Documentário Hera no Festival InVerso

Festival de Arte e Cultura em Feira de Santana exibirá o doc “hera” (2012)

Captura de tela 2013-10-17 às 23.19.57No próximo 23 de outubro em Feira de Santana/Ba, o Festival InVerso de Arte e Cultura, promovido pela DiaboA4 Editora e pelo Feira Coletivo Cultural, vai exibir o documentário Hera, realização independente do Bahiadoc – Arte Documento, dirigida por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, que traz conversas com poetas baianos fundadores da revista literária Hera, que marcou a cena cultural na Bahia. Mais sobre o doc: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

TRAILER DO DOC

[vimeo https://vimeo.com/39518201 w=570&h=320]

SOBRE O FESTIVAL

Em sua primeira edição, o Festival InVerso traz como tema central a reflexão sobre a vida urbana a partir de um olhar sobre Feira de Santana, promovendo uma série de atividades artísticas que acontecerão ao longo de 3 dias (23,24 e 25 de outubro de 2013) no Museu de Arte Contemporânea (MAC). Além da exibição do documentário “hera”, a programação traz oficinas artísticas, exposição com os cartazes dos eventos realizados pelo Feira Coletivo Cultural nos seus 5 anos de atuação na cidade, apresentações de dança com a Trupe Mandhala, shows com bandas locais, bem como a abertura da exposição fotográfica e o lançamento da antologia de poemas Cidade, fotógrafos e poetas da região de Feira de Santana com trabalhos inéditos sobre suas experiências na urbe.

Evento no Facebook e programação completa: https://www.facebook.com/events/372923662839348/?ref=22

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Desafios do Bahiadoc – arte documento: partilhando perspectivas

O que é e o que quer o Bahiadoc - arte documento?

Ao mesmo tempo em que partilhamos as nossas perspectivas para este ano de 2013, nós lembramos as ações que concretizamos até aqui, num ávido processo de construção e de luta a caminho da consolidação de mais um espaço que valoriza o campo do audiovisual na Bahia através das redes e das potencialidades da Cultura Digital.

O BAHIADOC

BAHIA-DOCO Bahiadoc – arte documento é uma iniciativa online, cuja plataforma foi lançada em julho de 2011. Coordenado por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizadores independentes e agentes culturais, o Bahiadoc tem como principal objetivo a promoção de novos espaços de articulação, informação, discussão e reflexão sobre o cenário audiovisual contemporâneo na Bahia, com ênfase em realizações e contextos relacionados ao campo de não-ficção e videoarte.

Num mundo regido pela insaciabilidade do olho, que torna imperativo o pensamento e o debate crítico sobre uma “nova ética do ver”, queremos discutir a prática do documento e as questões que a experiência audiovisual documental na Bahia instaura em sua prática e história. Valorizamos, portanto, as realizações de artistas e cineastas baianos (ou que atuam e vivem na Bahia) e – através de suas obras – buscamos pensar as relações entre o artístico e o documental, entre o Belo e o Verdadeiro, entre a História e as visões de mundo autorais.

Aliás, a nossa ideia de valorizar o campo de não ficção na Bahia centra-se na perspectiva de que a produção documental de um lugar acaba por constituir um processo social de produção de sentido: interpretações fragmentárias do mundo que podem conter expectativas de descentramento da totalidade e de relativização das representações dominantes. Pesquisar, informar e difundir – priorizando a lógica do acesso às obras – as realizações que revelam diversos aspectos que compõem diferentes realidades na Bahia e relacionam tais realidades locais àquelas outras de todas as partes e todas as épocas, é trabalho que coopera para o conhecimento e para a autovalorização de nossa cultura e de nossa arte.

O Bahiadoc, entretanto, encontra-se em processo de consolidação e muitos ajustes e melhoramentos deverão ser implementados assim que possível. Por exemplo, a reestruturação da arquitetura da informação e o aprimoramento da interface gráfica do ambiente da Comunidade e do Fórum (já existentes, porém com funcionalidades limitadas), favorecerá o crescimento do número de usuários e o aumento qualitativo das participações, e fortalecerá as interações entre os colaboradores que participam do sítio, gerando novos espaços de articulação em rede voltados para diversos agentes que se relacionam com o campo audiovisual.

São esses os nossos desafios para 2013, juntamente com a criação e realização de novos projetos documentais e artísiticos. Estabelecer parcerias com cineclubes da bahia para trocas e ações conjuntas; articular projetos com coletivos e grupos de realizadores; ampliar os nossos bancos de dados para auxiliar pesquisas sobre audiovisual na Bahia; e fomentar e fortalecer interações entre a gente que faz audiovisual, formando redes e estabelecendo meios de efetiva e ampla interação. Estamos trabalhando para realizar essas ideias. Avante!

O BAHIADOC EM 2012

O Bahiadoc iniciou as suas ações lançando o sítio online em julho de 2011, a partir do apoio da Funarte. Depois, através do apoio do Fundo de Cultura da Bahia, passamos a produzir o Canal Bahiadoc. Em 2012, realizamos o documentário “hera”, produção independente que traz conversas com seis poetas baianos do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional.

CANAL BAHIADOC

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O Canal Bahiadoc realiza uma série de 06 (seis) vídeos para difusão via internet, produzidos com regularidade trimestral, com temáticas ligadas às artes visuais na Bahia que se relacionam com o campo da não-ficção e com a cena independente.
O dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador.

Assista o terceiro webdoc:

O terceiro webdoc traz um encontro com o CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo de jovens cineastas que ousam dinamizar novos processos de produção para viabilizar suas produções coletivas que marcam presença em vários festivais, conquistando prêmios e promovendo ações de formação e discussão sobre cinema e vídeo na Bahia.

DOCUMENTÁRIO HERA

Captura de tela 2013-03-02 às 00.54.01Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas. O doc “hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Trailer do doc:

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendar os poetas nem conformar biografias, mas antes se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012. Em setembro de 2012, o doc “hera” foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, a convite do Aberto CUCA 2012.

Este é o blog do Bahiadoc. O sítio principal do Bahiadoc é: http://www.bahiadoc.com.br

O sítio especial do projeto Canal Bahiadoc, no qual se pode acessar todos os webdocs produzidos até aqui, é: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Todas as informações sobre o documentário “hera”, incluindo o acesso ao doc na íntegra online, a ficha técnica e meios de aquisição, estão no sítio especial do “hera”, em: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

O doc “hera” foi apresentado ao público de Feira de Santana no Aberto CUCA 2012

O documentário “hera” (2012), realização independente do Bahiadoc, foi exibido no Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana, como parte do Aberto CUCA 2012.

Ontem, sexta 14, exibimos o documentário “hera” no Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte, em Feira de Santana. Na platéia estavam os poetas Juraci Dórea e Roberval Pereyr, que participam do doc, e um diversificado público que acompanhou as diversas apresentações artísticas e culturais ao longo do dia, e manifestou alegria no final da exibição do “hera”.

O Aberto CUCA é um evento dinâmico e diversificado, que atrai gente de todas as idades, valoriza a cultura local, as manifestações sertanejas, oficinas de arte, performances conceituais, shows musicais de várias bandas locais profissionais e amadoras. Comparecem estudantes de escolas públicas e privadas, há espaço para manifestações improvisadas e a atmosfera é sempre de grande riqueza cultural.

O Bahiadoc Arte Documento agradece o convite para a participação no aberto CUCA 2012 e parabeniza a todos que realizam e participam do evento.

O documentário “hera” está disponível online na íntegra, e para quem quiser assistí-lo e/ou obter mais informações sobre o filme ou prefere adquirir o DVD, basta acessar o blog do doc em http://hera.bahiadoc.com.br/

Trailer do doc:

Apresentação do documentário “hera” em Feira de Santana

O documentário “hera” – realizado pelo Bahiadoc – será exibido com a presença dos diretores, em Feira de Santana, no dia 14 de setembro às 20h, como parte da programação do Aberto CUCA 2012.

O documentário hera (2012) traz encontros com seis poetas baianos de Feira de Santana, fundadores da revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

O documentário tem direção de Camele Queiroz e Fabrício Ramos, e é uma realização independente do Bahiadoc – arte documento.

APRESENTAÇÃO DO DOC HERA

Horário: 20:00 às 22:00h
Local: Teatro do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte. Telefone: (75) 3221-9766 E-mail: cuca@uefs.br

Trailer do documentário:

O ABERTO CUCA

O CUCA – Centro Universitário de Cultura de Arte é um centro cultural em Feira de Santana, fundado em 1995 pela UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana.

O aberto CUCA acontece no dia 14/09, das 8h às 23h, oferecendo uma ampla e variada programação que envolve diversas áreas artísticas e culturais, como dança, música, teatro, vídeo, artes visuais, cultura popular e literatura, com apresentações de grupos culturais, perfomances de artistas, exibição de filmes, oficinas, entre outras atividades.

PROGRAMAÇÃO

(clique nas imagens para ampliá-las)

Entrevista sobre o documentário “hera”

Reproduzimos a entrevista que os realizadores do documentário “hera” (2012) – Camele Queiroz e Fabricio Ramos – produzido pelo Bahiadoc, concederam a pedido do jornalista Antonio Nelson, do blog Sentinelas da Liberdade. Publicada originalmente em 28 de fevereiro deste ano, às vésperas da exibição especial no ICBA, a entrevista esclarece as motivações dos realizadores e comenta a experiência de fazer o documentário e reflete sobre educação. O documentário “hera” está disponível online na íntegra: no blog do projeto pode-se obter todas as informações e mesmo obter o DVD, para quem preferir: hera.bahiadoc.com.br

Por Antonio Nelson, em Sentinelas da Liberdade:

Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors.  A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!

Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?

Fabrício Ramos Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.

Camele Lyra Queiroz
Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.

A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?

F.R Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.

C.L.Q Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.

Excerto do documentário “hera”: o poeta Antônio Brasileiro critica o capitalismo e comenta sobre consumismo e o atual momento político do Brasil.

A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?

F.R Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.

C.L.Q A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.

A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?

F.R Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos,  do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.

C.L.Q A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Realizadores conversam com o artista plástico e poeta Juraci Dórea, que integrou o grupo Hera. Foto: Wagner Pyter.

A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?

F.R As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente  faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.

C.L.QSerá uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.

Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.

FICHA TÉCNICA:

“hera” (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário – cor – 1h23min – 2012 – HD–
*Antonio Nelson – www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com

Nota e fotos da exibição especial do documentário “hera”

Exibimos sexta, 9 de março de 2012, o documentário “hera” no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA). Entre o público que prestigiou o doc, comoveu-nos a presença do ilustre escritor Hélio Pólvora. Surpreendeu-nos muito alegremente a presença de Jaime Figura, inusitado artista performático e já folclórico no cenário cultural de Salvador e das ruas do Pelourinho (Jaime Figura foi retratado em “O Sarcófago”, curta de Daniel Lisboa). Gratificante também as presenças do cineasta Antônio Olavo (realizador de diversos documentários, entre os quais “Quilombos da Bahia”), do artista plástico Guache Marques e, claro, de todas as pessoas que prestigiaram o documentário.

Estavam presentes também poetas que participam do documentário, que aliás são os sujeitos que o constroem e conformam a sua substância histórica e poética. Para os realizadores, tratou-se de uma primeira justiça: mostrar o resultado do trabalho para os próprios protagonistas. E uma segunda justiça: oferecer ao público, para apreciação e crítica, um documento audiovisual que consideramos de relevância cultural para a Bahia.

Importante também termos recebido os primeiros retornos, ainda como breves impressões, de tais protagonistas. Para fortalecer o caráter documental do filme, sem diminuir a autonomia autoral, é imprescindível a retomada da construção das interpretações dos complexos contextos após a primeira exibição do documentário.

Nesse sentido, estamos a experimentar um processo novo para nós: a negociação entre a visão autoral dos realizadores e a recepção dos protagonistas sujeitos do documentário. É possível que, embora apresentemos a versão final do documentário (que refletirá muito mais a nosso recorte da experiência de filmar e conversar com os poetas do que as verdades de cada um), continuemos um processo de trocas e interpretações contínuas, que favorecerão de forma complementar – através de debates sobre o doc – o seu aspecto documental, seu próprio fundamento. Imprescindível também que o público que assistiu o doc (e que venha a assistí-lo futuramente), façam críticas e comentários através do nosso sítio, nas plataformas do forum, no Docset, ou enviando emails.

O doc “hera”, dado que foi realizado de forma independente, ainda não tem meios de distribuição. Nosso esforço, entretanto, será o de disponibilizá-lo em breve para livre acesso dos interessados através do sítio Bahiadoc – arte documento, ou, sendo possível, realizando outras exibições.

Agradecimentos ao Goethe Institut pelo apoio à exibição e a Acelino, pelo suporte técnico à projeção.

Um agradecimento especial e um “coletivo abraço” (imitando Drummond…) a todos que prestigiaram o documentário “hera”, valorizando este rico capítulo da poesia baiana.

Dos realizadores Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz.

Momentos da exibição especial no cine-teatro do Goethe institut (ICBA), 9 de março. (Fotos de Lívia Cunha e Joaquim Neto).

Guache Marques e Uaçaí Lopes

acima: Guache Marques e Uaçaí Lopes (foto: Mário Joaquim)

Valtério

acima: Valtério (ilustrou edições da revista Hera) e esposa (foto: Mário Joaquim)

Wilson de Jesus e Camele

acima: Wilson de Jesus e Camele (foto de Lívia Cunha).

acima: Antônio Olavo, cineasta (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA) (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA) (foto: Lívia Cunha).

acima: Uaçaí Lopes na plateia (foto: Lívia Cunha)

acima: Roberval Pereyr e Washington Queiroz (foto: Lívia Cunha).

acima: poetas Roberval Washington conversam com o público (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro (foto: Mário Joaqim).

acima: escritor Hélio Pólvora (foto: Mário Joaquim).

acima: cine-teatro do Gethe Institut logo após a sessão (foto: Mário Joaquim).

O Bahiadoc apresenta o documentário “hera”, que retrata um importante capítulo da poesia baiana

 

A REVISTA

A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval Pereyr, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.

O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO

Nós, editores do Bahiadoc, fomos convidados por um dos poetas do grupo Hera para registrar o lançamento da edição fac-similar da revista, que viria a ser em 6 de dezembro de 2011, no Palácio da Aclamação, em Salvador. Depois de breves conversas com o poeta, sentimo-nos atraídos pelo instigante universo poético e cultural que a história do grupo trazia intimamente em si: um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, através da linguagem audiovisual. O caráter autoral quase sempre caracteriza a obra audiovisual documental, mas neste caso, os sujeitos do documentário – isto é, os próprios poetas e as suas relações com a poesia e com o mundo – conformam a substância do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência.

Várias razões, além da importância cultural do grupo Hera e de sua vibrante dimensão poética, justificam o nosso esforço de realizar o registro simbólico que ora apresentamos. Mas é lícito que reforcemos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do Bahiadoc – arte documento queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.

O documentário “hera”, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

Por fim, realizamos o documentário sem o aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012.

Se realizamos o documentário “hera” sem patrocínio, o esforço se deu pelo encanto que o tema despertou em nós e, sobretudo, pela relevância cultural e histórica que a revista Hera alcançou no cenário cultural baiano – as memórias passam e não podem esperar. Entretanto, defendemos enfaticamente a importância das políticas públicas culturais que estimulem produções que resgatem e promovam as diversas dimensões de nossa história cultural e artística. Não nos sentimos confortáveis em esperar por tais políticas, mas nos sentimos no dever de nos manifestar sobre a urgência e necessidade delas, o que nos possibilitaria – e também a outros – realizar um trabalho sob melhores condições estruturais. Cremos que o doc “hera”, mesmo assim, alcança algum êxito ao trazer à público, para livre acesso, um recorte de um belo momento da poesia.

O Bahiadoc conversou com poetas baianos fundadores da revista Hera. Confira uma prévia do doc.

 

O Bahiadoc – arte documento registrou encontros com poetas baianos que fundaram a revista Hera, publicação que em seus 20 números editados entre 1972 e 2005, engendrou uma marcante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional.

A nossa ideia é compor um painel audiovisual a partir das conversas com os poetas baianos, buscando apresentar a revista Hera a partir das falas de seus fundadores e estimular discussões sobre a importância histórica do intenso movimento literário que a revista engendrou, contribuindo para a memória cultural e para a reflexão sobre um importante capítulo da literatura baiana. Nós entrevistamos os poetas, escritores e artistas visuais Antônio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Consideramos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do Bahiadoc – arte documento queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.

Em breve, o material estará disponível no sítio para livre acesso e difusão.

A nossa produção contou com o apoio da Diretoria de Audiosual e Multimeios – DIMAS/Funceb, através do NAP – Núcleo de Apoio à Produção, que oferece suporte às produções independentes na Bahia disponibilizando equipamentos e técnicos para as filmagens.

A REVISTA HERA

A revista Hera foi criada, no início da década de 70, a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. No primeiro número, feito em 1972 (com data de janeiro de 1973 na edição impressa), foram publicados contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval A. Pereira, Washington Queiroz e Wilson Pereira, os fundadores.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados (de 100 autores).

Lançamento da edição fac-similar

Através da Uefs Editora e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista Hera, que saíram entre 1972 e 2005. Este volume, que é o primeiro da coleção Memória da Literatura Baiana, foi lançado, com momento de autógrafos, no dia 6 de dezembro, no Palácio da Aclamação, em Salvador.