina. O FIDOCS, que foi fundado em 1997 pelo realizador Patrício Guzmán, acontece de 22 a 27 de setembro de 2015 em Santiago.

Na programação do Festival, MUROS passa na quarta, 23 de setembro, e na sexta, 25, ambas as sessões no teatro GAM, Centro Cultural Gabriela Mistral. A programação completa do FIDOCS pode ser acessada no site do festival.

O MUROS participa da COMPETENCIA INTERNACIONAL DE CORTOMETRAJES “MONSIEUR GUILLAUME”: mostra internacional oficial do festival que foi inaugurada em 2013 e que seleciona filmes que valorizem o uso reflexivo e vanguardista da linguagem cinematográfica, segundo a definição do próprio Festival. A Mostra foi apoiada pelo consagrado cineasta Chris Marker, pouco antes de morrer, e em sua homenagem e com sua autorização, leva o nome de seu famoso gato Guillaume-en-Egipto”.

Além das Mostras nacional, latinoamericana e internacional, o FIDOCS apresentará os novos trabalhos de Patricio Guzmán, Joshua Oppenheimer y Win Wenders, entre outros filmes esperados.Acompanhe os eventos e as notícias pelo site do festival.

Depois do FIDOCS, o MUROS passa no 15º Goiânia Mostra Curtas (6 a 11 de outubro); na 11a. Mostra Cinema Conquista, em Vitória da Conquista-BA (4 a 9 de outubro); no CineFest Gato Preto em Lorena-SP (29 de outubro a 1 de novembro); e no MiradasDoc, na Espanha (1 a 7 de novembro).

Acompanhe os caminhos do MUROS no blog do curta.

Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Premiado entre os 10 favoritos do Público. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

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Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.14 MiradasDocFestival Internacional de Cine Documental de Guía de Isora – Espanha. Mostra Oficial. 1 a 7 de novembro de 2015.

Captura de Tela 2015-09-08 às 12.35.51Mostra Cinema Conquista Ano 11Vitória da Conquista/BA. 4 a 9 de outubro de 2015.

Curtas “Muros” e “As Cruzes e os Credos” no FECIBA 2015, em Ilhéus

Captura de Tela 2015-06-03 às 13.30.52A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano exibe dois filmes que trazem o selo do Bahiadoc, ambos dirigidos por Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

MUROS

Exibição: 12 de junho (sexta). 10h e 17:30h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Muros leveMuros (2015), que participa da Mostra Competitiva, a precariedade urbana e arquitetônica de favelas brasileiras é colocada em questão por Rogério Ferrari, fotógrafo que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e em campos de refugiados. O filme reflete sobre realidades sociais, históricas e culturais através do encontro entre Fotografia, Cinema e moradores de bairros periféricos de Salvador. O filme teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura da Bahia, contemplado em edital público Setorial de Audiovisual de 2013, realizado pela Funceb.

Blog do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

AS CRUZES E OS CREDOS

Exibição: 8 de junho (segunda). 17h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Cruzes 300dpi JPG_10_8As Cruzes e os Credos (2014) participa da Mostra Bahia Adentro. O curta mostra um encontro com o mistério e a fé a partir das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e de um bispo (Pai Pedro e Dom Tepe, ambos de Ilhéus), refletindo as imbricações entre catolicismo e candomblé. O filme foi viabilizado através de financiamento coletivo nas redes sociais e participou de Festivais Internacionais, como a Mostra Oficial do Fenavid – Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolivia 2014; e a Mostra Oficial do I Somos Afro, Festival Virtual de Curtas sediado na Colômbia.

Blog do curta: https://ascruzeseoscredos.wordpress.com

O FECIBA

A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano – Será realizado entre os dias 07 e 13 de junho no Cine Santa Clara, em Ilhéus-BA. O Festival promove uma programação variada, composta por mostras de filmes, homenagens, premiação, oficinas de formação para o audiovisual e workshops, além de promover o encontro entre os realizadores e o público, através de bate-papos presenciais e on-line. Saiba mais no site do Festival.

Documentário “Profissão de vaqueiro” registra viagem dos vaqueiros ao Senado

“Profissão de Vaqueiro”, documentário que acompanha a viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília, estará disponível na íntegra através da internet em breve

Vaqueiros CRTAZ arte 3 defA convite do antropólogo Washington Queiroz, Fabricio Ramos e Camele Queiroz, do Bahiadoc – arte documento, embarcaram num ônibus junto com trinta e dois vaqueiros vindos de diferentes regiões do sertão da Bahia. A comitiva seguiu para Brasília, rumo ao Plenário do Senado Federal, para acompanhar a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre o reconhecimento da profissão de vaqueiro no país. A viagem aconteceu entre 22 e 25 de setembro de 2013, e no dia 24 de setembro o projeto foi aprovado no Senado, seguindo então para a sanção da Presidente da República. Em Brasília, reuniram-se a comitiva da Bahia vaqueiros de Pernambuco, do Piauí, de Alagoas e do Maranhão, somando mais de cento e trinta vaqueiros encourados, vestindo gibão, peiteira, perneira e chapéu de couro, todos no interior do Plenário do Senado

Captura de tela 2013-10-02 às 11.20.16Coube ao Bahiadoc produzir a memória audiovisual da viagem, que resultou no documentário Profissão de Vaqueiro (30min), dirigido e produzido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizado com o apoio de Washington Queiroz. O antropólogo se dedica, há mais de trinta anos, à luta pelo reconhecimento simbólico e efetivo da atividade tradicional do vaqueiro.

Para Washington, que articulou com grande esforço a viagem dos vaqueiros a Brasília, a figura do vaqueiro é protagonista do maior fenômeno sócio-cultural-econômico de fixação e unidade em toda a região Nordeste e em outras regiões do país. “O vaqueiro”, lembra, “foi quem crivou o território baiano com locais de pouso e currais que se transformariam nas primeiras cidades do interior da Bahia e do Nordeste”.

Captura de Tela 2013-10-02 às 19.39.46Como realizadores, pudemos prosear com os vaqueiros durante a viagem e conhecer um pouco de suas vidas. A história de muitos deles, sobretudo daqueles que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga, revela muita coragem e fé, mas também realidades sociais dramáticas, injustas e muito graves. O documentário não resume a história dos vaqueiros, nem a isso se propõe: apresenta a memória filmada dessa viagem que os vaqueiros fizeram para testemunhar um momento histórico no país, que é parte de um processo de reconhecimento do vasto patrimônio cultural do sertanejo, que tanto vivifica o árido bioma da caatinga, com a sua legião de seres encantados, bois ideados ou com maçãs; as suas relações com o sagrado, com o enfrentamento da morte sempre próxima, e a cultivar a vida, amores e paixões, tão bem expressas na arte em couro, metal, madeira, barro e palha que caracteriza os saberes e fazeres dos vaqueiros do sertão, que se manifestam na música, no aboio, na literatura, na gastronomia, na medicina, na mitologia.

image3066O Bahiadoc, em nome dos diretores Fabricio Ramos e Camele Queiroz, parabeniza a todos os vaqueiros da Bahia e do Brasil e agradece ao antropólogo Washington Queiroz pela parceria que culminou na realização de Profissão de Vaqueiro.

Aos interessados, informamos: o documentário será distribuído para os vaqueiros participantes da viagem e em breve estará acessível na íntegra através da internet.