Breve balanço do Cine Odé – Cinema no Terreiro

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Fotos das sessões do Cine Odé.

A Mostra de Filmes Cine Odé – Cinema no Terreiro findou o seu ciclo, quem sabe, o primeiro de outros que virão. De janeiro até julho desse ano, a mostra realizou doze sessões no Terreiro de Odé, em Ilhéus, exibindo filmes diversificados: de clássicos de nossa cinematografia a vídeos descobertos pelos curadores Camele Queiroz e Fabricio Ramos em pesquisas no Youtube. Ficções e documentários, animações, curtas e longas, sempre filmes com temáticas que valorizam o conhecimento e a reflexão acerca das religiões de raízes africanas e indígenas. O Cinema foi ao Terreiro e tal experiência revelou um pouco de como o nosso cinema viu e vê a cultura dos Orixás e as religiões afroindígenas.

Em Breve, os realizadores do Cine Odé apresentarão um vídeo que, em 15 minutos, resume a experiência de seis meses da Mostra. Acompanhe em nossas redes: blog do Cine Odé em https://cineodeblog.wordpress.com/ e curta a página da Mostra no Facebook, para os usuários da rede social.

O Cine Odé – Cinema no Terreiro teve o apoio financeiro do FCBA – Fundo de Cultura da Bahia e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através de edital Público realizado em 2015.

Da curadora Camele Queiroz:

é uma riqueza promover o encontro do cinema com um público dele afastado por diversas razões, e ver esse público encontrar a arte num lugar em que está habituado a se relacionar com o sagrado, com as forças da natureza e com as divindades, e ao mesmo tempo ser um lugar de resistência e afirmação, e ver que a cada sessão esse público demonstra profunda identificação com a arte e a expressão cinematográfica, discutindo os filmes à luz de suas próprias experiências de vida e de Fé.

Agradecimentos especiais a Maria Marta Soares dos Santos, liderança cujo esforço e trabalho na luta pela memória de Pedro Faria de Souza, fundador do Terreiro de Odé, resgatou o Terreiro de uma grave situação de abandono e degradação. Agradecimentos também aos realizadores que disponibilizaram seus filmes para as exibições; ao público que compareceu às sessões; a todos que colaboraram de diferentes formas para a realização do projeto. Um salve aos convidados que participaram, tornando as conversas com o público ainda mais ricas. Obrigado aos convidados José Nazal, Lourival Pereira Piligra, Daniela Galdino, Michelle Raic Mansur, Karine Fênix, Mãe Carmosina, Makrisi e a todos os demais que compareceram. Os realizadores do Cine Odé agradecem também a Lu Leite, professora, pela hospitalidade e apoio!

Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.13Do coordenador da mostra e curador Fabricio Ramos:

Esperamos que o Cine Odé, dentro de seus limites, alcance nas pessoas que participarem o mesmo que alcança em nós: não somos adeptos de nenhuma religião, mas nos sentimos gratificados de conhecer e vivenciar, em alguma medida, a riqueza e os mistérios dessas tradições religiosas, que são vívidas, experienciais. Acreditamos que as pessoas não nascem para ser intolerantes e desrespeitosas. Como dizia Pasolini, se referindo aos jovens que se comportavam como fascistas:  “Talvez uma simples experiência diversa na sua vida, apenas um simples encontro, tivesse bastado para que seu destino fosse outro”. Acho que a arte, e o Cinema, são capazes de promover, de favorecer, esse encontro singelo e transformador. Se o Cine Odé tem algum papel, é esse: o de reconhecer o valor desses encontros e de apostar no cinema como um encontro.

Sete perguntas sobre a mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro

Leia a entrevista, feita por Felipe Ferreira para o site CinemAção, com os realizadores e curadores do Cine Odé – Cinema no Terreiro, Camele Queiroz e Fabricio Ramos.[Clique aqui para ler a entrevista]. A entrevista, publicada originalmente naquele site no dia 14 de abril de 2016, aborda as experiências de Fabricio e Camele com o Terreiro, reflete sobre a intolerância religiosa e outros temas ligados ao Cinema e mesmo à Política. As respostas foram elaboradas conjuntamente pelos curadores e enviadas ao site CinemAção por email.

Fotos das sessões ao longo dos seis meses de mostra (clique em cada conjunto de imagens para ampliá-lo):

Captura de Tela 2016-07-27 às 19.41.19 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.42.18 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.29 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.43.45 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.08Captura de Tela 2016-07-27 às 19.39.55 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.41.34 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.08 Captura de Tela 2016-07-27 às 19.44.26

Cine Odé – Cinema no Terreiro: a programação de MAIO exibe o filme “Orí”, de Raquel Gerber

MAIO cine odéEm MAIO, as sessões do Cine Odé – Cinema no Terreiro, no Terreiro de Odé em Ilhéus/Ba, acontecem nos dias 28/5 e 29/5 (sábado e domingo, respectivamente), sempre às 17h. O Terreiro de Odé, fundado por Pai Pedro Faria, fica no Bairro Alto do Basílio. A mostra, que começou em janeiro e vai até junho, tem a  proposta de tornar o Terreiro de Odé um espaço cultural voltado para o cinema, com sessões mensais gratuitas que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas. Saiba mais sobre o contexto do Cine Odé no Terreiro fundado por Pedro Faria: Clique aqui. Acompanhe pela página da Mostra no Facebook: Clique aqui.

Os realizadores e curadores da mostra são Fabrício Ramos e Camele Queiroz, cineastas independentes baianos que escolheram exibir uma ampla e diversificada cinematografia baiana e brasileira, que inclui desde filmes consagrados até realizações independentes descobertas na internet.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09Um lembrete: para facilitar o acesso ao Terreiro de Odé, local da Mostra, o Cine Odé oferece uma Van para levar e trazer os interessados até o ponto de ônibus próximo. Para informações, ligue (73) 98110-5773. A entrada é gratuita.

No sábado (28), serão exibidos os curtas “Candomblé: Paz e Fraternidade“, dirigido e produzido por Mirella Lima; e “Exu – Além do Bem e do Mal”, dirigido por Werner Salles Bagetti.

No domingo (29), será exibido o filme “Orí”. Lançado em 1989 pela cineasta e socióloga Raquel Gerber, o filme aborda a reconstrução da identidade negra no Brasil, documentando os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, buscando a relação entre Brasil e África, cujo fio condutor é a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995.

CONVIDADOS ESPECIAIS:

Como nas sessões anteriores, o Cine Odé traz convidados especiais para abrirem a roda de conversa após as exibições dos filmes. No sábado (28), a convidada será Karine Fênix, educadora, comunicóloga e pós-graduanda em gestão cultural. No domingo (29), o convidado será Lourival Piligra, professor, escritor, poeta e pesquisador.

SOBRE OS FILMES

EXU – Além do Bem e do Mal” (23min, 2013)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.36.43Dirigido por Werner Salles Bagetti, realiza uma imersão poética no tema Exu, um dos Orixás mais controversos. A câmera passeia pela cidade e captura silêncios, semblantes e vazios, antes de mergulhar no transe dos terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada em celebração a Exu. Em paralelo, um discurso polifônico é construído com as vozes de especialistas do tema, em Alagoas e Pernambuco. Entre os entrevistados estão os babalorixás Manoel Papai, Pai Célio de Iemanjá, Pai Manoel do Xoroquê e o antropólogo pernambucano Roberto Motta. O projeto do filme foi contemplado no 2º Edital de Fomento à Produção Audiovisual de Alagoas em 2012.

Candomblé: Paz e Fraternidade” (21min, 2011)

Captura de Tela 2016-05-14 às 11.37.49Dirigido e produzido por Mirella Lima para a Faculdade Maurício de Nassau. Gravado em Recife, o curta entrevista adeptos do candomblé e estudiosos da religião para introduzir um painel histórico e, depois, uma reflexão sobre a perseguição e o preconceito, e também da resistência e luta de permanência, que marcam a história das religiões de matrizes africanas no Brasil. O filme menciona a importância dos Movimentos Negros na luta pelo reconhecimento cultural e religioso das manifestações afrobrasileiras. É aí que o curta se liga com o filme “Orí” de Raquel Gerber, o longa de nossa sessão de domingo, dia 29 de maio.

ORÍ, de Raquel Gerber

Captura de Tela 2016-05-14 às 10.49.24ORÍ (1989, 91 min., 35 mm) é o resultado de 11 anos de produção e filmagens no Brasil e na África junto a pesquisadores e historiadores e comunidades negras brasileiras. Sobre um panorama de um documento – história sobre os Movimentos Negros no Brasil (anos 1970/1980), o filme conta a história de uma mulher – Beatriz Nascimento – historiadora e militante, que busca sua identidade através da pesquisa da história dos “Quilombos” como estabelecimentos guerreiros e de resistência cultural, da África do século XV ao Brasil do século XX. Esta pesquisa revela a História dos povos bantus na América e seu herói civilizador Zumbi dos Palmares.

Raquel Gerber, cineasta, socióloga e historiadora, começou as filmagens de ORÍ em 1977 quando trabalhava com o fotógrafo e diretor Jorge Bodanzky. Trabalhou também com os diretores Hector Babenco, Orlando Senna e Glauber Rocha. Com Glauber, ente 1973 e 1980, fez pesquisa histórica, o que resultou em três livros sobre o Cinema Novo entre os quais: O Mito da Civilização Atlântica, Gláuber Rocha, Cinema, Política e a Estética do Inconsciente (tese apresentada na USP). Entre 1970 e 1980 fez crítica de cinema e ensaio para revistas e jornais nacionais e estrangeiros. Desde 1977 documentou a vida e a história de comunidades negras brasileiras. Para realizar o documentário ORÍ trabalhou junto a importantes africanistas brasileiros e Naná Vasconcéllos, percussionista brasileiro, na época radicado em Nova York.

Raquel Gerber realizou também, em co-direção com Cristina Amaral, o filme ABÁ, sobre a religião e a cosmogonia africanas, filme que foi exibido na sessão de fevereiro do Cine Odé.

Ilhéus recebe Mostra de Cinema no Terreiro de Odé

Logo ilustração bambu

A mostra de filmes CINE ODÉ – Cinema no Terreiro fará do Terreiro de Odé, em Ilhéus, um espaço cultural voltado para o cinema e dedicado a filmes que estimulam a valorização e o conhecimento das culturas religiosas brasileiras de matrizes africanas e indígenas.

A mostra acontece de janeiro a junho de 2016, sempre no último final de semana de cada mês, com sessões aos sábados e aos domingos, abertas ao público gratuitamente e com a presença de convidados especiais para um bate-papo depois das projeções. Serão exibidos, durante as várias sessões da Mostra, 16 filmes entre curtas  e longas metragens, animações, documentários e ficções. As primeiras sessões acontecem nos dias 30 e 31 de janeiro, sábado e domingo respectivamente, sempre às 17 horas.

Captura de Tela 2016-01-14 às 19.34.09ACESSO: O evento disponibiliza uma van para facilitar o acesso do público ao local da mostra. O Terreiro de Odé, localizado no bairro Alto do Basílio, é um dos mais tradicionais terreiros de Ilhéus. Fundado em 1942 por Pedro Faria, conhecido como Pai Pedro, enfrentou graves dificuldades depois da trágica morte de seu fundador, que chocou a cidade. Hoje, o terreiro tenta se consolidar como espaço cultural, através do Instituto de Solidariedade Pedro Faria, voltado para a memória dos Orixás e da obra de Pai Pedro.

A Mostra Cine Odé tem curadoria de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, organizadores da mostra e cineastas que, entre outros filmes, realizaram o curta As Cruzes e os Credos (2014), gravado, em sua maior parte, no próprio Terreiro de Odé. Para os diretores, fazer o filme, partindo da impactante morte de Pai Pedro, se tornou uma descoberta e um encontro inesperado com o sagrado e o mistério. As Cruzes e os Credos, que foi exibido no V Feciba – Festival de Cinema baiano 2015 e em festivais de Cinema na Colômbia e na Bolívia, integra a programação da Mostra Cine Odé, que apresenta também uma diversificada filmografia baiana e de outras partes do país.

Todas as informações e a programação completa podem ser acessadas no site da mostra: https://cineodeblog.wordpress.com/

Ou pelo telefone (73) 98110-5773, para falar diretamente com os organizadores ou produtores da Mostra Cine Odé.

O projeto Cine Odé – Cinema no Terreiro é uma realização do Bahiadoc – Arte Documento e teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através do edital público de Agitação Cultural 2015 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Curtas “Muros” e “As Cruzes e os Credos” no FECIBA 2015, em Ilhéus

Captura de Tela 2015-06-03 às 13.30.52A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano exibe dois filmes que trazem o selo do Bahiadoc, ambos dirigidos por Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

MUROS

Exibição: 12 de junho (sexta). 10h e 17:30h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Muros leveMuros (2015), que participa da Mostra Competitiva, a precariedade urbana e arquitetônica de favelas brasileiras é colocada em questão por Rogério Ferrari, fotógrafo que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e em campos de refugiados. O filme reflete sobre realidades sociais, históricas e culturais através do encontro entre Fotografia, Cinema e moradores de bairros periféricos de Salvador. O filme teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura da Bahia, contemplado em edital público Setorial de Audiovisual de 2013, realizado pela Funceb.

Blog do curta: https://curtamuros.wordpress.com/

AS CRUZES E OS CREDOS

Exibição: 8 de junho (segunda). 17h. No Cine Santa Clara. Entrada Franca.

Cartaz Cruzes 300dpi JPG_10_8As Cruzes e os Credos (2014) participa da Mostra Bahia Adentro. O curta mostra um encontro com o mistério e a fé a partir das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e de um bispo (Pai Pedro e Dom Tepe, ambos de Ilhéus), refletindo as imbricações entre catolicismo e candomblé. O filme foi viabilizado através de financiamento coletivo nas redes sociais e participou de Festivais Internacionais, como a Mostra Oficial do Fenavid – Festival Internacional de Cine Santa Cruz, Bolivia 2014; e a Mostra Oficial do I Somos Afro, Festival Virtual de Curtas sediado na Colômbia.

Blog do curta: https://ascruzeseoscredos.wordpress.com

O FECIBA

A quinta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano – Será realizado entre os dias 07 e 13 de junho no Cine Santa Clara, em Ilhéus-BA. O Festival promove uma programação variada, composta por mostras de filmes, homenagens, premiação, oficinas de formação para o audiovisual e workshops, além de promover o encontro entre os realizadores e o público, através de bate-papos presenciais e on-line. Saiba mais no site do Festival.

As Cruzes e os Credos (prévia): filmar é ir a um encontro inesperado

O resgate do tema de um curta universitário que o realizador gravara dez anos antes o coloca em busca do reencontro de uma história. Fazer o filme se torna um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

 

Texto de Fabricio Ramos, realizador*:

Em 2003, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos daquele ano, de um conhecido Pai de Santo de Ilhéus, o Pai Pedro, e do Bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Fui a Igrejas e depois fui ao Terreiro de Odé, a casa de Pai Pedro, onde o babalorixá tinha sido assassinado. Cidade chocada. Terreiro de Luto, não pude entrar nem gravar nada. Era um vídeo universitário., de viés político: buscava evidenciar, a partir da repercussão das mortes do babalorixá e do Bispo, a marginalização do Candomblé frente a oficialidade dedicada à Igreja por parte dos poderes institucionais, imprensa, sociedade.

Dez anos se passaram. Em 2013, resolvemos retomar o tema e fazer um outro filme partindo do mesmo tema, já em outro contexto, passado o impacto inicial que a cidade sofreu com a perda de dois de seus ícones religiosos.

Eu e Mel resolvemos, então, levantar recursos para viajar de Salvador até Ilhéus. Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo através da internet e conseguimos dinheiro para custear a viagem, e também apoio de amigos na forma de trabalho voluntário (Juliana Freire, produtora, viajou conosco) e de hospedagem solidária (a amiga Lú nos ofereceu todo o conforto). O cineasta Henrique Dantas emprestou equipamento de áudio, e a DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural da Bahia emprestou equipamento de iluminação, através do Núcleo de Apoio à Produção Independente.

Decidimos ir a Ilhéus sem pesquisa prévia, passar lá uma semana, câmera na mão, buscando reencontrar a história. Eis que a história esperava por nós. Lugares inesperados, improvisos, sentimentos: a busca do filme faz surgir novos acontecimentos, novas experiências. Filmar o curta “As Cruzes e os Credos” foi ir a um encontro inesperado, mas no fundo, secretamente esperado por cada um que participou desse encontro. Mas um filme é um filme, que fale por si.

A ideia do filme é provocar uma reflexão através de nossa própria experiência de fazer o filme. Uma reflexão que envolve as raízes de nossa cultura afroíndia, o compromisso dos adeptos com o Sagrado, e o lugar do cinema, ou de um certo cinema.

Nossos agradecimentos a todas e todos que confiaram na proposta e apoiaram direta ou indiretamente a realização do filme.

AS CRUZES E OS CREDOS (site)

Roteiro, Direção e Edição: fabricio ramos e camele queiroz
Produção: juliana freire
Câmera e Direção de Fotografia: fabricio ramos
Som Direto e Montagem: camele queiroz

Iniciativa de apoio ao curta “As Cruzes e os Credos”. Participe!

Fabricio Ramos e Camele Queiroz convidam os amigos (conhecidos e não conhecidos) a apoiarem parcialmente a viabilização do curta As Cruzes e os Credos,  através de cota de patrocínio de valor fixo: R$ 20,00.

“Nós, realizadores, já contamos com apoio para a filmagem, com hospedagem solidária e outras estruturas, restando apenas aportar recursos para custear parcialmente a nossa viagem a Ilhéus. Este é o propósito desta iniciativa. Apoiar o projeto é apoiar a reflexão acerca de nossa cultura e história (veja a contrapartida prática e instruções gerais mais abaixo). Temos uma página no Facebook para marcar a colaboração como participação no “Evento”.

As colaborações podem ser feitas até 20/11. No vídeo abaixo, Fabricio resume a ideia do projeto:

O QUÊ APOIAR:
Projeto de curta documental (20min) com título provisório “As cruzes e os credos”, com concepção e direção de Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

RESUMO DO PROJETO: Em 2003, em Ilhéus, Fabricio Ramos realizou um curta que propunha uma reflexão sobre nossas relações entre o Sagrado, o místico, a História e a Política, a partir de dois eventos que marcaram a cidade de Ilhéus: a morte, em dias imediatamente consecutivos, de dois ícones religiosos, um da Igreja católica, outro do Candomblé, um de “morte morrida”, outro de “morte matada”. A ideia é voltar a Ilhéus e fazer outro filme resgatando a memória desses eventos, aproximando-se dos conflitos e interações que marcam as relações de nossa mística de raiz afroíndia e de nossa mística cristã de raiz europeia colonizadora.

RESUMO DO CONTEXTO: Nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2003, morreram em Ilhéus respectivamente Pedro Farias, o babalorixá Pai Pedro, assassinado na porta de sua residência/terreiro, no Bairro do Basílio; e o Bispo Emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe, que morreu “enquanto dormia”. Ambos eram muito queridos na cidade de Ilhéus, em todas as camadas sociais, sobretudo nas camadas populares. Em Ilhéus, conversaremos com o Padre Nildemar e com o Padre Cristo, ambos amigos tanto de Pai Pedro quanto de Dom Tepe. Visitaremos o terreiro de Pai Pedro, conversaremos com moradores do Basílio (bairro cujo um fundadores foi Pai Pedro), e visitaremos também o Kàwé – Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais, da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus.

POR QUE APOIAR:
A comoção popular foi muito grande na cidade: tanto Pai Pedro quanto Dom Tepe gozavam de imenso prestígio. Contudo, somente Dom Tepe contou com cortejo em carros de bombeiros e com decreto de três dias de luto oficial por parte da prefeitura. A Lavagem da catedral de São Sebastião, feita por adeptos do Candomblé, encontra as portas da Igreja fechadas, porque esta considera pagã a manifestação. Quando os eventos aconteceram, Fabricio Ramos morava em Itabuna e estudava na UESC, em Ilhéus, e filmou um curta a partir da repercussão das mortes de Pai Pedro e Dom Tepe. Durante o processo de filmagem e nas conversas com padres, filhos de santo e moradores de Ilhéus, Fabricio notou uma certa marginalização do Candomblé quando confrontado com a oficialidade dedicada à Igreja Católica, manifestada nos funerais dos representantes religiosos. Tais conflitos e interações levantam amplas reflexões que remetem a nossa relação com o sagrado em suas perspectivas religiosas, históricas e também políticas. É um tema potente que, a partir de Ilhéus e resgatando a história recente da cidade, pode comunicar com o Brasil inteiro. Nós, realizadores, já contamos com apoio para a filmagem, com hospedagem solidária e outras estruturas, restando apenas aportar recursos para custear parcialmente a nossa viagem a Ilhéus. Este é o propósito desta iniciativa. Apoiar o projeto é apoiar a reflexão acerca de nossa cultura e história (veja a contrapartida prática mais abaixo).

COMO APOIAR:
As cotas de patrocínio são fixadas no valor de R$ 20,00 (vinte reais) por pessoa (sendo livre o aporte de outros valores). Para apoiar basta clicar em “participar do evento”, fazer o depósito ou transferência de sua cota de patrocínio na seguinte conta:

Titular: Fabricio Silva Ramos

Banco do Brasil
Agência: 2799-5
Conta Corrente: 19392-5

E enviar email para contato@bahiadoc.com.br com o assunto [apoio ao curta], indicando nome completo e dados de contato nas redes para que possamos manter contato, incluir o agradecimento no filme e convidar o apoiador para as sessões de exibição especial. Os colaboradores receberão informes periódicos sobre o andamento do trabalho.

CONTRAPARTIDAS PELO APOIO:
As contrapartidas são: inclusão do nome do apoiador nos créditos de agradecimento do filme; convite para exibições especiais com a presença dos realizadores para debate, críticas e conversa; uma cópia do filme em DVD, com estojo e capa personalizados (este último, caso alcancemos a meta de patrocínio). E, além de tudo, a nossa eterna gratidão e solicitude para intercâmbios.

META:
A nossa meta é alcançar, através dos patrocínios individuais, o valor de R$ 1.200,00 (Mil e duzentos reais) que serão aplicados em despesas com a viagem de Salvador a Ilhéus: transporte, combustível, logísticas básicas.

Para tirar qualquer dúvida ou enviar sugestões, entre em contato com Fabricio Ramos através do Facebook, ou do perfil do Bahiadoc Arte Documento, ou ainda pelo email: fabricio@bahiadoc.com.br